Episódios de Comentaristas

Obras da música brasileira que se apoiam em textos literários

04 de junho de 202620min
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O professor Pasquale fala, diretamente da Feira do Livro no Pacaembu, músicas brasileiras feitas a partir de textos literários ou que se relacionam com a literatura.

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Participantes neste episódio2
P

Pasquale

HostProfessor
B

Beatriz Pacheco

Co-hostJornalista
Assuntos7
  • Funeral e Cerimônia de EnterroChico Buarque · João Cabral de Melo Neto · MPB 4 · Reforma agrária
  • Morte e viver plenamenteSeverino · Maria Bethânia · Adélia Bezerra de Menezes · Vander Melo Miranda · O Navio Negreiro · Castro Alves · Caetano Veloso
  • Música: Coração em DesalinhoChico Buarque · Construção · Verso esdrúxulo
  • Música Azulão e Manuel BandeiraJaime Ovalle · Humberto Werneck · Paulo Werneck · Manuel Bandeira
  • Melody· CulturaGilberto Gil · A Paz
  • Anedotário popular do futebolPoema Ademir da Guia · América de Pernambuco · Ademir da Guia
  • Mario de Andrade: intelectual e modernistaMuseu de Tudo · Embaixador do Brasil no México
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PPasquale

A nossa língua de todo dia com o Professor Pasquale.

BPBeatriz Pacheco

Oi, professor, boa tarde!

PPasquale

Boa tarde, Tati, boa tarde, ouvintes, boa tarde, pessoal que tá aqui. Na Praça Charles Miller, em frente a este estádio que é um dos mais bonitos do planeta.

BPBeatriz Pacheco

Já gritei muito nessa arquibancada, hein?

PPasquale

Eu também, vendo o meu time ganhar do seu.

BPBeatriz Pacheco

Ih, não vem não.

PPasquale

Várias vezes, várias.

BPBeatriz Pacheco

Estamos onde? Estamos na Praça Charles Miller, na frente do estádio do Pacaembu, onde acontece a Feira do Livro. Você sabe que vai ter um futebol aí sábado, né? Futebol dos autores.

PPasquale

Ah, não sabia.

BPBeatriz Pacheco

Você sabe que eu vou jogar, né?

PPasquale

Você vai jogar?

BPBeatriz Pacheco

Ah, talvez jogar seja uma expressão meio forte para o que eu vou fazer aí no sábado. Futebol das mulheres ao meio-dia, futebol dos homens a 1 da tarde.

PPasquale

Ave Maria!

BPBeatriz Pacheco

E já soube que o quórum feminino tá maior do que o masculino. Então vocês fiquem, estejam convidados, meio-dia no sábado, uma esplendorosa partida de futebol de autores, mediadores e convidados da Feira do Livro. Professor Pasquale trouxe a feira inteira para cá, Altair, está vendo isso?

PPasquale

Que maravilha, muito obrigado a todos que estão aqui.

BPBeatriz Pacheco

Eu tô sem meu tema, sabe assim, eu joguei esse roteiro sei lá onde, professor, mas pera, eu vou achar.

PPasquale

Ah, eu mandei o e-mail, só você pegar o e-mail.

BPBeatriz Pacheco

Você mandou, tá bom. Conta alguma coisa sobre a relação entre literatura e futebol, aproveitando que a gente está aqui nesse palco da Feira do Livro.

PPasquale

Nossa Senhora, existe tanta coisa na literatura voltada para o futebol, Como eu vou falar de João Cabral de Melo Neto e de Chico Buarque e de Caetano Veloso, João Cabral de Melo Neto escreveu alguns poemas. Ele gostava muito de futebol, né? Ele era pernambucano, torcedor do América de Pernambuco. Ele foi jogador do América de Pernambuco. Ele foi campeão estadual sem ter entrado em campo.

BPBeatriz Pacheco

Ele era do tipo que eu vou fazer aqui, sabe?

PPasquale

Ele era da equipe, mas não participou de nenhum jogo. E ele escreveu muita coisa sobre futebol. Há um poema dele antológico chamado Ademir da Guia. Quem viu Ademir da Guia jogar, e Ademir foi um dos maiores jogadores de todos os tempos, quando lê aquele poema percebe como o João Cabral, que era um verdadeiro arquiteto da palavra, um engenheiro da palavra, as duas coisas, engenheiro e arquiteto, Como ele consegue transmitir o que era o jogo do Ademir num poema. É uma coisa absurda.

BPBeatriz Pacheco

Como chama, professor?

PPasquale

Ademir da Guia.

BPBeatriz Pacheco

Ademir da Guia, claro.

PPasquale

Está no livro Museu de Tudo, que é um livro antológico. Aliás, o João Cabral só escreveu. Posso falar dele um pouco?

