Episódios de Comentaristas

'De bandeja, Eduardo Bolsonaro deu argumentos para o governo acusar a família de agir contra o Brasil'

04 de junho de 202628min
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Para Vera Magalhães, declaração sobre Pix, Zelle e terras raras reforça críticas da base governista e cria desgaste para o entorno político da família Bolsonaro. A comentarista ainda fala sobre a Marcha para Jesus, em São Paulo, e o acordo de socorro ao BRB.

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Participantes neste episódio6
C

Carol

HostApresentadora
I

Igor Cardim

Reporterjornalista
M

Mauro Vieira

ComentaristaChanceler
P

Pedro Pupulin

Reporter
S

Samantha Klein

ReporterJornalista
V

Vera Magalhães

ComentaristaJornalista
Assuntos5
  • Críticas de Michelle Bolsonaro a Ciro GomesDeclaração sobre Pix e Zelle · Eduardo Bolsonaro · Governo Lula · Estados Unidos · Tarifas contra o Brasil · Terras raras · Glaise Hoffmann · Randolph Rodrigues
  • Seguir a JesusParticipação de políticos conservadores · Flávio Bolsonaro · Tarcísio de Freitas · Guerra espiritual · Jorge Messias · Lula · Estevão Hernandes
  • Crise do Banco Master e STFEmpréstimo do Fundo Garantidor de Crédito · BRB · Banco Master · Daniel Porcaro · Governo do Distrito Federal · Câmara Legislativa do DF · César Berco · Selic
  • Evangélicos e PolíticaImportância eleitoral · Lula · Flávio Bolsonaro · Jorge Messias · Marina · Neopentecostais
  • Tarifas EUAMauro Vieira · Donald Trump · G7 · Neoprotecionismo · Bruno Carazza
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VMVera Magalhães

Viva Voz com Vera Magalhães.

CCarol

Oi, Vera, boa noite, tudo bom?

VMVera Magalhães

Oi, Carol, boa noite para você, para os ouvintes, também para quem tá nos assistindo.

CCarol

Hoje é feriado, mas estamos cheio de notícia. Vamos começar falando sobre a Marcha para Jesus, né, que tá rolando em São Paulo desde cedo. Como sempre, tem participação de políticos, sobretudo os políticos do campo conservador. Sempre acaba tendo um pouco ali um tom de campanha. O Pedro Pupulin tá acompanhando desde mais cedo, conta para nós. Oi Pedro, boa noite.

PPPedro Pupulin

Oi Carol, oi Vera, boa noite para vocês e para todos que nos acompanham no Viva Voz. É isso, a Marcha para Jesus contou com a presença aí de líderes religiosos e de políticos, entre eles o senador e pré-candidato à presidência do PL, Flávio Bolsonaro, e o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos. O evento, Carol e Vera, começou na parte da manhã, que foi quando ganhou tom de campanha eleitoral. Flávio Bolsonaro, em cima de um trio elétrico que puxava a multidão, deixou um recado aos fiéis falando em guerra espiritual.

Vamos ouvir. Povo abençoado de Deus, vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo desse Brasil esse ano, em nome do Senhor Jesus. Amém. Carol Vera, tivemos um reencontro, viu, agora na parte da tarde. Flávio e o governador Tarcísio trocaram abraços e apertos de mão em cima do palco principal do evento, em frente de toda a multidão e da imprensa.

Os dois não vinham se falando desde 15 de maio, quando participaram do lançamento da pré-campanha de Grammy de Hit ao Senado no interior de São Paulo. O afastamento entre os dois começou após a divulgação da visita de Flávio ao banqueiro Daniel Forcaro, preso em investigação da Polícia Federal. Na semana passada, Tarcísio chegou a afirmar que Flávio tinha questões a explicar sobre o caso. Agora, do outro lado, o representante do campo da esquerda no evento foi o evangélico e advogado-geral da União Jorge Messias, que deve ser novamente indicado pelo presidente Lula para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

Messias, no entanto, teve um comportamento que gerou incômodo da ala conservadora aqui no evento. Ele telefonou para o presidente Lula e colocou ele para conversar com o presidente da marcha, Estevão Hernandes. Agora, no telefonema, Lula justificou sua ausência para o líder evangélico. Vamos ouvir.

?Voz A

Eu não participo de nada da religião em época de eleição porque eu não quero passar ideia de que tô tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada.

