Episódios de Comentaristas

'Contra o Egito, tem que ser a Seleção que vai começar a Copa'

03 de junho de 202615min
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A dez dias da estreia contra o Marrocos, Carlos Eduardo Eboli e Gabriel Dudziak defendem que Carlo Ancelotti aproveite o último amistoso para definir a equipe e testar possíveis mudanças no esquema tático.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Eduardo Éboli

HostJornalista
G

Gabriel Dudziak

HostJornalista
Assuntos5
  • Copa do Mundo e Seleção BrasileiraEscalação para a estreia contra o Marrocos · Mudanças táticas (4-2-4 para 4-3-3) · Carlo Ancelotti · Casemiro · Danilo · Paquetá
  • Adaptabilidade TécnicaCapacidade de adaptação de Carlo Ancelotti · Esquema 4-3-2-1 (árvore de Natal) · Time ideal vs. melhores jogadores · Gerson (1970) · Zagallo · Pelé · Rivellino · Jairzinho
  • Análise do Adversário· SociedadeBrasil vs. Egito · Brasil vs. Marrocos · Escócia vs. Curaçao · Marrocos vs. Madagascar · Haiti vs. Nova Zelândia · Bélgica e nova geração turca
  • Personalidade e Responsabilidade de JogadoresDiferença entre jogadores e treinadores na leitura de jogo · Falta de atitude na geração atual · Gerson Carotinha
  • Copa do MundoLesão na panturrilha · Manutenção no elenco uruguaio · Arrascaeta
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GDGabriel Dudziak

4 em Campo, pré-eleção.

?Voz C

Carlos Eduardo Eboli, Gabriel Dudziak, boa tarde.

GDGabriel Dudziak

Olá, boa tarde.

?Voz C

Faltou um boa tarde.

?Voz D

Olá, boa tarde.

?Voz C

Só se fala em seleção brasileira e não é para menos. Estreia acontece daqui a 10 dias na Copa, 10, né, Dia 13, dia 13 é o Brasil.

GDGabriel Dudziak

Isso, dia 11 é a Copa.

?Voz C

Sábado, dia 13, estreia o Brasil. Será que teremos mudanças na seleção? Antes há amistosos preparatórios. É, quantos são daqui até lá? 2, só mais um, só contra o Egito. Isso, o que que a gente vai ver na opinião de vocês de mudança no time em relação ao último amistoso em que o Brasil goleou, né, 6 a 2.

GDGabriel Dudziak

Deixar o Éboli abrir, porque eu acho que já desde o começo a gente tem falado sobre essa possibilidade da troca do esquema tático, né, de 4-2-4 para 4-3-3. E não sei, é, se é contra o Egito que a gente vai ver isso, ou se num pedaço do jogo só, não sei.

?Voz D

É, Dudes, assim, o que eu penso, não sei se você pensa igual, é que contra o Egito tem que ser a seleção que vai começar a Copa, né. Eu vou achar muito estranho ele ensaiar algo contra o Egito e não realizar na partida contra o Marrocos. Então eu acho que essa dúvida, isso foi colocado publicamente pelo próprio Ancelotti, né, ele se colocou em dúvida depois da partida contra o Panamá. Isso tá sendo guardado a sete chaves nesse início aí de treinamentos nos Estados Unidos, até porque, como sempre, né, há muita a pouquíssima brecha para imprensa que tá acompanhando o dia a dia da seleção de ver a seleção brasileira, né?

Você tem ali sempre aqueles 15 minutinhos, são dedicados ali para que os veículos com imagem façam suas imagens, e depois as entrevistas coletivas, tudo muito dirigido, tudo muito roteirizado, né, pela assessoria de comunicação da CBF. E assim já de uma longa data que é assim. Então a gente não tem observação, para cravar, mas eu gostaria, então vou falar o que eu gostaria, que o Ancelotti fizesse alterações no esquema, colocasse em prática quanto contra o Egito, e torcendo para que dê certo contra o Egito, isso seja reproduzido na estreia contra Marrocos, né?

E a modificação que eu penso a mais adequada nesse momento é a mudança de esquema. Né, é colocar um jogador a mais no meio de campo. E não tô falando, tô falando isso pelo que aconteceu contra o Panamá, já muito tempo que falo isso. Dudes também vem falando sobre isso, que é um esquema que dá mais segurança à seleção brasileira, né, dá mais equilíbrio, ocupação melhor de espaço, sobrecarrega menos jogadores do sistema defensivo, principalmente há uma preocupação com o lado esquerdo, né, a proteção à zaga.

