Na Feira do Livro, Sala de Música une Jorge Amado, Caymmi e Djavan
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João Marcello Bôscoli
Speaker C
Speaker D
Speaker E
- Dia do JazzFits Don't Fail Me Now · Herbie Hancock · Wynton Marsalis · Miles Davis · Afrofuturismo · Headhunters
- Música Cristã BrasileiraAlegre Menina · Dorival Caymmi · Jorge Amado · Djavan
- Mudancas Consumo MusicalCorsário · Blue Note · Nando
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Sala de Música com Julhão Marcelo Boscoli.
Quando a gente ameaça ele assim, diz que as pessoas estão aqui, que elas iam voltar só para vê-lo, aí ele vem, né? Vamos ligar esse mic.
Você vê que o meu negócio com ligar o microfone é...
Não importa onde.
Super partidário.
Adorei que você veio.
Eu fiquei também muito feliz.
Tá tudo bem?
Tudo maravilhoso. Que lugar gostoso, né?
Bom, né?
Gostaria que as pessoas sentissem o que eu tô sentindo aqui.
O quê?
Sol, um monte de gente andando em paz, um monte de livro, um projeto arquitetônico ali que marcou a nossa vida, né? Pelé jogou tantas vezes aí. Muito legal.
Nossa, sua voz até tá assim... Como é que eu posso dizer? Relaxada, tô tão relaxado. E aí, que que você traz para gente? Você está fora do estúdio do Butantan, na presença de tanta gente, um lugar tão gostoso que te deixa tão relaxado, João Marcelo.
Eu trouxe uma música inspirada em livro, uma música composta pelo Dorival Caymmi, com inspiração e participação do Jorge Amado, na voz do Djavan.
Uau!
Vamos soltar um trechinho antes de cair na sexta-feira enfiando as duas pernas até o joelho. Nananã.
O que fizeste, Sultão, de mim, alegre menina? Palácio real lhe dei, um trono de pedraria, sapato bordado a ouro, esmeraldas e rubis, ametista para os dedos, vestidos de diamante, escravas para servi-la, um lugar no meu do céu e a chamei de rainha, e a chamei de rainha, do que fizeste, sultão, de mim, alegrinha. Só desejava Campina, colher as flores do mato. Só desejava um espelho de vidro pra se mirar. Só desejava—
maravilhoso, não?
Ouviria a tarde inteira, veria o sol se pôr, receberia as minhas férias assim, de um jeito amoroso, calmo e tranquilo.
Calmo e tranquilo. Alegre Menina, Djavan, composição do Dorival Caymmi. Com e inspirado no universo do Jorge Amado. Bom demais, música e livro.
Então vamos abrir sexta-feira agora, vai, agora vai arregaçando. Eu ia falar as mangas, mas não é, a barra da calça, né? Porque como é que é que a gente vai fazer? Enfiar as duas pernas na lama, na lama, tá?
Mas uma lama bonita, uma lama que pode fazer vasos, uma lama que faz bem para pele, faz bem muito para pele. O nome do álbum é Tomara Que Meus Pés Não Falhem Agora. Feels Don't Fail Me Now, Herbie Hancock. Já falei dele essa semana. Ele, vovô ficou maluco lá e entrou numa disco e gravou um disco assim. Pessoal do jazz ficou bravo, mas ele não.
Não é possível que seja Herbie Hancock.
E tem o baixo que você gosta aí, ó. Essa música é legal porque As partes vão entrando aos poucos, entra bateria com percussão, baixo, vão entrando guitarras, entra o clavinete dele, aí entra todo mundo. Vão ouvindo de fone e percebendo as camadas. E é o Herbert que tá cantando, Tatiana.
Cara, impressionante.
Ele é impressionante, né? Pra quem com 10 anos de idade tocava Mozart com a Sinfônica de Chicago, isso é fácil, né?
É, eu não quis dizer que exatamente me parece difícil, mas é muito surpreendente esse ritmo. Você fala, tem uma disco tocando.
É uma disco.
É Herbert Henkel.
Alguém levou ele depois do show pra algum lugar que ele se encantou, falou: eu preciso disso na minha carreira. Preciso reformar minha casa. Olha aí, olha aí. No livro do ano que vem, vou colocar uma pista aqui na frente. É verdade, cai bem, né?
Aí, nessa hora, vai estar todo mundo dançando aqui. Vai ser boa essa parte da gente fazer uma pistinha na sala de música.
