Recorde: Bolsa em queda por oito semanas seguidas
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Teco Medina
Cássia
Luiz Gustavo Medina
- Selic e trajetória de queda dos jurosOito semanas seguidas de queda · Ibovespa · Alta inicial no ano · Saída de dinheiro do mercado brasileiro · Inteligência artificial · Guerra · Inflação · Juros
- Queda das bolsas mundiaisCorrida por investimentos em inteligência artificial · SpaceX · Guerra · Imprevisibilidade · Gastos excessivos do governo · Reeleição do governo
- Perfil do investidor e educação financeiraNão fazer nada · Fim da guerra · Preço do petróleo · Inteligência artificial · IPO de empresas de IA · Investimento em Tesouro Direto e CDB
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O Assunto é Dinheiro com Luiz Gustavo Medina.
Boa tarde, Teco.
Oi, Cássia, boa tarde, boa tarde aos ouvintes, tudo bem?
Tudo certo. Agora que não tá bem a bolsa, hein, Teco, pela primeira vez na história, caindo 8 semanas seguidas.
Pois é. E olha que, como eu sempre digo, tem história, né, Cássia? Que a história é longa. E se a gente parar pensar o que já teve de crise, já teve de eleição, já teve de guerra, já teve impeachment, teve COVID, teve um monte de coisas, mas nunca havia acontecido o que aconteceu sexta passada. A gente fechou 8 semanas seguidas em queda. Para desespero de alguns e nenhuma surpresa, abrimos a nona semana também queda, né? Bolsa tá caindo hoje, mas chama atenção isso, né?
O Ibovespa tava muito forte no começo do ano, chegou até uma alta ali de quase 25% no ano, ali até a primeira quinzena de abril. Chegou a ser a bolsa mais rentável do mundo e de repente virou, mas virou de uma tal maneira que impressiona. Bolsa caiu muito em maio, já cai quase 3% em abril, a mais alta do ano, caiu para 5%, e ninguém tá vendo uma luz aqui no fim do túnel, né? A única boa notícia que tem para o nosso ouvinte investidor é que caiu demais, caiu muito rápido e caiu de maneira desproporcional, né?
Então, quando a bolsa cai 20%, tem que imaginar que tem coisa que caiu 50% nesse período, e é por razões talvez alheias até à empresa, e mais por circunstâncias que vão desde fluxo até uma guerra que não termina, e E por aí vai.
Agora, até posso— sempre importante quando a gente fala de queda na bolsa explicar por que que é importante levar isso em consideração, porque que é um aspecto a ser considerado. Acho que a gente pode começar lembrando que a bolsa antecipa algumas expectativas, né?
Ela antecipa algumas expectativas, mas curiosamente dessa vez, Cássia— na verdade você tem razão, ela sempre antecipa algumas expectativas, mas curiosamente dessa vez eu acho que só tem uma coisa que ela tá antecipando. O resto, ela tá meio que reagindo porque está tendo uma saída muito grande de dinheiro do mercado brasileiro, de alguns mercados aqui ao redor nosso. E a principal razão é porque voltou uma corrida maluca para se comprar, para se investir nessa história de inteligência artificial.
A gente vai ter essa semana o IPO da SpaceX, por exemplo. E essa história de inteligência artificial é uma história que o Brasil não faz parte, né? A gente não tem isso aqui.
Aqui.
Então toda vez que alguém quiser investir nesse setor, por exemplo, você tem que tirar dinheiro daqui, mandar para algum lugar, normalmente para os Estados Unidos. A história da guerra, né, essa— a gente tá indo para 100 dias de guerra, uma guerra que a gente até agora não sabe muito bem por que começou. A gente não sabe se alguém vai ganhar, a gente não sabe nem pelo que que a gente tá torcendo mais. Mas ela evidentemente traz um nível de imprevisibilidade muito grande e uma pancada, né, na inflação de todos os países.
Isso acabou atrapalhando muito, né, não só o Brasil, mas outros países, né. A gente tem uma perspectiva de queda de juros que vai ser interrompida, né. Provavelmente a gente vai ter uma última queda semana que vem, e ela vai ser muito antes do que se imaginava, né. A gente tava prevendo o juro esse ano para 12, 12,5, e vamos dar graças a Deus se terminar em 14,25, e não se sabe mais quando cai. Então é curioso que dessa vez a gente meio que foi atropelado pelo presente, sabe.
Acho que de futuro mesmo, Cássia, só tem um incômodo muito o grande de que o governo tem gastado dinheiro demais, é que não parece disposto a mudar esse cenário, e que nesse momento ele parece ser favorito para ser reeleito. Então, teoricamente, esse cenário que é um desconforto continuaria, a gente continuaria com problema de contas públicas. Mas todo o resto é o presente que virou e nos pegou de frente.
Agora, quem tá escutando a gente, investe em ações, faz o quê no momento como esse, várias semanas de baixa na bolsa?
Ah, segura na mão do amiguinho, né, Cássia? Eu acho que eu não faria nada. Eu acho que tem algumas coisas que assim, é difícil falar que elas podem mudar rapidamente, porque a gente já falou isso aqui umas 20 vezes nesses últimos tempos, né? Mas eu acho que a história da guerra, ela é primordial para reverter alguns cenários. E a gente tá sempre na iminência de que ela acabe, porque de novo a gente não sabe porque ela tá acontecendo, né?
Então se ela acabasse, a gente veria o preço do petróleo provavelmente caindo para um patamar muito mais baixo. Isso tiraria pressão de inflação de todos os lugares, isso mudaria um pouco esse mau humor com a taxa de juros de todos os lugares. Isso seria uma notícia boa. Depois a gente tem que torcer para que, enfim, que os Estados Unidos não tenham problema com essa história de inteligência artificial, mas que também não seja um sucesso brutal, porque de fato tá drenando dinheiro do mundo inteiro para lá, e a gente acaba sofrendo porque de novo a gente não tem essa história aqui, né?
Então Existe um frenesi infinito sobre isso. A gente vai ter agora 3 aberturas de capital dessas empresas que estão muito na onda aí, né? A SpaceX, depois a OpenAI, depois a Anthropic, que devem drenar esse recurso. E aí as pessoas têm pouco interesse em investir nos nossos bancos, na Petrobras, nas siderúrgicas, na Vale, enfim, a gente acaba ficando sem dinheiro para isso. E aí, como o juro está muito alto aqui, Também os investidores brasileiros fica confortável ali no Tesouro Direto, num CDB da vida, né?
Tá certo. Teco Medina, muito obrigada pelas informações, pela análise. Voltamos a conversar amanhã.
Até lá, até amanhã, tchau tchau!