‘Silêncio não paga dívida’
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Refletir para Viver com Rosandro Klinge. Junho é o mês de conscientização da saúde mental masculina nos Estados Unidos. E uma pesquisa recente com 2.000 homens jogou luz num problema que o Brasil conhece bem, mesmo sem ter os dados: 57% dos homens carregam algum tipo de dívida. 35% relatam impacto diário da preocupação financeira na saúde mental. 72% acreditam que a sociedade espera que homens lidem com stress financeiro em silêncio.
Esse último número diz tudo. O homem foi criado para ser o provedor. A régua do valor dele sempre foi a carteira. Trouxe o sustento, é homem de verdade. Não trouxe, falhou como pessoa. Só que essa régua foi feita para um mundo que não existe mais: emprego estável, salário que comprava casa, futuro previsível. A economia mudou. A dívida virou regra. E ninguém avisou o homem que as condições mudaram. Ele continua sendo medido por um modelo que a realidade já aposentou.
Junto com a obrigação de prover, veio a proibição de fraquejar. Pedir ajuda é coisa de fraco. Então ele engole. Sozinho. O silêncio não paga a dívida. Só adiciona o peso de carregar tudo sem poder dizer pra ninguém. O cara está afundando e ainda precisa fingir que está nadando. A crise tem cara de dinheiro. Mas é de identidade. O homem está preso entre o que ensinaram que ele tinha que ser e o que a vida real permite. E ninguém abre essa conversa, porque admitir que está difícil ainda parece confissão de derrota.
Mas definitivamente não é derrota, e sim a descrição honesta de uma conta que não fecha, levando muitos às apostas nas bets e depois na destruição da própria vida.
— Anúncios inseridos dinamicamente —