Surto de ebola no Congo pode superar grande epidemia de 2014
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Luis Fernando Correia
Cássia
Milton
- Surto de Ebola na ÁfricaEstimativa de 20 mil casos · Comparação com epidemia de 2014 · Política de isolamento · Atraso no diagnóstico · Vírus Bundibugyo · Guerra civil no Congo · Letalidade de 60% · Risco de espalhamento global
- Pandemias e zoonosesCentro de Controle de Doenças dos Estados Unidos · Probabilidade de surto
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Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, Doutor. Vamos voltar a olhar para a situação do ebola, que vem piorando, especialmente no Congo. Exatamente, Milton. Ontem saiu a notícia de uma modelagem matemática feita pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, e que estima que se não mudar, se não conseguisse mudar a política de isolamento, ou seja, identificação dos casos, esse surto pode bater os 20 mil casos nos próximos meses.
Ou seja, superando inclusive o grande surto, grande epidemia de ebola de 2014, que foi em torno de 11 mil casos. O governo, a Instituto Nacional de Saúde Pública do Congo, divulgou um boletim no dia 4 com dados até o dia 4, ainda com 452 casos confirmados e 82 mortes. Mas a gente sabe que existe um, o próprio boletim mostra um delay, um atraso do diagnóstico em torno de A cada dia, 120, 130 amostras para serem avaliadas que ficam atrasadas, né?
E mesmo assim confirmaram 70 casos na sexta-feira, foi o último dia com grande, maior número de confirmações até hoje. A situação é complexa, que a gente já comentou aqui, mas está piorando porque não se tem vacina para essa cepa, para o vírus Bundibugyo, que é o vírus Ebola. A situação comunitária cada vez piora, ou seja, não existem condições para isolamento dos doentes. Os pacientes estão fugindo dos centros de tratamento porque não acreditam na doença, não se consegue construir relação com a comunidade porque o país vive em guerra civil, Milton.
Esse é que é o problema. Então é o seguinte: se permanecer o isolamento em torno de 20%, que é o nível que parece estar acontecendo agora, Essa é a possibilidade de que acima de 65% de que esse surto vai passar de 20 mil casos em 3 meses. Isso é a maior epidemia de ebola prevista na história e possivelmente vai. Infelizmente as coisas não tem, não parecem tá melhorando, né? O que que mudou da outra vez? Da outra vez, como é que se conseguiu conter o surto?
Para ter uma ideia, se eles estão conseguindo isolar 20% Agora, em 2014, quando se bateu 11 mil casos, conseguiu se isolar 70% dos casos. Isso em 2 dias, a partir de 2 dias. Então, se você conseguir fazer isso acontecer, se for mágica, né, vamos dizer assim, de hoje para amanhã, você conseguiria tirar, derrubar essa probabilidade matemática. Mas a situação é muito difícil e a gente Infelizmente tem uma letalidade ainda muito alta nos casos, principalmente na região do Kivu Norte, onde chega a 60%.
Então se a gente juntar os dois números, Milton, 20 mil casos com 60% de mortalidade, a gente tá falando aí de 12 mil pessoas que vão falecer por ebola no Congo. O que que o mundo tem a ver com isso? A pergunta é sempre essa, né? Eu tenho que me preocupar com isso? Em princípio No momento não, mas você tem um surto de uma epidemia de uma doença com 20 mil pessoas na África e achar que tá tudo certo, já começa que é ruim. E segundo, o risco sempre existe, o risco aumenta à medida que o número de casos aumenta.
No momento é mais baixo, mas se a situação social, se a situação política não se resolver no Congo, você pode ter sim o espalhamento dessa doença, dessa doença localmente na África. E infelizmente casos vão continuar acontecendo fora do continente africano. Milton, muito obrigado, Doutor Luiz Fernando Correia. Um bom dia. Bom dia para você, Milton Kass e todos os ouvintes. Bom dia, doutor.