Tarifaço de Trump redefine estratégia de Lula e Flávio Bolsonaro e deve marcar campanha de 2026
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Cássia
Milton
Lauro Jardim
- Política de Tarifas de TrumpEstratégia de Lula · Estratégia de Flávio Bolsonaro · Donald Trump · Defesa da soberania · Defesa do PIX · Marco Rubio
- Eleições 2026 e candidatura ao SenadoPapel de Donald Trump
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Plantão Lauro Jardim.
Muito bom dia para você, Lauro.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, Lauro.
Frente aos tarifaços, do ponto de vista político, qual estratégia a ser usada pelo governo e pela oposição?
Pois é, Milton, ontem as campanhas do Lula e do Flávio Bolsonaro acordaram com a pancada que foi essa notícia do novo tarifaço, e as duas campanhas trataram de imediatamente montar narrativas, montar estratégias para lidar com essa novidade. Foram estratégias que as duas campanhas usaram ao longo do dia de ontem e que vão continuar usando nos próximos dias, talvez com alguma adaptação aqui e ali. Se eu pudesse resumir, Milton, dá para falar que o Lula foi para o ataque para culpar o Flávio Bolsonaro pelo tarifaço, e o Flávio ficou mais na defensiva, embora tentando disfarçar que tava tentando atacar o Lula.
A orientação geral do lado do governo foi dada pelo Lula aos ministros ontem, logo cedo, depois de uma conversa que ele teve com o ministro Sidônio Palmeira. A orientação foi: os ataques e as críticas deveriam ser centradas na família Bolsonaro e poupar o Trump. Além disso, o centro do discurso do governo deveria ser, disse o Lula, a defesa da soberania e a defesa do PIX. E assim foi feito durante todo dia de ontem. Não só o Lula, mas pelo menos uns 8 ministros foram às redes sociais ou deram entrevistas e seguiram à risca essa orientação geral.
Já na equipe de campanha do Flávio Bolsonaro, Milton, preocupação óbvia era não deixar cair no colo dele o abacaxi que é esse novo tarifácio. Ninguém tem dúvida de que esse tarifácio prejudica mais a campanha dele que a campanha do Lula. E também não dá para esquecer que tanto Flávio quanto o irmão dele, o Eduardo Bolsonaro, elogiaram o tarifácio de 50% do Trump no ano passado, quando ele foi anunciado. Uma das iniciativas da campanha do Flávio Milton Encárcia foi de enviar uma carta assinada por ele ao secretário de Estado dos Estados Unidos, o Marco Rubio, pedindo formalmente que o governo americano não imponha novas tarifas, novas tarifas comerciais para o Brasil.
Isso é o que pode ser traduzido como uma vacina, essa expressão que os marketeiros costumam usar, pelo seguinte: se o governo brasileiro tiver êxito e conseguir, por meio de negociação, baixar as tarifas nos próximos 30 dias, o Flávio Bolsonaro vai dizer: bom, isso é resultado do meu pedido ao governo americano. Não vai ser resultado do pedido dele de modo nenhum, mas em campanha vale tudo, e vale tudo pros dois lados. É sempre bom que se diga isso.
Milton e Cássia, as duas estratégias têm problemas. A do Flávio, porque não vai dar para ficar defendendo o Trump cegamente como ele faz se, por exemplo, o governo americano resolver tomar alguma atitude contra o PIX. E a do Lula, porque bater no Flávio e preservar o Trump é um malabarismo que pode não ter como durar muito tempo. É claro que o Brasil precisa agora negociar com os Estados Estados Unidos, não é prudente sair atirando no Trump.
Mas em algum momento essas críticas, me parece, vão ser inevitáveis. Nessa madrugada surgiu uma nova ameaça de sobretaxa vinda do governo americano. Então a gente tem que ver como vão se comportar as campanhas do Lula e do Flávio a partir de agora. Para fechar aqui minha participação, Milton, é bom a gente Eu quero dizer o seguinte: é bom a gente se acostumando, porque essa campanha, como nunca na história das campanhas presidenciais brasileiras, vai ter o presidente americano como um dos centros do debate, para o bem ou para o mal.
Muito obrigado pelas suas informações e análise, Lauro Jardim. Bom dia para você.
Bom dia para você, Milton. Para você também, Cássia. Até sexta.
Até sexta.
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