EUA entrando no cálculo político dos pré-candidatos brasileiros
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Petra
Marco Ruediger
- O Papel do Centrão na Política BrasileiraNovas tarifas dos EUA · Cálculo político dos pré-candidatos · Flávio Bolsonaro · Donald Trump · Classificação do PCC e Comando Vermelho como terroristas · PIX · Governo Lula
- História econômica do BrasilInsegurança e crise econômica · Empregabilidade · Crise do emprego e automação · Inteligência artificial · Segurança pública · Complexo do Alemão · Corrupção
- Medo e Controle PsicológicoInundação de cenas chocantes de violência · Desinformação nas redes · Apelos sensacionalistas · Busca pela verdade · Preservação das instituições e democracia
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A Semana Política com Marco Rüdiger.
Ele, o meu querido colunista da Semana Política aqui no Revista CBN, Marco Rüdiger. Boa tarde, Marco.
Oi, Petra, boa tarde. Boa tarde, ouvintes. Que bom ter você de novo aqui com a gente. Eu também, Marco.
Azul ou amarelo, hein?
A camisa da seleção, sei lá, acho que azul.
Meu filho também, meu filhão, mas ele foi mais assertivo que você, ele já foi na azul, ele nem teve margem para amarela, era com certeza a camiseta, a camisa azul da seleção. Querido, vamos lá para os destaques dessa semana. Teve aí Mais uma questão envolvendo Estados Unidos, Presidente Donald Trump, a questão das tarifas. E pela primeira vez, Estados Unidos entrando no cálculo político dos pré-candidatos no Brasil. Me fala um pouco mais do levantamento da GV nessa semana.
Pois é, Petra, assim, o que a gente vê assim, olha, essa coisa, você sabe o que me lembra? Lembra aquele jogo de futebol? A gente tá falando de futebol, né? Garoto batendo bola assim, né, no campo de várzea e tal, né, batendo bola na praia, enfim. E aí tem uma confusão com outro de outro time, aí fica aquela coisa, aquela briga e tal, não define. Aí um deles resolve chamar o irmão mais velho para resolver a briga porque não consegue encarar.
Então, mais ou menos, a gente tá com isso aqui do Brasil, né? A gente vê o Flávio Bolsonaro indo aos Estados Unidos repetindo o movimento que o irmão fez, indo lá pedir ajuda para encarar a briga aqui dentro depois da questão aí do Master e do Vorkar. Então eu acho que esses movimentos assim são movimentos assim bastante movidiços, porque o grau de erro, na verdade, a possibilidade de se criar uma narrativa que favorece, por exemplo, o governo, né, assim, é bastante grande.
Foi um pouco o que aconteceu, porque o saldo dessa visita, no primeiro momento, foi a classificação do PCC e o Comando Vermelho também como facções terroristas, quando na verdade são narcotraficantes, né, de alto calão, sem dúvida nenhuma, né, mas não exatamente terroristas. Não estão no mesmo patamar que Al-Qaeda, por exemplo, né. Mas de qualquer maneira, isso aí foi comemorado nas redes como uma vitória, uma mudança, digamos assim, do ângulo, rumo das narrativas que tava causando, e ainda causa com certeza, um prejuízo muito grande para a campanha do Flávio Bolsonaro.
No entanto, o que que a gente viu em seguida, né? Aqui no bojo dessa, digamos assim, desse, dessa vitória, essa curta vitória, né, o irmão mais velho trouxe outras questões, né? E questões que são do campo econômico, que afetam a economia do Brasil, afeta a possibilidade de crescimento do Brasil. É um mercado importante para o Brasil, mercado dos Estados Unidos, não é o mercado mais importante, importante, mas importante de longe o mercado chinês hoje, mas é importante também.
E isso afeta a vida do brasileiro no mundo de muita insegurança e de crise, inclusive da empregabilidade. Então essa, houve uma mudança nesse sentido. Então o que que a gente teve? Teve uma mobilização de mais de 2 milhões de posts com 58 milhões de interações essa semana em cima da questão principalmente do PIX. Então assim, isso daí o brasileiro lê, e aí o presidente Lula ele sabe usar isso muito bem, como interferência direta na nossa economia e na nossa soberania.
