Por que ficamos mais exaustos justamente quando as férias se aproximam?
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- Tremembé PresídioAntecipação do descanso · Cobrança da fatura acumulada · Pressa para fechar pendências · Paradoxo da motivação · Culpa por querer parar · Percepção do esforço aumenta com a proximidade do objetivo
- Relação entre escola e casaDesespero dos pais com filhos em casa · Demanda extra durante as férias dos filhos · Rede de apoio e colônia de férias · Home office com crianças
- Lamento e sofrimentoPerda do reconhecimento e ordenamento diário · Desconforto ao largar a rotina · Cansaço como alívio disfarçado
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Saúde Integral com Rossandro Klinger.
Rossandro, boa tarde.
Boa tarde, Tati. Boa tarde, Nadedja. Como vocês estão, meninas?
Boa tarde. Eu tô bem, porém tô muito cansada. E olha ali no horizonte, vejo férias. Chegando. Tensão pré-férias existe mesmo ou é mito, hein, Rossandro?
Existe, existe, por vários motivos. Primeiro porque a gente, o corpo já começa a dar sinais, a mente antecipa o descanso, aí o corpo começa a cobrar a fatura acumulada do ano. Eu vou dizer uma coisa que todo ouvinte já passou, é meio estranho fazer no rádio, mas a gente tem liberdade de dizer aqui. Sabe quando a gente tá bem apertadinho, quando vai chegando em casa que sente que está chegando em casa, parece que solta mais. Pronto, chegando no lugar seguro, pronto.
É a mesma coisa com o cansaço que você sente na véspera. Ele não nasceu ali na véspera, estava represado. A perspectiva de pausa é que dá permissão para ele aparecer com mais ênfase. Aí tem aí, aí vem a pressa de fechar tudo porque a gente quer ir para as férias com aquela sensação de que eu não vou olhar nem o WhatsApp, nem abrir o e-mail. E ninguém quer voltar de férias para encontrar pendência esperando. E aí você começa a entrar naquele frenesi.
Aí a gente comprime a semana de trabalho nos dias, não é que aparece mais uma coisa e a gente decide resolver tudo antes de sair pela porta. E aí vai entrando um movimento de tensão muito grande. Essa tensão é por causa disso. Uma outra coisa é o paradoxo da motivação, que muita gente não dá conta. Quanto mais perto a recompensa, mais fácil suportar o que falta. Então se aumentar a demanda, você não vai estar perto, tá perto das férias, eu vou conseguir.
Pode mandar mais um relatório, pode mandar mais uma coisa, manda mais um livro para eu ler que eu tô pronto.
Livro, que eu tô pronto, eu vou entrar de férias. Isso tem um nome em psicologia, que é a medida que o objetivo se aproxima, a percepção do esforço aumenta. Então, o último quilômetro da maratona pesa mais do que a primeira subida, sabe? Porque você já tá ali no final, sabe? É uma coisa danada. Aí depois tem a culpa de querer parar. Muita gente carrega a ideia de que merece descanso, mas ao mesmo tempo que tem que provar, tem que tem que performar, né?
Durmam enquanto os outros, né? Acordem enquanto os outros dormem, trabalhem enquanto eles descansam.
Essa coisa que só nos leva mais rapidamente à exaustão e ao burnout, né? Total.
Você é o CEO de si mesmo, você empreende da sua própria vida. Tem alguma verdade, sim, mas por outro lado é um discurso de esgotamento das pessoas. Aí o que vai acontecer com isso? Tati nadetia. O tempo, o tempo, que é uma percepção meio que psicológica, ele vai mudar a textura. Então a expectativa distorce a percepção. O relógio é o mesmo, mas a espera vai esticar as horas. É igual sexta, quando dá 5 da tarde, parece que não chega segunda e não chega 6, né?
Aquela agonia que a gente sente assim. Aí tem a despedida que ninguém nomeia nesse processo. Que é sair do ritmo, também é uma pequena perda. Tem um luto do cotidiano. No cotidiano tem reconhecimento, tem importância, tem coisas para fazer, tem metas. Vamos imaginar assim, desde uma pessoa que, mesmo motoboy que tá fazendo entrega agora em São Paulo, aí no Brasil todo, a um Uber, a um desembargador, assim, essa rotina cria um certo ordenamento, tem os companheiros daquela jornada.
Então largar o que te organiza nos teus dias gera um desconforto que muita gente confunde com excesso de trabalho. Aí vem um cansaço que é um alívio disfarçado. Às vezes é o esgotamento da véspera, é o sinal de que finalmente você pode baixar a guarda. Aí o corpo entende, antes da cabeça, que está chegando a hora. E aí a coisa começa a fluir. Então a gente percebe que esses elementos que eu coloquei aqui, que são comuns no desenvolvimento da pessoa no pré-férias, né, Acontece muito isso.
E aí tem a outra, outra parte que a gente vai falar quando for em junho, é o desespero dos pais que teriam seus filhos para escolas, né? Que é: que eu faço com esses meninos em casa?
Eu ia perguntar se essa tensão pré-férias também acomete pais, mães, responsáveis por crianças que vão passar um mês de férias.
É, acomete, porque não é fácil, especialmente você tem um monte de demandas. Quando você deixa na escola, você sente que tá no lugar seguro, que tá aprendendo. E quando tá em casa, nem sempre, nem todo mundo tem rede de apoio seu filho para estar lá. E mesmo que você faça, por exemplo, home office, mas você tá lá no home office, numa reunião, criança demandando, outra puxando, uma puxando o cabelo, uma subindo no sofá, outra cai, leva uma queda.
E aquilo ali vai gerar uma sucessão de causas. Então, para muitas pessoas, as férias dos filhos— para muitas não, vamos ser sinceros— para maioria de nós pais, as férias dos filhos demandam um trabalho extra no momento das férias. Então as férias deles são o aumento do trabalho parental gigantesco. E dependendo do tipo de rede de apoio que você tenha, tem quem possa colocar no colônio de férias, tem quem não possa, né? Então assim, tem colônio de férias, as igrejas oferecem trabalhos de evangelização, em todas as igrejas cristãs do Brasil, sejam evangélicas, católicas, espíritas, tem um trabalho ali para ajudar também as famílias.
O que você puder fazer, se tiver uma creche que tenha uma hora extra, porque realmente termina que aquilo que vai ser uma coisa que seria legal pode estressar a relação entre pais e filhos.
Sei, tudo bem. Eu acho que a Tatiana pode ficar tranquila que o tempo vai passar bem rápido a partir de segunda, quando você tiver férias. Até lá eu tenho uns caminhões para carregar.
Enfim, pois então, cuidado se for andar de patinete, por favor.
Não, de bicicleta.
Né? Ou se você for caminhar e um patinete ou uma bicicleta vem perto de você, então fica atenta, porque a gente tá de férias, mas o outro ainda tá no endaloprado dele, atropela a gente.
Verdade. Obrigada pelos conselhos, seguirei a risca. Rosandra Klinger conosco toda quarta-feira no nosso Saúde Integral. Boas férias para a gente, quer dizer, para mim. Até a volta, Rosana. Rosandro, obrigada.
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