Fones sem fio, pista de música, e a gente distribui fones sem fio porque aí não atrapalha o palco. Exatamente, boa ideia, né?
Que negócio, hein, que a gente vai fazer ano que vem.
Você que tá aí querendo alugar fones sem fio, é uma chance de você fazer um product placement.
Fazer o quê?
Product placement.
Fala minha língua, cara, você tá na Central Brasileira de Notícias.
Então é isso, vamos colocar um produto música no ar aqui para vocês. Oi, lembra de ontem? Oi, sou Elis Regina.
Oi, sou Elis Regina, antes de mergulhar na piscina.
Exatamente. Bom, essa música que a gente tá ouvindo, o Herbie Hancock fez um projeto realmente musical diferente, como ele fez a vida inteira. Na época da disco, ele fez essa, essa, enfim, essa experimentação, gravou 3 álbuns na época do hip-hop, né, no início. É que no Brasil o pessoal chamava de breakdance, né, que era um jeito de dançar ali. Mas o hip-hop, quando começou, ele fez uma música e ganhou um monte de prêmios da MTV, né.
Imagina o pessoal olhando aquilo, que bronca, né. Foi aí que começou a antipatia e a briga, que já acabou há muitos anos, do Wynton Marsalis criticando o Herbie indiretamente. Ele chegou e ganhou um prêmio e falou: poxa, eu queria dedicar esse Grammy que ele, Wynton, ganhou 21 anos, foi um fenômeno na época porque ele ganhou um Grammy de melhor álbum de jazz e ele ganhou o melhor álbum de música para concerto. Então, como se ele tivesse dois cérebros, né, tocando de Tomasi no trompete e tal.
E aí, quando ele fez o discurso de agradecimento, ele falou a respeito das pessoas que não se venderam, das pessoas, e isso, as pessoas aqui deu a lição de moral, né. Aí o primeiro a responder foi o Miles, falou O Miles, no caso, Miles Davis. Ele falou assim: o Wynton sempre fala alguma coisa como se alguém tivesse perguntado alguma coisa para ele, e ninguém perguntou nada para ele. Eu sempre tive vontade de falar isso para algumas pessoas: você fala como se alguém tivesse te perguntado algo, ninguém te perguntou nada.
E aí a briga foi escalando. Um dia o Herbie encontrou com o Wynton Marsalis E falou: 'Winton?' Ele falou: 'Cara, desculpa, mas é o que eu penso, porque é pop music.' Ele falou: 'Cara, você não pode falar de pop music, você não entende nada de pop music.' Aí o Winton falou: 'Não, Herbie, eu entendo.' Ele falou: 'Winton, acredite, você não entende nada de pop music, nada em você é pop.' Então, é, segura a sua ondinha. É, e ficar julgando os colegas de profissão não é a melhor atitude que você pode ter e tal.
Seu pai não ia gostar disso, que era um grande professor de Nova Orleans. Aí fizeram as pazes e nunca mais brigaram.
Muito bem.
Ele era muito arrogante, né? O Wynton, com 21 anos, sabia muito e ajudou a recolocar o jazz no mapa nos anos 80, Tatiana. As gravadoras batizaram essa turma dos Jovens Leões, né? Young Lions. E aí toda gravadora queria ter de novo um departamento para gravar jazz, né? Então foi positivo. Essas brigas aí também foram positivas, Mas é interessante, né, ver como o Miles via tudo, ver como os três estão certos, os três estão errados, os três são tolos.
Depende de onde a gente olha, né? Ô João, essa inserção do Herbie Hancock no pop, a gente pode dizer, pode, né?
Pode.
É única.
Olha, ele começou lá na época do Miles Davis, né? Quando o Miles foi tocar em Newport em 69, ele sempre tocou e foi embora, tocou e foi Ele tava namorando com uma figura que mudou a vida dele completamente, a roupa, o som, a cabeça, tudo. Bette Davis, né?
E foi a única dos olhos.
Não, não é outra, é cantora de funk. Eu já, a gente já fez uma coluna, mas como é homônima, vou fazer outra. Estudava moda no mesmo lugar que o Calvin Klein estudou, o FIT, e fez com que ele jogasse todos os ternos italianos, ele quisesse jogar os italianos pela janela e começou a usar aquelas roupas que ele usava. Nesse ano de 69 foi a primeira vez, tem depoimento do dono do festival de Newport, falou: a primeira vez que o Miles veio, tocou e ficou.