PPPedro Pupulin

Ele também fez um aceno ao presidente da marcha, afirmando que foi ele, o petista, que sancionou em 2009 o Dia Nacional da Marcha para Jesus. A gente segue por aqui acompanhando. Volto com vocês, Carol e Vera.

CCarol

Obrigada, Pedro. E aí, Vera, o que que a gente pode dizer da participação desses diferentes personagens aí no evento?

VMVera Magalhães

Previsível, né, Carol? Como você mesma disse, esse virou um evento que em ano de eleição é muito concorrido disputado por políticos porque promove um palanque antecipado, né? A campanha só começa oficialmente depois das convenções, então os candidatos têm a oportunidade de falar de cima de carros de som para um público muito numeroso e que depois esses discursos também são reverberados pelas redes sociais e pela imprensa. Então isso é muito concorrido, é muito disputado e tem muito peso.

E a gente sabe o quanto o eleitorado evangélico é cobiçado eleitoralmente, porque tende a votar muitas vezes segundo indicação dos seus líderes religiosos. Isso acontece, a gente tem muita orientação de voto em algumas denominações evangélicas, e a gente tem a ligação muito direta dessas denominações com a política, né, e explícita, formação de bancadas evangélicas, candidatos que se apresentam como líderes religiosos, como pastor, como bispo, e assim são conhecidos e colocam isso até no seu nome político.

Então, isso virou uma via de acesso dos candidatos ao eleitor muito direta e muito cobiçada. O Lula diz que não pretende se aproveitar de nenhum evento religioso, portanto não pretende fazer nenhum proselitismo político, mas aceitou falar com o Hernandes, né, o Bispo Hernandes, né, por meio dessa ligação feita pelo Messias. E a própria presença do Jorge Messias no evento, ele que não é um político, nunca foi político, mas está aí nessa iminência de ser indicado de novo para o STF.

Até falou sobre isso, inclusive falou que vai acontecer o que Deus pretender, etc. Isso também o coloca fazendo política nesse evento de alguma maneira. Quanto à participação do Flávio Bolsonaro, fica evidente a tentativa de repetir o desempenho que seu pai tinha junto ao eleitorado evangélico. Bolsonaro liderou entre os evangélicos em 2018, em 2022, e as pesquisas agora mostram que o Flávio Bolsonaro também leva vantagem sobre o Lula junto a esse eleitor que tem um perfil mais conservador.

Todo o discurso dele direcionado para isso, e um discurso que apela ali para o maniqueísmo mais gritante possível, né? O mundo do mal, a campanha vai ser uma guerra espiritual. Então tudo quanto é clichê de caráter religioso, ele usou nesse discurso.

CCarol

Acho que o Lula também tem a percepção de que é um público difícil, né? Ele tenta ampliar essa participação entre os evangélicos, mas não é um trabalho fácil, né?

VMVera Magalhães

Todas as vezes que ele tentou até aqui foi ou incipiente ou até mesmo resultou em mais desgaste, Carol, porque ele não tem realmente o linguajar, não é algo que tenha a ver com a vida dele esse contato com as religiões evangélicas, principalmente com as igrejas neopentecostais, que são aquelas mais ativas na política. Tem poucas pessoas que o cercam que falam essa mesma língua do eleitor evangélico e que são identificadas por esse eleitor como realmente representantes das religiões evangélicas.

O Messias é uma delas. A Marina tem ali um trabalho orgânico, ela é evangélica há muito tempo, realmente praticante, etc., mas ela evita fazer disso um apelo eleitoral e nunca fez muito fortemente essa ponte entre o Lula e os evangélicos. Então é algo que fica realmente meio capenga e que ele nunca conseguiu construir. Tentou fazer cartas aos evangélicos, tentou alguns movimentos de aproximação, sempre sem muito sucesso.

CCarol

Vera, falando daquele embrólio todo envolvendo o tarifaço e as críticas dos Estados Unidos ao Pix, hoje teve uma declaração do deputado, do ex-deputado, né, federal Eduardo Bolsonaro, que viralizou nas redes sociais, em que ele cita um mecanismo parecido com Pix que tem nos Estados Unidos, mas é um mecanismo de bancos privados. Isso gerou muita repercussão por aqui. Samantha Klein, conta para gente.

