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Estudos mostram avanços no tratamento do câncer de pulmão

05 de junho de 20268min
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Luis Fernando Correia traz detalhes de dois estudos apresentados no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que tratam de câncer de pulmão. “Em alguns casos, o câncer vai ser uma doença crônica tratável”. Ouça.

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Participantes neste episódio2
L

Luis Fernando Correia

HostJornalista
C

Cássia

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • Tratamentos contra o câncerCarcinoma escamoso do pulmão · Ivonesimab · Proteína PD-1 · VEGF · Imunoterapia · Quimioterapia · Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO)
  • Desafios no Diagnóstico e Tratamento OncológicoCâncer como doença crônica tratável · Tratamento com qualidade de vida
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LFLuis Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.

CCássia

Doutor Luiz Fernando Correia, bom dia.

LFLuis Fernando Correia

Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

CCássia

Doutor, nós tivemos recentemente um congresso médico bastante importante. O senhor acompanhou e nos traz aqui mais dois estudos que foram apresentados nessa reunião?

LFLuis Fernando Correia

Pois é, Cássia, na semana, na terça-feira, terminou a reunião da Sociedade Americana de Oncologia Clínica. A gente comentou aqui alguns trabalhos, né? E é um congresso de 4 dias, mas são mais de 4 mil trabalhos apresentados, então fica até difícil separar coisas de destaque, né? Nós já fazemos as mais importantes, talvez, e agora eu vou falar de dois estudos que eu acompanhei a divulgação, que foram muito interessantes, porque tratam de câncer de pulmão, que é um câncer, enfim, bastante importante, com muita frequência, enfim, e mostra o caminho para onde, mais importante, que eu acho que mostra o caminho para onde a oncologia tá caminhando.

O primeiro deles chamou Harmony 6 e trata de um tipo de câncer que é de difícil tratamento, que é um câncer escamoso do pulmão, carcinoma escamoso do pulmão. É de difícil tratamento, não é dos mais comuns, mas é de difícil tratamento. E o trabalho apresentado associou um medicamento novo chamado ivonesimab, que é um anticorpo bispecífico, ou seja, uma única molécula que bloqueia dois alvos ao mesmo tempo, a proteína PD-1, que é ligada à imunidade, e o VEGF, que é ligado aos vasos que alimentam o tumor.

É interessante a gente poder aproveitar isso para explicar para os nossos ouvintes. Os tumores crescem, os tumores malignos crescem dentro da gente porque eles têm uma característica muito própria: eles conseguem enganar, vamos dizer assim, o nosso sistema de defesa. Que o lógico seria: se tem uma coisa estranha crescendo no meu corpo, meu organismo vai se livrar daquilo. E por que que isso não acontece às vezes com tumor, com câncer, aquilo cresce e dá problema?

Porque o tumor, primeiro que são células do próprio corpo que são só diferentes, mas além disso elas conseguem como desligar ou enganar os nossos sistemas de defesa. Nesse caso, essa proteína PD-1, por exemplo, é como se fosse uma blitz que existe no nosso corpo para pegar coisas erradas, pegar células erradas, inimigos nossos. E no caso dessa imunoterapia, ela faz, por exemplo, acordar esse sistema, fala assim: olha, esse tumor que está aí, isso é inimigo da gente, vamos destruir isso.

Então é onde a imunoterapia caminha também, que é justamente esses checkpoints, esses pontos de checagem que passam a ser, vamos dizer assim, ligados ou acionados para que passem a combater o tumor. E esse outro componente, o VEGF, ele faz com que o tumor, para crescer, ele faz novas ligações com o sangue para receber nutrição para o tumor crescer. Então esse fator de crescimento é o que liga, que faz essas ligações com o sangue criando os vasos novos.