BPBeatriz Pacheco

Pode, claro.

PPasquale

Você sabe que o João Cabral era um perfeccionista. Ele era diplomata de carreira, ele foi embaixador do Brasil em vários cantos do planeta. Era um insôniaco, dormia pouquíssimo e era um perfeccionista. Ele escrevia e reescrevia e reescrevia e reescrevia. Esse livro Museu de Tudo, por exemplo, ele trabalhava no México nessa época, era embaixador do Brasil lá, e ele escreveu e reescreveu 1 milhão de vezes. Aí naquele tempo não havia Não havia tanta, não havia nenhuma facilidade de comunicação, tinha que entregar o original pessoalmente à editora, não é?

Um amigo dele vinha para o Brasil, ele entregou os originais ao amigo e disse: eu só vou entregar se você me fizer uma promessa. Qual é a promessa? Se eu pedir que você devolva para eu mexer, você vai negar, você vai dizer que não vai devolver. E ele: tá bom, muito fácil, né? O amigo chega ao Brasil, ao Rio de Janeiro, e daqui a pouco recebe uma mensagem do João Cabral: eu quero que você devolva os originais, não entregue à editora. Ele disse: não, eu vou cumprir a promessa que eu fiz para você, né?

BPBeatriz Pacheco

Ou seja, eu não vou devolver, salvando ele dele mesmo.

PPasquale

Eu vou entregar lá na José Olímpio.

BPBeatriz Pacheco

Muito bom, bom. Vamos para o tema. A gente pode passar o dia aqui, vocês entenderam, né, com o professor? Mas professor, quer aproveitar que tá aqui, Feira do Livro, para falar de obras da música brasileira que se apoiam em textos literários? Também não são poucas, né, professor?

PPasquale

Meu Deus do céu, uma quantidade absurda! Eu tô revendo em casa a minissérie JK da Globo e lá pelas tantas aparece a música Azulão. Azulão é uma música antológica lindíssima, de matar de bonita, gravada por muita gente. Sobretudo assim, a mais interpretação mais tocante é da Maria Lúcia Godói. E Azulão é uma melodia do grande Jaime Ovalle, que foi biografado pelo queridíssimo Humberto Werneck, que tá por aqui, é pai do Paulo, pai do curador e realizador da feira, Paulo Werneck, meus queridos amigos, vizinhos e amigos, né, o Humberto e o Paulo.

E o O Jaime Ovalle fez a melodia a partir de um poema do Manuel Bandeira chamado Azulão. É uma coisa de doido, é para ouvir aquilo e chorar muito, muito, porque é um Brasil que tá lá, é um Brasil de uma ave, né? Vai, Azulão, companheiro, vai! E por aí vai. Eu poderia ficar aqui 3 dias falando disso.

BPBeatriz Pacheco

A gente separou as músicas hoje, separou, né? Hoje vamos, vamos com a primeira.

PPasquale

Então, a primeira que eu escolhi foi Funeral de um Lavrador. Funeral de um Lavrador é melodia do Chico Buarque, feita à revelia do João Cabral de Melo Neto. João Cabral de Melo Neto não gostava de música.

BPBeatriz Pacheco

E como é possível?

PPasquale

É possível, a gente vai falar disso dependendo do nosso tempo, a gente vai falar disso. O João Cabral não gostava de música, o Chico Buarque pôs melodia à revelia do João Cabral. E na verdade isso fez parte de uma peça de teatro montada pelo pessoal da PUC aqui de São Paulo, peça que foi muito já em plena ditadura em 66, mas naquela fase ainda não tão selvagem da ditadura, não tão canalha, se é que é possível dizer isso, né, porque toda ditadura é canalha, por menos canalha que seja.

E essa peça fez muito sucesso aqui e depois acabou indo para França, e lá o pessoal ganhou um prêmio no Festival Universitário de Nancy, na França, e depois foi para Paris e por aí vai. Funeral de um Lavrador está num livro do João Cabral, Morte e Vida Severina, que completa 70 anos de publicação. Foi publicado em 1956. Vamos ouvir? Bora, vamos lá. Cova menor que tiraste em vida é de bom tamanho. Nem largo nem fundo é a parte que te cabe deste latifúndio.

É a parte que te cabe deste latifúndio. Não é cova grande, é cova É a terra que querias ver dividida. É a terra que querias ver dividida. É uma cova grande para teu pouco defunto, mas estarás mais ancho, estarás no mundo.

BPBeatriz Pacheco

Funeral de um lavrador. A composição é do Chico e do João Cabral.

