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'Estamos de novo sob o ataque tarifário dos Estados Unidos', diz Miriam Leitão

03 de junho de 20268min
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Miriam Leitão fala sobre nova ofensiva tarifária dos EUA contra o Brasil. Ela explica que a sobretaxa de 12,5% anunciada sob a justificativa de combate ao trabalho forçado se soma aos 25% já recomendados ontem, ampliando as barreiras comerciais.

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Participantes neste episódio2
M

Miriam Leitão

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
Assuntos2
  • Tarifas EUA contra BrasilTrabalho forçado · Tarifa de 12,5% · Tarifa de 25% · Legislação brasileira · Lista Suja do Trabalho Escravo · Tarifas anteriores (50%) · Decisão judicial · Legislação ordinária (Lei 301)
  • Comércio Internacional e TarifasImpacto na economia mundial · Queda das bolsas · Governo Trump · Netanyahu
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MLMiriam Leitão

Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Miriam, boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN.

CACarlos Alberto Sardenberg

Boa tarde, Miriam. Miriam, no encerramento do seu comentário de ontem nós observamos que a gente voltaria a esse assunto porque esse assunto estaria em pauta por muito tempo.

MLMiriam Leitão

Demorou um dia. Demorou um dia, não, pior assim que agora toda madrugada, acordo de manhã para ver meus contatos com o Bom Dia Brasil, com, né, eu já vou falando os comentários, comentários cedo do jornal da CBN e já é mensagem assim, ó, veio outra medida, né, essa semana, é hoje, Então essa madrugada foi a do trabalho forçado. E aí a gente tá voltando o assunto já numa nova etapa, né, uma segunda etapa do assunto.

CACarlos Alberto Sardenberg

Mais União Europeia, né?

MLMiriam Leitão

É, na verdade é o seguinte, eles estão, são 60 países, e eles botaram, por exemplo, Noruega, Japão. E do que que eles estão falando quando ele fala trabalho forçado? Noruega não vai ter trabalho forçado, né? O que eles estão falando É que não é legislação nacional contra o trabalho forçado, que o Brasil tem uma boa legislação, ele tem uma boa fiscalização, tem um grupo de trabalho que cuida desse assunto, é um grupo móvel que faz fiscalização e tem a Lista Suja do Trabalho Escravo e várias punições.

E evidentemente que acontece sim, mas está sendo combatido. E acontece porque a gente tem noticiado, a gente noticia sempre, cada vez que acontece, mas tem fiscalização e tem repressão a isso. Mas o que eles estão exigindo é que tenha uma legislação eficiente contra o trabalho forçado em outros mercados, ou seja, os países com os quais o Brasil transaciona e que pode eventualmente mandar componentes para produtos que a gente faça aqui para vender para os Estados Unidos, Não pode ter trabalho escravo.

Então é muito mais difícil fazer essa comprovação. Mas os Estados Unidos, quer dizer, o que que acontece aí? Primeira informação que eu até falei hoje cedo no Jornal da CBN é que as duas tarifas acumulam, né? Portanto, não é 25 incluindo esses 12,5 de hoje. É a soma dos dois, né? Então são duas punições. O que que eles estão querendo fazer com isso? Estão querendo substituir as tarifas do ano passado. O ano passado, esse ano, a tarifa de 10 para todo mundo.

Depois fizeram mais uma diferenciada para nós, foi 40. Então, ao todo, deu 50. E essa tarifa do tarifácio do ano passado foi derrubada. Primeiro foi negociado, o Brasil negociou, negociou exceções, negociou redução, teve conversa com o Lula, com Trump, do vice-presidente Geraldo Alckmin, que teve, comandou delegação de empresários, gente que foi aos Estados Unidos. Enfim, ao fim e ao cabo, aquilo foi sendo retirado, alguns produtos foram retirados, e depois caiu na justiça.

O que eles estão querendo fazer agora é, dado que aquela caiu na justiça, não pode ter, porque a justiça considerou ilegal Eles estão querendo fazer o mesmo efeito econômico, ter as mesmas tarifas, mas indo pela legislação ordinária, que é a legislação da 301, da lei de comércio. Como eu disse ontem, essa é mais perigosa por isso, porque é muito mais difícil derrubar na justiça quando ela for aplicada. Ela é mais robusta do ponto de vista legal, essa medida. Sardenberg, Cassia.

CACarlos Alberto Sardenberg

Foram vários países, a China já reclamou, a Comissão Europeia também já reclamou, porque como você disse, né, a Noruega, por exemplo, ele pode dizer que a Noruega produz com insumos importados de países onde há trabalho forçado, né? Essa é uma interpretação ampla. Agora, as isenções foram mantidas, né, Miriam?

MLMiriam Leitão

As isenções foram mantidas, mas nada resolve, né? Isso é uma nova É uma nova, novo ataque tarifário que o Brasil está enfrentando e está enfrentando num contexto que é impossível se desvincular da questão política, né? O senador Flávio Bolsonaro tinha ido lá quando começou a ser anunciada essas questões. Havia uma expectativa no governo que fosse demorar um pouco mais, tanto essa quanto as outras. Eu tenho conversado com negociadores brasileiros que estão na seguinte situação: continuaremos negociando, continuaremos indo, mas o Brasil chegou na hora das alegações finais, né?

Pelo menos naquela de ontem Porque já se passou um ano, né? Foi anunciada, a investigação foi aberta em julho do ano passado, e em julho desse ano será então decretada. Eles vão lá, mas eles já foram, já foram, já levaram, levaram comissões de alto nível com vice-ministros, já levou embaixadores, já levou empresários, empresários já contrataram advogados, atuaram bastante na nas brechas da lei, na defesa. E agora vai ter de novo uma audiência pública, mas já teve audiência pública.

Essa é uma outra audiência pública nessa nova etapa, após o escritório comercial da Casa Branca dizer que ele recomenda 25% naquele caso e 12,5% nesse caso. Então nós estamos de novo sobre o ataque tarifário dos Estados Unidos, que perturba sim a economia, cria dificuldade, mesmo tendo exceção, tem barreiras ao comércio, é barreiras ao comércio, é muitas empresas vão enfrentar a dificuldade no seu dia a dia, é um problema a mais na economia brasileira, Sardenberg.

CACarlos Alberto Sardenberg

Na economia brasileira, na economia mundial, né? Porque as bolsas já tão caindo porque a guerra tarifária global já aparece de novo, né?

MLMiriam Leitão

Pois é, pois é, e como se a gente já precisasse de novo fator de perturbação da economia global. Porque a guerra que Trump produziu, criou, ele com Netanyahu, já produziu um estrago enorme. O ano não é como o ano seria em nenhuma economia do mundo. Nós sabemos exatamente como a nossa história da economia desse ano mudou. E agora tem mais essa perturbação, né? Mas é um novo furor tarifário do governo Trump.

CACarlos Alberto Sardenberg

Míriam Leitão, obrigado, Míriam. Até amanhã.

MLMiriam Leitão

Até amanhã? Até amanhã nada, tô feriado. Ah, até segunda-feira, Míriam. Até mais. Bom, gente, qualquer momento a edição extraordinária. Se surgir tarifa nova, a gente te liga. Meu Deus. Então tá, até mais. Tonta, ciao.

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