Episódios de Comentaristas

Ancelotti encerra testes com mais dúvidas do que certezas e reforça preocupação defensiva

08 de junho de 20269min
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Comentaristas do Quatro em Campo avaliam que a vitória do Brasil por 2 a 1 sobre o Egito, no último amistoso antes da Copa do Mundo, deixou mais questionamentos do que respostas para a comissão técnica de Carlo Ancelotti.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Eduardo Éboli

ComentaristaJornalista
G

Gabriel Dudziak

ComentaristaJornalista
Assuntos3
  • Brasil na Copa do MundoAnálise tática e posicionamento · Desempenho de Lucas Paquetá · Desempenho de Igor Thiago · Desempenho de Endrick · Preocupação defensiva de Ancelotti
  • Posicionamento de porta-aviões e estratégia defensivaAncelotti e o DNA italiano · Ederson · Marrocos
  • Análise da atuação de NeymarNeymar · CBF · Copa do Mundo
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?Voz B

4 em Campo, pré-eleção. Oferecimento: Monroe e Monroe Axios, amortecedores e peças para suspensão, qualidade de ponta a ponta.

?Voz C

Carlos Eduardo Eboli e Gabriel Dudziak, boa tarde.

?Voz B

Olá, boa tarde.

?Voz C

Bom, vendo, assistindo, analisando o jogo do Brasil contra o Egito, 2 a 1 para o Brasil, jogo amistoso no sábado. Olhando para frente, o que que vocês avaliam? Ainda tem a questão do Wesley que foi cortado. Começa com você, Dudziak.

?Voz D

Bom, vamos lá. Brasil venceu o Egito por 2 a 1. A gente ficou a semana passada inteira, né, discutindo aí quais seriam as mudanças da seleção brasileira. Acabamos vendo, né, a entrada realmente do Lucas Paquetá na equipe, também do Igor Thiago e também do Ibanez, que virou o zagueiro titular aí na ausência do Gabriel Magalhães. E inicialmente a gente viu o que foi relatado aí sobre os treinos da semana pelos companheiros que puderam acompanhá-los mais de perto.

Então, um Brasil com Wesley muito projetado pelo lado direito, praticamente um ala e não um lateral direito no momento em que o Brasil tinha bola. Um Lucas Paquetá fazendo a meia-direita, então não estava muito aberto, transitava mais por faixas centrais do gramado, ainda que prioritariamente pela direita. Um Rafinha que se desdobrava entre lado esquerdo e faixa central. E um Vinícius Júnior muito aberto pelo lado esquerdo. Não dá para dizer exatamente que essa dinâmica ofensiva do Brasil tenha funcionado a contento, porque o gol que o Brasil faz é num desarme no campo de ataque.

E sim, a proximidade dos atletas no momento sem bola é algo que também acaba derivando aí desse posicionamento com bola. Mas não dá para dizer assim, Fernando, ah, porque essa dinâmica de Rafinha encontrando Vinícius, ultrapassagem de Wesley, isso tudo é que fez com que o Brasil marcasse o gol e fosse super perigoso no primeiro tempo. Acho que não foi muito por aí. Pior, com a saída do Wesley no momento em que o jogo já tava 1x1, num erro aí de recuo de bola do Marquinhos, com participação do Casemiro também, esse teste, né, de projeção do lateral direito, de participação muito grande do ala pela direita e reconfiguração das outras peças, me parece que esse teste ele já foi um pouco desfeito, porque o Danilo entrou na vaga do Wesley e as características são muito diferentes.

E sim, havia uma intenção, mas num perfil bem diferente. Então o Brasil já não foi a mesma coisa. Ainda assim teve boas oportunidades de fazer 2x1 no primeiro tempo, e o Igor Thiago, que era um dos atletas aí que tinha uma lupa em cima dele para ganhar essa vaga de centroavante titular do Brasil, acabou indo mal e desperdiçou oportunidades. Segundo tempo vem, seleção brasileira muda muita gente, e logo de cara, né, 5 minutos do segundo tempo, faz um gol com o Hendrick, que entrou justamente na vaga do Igor Thiago.

E aí todo mundo já fica assim: olha o Hendrik aí outra vez, vamos olhar para o Hendrik, tá aí o nosso centroavante titular. Mas a postura do Brasil, com o passar dos minutos, deixa de ser agressiva, deixa de ser ofensiva. E a real é que o teste para o Hendrik ficou meio restrito a 15 minutos aí do segundo tempo, 20 minutos se você quiser dar uma colher de chá. Somando tudo isso, Fernando, e é justamente que a gente passou na pauta aí de hoje, outra vez a gente sai de um jogo da seleção brasileira com mais dúvidas do que certezas. E aí eu passo a bola para o Éboli.