SKSamantha Klein

Oi, Vera, uma São grandes, em especial entre aliados do presidente Lula, entre governistas, que reagiram a esse vídeo do ex-deputado. Então, vídeo que viralizou nas redes sociais, ele foi chamado de entreguista, de vassalo. O vídeo foi classificado como vassalagem também, quando ele afirmou que como o Brasil tem o PIX e a Zelle, que é uma plataforma muito semelhante, mas é um sistema privado americano de transferência de dinheiro, essa poderia ser uma cartada para barrar o tarifácio, para colocar na mesa de negociação.

Essa fala ocorre justamente no momento em que o governo americano utiliza o Pix como um argumento para taxar o Brasil. E a entrevista foi ao Canal MC, onde Eduardo citou o Pix, o Zelle e também uma negociação em relação aos minerais raros. Depois de viralizar, o próprio Eduardo Bolsonaro veio às redes novamente, disse que nunca defendeu a substituição do Pix por outra plataforma e ainda desafiou os meios de comunicação a provar que ele disse isso.

Mesmo assim, a declaração gerou reações bem críticas da base governista, que o que acusa o ex-parlamentar de submissão por tentar substituir o PIX pelo Zelle. A ex-ministra Glaise Hoffmann disse que o Brasil não vai ceder o PIX para as empresas americanas e afirmou que as ações da família Bolsonaro são crimes contra o Brasil. O líder do governo no Congresso Nacional, falei com ele, o senador Randolph Rodrigues, ele classificou essa sugestão como oligarquista.

Ele também disse que o Brasil não vai abrir mão do PIX. Afirmou ainda que a família busca um alinhamento incondicional ao interesse estrangeiro e que também quer, na verdade, estar a serviço dos grandes grupos oligopólicos econômicos, ou seja, é citando as empresas de cartão de crédito nessa briga. Já aliados os filhos de Flávio e Eduardo Bolsonaro negam que haja qualquer intenção de substituir o PIX por outro sistema. Inclusive tem uma briga em relação ao discurso, porque enquanto o presidente Lula levantou nessa semana um cartaz "O PIX é do Brasil", Flávio Bolsonaro levantou um cartaz dizendo "PIX é do Brasil e de Bolsonaro".

Por sua vez, o governo está procurando espaços para negociar isso tudo no âmbito da diplomacia e também na possibilidade de Lula ter um encontro com Donald Trump nas reuniões do G7 que ocorrem na França entre os dias 15 e 17 de junho.

CCarol

Com vocês. Obrigada, Samanta. Overa, enquanto Flávio Bolsonaro tá aqui fazendo todo esforço, né, para se desvincular dessa crítica ao PIX, Vai lá o irmão Eduardo e faz um vídeo desse. Depois ele fez um outro vídeo dizendo que jamais seria contra o Pix, mas aí o estrago já tava feito.

VMVera Magalhães

É porque é uma entrevista desastrada, né? Eu não acho que ele falou em substituir o Pix por esse Zelle, que aliás é um mecanismo de aplicação bem mais limitado e com funcionalidades bem piores que o Pix, por tudo que eu li. Ele fala que os Estados Unidos têm um mecanismo semelhante, que é o Zelle, e portanto dá para você sentar numa mesa de negociações com esse argumento. O que eu depreendi dessa fala confusa, truncada, e que não tem nada a ver, que mistura alhos com bugalhos, que seria, no entendimento dele, uma forma de dizer para os Estados Unidos que não é um bicho de 7 cabeças, que não prejudica os cartões, porque eles também têm algo parecido.

Mas foi uma coisa tirada do mais absoluto nada, prejudica a campanha do irmão, e isso é uma coisa que eles fazem toda hora, né? Eles não têm estratégia. Impressionante como a família O Bolsonaro vive de crise em crise, de soluço em soluço, de tropeço em tropeço. Já em relação às terras raras, aí sim, é uma fala absolutamente desprovida de qualquer senso estratégico. Realmente dá para classificar como entreguista, porque você fala em jazidas importantes que o Brasil tem, que dão ao país uma vantagem em várias negociações, uma vantagem estratégica que são ali vistas como um potencial de desenvolvimento futuro, inclusive de parcerias com ganho de tecnologia, com troca aí de expertise, e fala assim: "Ah, dá para pôr na mesa isso aí, manganês, terras raras, sem nenhum cuidado, sem nenhum tipo de aprofundamento num tema que é estratégico para o país e que pode nos colocar num outro patamar de desenvolvimento." Então ele deu dois argumentos de bandeja para o PT do governo voltarem a acusar a família de conspirar contra os interesses do Brasil e pensar antes com a cabeça dos interesses norte-americanos, o que é verdade, né?

