Novas medidas tarifárias de Trump têm propósito de 'beneficiar a empresas americanas'
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Carol
Débora
Bruno Carazza
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São 6 horas e 46 minutos, o Viva Voz já está de volta e como hoje é quarta-feira, tá com a gente na linha também, já de volta a Belo Horizonte, o Bruno Carasa. Boa noite, Bruno!
Oi, Fera! Oi, Carol! Oi, Débora! Tudo bem? Boa noite para quem tá acompanhando a gente.
Oi, Bruno! Eu notei que tinha um sanduíche, ishi, aí da minha voz. Vamos ver se parou. Parou, pelo menos aqui não tá aparecendo.
Melhorou!
Bruno, depois de alguns meses aí concentrado na guerra com o Irã, o Trump voltou à carga na questão tarifária e o Brasil está no foco ali, está num dos principais alvos. Ele anunciou sobre taxas ontem e hoje por razões diversas. O que está em jogo? Quais são esses interesses que estão em jogo e como isso afeta de alguma maneira a economia brasileira?
Então, Vera, são medidas que o Trump anunciou, né, tanto ontem quanto hoje. Ontem especificamente em relação ao Brasil, né, naquela investigação sobre práticas desleais, supostas práticas desleais de comércio, que o Trump iniciou ainda em julho do ano passado, e ele concluiu ontem as investigações. E hoje ele estabeleceu aí para um grupo de 60 países, principais aos parceiros comerciais dos Estados Unidos, uma outra sobre taxa de 10 ou 12,5%, e o Brasil é baseado em trabalho escravo, é para trabalho forçado, e o Brasil também entrou nessa.
Então foram duas medidas contra produtos brasileiros e todas elas mostrando um caráter muito protecionista do Trump em relação a parceiros comerciais. Isso é uma postura que o Trump vem adotando desde o primeiro mandato. Nesse segundo mandato ele acelerou essas medidas e claramente essas medidas têm o propósito de beneficiar empresas americanas. E a gente percebe isso claramente sobre os tópicos dessa investigação que foi feita contra o Brasil.
Os Estados Unidos alegam que o Brasil tinha práticas desleais de comércio na área de mídias digitais. Sistemas de pagamentos com PIX, acordos com outros países como México e Índia, problemas no combate à corrupção, combate à pirataria e questões relacionadas ao etanol e ao desmatamento na Amazônia. Mas quando a gente olha até pelos argumentos usados, a gente lê o documento que embasou essa decisão do Trump ontem, a gente vê que tem interesses de empresas americanas que foram claramente citadas.
No caso das mídias digitais, o documento faz menção explícita às Big Techs, ao X, né, a Meta, ao Google. Na questão do Pix, explicitamente sobre as empresas de cartão de crédito americana, né, Visa e Mastercard, que tem interesses aí no sistema de pagamento e sofrem a concorrência do Pix. Na questão da pirataria, ele cita as empresas farmacêuticas americanas. No etanol, tem uma disputa de mercado global entre o etanol brasileiro e etanol americano.
E quando Trump fala de preocupação com desmatamento da Amazônia, na verdade ele tá preocupado com a concorrência que o agro brasileiro coloca contra o agro americano, né? Soja, carne, até questão de móveis. Então é um interesse americano acima de tudo, tanto que nas exceções ele tira aquilo que interessa aos Estados Unidos. Então tira as aeronaves da Embraer, tira o suco de laranja, que os Estados Unidos são muito dependentes do Brasil.
Então é uma ação totalmente voltada para o interesse da indústria americana. É, a investigação ela não detalha, não traz dados, não traz números. É claramente é uma peça de retórica embasando uma medida unilateral dos Estados Unidos em relação às empresas brasileiras.
E o órgão de comércio americano anunciou hoje, né, Bruno, uma sobretaxa adicional de 10,5% contra para 60 países. A justificativa é a falta de coabição de práticas de trabalho forçado em seus territórios. O Brasil ficou no grupo mais penalizado, com 12,5%. Teria quem o Brasil recorrer nesse caso?
