Episódios de Comentaristas

Expectativas para juros mudam e passam a prever menos cortes na Selic

03 de junho de 20265min
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Luiz Gustavo Medina avalia que o mercado financeiro passou a revisar para cima as projeções da taxa básica de juros no Brasil, em meio a um cenário de incerteza que mudou rapidamente as expectativas para a Selic ao longo do ano.

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Participantes neste episódio2
L

Luiz Gustavo Medina

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
Assuntos1
  • Corte de Juros no BrasilRevisão para cima das expectativas da Selic · Cenário de incerteza econômica · Guerra e seus efeitos · El Niño e impacto na economia · Eleições e expectativas · Política fiscal do governo · Banco Central e política monetária · Impacto no endividamento e empresas
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LGLuiz Gustavo Medina

O Assunto é Dinheiro com Luiz Gustavo Medina.

CACarlos Alberto Sardenberg

E aí, Teco?

LGLuiz Gustavo Medina

Oi, Sardenberg, boa tarde, boa tarde, Cássia, boa tarde aos ouvintes, tudo bem? Tudo certo, Teco, boa tarde.

CACarlos Alberto Sardenberg

Bom, aí o pessoal do mercado, consultorias, gente de banco começando a dizer que a taxa básica de juros do Brasil não cai mais, né?

LGLuiz Gustavo Medina

Pois é, Sardenberg, essa é a grande notícia desses últimos dias. E vou te falar que uma das grandes coisas que eu jamais podia imaginar para esse ano, porque a gente começou o ano com certeza absoluta de ter um espaço enorme para o corte de juros, né? A gente começou com a Selic em 15, A dúvida é se ia parar no 12, no 12,5 ao final desse ano. Tinha mais pessimista ali, falava que era um pouco abaixo de 13. E de repente, por conta de uma série de razões, acho que a mais óbvia, a guerra, né, a gente tá com uma revisão muito, muito negativa e muito rápida para tudo isso, né.

Então, só para a gente ter uma ideia, essa semana, só nessa semana, o BTG, por exemplo, revisou a expectativa da Selic para 14,25. 14,25 é um corte de junho e acabou, não tem mais nada. O AXP revisou hoje para 14, o Itaú ontem para 13,75. Tá com cara de que vai ter um corte agora em junho, mas essas revisões estão piorando todas muito rapidamente. Não parece, não parece descartada a hipótese de que a gente realmente pare em junho ou na próxima, o que seria péssimo para o país, né, péssimo para tudo e todos, mas também seria provavelmente o menor ciclo de corte de juros da história de qualquer lugar, né, porque é um corte de juros que mal começou e já acaba, né.

CACarlos Alberto Sardenberg

É por causa dos efeitos da guerra, né.

LGLuiz Gustavo Medina

É, tem efeito da guerra, tem essa história, tem muito banco já preocupado com essa, com efeito do El Niño que deve ter no meio do ano para o efeito do ano que vem. Tem gente que fala que eleição pode prejudicar as expectativas, tem o governo governo que não para de injetar dinheiro na economia, né? Então está também nesse equilíbrio péssimo, né, Sardenberg? Que é o Banco Central muito restritivo, o governo apavorado da economia não crescer, despejando dinheiro como se não houvesse amanhã para o país crescer.

Esse equilíbrio horroroso, né, de um fiscal ruim com um monetário completamente fora do lugar, né? A questão é saber, né, Sardenberg, porque a gente tá indo para o Pro, se a gente parar para pensar, a gente tá falando já de 5 anos, né? E se o juro não cair, a gente começará o ano que vem, ou seja, o 6º ano com patamar de juro é insustentável, né? Não só para o país, mas para muitas empresas, para muitas famílias. Vai ser difícil equilibrar isso aí tudo, né? Precisa se encontrar um outro equilíbrio para isso, né?

CACarlos Alberto Sardenberg

É, mas esse outro equilíbrio depende de um governo que faça um ajuste fiscal forte, o que não tá no horizonte, né?

LGLuiz Gustavo Medina

Pois é, mas talvez ali precisasse, precisasse ali de um, de uma sentada ali numa reunião com todo mundo para discutir isso, para que o Banco Central explique isso, porque evidentemente também ninguém quer que a inflação saia do controle, né, ou suba muito. Mas a gente já vê isso batendo nas famílias e já vê isso batendo no endividamento das pessoas. A quantidade de empresa em recuperação judicial, né, ou empresa que fechou, é absurda, né.

Tem muita empresa grande, muito empipinada. A gente tá vendo aí toda hora recuperação judicial de empresa gigante. E assim, esse ano, né, tem muita empresa que tava fazendo ali aquela, quase que aquela última respiração ali, pegando ar, porque esse ano o juro cairia, né, e o juro podia cair bastante. Então Também era ali o último gás. Se você tirar essa variável do cenário, as coisas pioram muito, né? Porque tem muita empresa já virou o ano já com água acima do pescoço, né?

Então esse equilíbrio, enfim, o governo vai conseguir jogar essa história de que a culpa é da guerra para esse ano, e é difícil dizer que não é também, mas na vida real vai ser difícil explicar para como é que a gente vai chegar, vai começar o sexto ano com a taxa Selic em 14, né?

CACarlos Alberto Sardenberg

Thank you, Medina. Obrigado, Teco. Até mais.

LGLuiz Gustavo Medina

Até mais.

CACarlos Alberto Sardenberg

Tchau, tchau.

?Voz A

Até amanhã.

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