PPasquale

Isso, a melodia é do Chico Buarque, o poema é do João Cabral. Ele musicou o poema poema do João Cabral, a revelia do poeta. Nós ouvimos aí o Chico acompanhado pelo MPB 4, e nós temos nesse poema do João Cabral, A Saga Funeral de um Lavrador, a saga de um lavrador que morre e o que ele tem de terra é a cova, é a terra que querias ver dividida, né, no Brasil de 70 anos atrás que, como hoje, ainda não tinha aprendido e não aprendeu o significado da expressão reforma agrária.

O Brasil é tão ignorante que ainda acha que reforma agrária é coisa de comunista. Não é! Reforma agrária é coisa de capitalista. Comunista não faz reforma agrária. Comunista toma a terra, a terra fica na mão do Estado e a terra é do Estado. A reforma agrária é a divisão do latifúndio, como fizeram países capitalistas da Europa e até os Estados Unidos. Então, ignorância é uma coisa que dói muito, dói demais. Eu não aguento isso. Desculpe, Tati.

BPBeatriz Pacheco

Vamos lá, tem uma segunda.

PPasquale

Pera aí, tem uma segunda que é um misto de fala de de leitura de poema, declamação, declamação de poema de ninguém mais, ninguém menos que uma pessoa de quem você, Tati, não gosta nem um pouco, e eu também não gosto nem um pouquinho dela. Chama-se Maria Bethânia Viana Teles Veloso. Maravilhosa, tá bom assim ou não? Deusa brasileira, deusa brasileira. Ela vai dizer um trecho de Morte e Vida Severina. Depois a gente vai ouvir uma querida amiga, professora Adélia Bezerra de Menezes, que é professora de teoria literária e literatura comparada, que é autora de alguns livros relativos à obra de Chico Buarque.

Depois a gente volta a ouvir tudo junto outro trecho de Morte e Vida Severina, dito de novo pela Maria Bethânia. Tudo está num programa que foi conduzido por um professor da UFMG, o professor Vander Melo Miranda, de teoria literária. E literatura comparada.

BPBeatriz Pacheco

A gente vai ouvir um trecho de cada vez?

PPasquale

Acho melhor tudo junto. Tudo junto, tá bom.

?Voz D

É um minuto e pouco.

PPasquale

Tá bom. É muito bonito, prestem atenção, é muito bonito.

?Voz E

O meu nome é Severino, não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos que é santo de Romaria, deram então de me chamar Severino de Maria. Como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, Fiquei sendo o de Maria do finado Zacarias. Mas isso ainda diz pouco. Há muitos na freguesia por causa de um coronel que se chamou Zacarias e que foi o mais antigo senhor destas 6 Maria. Como então dizer quem fala ora a vossas senhorias?

?Voz D

Um pensamento do Décio de Almeida Prado, que é um crítico de teatro, E ele dizia que Morte e Vida Severina funciona para o século 20, século passado, Morte e Vida Severina, assim como O Navio Negreiro funcionou no século 19. Eles têm o mesmo peso por causa do pathos social, por causa da paixão social. Morte e Vida Severina tocava no nervo exposto, que era o problema do Nordeste na década 50, 60, problema da seca e da migração, e que foca na pessoa do Severino, que é o retirante, mas todas as personagens que vão contracenar com ele também são severinas.

?Voz E

E se somos severinos, iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina, que é morte de que se morre de velhice antes dos 30, de emboscada antes dos 20, de fome, um pouco por dia, de fraqueza, de doença, que é morte severina, ataca em qualquer idade, até gente não nascida.

BPBeatriz Pacheco

Ô louco, hein?

PPasquale

É impressionante isso, né? Ataca até antes que a pessoa nasça. Veja, o João Cabral transforma Severino, que é um nome próprio, é o nome de pessoa, em morte e vida severina, né, como um adjetivo né, traduzindo o que é a vida dessa gente do sertão. Detalhe: estamos há 70 anos, né, e a perspectiva de vida no Brasil, acredite, Tati, era infinitamente mais baixa do que é hoje. Hoje, no geral, o Brasil atingiu um nível razoável, mas em algumas regiões do Brasil a coisa ainda é baixa.

E nessa época, chegar aos 40 anos nessa região Era assim o suprassumo do suprassumo, né? Não por acaso o João Cabral faz essa escala regressiva de idade e chega até ao feto, né? Até a fome de antes de nascer. E a professora Adélia faz uma relação muito interessante quando ela compara o Morte e Vida Severina Com o Navio Negreiro. A gente já tocou aqui várias vezes trechos do Navio Negreiro, do próprio Castro Alves, com o Caetano e com a Maria Bethânia, né?

