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Suspensão da vacina do Butantan contra dengue 'não é falha do sistema, mas vigilância funcionando'

09 de junho de 20266min
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Luis Fernando Correia fala sobre a suspensão temporária da vacina do Butantan contra dengue, anunciada pelo Ministério da Saúde na segunda-feira (8). 'Não é decisão da vigilância sanitária, mas de vigilância epidemiológica e também de farmacológica', explica. Ouça!

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Participantes neste episódio3
L

Luis Fernando Correia

HostJornalista
S

Speaker C

Convidado
S

Speaker D

Convidado
Assuntos2
  • Fiscalizacao e MonitoramentoSistema de vigilância funcionando · Notificações de efeitos adversos · Transparência e segurança científica
  • DengueFerramenta de saúde pública · Redução da circulação do vírus · Epidemia de dengue 2024
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LFLuis Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, Dr. Luiz Fernando Correia.

?Voz C

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

?Voz D

Bom dia, doutor.

LFLuis Fernando Correia

Vamos voltar a falar aqui no Jornal da CBN a a propósito dessa decisão do Ministério da Saúde em relação à vacina da dengue produzida pelo Instituto Butantan. Está suspensa temporariamente depois do surgimento de alguns eventos, de algumas reações adversas. Nós devemos começar a olhar essa questão a partir de que ponto, Doutor Luiz Fernando?

?Voz C

Eu acho que o primeiro ponto a gente olhar, Milton, é entender que essa suspensão ela não é uma falha do sistema. Ele é a mostra que o sistema tá funcionando. A gente tem falado isso até de maneira frequente aqui, porque por acaso, por coincidência, né, a vigilância tem funcionado de maneira frequente no Brasil e as pessoas têm sido surpreendidas com as decisões. Essa não é uma decisão da Vigilância Sanitária, mas é uma decisão de vigilância epidemiológica e também farmacológica, né.

Quando a gente É para entender que quando a gente faz, quando se faz pesquisa para incorporar, para aprovar um medicamento, aprovar uma vacina, aprovar um dispositivo médico, qualquer coisa que necessite de autorização regulatória da Anvisa, você faz aquelas fases de pesquisa que a gente vem falando bastante desde a época da COVID, né? A fase 1, a fase 2, a fase 3. E tem uma fase que a gente fala pouco, que é a fase 4, que é a fase de vigilância pós-entrada no mercado, ou seja, que a gente chama de dados de vida real.

Foram dezenas de milhares de pessoas testadas com a vacina do Butantan nas fases de pesquisa clínica até aprovação pela Anvisa. Agora a gente tá com meio milhão de doses aplicadas, então a gente tem agora dados de meio milhão de pessoas. Eventos que podem aparecer de forma muito rara, e aí nós estamos falando desses eventos que foram detectados, são 42 eventos em meio milhão de doses, Nós estamos falando de 8 eventos para cada 100 mil doses aplicadas.

O que não apareceria em dezenas de milhares de pessoas testadas pode aparecer quando você tem milhões de pessoas testadas ou meio milhão de pessoas testadas. É isso que aconteceu. E esses dados, primeiro a gente tem que entender que esses óbitos estão, as mortes estão em investigação, se tem realmente a ver uma coisa com a outra. Né? Segundo, é, os outros efeitos adversos foram 42 efeitos adversos inesperados. Também tem que ser estudado quem são essas pessoas, o que acontecia com elas naquela época, elas já tinham tido dengue antes, que tipo de vida tem, enfim, uma série de coisas que você faz em estudos científicos para comparar grupos diferentes e comparar com pessoas que tomaram a vacina, não apresentaram os efeitos, para saber exatamente por que que essas pessoas tiveram esses problemas.

Enfim, isso é sinal de que a vigilância tá funcionando, é sinal de que as notificações de efeitos adversos estão sendo levadas a sério. Então, e a suspensão foi uma medida de precaução do Ministério da Saúde. Pode parecer uma coisa radical porque no Brasil inteiro, de uma hora para outra, mas enfim, não tem como fazer isso de outra maneira, né? Não tem como fazer aos pouquinhos. Então decidiu-se que é mais seguro, é mais seguro.

Isso é uma prova de que a coisa tá sendo feita com transparência, com segurança, e enfim, seguindo as evidências científicas. Acho que esse é o principal ponto. E lembrar uma coisa que é fundamental: quem tomou essa vacina há mais de 21 dias a partir de ontem e não sentiu nada, ótimo, você não teve nada, acabou, esquece a história. Quem tomou essa vacina do dia 18 de maio— aliás, o Fernando Andrade ontem me ajudou e fez essa conta na hora, né, que estava no ar discutindo Consulta à tarde, 18 de maio em diante, você vai monitorar o que você sentiu, se você sentiu alguma coisa.

Não quer dizer que todas as pessoas tomaram a vacina vão ter problema, gente. Então, se você tomou a vacina do dia 18 de maio para cá e teve algum sintoma que você sentiu, achou importante, não sentiu confortável, não tô bem, procure uma unidade básica de saúde, procure um atendimento médico e relate isso. O profissional de saúde vai comparar, vai anotar isso tudo, vai registrar, e eventualmente, se isso continuar, você vai ser acompanhado por algum tempo.

É isso que tem que acontecer, nada de mais nem de menos. Então, gente, para 500 mil pessoas tomaram a vacina, quem tem que estar pensando alguma coisa hoje é quem tomou do dia 18 de maio para cá. Quem tomou 18 de maio para lá, esquece, toca a vida. Isso que é o mais importante, tá? A vacina A suspensão da vacina não quer dizer que a vacina é perigosa. A suspensão da vacina não quer dizer que ela está errada, que não presta. Inclusive, o Brasil reduziu bastante as taxas de circulação de dengue esse ano.

Então, gente, é, e vamos lembrar, gente morreu de dengue esse ano no Brasil. Nós vemos mortes de dengue esse ano no Brasil, vemos uma epidemia de dengue de 2024 para cá com números absurdos. Então, essa vacina é uma ferramenta importante de saúde pública, por isso ela tem que ser preservada no sentido de estudar para se utilizar do melhor jeito possível. É isso que tá acontecendo, Milton.

LFLuis Fernando Correia

Perfeito. Muito obrigado, Dr. Luiz Fernando. Bom dia.

?Voz C

Bom dia para você, Milton, para Cassi, para todos os ouvintes.

?Voz D

Bom dia, doutor.

LFLuis Fernando Correia

Para você que nos acompanha aqui no Jornal da CBN, interessado ainda mais nesse assunto, nós também hoje aqui no Jornal da CBN conversamos com a Dra. Ana Carolina, que é da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Entrevista essa que fica à sua disposição lá no site, no aplicativo da CBN, até para você ficar mais bem informado sobre este tema.

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