Pensar demais no passo seguinte é o jeito mais rápido de tropeçar
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- Paralisia por AnálisePiloto automático como inteligência acumulada · Interferência da consciência em habilidades automáticas · Confiança na intuição e no instinto
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Refletir para viver, com Rosandro Klinger. Existe um fenômeno curioso que a psicologia chama de paralisia por análise. E ele aparece num lugar onde ninguém espera: nas coisas que você já sabe fazer. Tente prestar atenção em cada passo enquanto caminha, conscientemente: calcanhar, planta dos pés, dedos, transferência de peso, equilíbrio, velocidade. Em poucos segundos você está andando pior do que uma criança aprendendo. O corpo que fazia aquilo no automático travou porque a mente consciente resolveu intervir onde não foi chamada..
A mesma coisa acontece com quem digita olhando para o teclado depois de anos sem precisar, com o músico experiente que começa a pensar nos dedos durante a apresentação, e também com o jogador de futebol que analisa o chute no momento em que deveria apenas chutar. O piloto automático não é preguiça mental, é inteligência acumulada, anos de repetição comprimidos num gesto fluido que a consciência não consegue processar na mesma velocidade.
Quando você interfere, não está melhorando o processo, está engarrafando uma rodovia que funcionava bem. Isso vale para habilidade técnica, vale também para intuição. Tem decisões que o corpo já sabe antes da cabeça terminar de formular a pergunta, e a gente passa horas racionalizando o que o instinto já respondeu na primeira fração de segundo. Não se trata de não pensar, mas sobre pensar na hora errada, sobre a coisa errada, com uma confiança excessiva de que mais análise sempre produz melhor resultado.
Por isso, às vezes, o melhor que você pode fazer é confiar no que treinou e sair do caminho de si mesmo.
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