Isso gera um discurso de defesa do Brasil que é muito valioso para o governo e bastante danoso para campanha de Flávio Bolsonaro. Então é, digamos assim, é por essa linha que a gente tá vendo que tá avançando o debate político Por um lado, explorando a questão de segurança pública, que na verdade não é só responsabilidade do governo federal, é responsabilidade também muito dos governadores, e dos governadores inclusive da base da oposição, né?
Então tem essa questão também que vai ser explorada certamente na campanha. Mas por outro lado, tem consequências econômicas muito sérias e que se somam ao tarifácio, que já foi um impacto muito negativo para a proposta política, para tentativa principalmente da direita de desafiar na expectativa de vitória, a esquerda e o centro, digamos assim, centro-esquerda no Brasil. Então é assim que a coisa tá se dando. Eu acho que foi uma semana nesse sentido negativa para construção de uma narrativa forte para oposição.
E fica claro, Marco, nesse sentido, essa vulnerabilidade da direita, família Bolsonaro, do Flávio Bolsonaro em relação a Trump, né, uma dependência dessa imagem, ao mesmo tempo é criando ruídos com mercado, com eleitorado. Como é que a gente pode entender essa relação, que é um tanto quanto estranha, não, Marco?
É muito estranha, ela parece muito subalterna, o que é péssimo, né. E eu acho que os problemas do Brasil tem que ser resolvidos dentro do Brasil, né. Você resolve em família os problemas de família, não é chamando vizinho para vir resolver para você um problema interno vai para sua casa. Então eu acho que isso fragiliza muito, se mostra uma, na verdade, mostra uma debilidade propositiva e uma quase que uma tentativa desesperada de salvar uma situação.
Porque na verdade o escândalo, por exemplo, do Master, ele atingiu em cheio boa parte da base que apoiava o Flávio Bolsonaro e que ainda apoia hoje, mas com uma desconfiança muito grande. Tanto é que a gente olha nas redes, a maior parte do apoio que ele tem ainda, digamos assim, forte, né, realmente coeso, vem de um campo mais estritamente vinculado ao próprio bolsonarismo. Então houve, digamos assim, um certo, um certo recuo, ainda que não haja uma perda dessa base de apoio conservadora, evangélica, etc., mas houve um recuo, até porque um caso desses assim é contrário a muito vários princípios hoje que norteiam, digamos assim, essa base.
Então isso é um problema. A gente vê, por exemplo, uma queda em, nesse caso específico, de 65% das menções na designação de facções, e um aumento de 35 vezes no debate sobre tarifas econômicas. Então eu acho que foi um movimento que, na verdade, ele tenta desviar a atenção de uma crise, mas ele abre um flanco que certamente vai ser aproveitado pelo governo no decorrer dos próximos meses.
Marco, vamos para o sussurro das redes. Que que você vem monitorando? Que que vocês vêm monitorando aí em relação ao que a gente que a gente precisa ficar de olho?
É, eu acho que a gente tem que ficar de olho, vai ser a inundação, inundação de cenas que sejam chocantes de violência, porque a inundação ela acaba sendo muitas vezes anônima, nem sempre, mas muitas vezes anônima. Não sabe exatamente as fontes que fazem circular determinadas informações nas redes, imagens nas redes, mas a ideia Não é necessário você, digamos assim, assinar de forma autoral, porque essas imagens, elas na verdade, elas são— o objetivo delas é reforçar o medo das pessoas na questão da segurança e a indignação das pessoas frente a cenas muito chocantes, propositalmente escolhidas para alterar, digamos assim, o rumo da percepção do debate político.
E veja bem, não é que a questão da segurança pública ela não seja crítica. Ela é crítica, ela é um dos— qualquer pesquisa de opinião que você fizer vai estar entre os 2, 3 temas mais importantes. Mas eu diria assim, rivaliza com a questão da economia, do emprego, da segurança financeira das pessoas no momento de transformação com inteligência artificial, com aumento da automação de robôs, né? Se você vai hoje em muitas cadeias de vendas, né, de produtos na Europa, loja, por exemplo, de roupas, você já não tem mais o caixa.
Você tem uma espécie de um tanque, você joga, simplesmente joga ali as mercadorias que você quer, automaticamente o sistema sabe o que que tem lá dentro, já te dá o valor, você paga e vai embora. Então tem uma crise do emprego, uma crise do trabalho que se avizinha de forma muito rápida e que assusta as pessoas. As pessoas sentem isso. Então o grau de insegurança hoje é muito grande e só é rivalizado pela, pela crueza de uma situação também de segurança pública extremamente séria que existe no Brasil.