Quem tava tocando lá? Sly and the Family Stone e o Led Zeppelin. E acho que não só o Miles, mas o Herbie se encantou com isso. Ele começou a fazer coisas experimentais, coisas que depois ganharam o nome o nome de afrofuturismo, né? O nome foi cunhado depois, ele fez antes. Ou seja, primeiro veio a criação, depois vem a nomenclatura dos anos 90. Mas hoje olha essa fase, chamam de afrofuturismo e tal. E ouvindo isso, ele deu um passo, né, na direção da música experimental avant-garde com eletrônica.
E logo depois ele falou: cansei de ficar carregando instrumento sozinho, tinha gente Tinha mais gente no palco que na plateia, era muito experimental e tal. Aí ele gravou um álbum que era de funk mesmo, né, o Headhunters, né, que tem aquela música Camaleão que eu toco às vezes. Bom, bom, bom, bom, bom, bom. Aí vendeu 1 milhão e meio de cópias, mudou de casa, nunca mais quis saber de outra coisa.
Muito bom.
A gente se acostuma muito rapidamente às coisas boas, né?
É, né? Seja música, seja dinheiro, né?
Qualquer coisa. Me deram um vinho muito bom.
Uma vez eu tomei, falei: caramba, eu acho que nunca quero, nunca mais quero voltar.
É difícil recuar depois, né? Esse álbum é muito bacana, chama Fits Don't Fail Me Now. Tem o Ray Parker Jr. tocando bateria, guitarra, umas músicas. E ele foi fundo aí nessa onda do disco com, claro, tem o jazz no meio, porque ele sola muito e tal. E sempre ele, né, com aquele vocoder, né? Hoje a gente tem o Orotune, né, que é o software que você canta, fica com aquela voz de parada de sucesso. É o tango do canto, né? Você joga o Auto-Tune, uma voz qualquer, e pá, tem um cantor ali. Você tá rindo?
Tange?
É, você joga ali. E o Herbie não, ele usava um instrumento que chama vocoder, que a voz dele passa pelo microfone, vai para o cérebro do teclado, e aí ele toca o que ele tá cantando. Então é diretamente proporcional o que ele tá cantando, o que ele tá tocando, a dificuldade, né? Um software que vai colocando as coisas no lugar. E aí esse disco é um disco que ele também tem, enfim, essa experimentação. Foi o segundo álbum que ele gravou, primeiro.
E nesse ano de 79, ele conheceu um cara chamado o Steve Wozniak, né, fundador da Apple. E juntos estavam numa empresa ajudando a criar uma ponte entre o sintetizador, o teclado, né, o teclado e o computador, Alpha Centauri. Depois ganhou o prêmio na MTV. Eu adoro esse homem, adoro, adoro.
Nunca não estamos.
É a única pessoa que eu tenho um disco na parede da minha casa, é o Herbie, aquele cabelo lindo, aquele terno vermelho, né? É muita certeza das coisas. É isso, obrigado.
Vamos ouvir, vamos ouvir, vamos nessa. Vamos cestar, né, minha gente? Vamos cestar, né, minha gente? Por favor, cestar nas férias é cestar muito Todos os dias é enfileirar uma sequência de sextas.
Eu adorei. E ontem eu tinha, eu quase liguei no lugar para brigar, falei: meu, tá errado, tá errado, no sábado não é isso, vocês mudaram e tal. Falou: João, hoje é quinta.
É, cara, eu achei que era sábado, eu juro que eu achei. Obrigada, obrigada por estar aqui.
E hoje eu vou receber ouvintes, 20, 20.
Ai, mesmo?
Conta aí, ouvintes. É maravilhoso. Ah, que legal!
Conta, conta.
Tivemos esse presente de receber 20 ouvintes lá no Blue Note, lançamento da música Corsário. O Nando, você tá aí na Bélgica, né? Que coisa, né? Só volta segunda, tudo bem.
Se voltar, né? Vai voltar, vai voltar, vai voltar.
É, a extradição funciona lá, né? Então vai ser muito bacana hoje à noite lá no Blue Note e saber que tem 20 pessoas que nos escutam com esse carinho todo, é muito legal. Parece que a gente se conhece, né?
Parece, dá essa impressão, pessoal que tá com você tanto tempo, né? Muito bom.
9 anos, né? Divirta-se. Ah, eu vou, vou com os meninos, né?
Eles vão se divertir, com certeza. Obrigada, João.
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