Você tem ali um volante com uma idade avançada, que é o Casimiro. Então tem que pensar em todas essas situações, e até mesmo como os 4 homens de ataque não estão conseguindo se comunicar da melhor maneira. Com um homem a mais no meio de campo, penso que essa comunicação vai ser mais fácil, o time vai estar mais bem distribuído, vai conseguir trocar passes com mais facilidade, consequentemente terá mais a posse de bola. Quem tem a bola, na minha opinião, também tende a se defender melhor, e com a para ela organizar com mais ideias, né, o ataque da seleção brasileira.

Então eu espero que aconteça esse pacotinho aí de mudanças para o jogo contra o Egito.

?Voz C

Fala, Dudzi.

GDGabriel Dudziak

Eu também acho que ele vai fazer, eu acho que ele vai fazer as mexidas. Sim, uma coisa que a gente está debatendo aqui desde o anúncio, né, do Carlo Ancelotti como treinador da seleção brasileira é a capacidade de adaptação que ele tem. Então assim, desde o princípio, né, passando pelos grandes times que ele já dirigiu, seja aí o Parma, Milan, Real Madrid, ele não tem uma ideia fixa do que que é o time de futebol que ele dirige, né.

Então assim, não sempre 4-3-3, sempre 4-4-2, né, não. Quando ele fez no Milan, por exemplo, né, quando dirigiu o Milan, ele conseguiu até popularizar um esquema tático que é muito pouco utilizado, né, que é o 4-3-2-1. Diferentemente do 4-2-3-1, que tem 2 volantes, 3 meias, ali você tinha 3 volantes, 2 meias, né, não tinha a figura do ponto. Exatamente, que o pessoal convencionou chamar de árvore de Natal, né, porque fica 3 e 2 e 1, né.

Então até é o nome aí de um livro que ele acabou escrevendo, né, em parceria, né, com alguém que escreveu para ele ali, mas que era a minha árvore de Natal, né, minha árvore de Natal, acho que era esse o nome. Mas assim, então, por que que ele fez isso? Porque ele tinha no mesmo time o Gattuso, Ambrosini, o Pirlo, Kaká, o Seedorf. Então assim, como colocar 5 meio-campistas num time só? Ele deu um jeito dele lá. No Real Madrid ele tinha, né, a possibilidade de colocar Kroos, Modrić, Casemiro juntos.

E poderia de repente não colocá-los, colocar um camisa 10. Não, não vou jogar com 10 aqui, vou jogar com 3 meio-campistas. E esses 3 meio-campistas foram o coração do Real Madrid. Num segundo momento, colocou, por exemplo, o Valverde para jogar de ponta direita ou de meio-campista. Então assim, ele se adapta. E até falávamos sobre isso no 4 em Campo de ontem, no programa, que a ideia dos 4 atacantes, ela vem muito na esteira de que, olha, onde é que estão os bons do Brasil atualmente?

Então, no ataque. "Eu vou colocar o máximo possível de atacantes que eles vão decidir." Mas se eles não estão decidindo, se a gente tem visto um Rafinha abaixo do potencial, Vinícius embora não tenha jogado mal contra o Panamá, em geral abaixo do seu potencial, e agora você tem um meio-campista que tá vindo do banco de reservas e tá pedindo passagem, como é o caso do Danilo, como pode vir a ser novamente o do Paquetá, me parece que dada toda a história dele aí, né, ele tende a se adaptar e fazer essa alteração.

O Egito deve se defender melhor do que a seleção panamenha, que o Panamá até é um time defensivo, mas parece que se empolgou tanto naquele primeiro tempo, que tá jogando bem contra o Brasil, que meio que abriu a porteira no segundo tempo, falou assim: vamos jogar! E aí foi punido, né?

?Voz D

Eu gosto muito dessa ideia, né, Duds, Tati e Nadede, eu gosto gostei muito dessa ideia de você arrumar um jeito de colocar os melhores, né? E se a gente recorrer ao nosso passado, inclusive o passado da Seleção Brasileira, a gente vai lembrar do que aconteceu em 1970, né, quando Zagallo botou todo mundo para jogar e ele fez uma linha de frente com Rivellino, Jairzinho, com Pelé e com Tostão. Mas você tinha ali jogadores que eram meia atacantes, né?