No entanto, não é por um combate simplesmente de aprisionamento das pessoas, sem colocar numa estrutura, numa perspectiva conjuntural de como realmente soluciona um problema desse, que vai se resolver. A gente lembra, por exemplo, o caso aqui do Rio de Janeiro, que novembro do ano passado houve uma invasão do Alemão, né, do Complexo do Alemão. Foram 132 mortes, né, inclusive de policiais, que é bom ressaltar isso, que se expõe extremamente gente nessas situações.
E no entanto, as pessoas comemoraram. Me lembro que o governador, ele ia nos restaurantes, era aplaudido, e hoje ele não pode andar na rua porque ele é vaiado, né, em função dos escândalos de corrupção que ele tá sendo, digamos assim, acusado, né. Enfim, tem um processo aí, tá sendo investigado. Mas o fato é que a situação de segurança do Rio não melhorou, como a situação de segurança de São Paulo também não melhorou. E tem o papel dos governadores nisso.
Então não é uma questão simplesmente de você encarcerar as pessoas. Se fosse só isso, seria uma solução, mas não é só isso. Não existe uma questão muito mais ampla que exige uma coordenação federativa entre governo federal e estados. Nem sempre isso acontece, a cooperação, uma estratégia de inteligência, integração de dados, também é difícil de acontecer isso. A própria ideia de ter você Polícia Civil, Polícia Militar, o quanto elas conseguem de fato trabalhar em conjunto, também é uma outra questão.
A gente viu tentativa, PEC da Segurança Política Pública, por exemplo, como é que acabou sendo polêmica e manipulada, não visando o interesse nacional, mas visando justamente as eleições. Então, quando a gente olha isso tudo, e o que a gente vê é uma exploração temática sem proposta nenhuma, simplesmente para gerar o espetáculo que escandaliza e choca as pessoas nas redes. E isso é para movê-las para essa pauta de uma forma quase que unânime, cega, todo mundo repudia a questão de segurança pública como ela está.
Mas o fato que é necessário uma proposta muito mais articulada e muito mais bem acabada. Isso não tá acontecendo nesse momento, que existe uma manipulação muito grosseira, digamos assim, do medo das pessoas. E quando se manipula o medo, se manipula para qualquer propósito. Isso é muito ruim. Então, sussurro essa semana é esse: atenção Ainda que você se revolte, ainda que você sinta uma indignação em relação ao descaso, por exemplo, da segurança pública ou qualquer outro tema importante da pauta pública, o fato é o seguinte: procure ouvir as propostas, procure ouvir o que que são os impeditivos para isso não ter uma solução, e não simplesmente votar com fígado, digamos assim, ou reagir da pior forma possível, porque isso na verdade você tá sendo manipulado.
Muito bom, Marco Rüdiger. Nossa semana política aqui na CBN, muito para analisar, muito para a gente entender sobre esse momento. E eu, assim como eu tenho fé no Brasil, na seleção brasileira, eu tenho fé no voto que a gente vai conferir esse ano, Marco. E a gente insiste nesse tipo de consciência, né? Isso que você traz aqui, a consciência do voto, a consciência da pesquisa. A gente tá com a faca e o queijo na mão, no sentido da pesquisa que a gente pode fazer Se não teve outro momento histórico que a gente teve tanto acesso à informação, mas a desinformação vem junto, né?
Isso que você colocou aqui para a gente, os apelos sensacionalistas, as imagens que vão circular. Então a nossa, o nosso compromisso com a verdade, não só de esperar que a verdade chegue até nós, mas a gente em busca da verdade, da gente pesquisar pela verdade, da gente refinar o nosso intelecto, a nossa lucidez mas pela verdade. Esse nosso compromisso é muito importante e eu acredito muito nele. Marco, obrigada pela conversa.
Obrigado, Petra. E vamos acreditar muito no Brasil também. Se a gente olhar o Brasil hoje em relação a outros países, o Brasil não tá mal, o Brasil tá bem. Mas o Brasil tem evidentemente que decidir os seus rumos, seja por um lado, seja pelo outro, mas que seja de forma consistente e preservando as instituições e democracia.
Marco Rüdiger com a gente, meu querido, colunista de política em mais um ano importante aqui na CBN, no Revista. Um beijo, Marco, até mais.
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