Ele tá pensando sempre como alguém que se coloca numa posição de subserviência em relação aos interesses dos Estados Unidos. Isso aí pode sim prejudicar enormemente a campanha do filho, do irmão, desculpa, Principalmente porque a gente ainda não sabe todos os desdobramentos que vão acontecer quando e se essa nova tarifa for entrar em vigor.

CCarol

Vera, falando aí dessa questão das tarifas, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que os argumentos que foram apresentados pelos Estados Unidos para aplicar as tarifas contra os produtos brasileiros não são legítimos. Ele disse que o Brasil já apresentou aos Estados Unidos informações para contestar as investigações que podem resultar na aplicação dessas tarifas. A gente tem um trechinho da fala dele.

MVMauro Vieira

Demos todas as informações necessárias. O que nós esperamos é que isso tudo seja levado em conta e que fique comprovado que não há porquê sermos objeto de tarifas, porque todos os argumentos apresentados nós provamos que não são legítimos.

CCarol

Ministro disse que é interesse do Brasil manter conversas com os Estados Unidos, né, depois da divulgação dos relatórios da investigação ligada à Seção 301. Diz que os documentos foram apresentados até antes do prazo. Não tem uma data ainda para conclusão dessas negociações. E tem essa possibilidade aí do presidente Lula, que já confirmou presença na reunião do G7, vai tentar um encontro com o presidente americano Donald Trump. A gente tem um outro trecho do chanceler Mauro Vieira.

MVMauro Vieira

Eu disse que era o nosso interesse manter conversas, sobretudo depois do anúncio dos laudos, dos relatórios finais das duas investigações sobre a Ascensão 301, que justamente tinham saído, tinham sido apresentadas antes do prazo estabelecido na reunião dos presidentes em Washington, mês de maio. Seria de 30 dias para começarmos então a negociar. Mas ele disse que estava pronto a continuar essas conversas e que sempre o diálogo tinha sido muito bom.

Falei: pois é, que ótimo, então vamos continuar assim conversando e acertando, vamos negociar.

CCarol

Aí, falas do chanceler Mauro Vieira, tá tentando, né, Vera, pelo canal diplomático, mas é difícil, sobretudo com relação a essas tarifas que foram aplicadas a vários países, né, que tem negócios com nações que, segundo os Estados Unidos, utilizam mão de obra em condição análoga à escravidão ou trabalho forçado.

VMVera Magalhães

Pois é, ontem acho que o Bruno Carazza meio matou a charada dessas tarifas que foram impostas a mais países. Parece uma simples substituição do tarifácio que ele tentou fazer no ano passado e que foi impedido de fazer pela Suprema Corte porque não tinha amparo legal. Ele agora buscou um mecanismo mais consolidado para amparar, mas a repercussão é a mesma, repercussão muito negativa internamente nos Estados Unidos e nesses outros países, o que deixa aberta uma porta para que algumas dessas tarifas sejam revistas.

Elas jogam contra os interesses dos próprios Estados Unidos, são mecanismos inflacionários, são mecanismos que dificultam a importação de itens que abastecem cadeias de suprimentos dos Estados Unidos, foram mal vistos pelos próprios empresários americanos de vários setores e vai acontecer o que aconteceu da outra vez, que é uma coalizão dos empresários daqui e dos outros países atingidos e os dos Estados Unidos para tentar reverter o máximo possível dessas tarifas.

Já ficou muito claro que esse neoprotecionismo do Trump que é muito tacanho e muito tosco ali, não está resultando em nenhum ganho para os Estados Unidos. E isso já devia ter ficado claro no fracasso que foi a primeira tentativa de tarifaz, mas ele insiste. Ele tem poucos ali, ele tem pouco repertório econômico para além dessa ideia de Make America Great Again. Que tá na cabeça dele de um jeito muito enviesado, mas não fez sucesso.

Hoje li bastante coisa da imprensa americana com sérias críticas à adoção de novo desse mesmo remédio. Então eu acho que daqui até julho algumas coisas ainda podem ser vistas, ele pode voltar atrás numa série de tarifas e o Brasil de novo pode se beneficiar das negociações da nossa diplomacia, que tá muito afinada e muito bem nesse tema, e conjugada com a atuação dos nossos empresários, que também encontraram o caminho das pedras para fazer esse jogo por lá.