O Pelé, ele vinha no meio de campo. Rivelino vinha no meio de campo. O Tostão era um centroavante com inteligência de armação de jogada também, né, recuava. O Jairzinho era o mais agressivo, que atacava mais a profundidade. Então você tinha ali uma aproximação aos dois volantes, né, Clodoaldo e Gerson, né. E o Gerson era o cara do passe. Meu Deus do céu, que saudade! Olha a quantidade de técnica que tinha reunida. Então eu acho bacana o técnico, ele tentar arrumar uma maneira de reunir, né, os seus melhores jogadores técnicos.

Mas quando há um descompasso muito grande, você deixa todo mundo vulnerável. E eu acho que o Ancelotti não teve tempo suficiente para colocar em prática esse esquema com esses jogadores. Se ele tivesse de repente, né, feito o ciclo todo de 4 anos, era bem capaz que esse quarteto estivesse mais bem encaixado, o sistema tivesse mais bem, uma engrenagem mais fácil Mas não é o que a gente tá vendo, né?

?Voz C

Tava falando aqui fora do ar para o Dudzi, tenho dúvida se o time é capaz de assimilar essas mudanças de esquema de um jogo para outro, né? Ah, contra esse adversário é melhor jogar assim, contra aquele é melhor jogar assado. Obviamente isso determina funções e desempenhos diferentes daqueles jogadores em campo, né?

GDGabriel Dudziak

Tá todo mundo disposto, né?

?Voz C

Porque às vezes não é capaz também, né?

GDGabriel Dudziak

E assim, né, o Éboli lembrou, né? Uma seleção lendária, no qual acho que muitos aí abriram mão, né, dos seus posicionamentos ideais por um time ideal, né, no entendimento, na conversa. A gente sabe de muitos relatos daquela época, né, de que havia até conversas mesmo em campo. Ó, não tá dando certo isso daqui, deixa eu dar 2, 3 passos para frente, você dá 4 para trás, né. E assim, hoje em dia, achar jogadores é com esse entendimento, né, e capacidade de leitura dentro de campo É difícil porque o futebol também é mais complexo na questão tática e a parte da personalidade mesmo, né, deles se entenderem dentro de campo e falar: não, eu faço isso, você faz aquilo, sem ter melindres, sem ter de repente alguma alteração aí.

Não, não, eu não, eu não sei fazer isso, né, eu não vou fazer isso porque aqui eu não me sinto à vontade e tudo mais. Tem muito disso hoje em dia também. Seria acho que utópico pensar em algo semelhante, mas evidentemente que a gente deixa essas hipóteses no ar, né, e sonha com a possibilidade de que coisas semelhantes aconteçam, porque no treino estruturado, né, na didática, no processo correto, não vai ter, porque não houve tempo e não haverá. Sim, os nossos—

?Voz D

Quem me falava muito isso era o Gerson, né, o Gerson Carotinha, hoje trabalha na Tupi, e durante muitos anos trabalhamos juntos aqui no Sistema Globo de Rádio. Gerson é um contador de história maravilhoso e ele fala muito isso sobre 1970. Fala: olha, não desmerecendo o Zagallo, o Zagallo era um baita treinador, mas tem coisas que no campo, né, os jogadores eles enxergam melhor que o treinador que tá do lado de fora. E o jogador precisa ter essa personalidade também, leitura tática, para chegar: vem cá você, vem cá você, vamos fazer diferente, não tá dando certo isso aqui, você dá uma chegadinha mais para cá, você vem para lá.

Então ele chamava o Pelé: 'Pelé, vem cá, você fica aqui, você avança. Jairzinho, segura mais um pouquinho. Riva, encosta mais aqui em mim.' E aí eles resolviam as coisas com ali, com a bola rolando, porque tem que ser assim. Não dá às vezes ficar esperando o intervalo para esperar o que o professor tem a falar, que é a frase mais utilizada pelos jogadores de hoje em dia, né? Eu sempre mostro uma certa irritação com essa frase, porque assim, não é o que que o professor— 'Tô aqui, professor, tem algo a falar.' Mas e você, o que tem a falar?