Então o trabalho mostrou que justamente esse medicamento somado à quimioterapia, comparado com a imunoterapia que já é padrão hoje para tumor de câncer, para tumor de pulmão, os pacientes viveram mais, uma redução de 34% no risco de morte. E um detalhe interessante, foi a primeira vez nas reuniões da ASCO que o medicamento desenvolvido na China foi apresentado na sessão plenária. Sessão plenária é o momento mais importante, aquele que eu falei onde um trabalho foi aplaudido de pé, também de maneira inédita esse ano.

Esse ano teve algumas novidades realmente na plenária, né? Foi a primeira vez que uma pesquisa feita na China foi apresentada na plenária. Isso mostra a importância de vamos dizer assim, dessa globalização da reunião da ASCO, esse ano 42% dos participantes, segundo os organizadores, não eram americanos, apesar de ser a reunião da Associação Americana de Oncologia Clínica. Passou a ser realmente o congresso, como a gente sempre sentiu, um congresso mundial.

O segundo estudo que eu vou falar é o chamado Libretto 432, e ele fala sobre uma coisa interessante, que é a hora da gente fazer O tratamento certo para o paciente certo. Tratou de um grupo também raro de pacientes que tem uma alteração genética chamada fusão do gene RET. Não é questão, não é, não precisa decorar isso, está presente em cerca de 1 a 2% dos cânceres de pulmão. Mas a ideia aqui foi interessante, foi em vez de esperar a doença avançar, usar essa terapia-alvo que a gente chama, no caso, o Seupercatinib, logo após a cirurgia para tentar diminuir a chance desse tumor voltar.

E foi o resultado também foi bastante expressivo nos pacientes de maior risco. Esse remédio diminuiu em 83% o risco da doença voltar, progredir ou levar o paciente à morte comparado com não fazer isso logo depois da cirurgia. Em 2 anos, 92% dos pacientes tratados estavam livres de eventos, né, contra 61% nos que fizeram só a cirurgia. E também esses estudos são da plenária, são publicados imediatamente nas principais revistas médicas.

O chinês foi publicado no The Lancet e esse foi publicado no New England Journal of Medicine. Então essa coisa, primeiro a gente tava falando sobre essa coisa de que existem subtipos de tumor do pulmão, então é importante a gente poder identificar não só que a pessoa tem a doença, mas qual doença. Lembrar que a gente passa a entender hoje em dia que tumor maligno, câncer, tem nome e sobrenome, né, e naquele paciente específico.

Então, quanto mais cedo a gente for capaz de descobrir que tumor é esse, quais são as suas características específicas e genéticas e moleculares, a gente pode fazer o tratamento específico. Então, a mensagem final para amarrar essa semana de ASCO é justamente isso: caminhando para uma oncologia de precisão, Com cada vez mais descoberta de que a gente chama de biomarcadores, que são testes capazes de identificar justamente essas características específicas dos tumores de cada pessoa.

A gente passou a entender que quem tem um câncer de pulmão, mesmo que seja do mesmo subtipo celular, pode ser diferente do outro, né, e vai se comportar porque tem outra característica além daquela simplesmente do tipo da célula. Então isso é muito importante e também saber qual é a melhor hora de começar, que foi esse trabalho aí do Libretto, quer dizer, começar mais cedo nesse caso que tem essas características da fusão do gene RET é uma boa opção.

Então é para isso que eu acho que é importante pacientes de, que eventualmente quem tá vivendo com câncer ou quem tem alguém na família entender que a oncologia caminha cada vez mais para o futuro em que a gente já tem hoje em dia Vários e vários tumores malignos tratados para cura e vários tumores malignos que até pouco tempo não se tinha nada para fazer, a gente já tem tratamento para prolongar a vida do paciente com qualidade e também em alguns casos até caminhar para o que a gente acha que vai ser o futuro, ou seja, em alguns casos o câncer vai ser uma doença crônica tratável.

CCássia

Cássia. Muito obrigada, Dr. Luiz Fernando Correia. Bom fim de semana.

LFLuis Fernando Correia

Bom fim de semana para você e para os ouvintes também em casa.

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