CCarol

Vera, só para fechar esse pacote aí, Tarifaço, Pix, e o impacto disso sobre a família Bolsonaro, tem um estudo aqui mostrando que o Flávio é apontado como culpado por ameaças ao Pix ou pelo novo Tarifaço em 8 de cada 10 mensagens opinativas sobre o assunto trocadas em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram, que são monitorados por uma empresa de análise de dados chamada Palver. A responsabilização do Flávio, né, direto ou indiretamente, corresponde a 81% das publicações opinativas nesses grupos.

E a Palver retira essa análise, retira da análise mensagens consideradas neutras, né, como os links sem comentário e tal. É só nas mensagens opinativas. Mapeamento aí feito entre 27 de maio e 2 de junho. Ali logo depois dessa história toda, né, da visita do Flávio ao Donald Trump, o anúncio do tarifácio e dessas críticas ao PIX. Então você vê que realmente é, o Flávio tá tentando se descolar dessa história, mas é difícil, né?

VMVera Magalhães

Exato, são vários monitoramentos e alguns feitos por empresas que se dedicam a isso, outros por coalizões que acompanham aí o tema das eleições, o tema da democracia, e todos eles com métricas parecidas, de que houve uma espécie de montanha-russa narrativa, foi o termo que a coalizão Democracia em Xeque usou para falar do vai e vem, né? Primeiro, ah, parece que foi bom, não, parece que foi ruim, mas no final, quando as métricas fecham, ficou ruim para o Flávio essa associação com o Tarifaço, essa história de Tariflávio, e isso colou de alguma maneira para além das bolhas, então atingiu o eleitorado dele e fez com que a direita terminasse a semana na defensiva e acuada por conta desse assunto.

Então, o que parecia que ia ser um bom recurso para desviar o foco da crise do Banco Master, filme Dark Horse, etc., acabou se mostrando um tiro no pé.

CCarol

O Carol, bom, a gente faz uma pausa agora, você acompanha o noticiário da sua região, depois tem um repórter CBN, e na sequência a gente A gente continua aqui com Viva Voz para falar sobre o empréstimo que pode salvar o BRB daquele rombo deixado pelos investimentos no Banco Master. Mas a oposição tá fazendo conta aí porque isso pode ter um custo bastante alto em juros, inclusive. Já, já. Estamos de volta com o Viva Voz agora para falar sobre a operação para salvar o BRB, né, o Banco de Brasília, que foi com rombo bilionário depois de muitos investimentos em papéis do Banco Master.

Foi feita uma engenharia ali de um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito, mas a oposição já tá fazendo conta e achando que isso vai sair muito caro para o GDF, inclusive com pagamento de juros. O Igor Cardim tem esses números para gente. Oi, Igor, boa noite.

ICIgor Cardim

Oi, Carol, boa noite para você, para Vera, para o nosso ouvinte. Pois é, o possível empréstimo de até 6,6 Os bilhões de reais que o governo do Distrito Federal pretende contratar para recompor o patrimônio do BRB pode gerar um impacto bilionário nas contas públicas e pressionar o orçamento do DF pelos próximos anos. As simulações apresentadas por deputados da oposição da Câmara Legislativa aqui do Distrito Federal indicam que apenas o pagamento de juros pode ultrapassar a 1 bilhão por ano, reduzindo a capacidade de investimentos em áreas importantes como a de políticas sociais.

O tema também levanta preocupações sobre o cumprimento das regras fiscais e o equilíbrio das contas públicas. Nesta semana, o GDF encaminhou à Câmara Legislativa aqui do DF um projeto de lei para ratificar o acordo firmado entre a União, o FGC, homologado pelo Supremo Tribunal Federal, e o próprio DF, né? A proposta que autoriza a contratação então deste empréstimo de mais de R$6 bilhões. A votação, no entanto, foi adiada por falta de quórum e deve voltar à pauta nos próximos dias.

Nos bastidores, na Câmara Legislativa aqui do Distrito Federal, nem deputados da base do governo estão apoiando dar o aval a esse empréstimo, visto que a última vez a base inteira do governo do Distrito Federal tinha cancelado acordo de venda do Master, de compra do Master pelo BRB, e agora eles estão receosos porque faltam dados, faltam informações detalhadas do governo do Distrito Federal. E justamente isso que é o alerta do professor de economia da Universidade de Brasília, César Berco.

Ele teme que esses cálculos podem comprometer os fundos e financiamentos aqui do Distrito Federal, inclusive dentro do arcabouço fiscal.

