O que é o fundo soberano de Inteligência Artificial dos EUA?
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Pedro Doria
Cássia
- O Senhor dos AnéisLucros da Inteligência Artificial como dividendos anuais · Sam Altman · OpenAI · IPO da OpenAI · Donald Trump · Bernie Sanders · Anthropic · Microsoft
- Desigualdade e tecnologiaConcentração de poder nos EUA · Desemprego global causado pela IA · Impacto da IA no planeta Terra
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Conversa de Primeira, vida digital, com Pedro Doria. Muito bom dia, Pedro Doria.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia.
Bom dia, Pedro. Nos ajude a entender o que seria esse fundo soberano de inteligência artificial que está sendo defendido tanto por Donald Trump como pelo Bernie Sanders.
Pois é, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o senador mais à esquerda do Congresso Nacional americano. É esquisito, né, os dois estarem de acordo nesse tipo de coisa.
Bem inusitado.
O? Mas olha, a ideia na verdade vem do Sam Altman. Que é CEO, nós sabemos, da OpenAI, que é um dos principais laboratórios de inteligência artificial. O que que o Altman propôs? Bem, como tem um risco de inteligência artificial desempregar um monte de gente, e os estados, os estados nacionais evidentemente precisam se preocupar com isso, o que ele propôs foi o seguinte: eles que estão para fazer um IPO, que estão para abrir capital no mercado, OpenAI deve valer, quando o capital for aberto, quase 900 bilhões de dólares.
Bilhões com B de bola. Então, antes de fazer esse movimento, eles dariam um percentual, dariam mesmo, doariam um percentual da OpenAI para o Estado americano. E aí o Estado americano criaria um fundo que tem essa participação da OpenAI e que teria participação de outras empresas de inteligência artificial. Da Anthropic, da Microsoft, do Google, por aí vai, outras empresas que tiverem lucrando com esse negócio, participação de várias dessas empresas, de forma que o Estado passa a ser dono de parte desse negócio.
E isso pode permitir que os lucros da inteligência artificial se tornem um cheque de dividendos anual para todos os cidadãos americanos. Todo mundo receberia no final do ano um cheque, isso aqui é o que você lucrou com inteligência artificial este ano. Seria uma forma de compensar. O Alasca já faz isso com petróleo, tem um cheque anual desde 1982 para todo mundo que mora no Alasca. A Noruega tem uma coisa similar, embora não emita um cheque, faça investimentos que revertem para economia norueguesa.
Pensando nesse mecanismo para inteligência artificial, aparentemente é viável também.
Cássia, é super viável. No fim das contas, você tá pensando que inteligência artificial é que nem petróleo, ou seja, é uma coisa que põe— você pega a Noruega, por exemplo, você vai tirar petróleo do fundo do mar, tem risco de vazamento, tem problemas ambientais, você afeta a natureza toda ali na região. Então o que que você faz com aquilo? Bem, já que tem lucro e esse lucro vai embora rápido, ou seja, você tirou o petróleo, não tem mais petróleo.
Então o que que você faz? Você pega aquele dinheiro e você reverte para a sociedade, para que a sociedade tenha um lucro permanente com aquilo. É, a inteligência artificial meio que seria a mesma coisa. Você tá tirando o conteúdo, texto que milhões de pessoas escreveram ao longo da vida, o conhecimento que todo mundo botou para treinar a IA. Ou seja, você tá usando um recurso que é de todo mundo para treinar e produzir um lucro desmesurado.
Quer dizer, a lógica seria a mesma. Cássio, só tem um problema nessa história toda: o impacto do petróleo é local. Então quem sofre com a indústria do petróleo no Alasca são os cidadãos do Alasca. Quem sofre com o impacto da indústria do petróleo na Noruega são os cidadãos da Noruega. O problema da inteligência artificial é que isso resolve esse fundo soberano, resolve o problema dos americanos, não resolve o problema do resto do mundo.
Então, periga ser uma solução que vai concentrar poder mais ainda nos Estados Unidos referente à inteligência artificial, enquanto que o desemprego que ela vai criar, esse tipo de coisa, se de fato acontecer, vai ser pelo mundo todo. Você cria um país ainda mais forte para era daí, sem resolver o tipo de impacto que aí pode causar not only in the United States, but on the planet Earth.
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