Você que tava lá dentro do campo. Né, então tem horas que o time tem que resolver. E eu, nessa seleção, ou nessa geração, nessas últimas gerações, falta um pouquinho dessa atitude, né. Até mesmo é coisa mais individual mesmo. Deixa comigo, o que que eu tô fazendo, o que que eu posso fazer de melhor. Na hora vai esperar demais pelo intervalo para ver o que o professor tem a falar, a coisa já foi embora, né.

?Voz C

E o que que os nossos adversários estão fazendo esses tempos?

GDGabriel Dudziak

Sucesso! Tá fazendo sucesso os adversários.

?Voz C

Goals! Ah, que ótimo!

GDGabriel Dudziak

Só para contextualizar, né, a Escócia jogou com Curaçao lá no sábado. Escócia ganhou de 4 a 1. Curaçao tá na Copa, mas é claro que é uma seleção mais frágil, né? E ontem Marrocos jogou com Madagascar. Madagascar não está na Copa. Marrocos fez 4 a 0. Então Escócia 4 a 1, Marrocos 4 a 0, e o Haiti, na grande surpresa dos amistosos de ontem, fez 4 a 0 também na Nova Zelândia. Ah, é a Nova Zelândia, é verdade, não é um grande time também, mas não era essa expectativa não, viu.

Nova Zelândia era até favorita para o jogo de ontem, mas tomou um baile da seleção do Haiti. Então só lembrando, Escócia Marrocos, Haiti, Marrocos, Haiti, Escócia estão no grupo do Brasil na Copa do Mundo e estão fazendo sucesso.

?Voz D

Muito bem. O resultado do Haiti, o que mais surpreende, né, esse 4 a 0 em cima da Nova Zelândia. Não que a Nova Zelândia seja uma tradição em Copa do Mundo, tem apenas uma Copa a mais que o Haiti. O Haiti vai para segunda Copa e a Nova Zelândia vai para terceira Copa. Mas assim, é um país que figura mais no ambiente do profissional, do futebol profissional, né. Tem lá, os times sempre se classificam para Campeonato Mundial de Flúor, bicho! 4 a 0 para o Haiti. Será que o Haiti vem forte, gente?

GDGabriel Dudziak

Se cuida aí, pessoal.

?Voz C

Eu já tava com medo do Japão. Ninguém tá me preocupando.

GDGabriel Dudziak

A gente não tá podendo pôr muita banca não, viu?

?Voz C

Aliás, e a Bélgica, hein? Teve frutos aquela geração?

GDGabriel Dudziak

A nova geração belga tá meio velha, já não é mais nova, já envelheceu mal, já tá sendo aposentada. Aí tem alguns lá, Lukaku fez gol ontem. De Bruyne ainda vai jogar, Courtois, mas não é tão boa assim. Agora a gente tá falando muito da nova geração turca.

?Voz C

Ah, perfeito.

GDGabriel Dudziak

Então você fica de olho na nova geração turca.

?Voz C

Ah, novelas e futebol tá em alta.

GDGabriel Dudziak

Perfeito. Soft power e séries. Exato, por meio do futebol e das séries.

?Voz C

Soft power da Turquia. Que maravilha. Acabou. Algo acrescentado, Plinian?

GDGabriel Dudziak

O Éboli ia falar do Arrascaeta só.

?Voz D

Ah, não, é notícia, né? O Arrascaeta tava aquela dúvida se ele ia ser ou não cortado. O Uruguai tá bancando dizendo que a lesão que ele tem na panturrilha não é capaz de tirá-lo da Copa do Mundo. Então tá mantido no elenco que vai disputar a Copa do Mundo. De Arrascaeta, eu particularmente fico muito feliz. Ele merece jogar mais uma Copa do Mundo. Tomara que tenha condições.

?Voz C

Boa notícia para os álbuns de figurinhas também, uma correção a menos.

?Voz D

É isso, né? Tá arrepiado dos álbuns, né?

GDGabriel Dudziak

Mas aí fica de ensinamento, próximo álbum vocês fazem com 11 figurinhas.

?Voz C

Ou então vocês esperam as seleções todas serem anunciadas. Será que não dá tempo? Não dá, né?

?Voz D

Faz 11 figurinhas.

GDGabriel Dudziak

Compra menos figurinhas, tem a mesma experiência e erra menos também. Que tal? Menos é mais.

?Voz C

É isso, eu tô de acordo. Beijo, Dudzi. Tchau, Eboli.

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