PPPedro Pupulin

Tudo isso impacta não só a Lei de Diretrizes Orçamentárias como a Lei de Responsabilidade Fiscal. Do ponto de vista financeiro, O volume de recursos, só aplicando a taxa Selic, vai gerar juros de mais de R$1 bilhão por ano. De fato, é um juros que compromete o orçamento do DF, sim. E se não houver recuperação dos valores desviados e contingenciamento orçamentário, vai ficar muito difícil do GDF pagar essa conta. Mas esperamos que dentro da programação e do planejamento se consiga uma certa margem para fazer frente aos encargos que vão ser cobrados pelos empréstimos.

ICIgor Cardim

Em uma das projeções, Carol, considerando os juros do IPCA+ 4,5% ao ano e o prazo de 15 anos, que é o que diz o acordo, o custo total da dívida poderia chegar a R$23 bilhões, dos quais cerca de R$17 bilhões seriam destinados apenas ao pagamento de juros.

CCarol

Carol, obrigada. Igor, de fato, né, Vera, uma situação preocupante, mas não tem solução fácil nesse caso do BRB, né, porque o rombo é imenso, é bilionário. Se vai fazer um empréstimo, evidentemente vai pagar juros. Se não fizer, o banco quebra, que também teria consequências terríveis. Então assim, não tem almoço grátis e não tem uma solução simples, né?

VMVera Magalhães

É o tipo de problema em que se você ficar, o bicho pega, e se você correr, o bicho come. Literalmente é uma conta salgadíssima para um ente federado que é o Distrito Federal, que depende muito de repasses da União, né? É um enclave dentro de Goiás, Distrito Federal, muito dependente da União para ter receita, e dependeu nesse caso das regras para esse acordo, para salvamento do BRB, de muitas bênçãos aí do Governo Federal, Judiciário, Fundo Garantidor de Crédito, os bancos privados, todo mundo meio que se cotizou, chegou a essa solução que não é ideal, não é sem dor, não é sem nenhum tipo de consequência, tem muitos efeitos colaterais, mas pareceu a única capaz de dar um refresco, uma chance do banco ser salvo sem recorrer a largas fatias de dinheiro do Tesouro Nacional, que isso o governo federal não aceitava fazer.

Agora, quando a gente olha para o tamanho dessa conta e vê o que se praticou ali, como uma fraude deliberada e combinada entre o Daniel Porcaro, a direção do BRB e, ao que tudo indica, com algum grau, pelo menos, de ciência do governo do Distrito Federal, a gente vê que para além do salvamento da instituição precisa haver uma responsabilização criminal dos envolvidos nisso, porque é escandaloso. Porque não pode se repetir, porque precisa haver algum tipo de mecanismo que dificulte o surgimento de novos masters e de novas engrenagens de alavancagem sem nenhum tipo de lastro, como era feito no banco do Daniel Forcaro, e principalmente desses conchavos entre público e privado que acabam resultando em prejuízo para os cofres públicos que depois têm de ser sanados dessa maneira, né?

Então tem muitas lições a serem tiradas do caso Márcio e do caso BRB, e elas passam necessariamente pela responsabilização dos envolvidos, Carol.

CCarol

E o professor falou uma coisa muito acertada: tem que ter também uma tentativa de recuperar esse dinheiro, né? Até porque o Vaccaro tá negociando uma delação premiada, e parte desse acordo tem que incluir ele devolver pelo menos parte desses bilhões que ele desviou, né?

VMVera Magalhães

É, exato. Tem muita gente para ser ressarcida, né? Tem o VRB, tem vários fundos de previdência com os quais ele fez negócio, que também investiram em carteiras fictícias do Master. Tem um monte de correntistas. Eu acho que vai ter que se estabelecer uma ordem de prioridades aí na hora de destinação do dinheiro que for recuperado, seja por meio de um acordo de delação seja pelos próprios mecanismos de busca de recursos extraviados para o exterior por parte do Master.

CCarol

Tá certo. Ficamos por aqui hoje, Vera, mais curtinho já que é um feriado. Obrigada, boa noite para você, até amanhã.

VMVera Magalhães

Obrigada, Carol, um ótimo ponto final para você, ótimo feriado para todo mundo. Até amanhã não, até segunda-feira.

CCarol

Ah, verdade, amanhã você não tá com a gente, até segunda-feira. Beijo, Vera.

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