Estudos mostram avanços no tratamento do câncer de pulmão
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Luis Fernando Correia
Cássia
- Tratamentos contra o câncerCarcinoma escamoso do pulmão · Ivonesimab · Proteína PD-1 · VEGF · Imunoterapia · Quimioterapia · Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO)
- Desafios no Diagnóstico e Tratamento OncológicoCâncer como doença crônica tratável · Tratamento com qualidade de vida
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Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.
Doutor Luiz Fernando Correia, bom dia.
Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.
Doutor, nós tivemos recentemente um congresso médico bastante importante. O senhor acompanhou e nos traz aqui mais dois estudos que foram apresentados nessa reunião?
Pois é, Cássia, na semana, na terça-feira, terminou a reunião da Sociedade Americana de Oncologia Clínica. A gente comentou aqui alguns trabalhos, né? E é um congresso de 4 dias, mas são mais de 4 mil trabalhos apresentados, então fica até difícil separar coisas de destaque, né? Nós já fazemos as mais importantes, talvez, e agora eu vou falar de dois estudos que eu acompanhei a divulgação, que foram muito interessantes, porque tratam de câncer de pulmão, que é um câncer, enfim, bastante importante, com muita frequência, enfim, e mostra o caminho para onde, mais importante, que eu acho que mostra o caminho para onde a oncologia tá caminhando.
O primeiro deles chamou Harmony 6 e trata de um tipo de câncer que é de difícil tratamento, que é um câncer escamoso do pulmão, carcinoma escamoso do pulmão. É de difícil tratamento, não é dos mais comuns, mas é de difícil tratamento. E o trabalho apresentado associou um medicamento novo chamado ivonesimab, que é um anticorpo bispecífico, ou seja, uma única molécula que bloqueia dois alvos ao mesmo tempo, a proteína PD-1, que é ligada à imunidade, e o VEGF, que é ligado aos vasos que alimentam o tumor.
É interessante a gente poder aproveitar isso para explicar para os nossos ouvintes. Os tumores crescem, os tumores malignos crescem dentro da gente porque eles têm uma característica muito própria: eles conseguem enganar, vamos dizer assim, o nosso sistema de defesa. Que o lógico seria: se tem uma coisa estranha crescendo no meu corpo, meu organismo vai se livrar daquilo. E por que que isso não acontece às vezes com tumor, com câncer, aquilo cresce e dá problema?
Porque o tumor, primeiro que são células do próprio corpo que são só diferentes, mas além disso elas conseguem como desligar ou enganar os nossos sistemas de defesa. Nesse caso, essa proteína PD-1, por exemplo, é como se fosse uma blitz que existe no nosso corpo para pegar coisas erradas, pegar células erradas, inimigos nossos. E no caso dessa imunoterapia, ela faz, por exemplo, acordar esse sistema, fala assim: olha, esse tumor que está aí, isso é inimigo da gente, vamos destruir isso.
Então é onde a imunoterapia caminha também, que é justamente esses checkpoints, esses pontos de checagem que passam a ser, vamos dizer assim, ligados ou acionados para que passem a combater o tumor. E esse outro componente, o VEGF, ele faz com que o tumor, para crescer, ele faz novas ligações com o sangue para receber nutrição para o tumor crescer. Então esse fator de crescimento é o que liga, que faz essas ligações com o sangue criando os vasos novos.
Então o trabalho mostrou que justamente esse medicamento somado à quimioterapia, comparado com a imunoterapia que já é padrão hoje para tumor de câncer, para tumor de pulmão, os pacientes viveram mais, uma redução de 34% no risco de morte. E um detalhe interessante, foi a primeira vez nas reuniões da ASCO que o medicamento desenvolvido na China foi apresentado na sessão plenária. Sessão plenária é o momento mais importante, aquele que eu falei onde um trabalho foi aplaudido de pé, também de maneira inédita esse ano.
Esse ano teve algumas novidades realmente na plenária, né? Foi a primeira vez que uma pesquisa feita na China foi apresentada na plenária. Isso mostra a importância de vamos dizer assim, dessa globalização da reunião da ASCO, esse ano 42% dos participantes, segundo os organizadores, não eram americanos, apesar de ser a reunião da Associação Americana de Oncologia Clínica. Passou a ser realmente o congresso, como a gente sempre sentiu, um congresso mundial.
O segundo estudo que eu vou falar é o chamado Libretto 432, e ele fala sobre uma coisa interessante, que é a hora da gente fazer O tratamento certo para o paciente certo. Tratou de um grupo também raro de pacientes que tem uma alteração genética chamada fusão do gene RET. Não é questão, não é, não precisa decorar isso, está presente em cerca de 1 a 2% dos cânceres de pulmão. Mas a ideia aqui foi interessante, foi em vez de esperar a doença avançar, usar essa terapia-alvo que a gente chama, no caso, o Seupercatinib, logo após a cirurgia para tentar diminuir a chance desse tumor voltar.
E foi o resultado também foi bastante expressivo nos pacientes de maior risco. Esse remédio diminuiu em 83% o risco da doença voltar, progredir ou levar o paciente à morte comparado com não fazer isso logo depois da cirurgia. Em 2 anos, 92% dos pacientes tratados estavam livres de eventos, né, contra 61% nos que fizeram só a cirurgia. E também esses estudos são da plenária, são publicados imediatamente nas principais revistas médicas.
O chinês foi publicado no The Lancet e esse foi publicado no New England Journal of Medicine. Então essa coisa, primeiro a gente tava falando sobre essa coisa de que existem subtipos de tumor do pulmão, então é importante a gente poder identificar não só que a pessoa tem a doença, mas qual doença. Lembrar que a gente passa a entender hoje em dia que tumor maligno, câncer, tem nome e sobrenome, né, e naquele paciente específico.
Então, quanto mais cedo a gente for capaz de descobrir que tumor é esse, quais são as suas características específicas e genéticas e moleculares, a gente pode fazer o tratamento específico. Então, a mensagem final para amarrar essa semana de ASCO é justamente isso: caminhando para uma oncologia de precisão, Com cada vez mais descoberta de que a gente chama de biomarcadores, que são testes capazes de identificar justamente essas características específicas dos tumores de cada pessoa.
A gente passou a entender que quem tem um câncer de pulmão, mesmo que seja do mesmo subtipo celular, pode ser diferente do outro, né, e vai se comportar porque tem outra característica além daquela simplesmente do tipo da célula. Então isso é muito importante e também saber qual é a melhor hora de começar, que foi esse trabalho aí do Libretto, quer dizer, começar mais cedo nesse caso que tem essas características da fusão do gene RET é uma boa opção.
Então é para isso que eu acho que é importante pacientes de, que eventualmente quem tá vivendo com câncer ou quem tem alguém na família entender que a oncologia caminha cada vez mais para o futuro em que a gente já tem hoje em dia Vários e vários tumores malignos tratados para cura e vários tumores malignos que até pouco tempo não se tinha nada para fazer, a gente já tem tratamento para prolongar a vida do paciente com qualidade e também em alguns casos até caminhar para o que a gente acha que vai ser o futuro, ou seja, em alguns casos o câncer vai ser uma doença crônica tratável.
Cássia. Muito obrigada, Dr. Luiz Fernando Correia. Bom fim de semana.
Bom fim de semana para você e para os ouvintes também em casa.
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