?Voz B

Éboli, eu tô fazendo muita força ainda para enxergar pontos positivos, né, na seleção brasileira. Não que esses pontos positivos não possam se desenvolver, e acredito que essa semana vai ser muito importante para isso, né. Acho que a gente nunca teve uma semana, uma última semana de preparação às vésperas da estreia numa Copa do Mundo tão importante como essa, justamente em função dessa dificuldade de ainda enxergar um equilíbrio na seleção brasileira.

Essa convocação do Ederson para o lugar do Wesley, ou seja, enterrando qualquer tipo de possibilidade de um lateral mais ofensivo, né, lateral direito mais ofensivo, para mim é um sinal claro de uma preocupação que hoje o Ancelotti tem com a parte defensiva. O Brasil, ele vem recebendo elogios e é quase que uma coisa comum, né, um quase que um ponto comum, uma opinião comum de que a pressão alta do Brasil é bem feita. Ok, se há um ponto a ser elogiado na seleção brasileira é a marcação alta, marcação pressão na saída do adversário, que inclusive resultou nos 2 gols, né.

Da partida contra o Egito. Mas marcação alta é muito difícil, quase impossível de qualquer time fazer isso durante os 90 minutos. Você é muita exigência física, né, cobertura de espaço e uma movimentação muito bem marcada, né. Você precisa de ensaio, precisa de entrosamento de time, de time. E nós não temos ainda um time na seleção brasileira. Essa marcação alta do Brasil, ela tem um prazo de validade ainda mais curto em função desses encaixes que são tímidos ainda.

Então, na medida que ela afrouxa, os espaços surgem para o adversário. Os adversários estão construindo em cima da nossa deficiência de recomposição defensiva. No famoso, quando a gente corre para trás, a gente corre, não corre certo, tá correndo errado, tá deixando espaço. E essa convocação do Ederson, e eu tô vendo aqui a lista de meias, né? Vamos lembrar que nos 26 convocados apenas 5 meias. As opções do Ancelotti, convocar apenas 5 meias.

E desde o início aqui eu fui um tanto crítico com isso, mesmo reconhecendo a geração brasileira, uma geração que apresenta muitos pontas, e isso meio que seduziu o Ancelotti a dar preferência a esse setor do campo. Mas como eu sou um adepto de que o jogo se constrói no meio, me mostrei sempre muito reticente a esses 5 meias apenas no setor. Com a chegada do Ederson serão 6 e é um jogador muito voltado para a parte defensiva, ele é volante, volante.

Ele poderia ter optado por um Andréas Pereira, pelo próprio André Santos, que foi várias vezes convocado pelo Ancelotti, poderia ter optado, eu tô citando jogadores mais criativos aqui, vamos lá, Gerson, Matheus Pereira, não, a opção dele foi pelo Ederson, que é volante, volante. Para mim preocupação clara com a parte defensiva. Uma vez que, uma vez que os encaixes ofensivos são tímidos, né, essas movimentações ofensivas são muito tímidas ainda, mesmo com as mudanças feitas ali com Paquetá, com Rafinha vindo mais no meio, uma seleção não consegue conquistar títulos de Copa do Mundo se não tiver um bom sistema defensivo, se não soubesse defender.

E aí vem aquela coisa do DNA italiano que tá batendo a porta e fazendo o Ancelotti enxergar esse problema. E logicamente que ele tá enxergando Eu não vou duvidar aqui da capacidade, competência de um dos técnicos mais vitoriosos do mundo, mas me parece que o pensamento dele está sendo modificado, uma vez que o encaixe não é pleno e ele precisa ter um time minimamente competitivo, a começar pela estreia contra Marrocos, que é um adversário difícil, vai ser o jogo mais difícil.

Quem viu o jogo do Marrocos contra Noruega viu um time muito agressivo, muito intenso, de transição rápida, de toque objetivo, jogadores que ocupam também o setor do adversário, o campo do adversário. Conversar. Então o Brasil vai precisar ter alternativas, principalmente para fechar a casinha quando for necessário.

?Voz C

Dois Neymar faz exames. O que sabemos?

?Voz D

Foi uma nota aí da CBF bem assim sem dizer nada, né, na minha visão. Porque é o seguinte, anota, é o seguinte: o atleta Neymar foi submetido a ressonância magnética nesta segunda-feira. Exame aponta boa evolução no tratamento. Dentro dos parâmetros esperados. Seguirá o processo de recuperação e de preparação física planejado pela Comissão Médica do Brasil. Isso quer dizer o quê exatamente? Quer dizer que tá evoluindo. Vai jogar?

Não se sabe. Vai poder jogar alguma partida na fase de grupos? Não se sabe. Fosse outro atleta e não Neymar, seria cortado? Não se sabe. Os padrões aí que são esperados são esperados para qualquer atleta ou para qualquer Neymar, não se sabe. Então é isso, tá tudo bem, viu, Fernando?

?Voz C

Tá tudo bem. Então tá bom, a Copa tá aí. Obrigado, gente, bom trabalho para vocês e até mais no 4 em Campo, o programa às 8 da noite. Um grande abraço, valeu, abraço, valeu!

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