Zé Débora, esse é o outro caso que mostra como que essas medidas do Trump, elas são arbitrárias, né? Porque essa investigação, o Trump abriu, até fui atrás dos dados, dia 12 de março desse ano, E não por coincidência ela veio poucos dias depois da decisão da Suprema Corte americana falando que aquelas sobretaxas iniciais dos Estados Unidos eram ilegais. Essa decisão aí foi tomada dia 20 de fevereiro. Então o Trump tirou da cartola essa investigação contra práticas de trabalho forçado contra 60 países, ou são mais de 60 países porque aí tem a União Europeia, né?
Quando você olha esses 60 países e mais a União Europeia, são todos os 60 principais parceiros comerciais americanos. E da mesma forma, sem nenhum embasamento, sem nenhuma argumentação, sem trazer dados, no caso específico do Brasil ficou no grupo, né, dos mais penalizados, do 12,5. Inclusive ele cita explicitamente que é o mercado de carne congelada, que o Brasil é um dos líderes mundiais, é muito propenso ao uso de trabalho forçado, sendo que o Brasil tem uma tradição.
Todo ano ele publica investigações pelo Ministério do Trabalho, pelo Ministério Público do Trabalho contra trabalho escravo. A gente está aderente a todas as convenções internacionais sobre essas práticas. Então, claramente é uma prática discriminatória de comércio. Agora, o grande problema é a quem recorrer. Em condições, no mundo normal, Essa seria uma medida que o Brasil e todos esses 60 países recorreriam à Organização Mundial do Comércio, que é o fórum criado para esse tipo de análise.
O grande problema é que desde o primeiro mandato do Trump e o que teve sequência inclusive no mandato do Biden, os Estados Unidos boicotam a OMC ao não ratificar as indicações dos juízes da OMC. Então a OMC está totalmente acéfala. De mãos atadas, e aí os outros países não têm o que fazer nesse caso. Então vão tentar negociações diplomáticas, tentar convencer o Trump, tentar acionar a justiça americana, Suprema Corte, mas não tem mais nenhum órgão multinacional, né, multilateral que possa resolver esse problema. Nós estamos na dependência aí dos humores do Trump.
Bruno, a gente tem só mais 2 minutinhos, mas eu queria te ouvir sobre o saldo político disso tudo nesse ano eleitoral.
Pois é, Carol, então a gente tem essa questão totalmente sendo também usada de modo político, né? Tanto a abertura da investigação contra as práticas brasileiras lá atrás foi motivada por encontros, né, dos filhos do clã, né, dos membros do clã Bolsonaro com o Trump, E a medida agora, né, da sobretaxa de 25% contra os produtos brasileiros também vem depois de um encontro do Trump com Flávio Bolsonaro. É, lembrando também que tem toda a questão do PCC e do Comando Vermelho sendo incluídos como organizações terroristas.
Então é, tem todo um contexto econômico unilateral dos Estados Unidos, comercial, mas tem um contexto político. E aí a gente precisa ver como que as forças vão trabalhar nisso daí. Na primeira uma medida, o Lula saiu é beneficiado, né, ao defender as empresas brasileiras, né, se colocar como um grande defensor do interesse nacional. Nesse caso é uma medida, fica mais complexo essa situação quando a gente olha casado com as organizações criminosas.
E tem aí também é um ponto adicional nesse caso que eu considero que é o PIX, né. O PIX é talvez a medida é política pública brasileira mais bem-sucedida adotada no Brasil desde o Bolsa Família. E a gente já teve episódios do PIX lá atrás, né, com a questão da suposta taxação do PIX, foi muito bem manobrada aí pelo Nicolas nas redes sociais. E pode ser que essa medida do Trump, como ela envolve o PIX, pode ser que esse seja um novo capítulo dos desdobramentos políticos dessa medida que o Trump vem tomando contra o Brasil nessa esfera comercial.
Exatamente, a gente vem falando disso aqui, falei disso na coluna de hoje também. Vamos continuar acompanhando. É isso, voltamos com o Bruno. Obrigada, Bruno, até semana que vem.
Valeu, pessoal, até semana que vem. Um abraço para vocês, bom feriado.
Valeu, bom feriado para você também.
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