Está num disco do Caetano lindíssimo. E agora, para a gente, temos uns minutos ainda, tá ótimo. Então vamos ouvir, porque eu falei, eu disse aqui que o João Cabral não gosta de música. Ah, tem um vídeo em que o Chico Buarque— o Chico Buarque todo mundo acha que é tímido e tal, mas quando ele dá para dar risada, ele— e contar casos engraçados, ele dá muita risada. E ele conta assim com muito bom humor uma visita que ele recebeu do João Cabral em casa.

Um dia o João Cabral apareceu lá em casa e ele, todo tímido, Chico, porque sabia que o João Não gostava de aquela coisa, né? E entre outras coisas, falaram de Construção, da música Construção. E o João Cabral disse a ele: gostei muito de Construção e tal. E o Chico já ficou pensando: bom, deve ter gostado por causa de toda a montagem da letra, né? Aí o João Cabral diz: aquela coisa de os versos terminarem em proparoxítonas.

BPBeatriz Pacheco

E o Chico Buarque morreu de rir, Poxa, mas essa é a graça da música.

PPasquale

Ele disse: tá bom, de qualquer maneira foi um baita, para mim foi um baita elogio, né, dizer que gostou das proparoxítonas, porque os versos de construção terminam todos numa proparoxítona. É o que a gente chama de verso esdrúxulo, porque a proparoxítona também pode ser chamada de esdrúxula.

BPBeatriz Pacheco

Sério? É, e ela é paroxítona e esdrúxula.

PPasquale

Porque esdrúxula, justamente porque é a diferente, é a menos comum, são as palavras menos comuns na língua.

BPBeatriz Pacheco

E aí, fala, fala, fala uma bobagem, professor, para variar.

PPasquale

Suas bobagens são ótimas.

BPBeatriz Pacheco

Que tem um jogo que às vezes eu faço com algumas pessoas, que é só pode falar a palavra proparoxítona. É difícil, legal, que acaba o vocabulário, mas é uma coisa viciante porque seu cérebro busca e encontra as proparoxítonas, porque obviamente tem o mesmo som, né?

PPasquale

Sim, sim.

BPBeatriz Pacheco

E tanto que fica essa dica aí para o nosso ouvinte, se estiverem entediados, quiserem propor alguma coisa, só vale palavra proparoxítona. Vai, começa.

PPasquale

Muito bem. E aí eu disse aqui que o João Cabral não gosta de, não gostava de música, e eu vou tocar aqui para encerrar uma canção de Caetano Veloso chamada outra música, outro retrato, tá, que está no disco Estrangeiro. Eu não vou dizer nada, eu vou depois vou perguntar quem são as figuras que ele cita aqui. Vamos ouvir outro retrato de Caetano Veloso com ele mesmo, tem a ver com que a gente falou aqui de João Cabral e tal. Vamos lá.

?Voz E

De um poeta João que não gosta de música. Minha poesia vem da poesia da música de um João músico que não gosta de poesia. Minha música vem da música da poesia de um poeta João Sabe quem é?

BPBeatriz Pacheco

Mas quem é o cantor que não gosta de poesia? Quem é o músico que não gosta de poesia?

PPasquale

É o João Donato. Por isso que é o João. O João Donato dizia que se música não tivesse letra, tudo bem, para ele não faria diferença, porque ele, o negócio dele era mesmo a melodia. Ele era um baita de um melodista. A paz, por exemplo, a paz, como é que é, invadiu meu coração. Isso é melodia do João Donato, letra do Gilberto Gil, e tantas outras maravilhas que o João compôs. Então veja, eu vou dizer de novo aqui, porque se não ler, o cérebro entra em pânico.

Veja, minha música é o Caetano dizendo, minha música vem da música, da poesia, poesia de um poeta João que não gosta de música, porque a poesia tem música. Sim, tanto que o próprio João Cabral depois, anos depois, reconheceu que o trabalho do Chico no texto dele Funeral de um Labrador desencavou a música que já tava lá viva, gritando no poema, né? Então, minha música vem da música, da poesia de um poeta João que não gosta de música, e minha poesia vem poesia da música, de um João músico, que é o João Donato, que não gosta de poesia.

BPBeatriz Pacheco

Maravilhoso! É genial, genial, é genial! Adorei!

PPasquale

Coisa de gênios!

BPBeatriz Pacheco

Mais genial que isso, só o senhor aqui hoje na Feira do Livro comigo.

?Voz D

Adorei!

BPBeatriz Pacheco

Vem amanhã de novo, se quiser. Eu vou estar aqui.

PPasquale

Ó, Janaína já fez assim.

BPBeatriz Pacheco

Eu também vou estar aqui. Eu costumo ver esse pessoal todo aqui. Se bobear, também vai estar aqui.

PPasquale

Tá bom, vamos lá.

BPBeatriz Pacheco

Obrigada, professor.

PPasquale

Sou eu que agradeço. I love you.

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