'Penso nela o tempo inteiro', diz Lilia Cabral sobre interpretar Rita Lee em peça de teatro
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- TeatroPeça 'Rita Lee: Balada da Louca' · Segunda autobiografia de Rita Lee · Últimos anos de vida de Rita Lee · Lilia Cabral · Rita Lee · Montanha russa de emoções · Coragem diante da finitude · Leveza e humor em situações difíceis
- Processo CriativoDireção de Beatriz · Cenário lúdico · Transformação do pulmão em personagem · Referência ao acordeão · Adaptação do texto para o palco
- Calendário e estrutura da temporada 2026Teatro Fahápi · Temporada estendida até 9 de agosto · Horários de apresentação
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Agenda Cultural acontece em São Paulo.
Apoio: Prefeitura de São Paulo.
Dizem que sou louca por pensar assim, se sou muito louca. Yasmin Caetano conosco.
Marco na nossa agenda cultural e com convidada especial, hein?
Exatamente, Marcela. Sabe que em maio a gente até comentou que tivemos 3 anos sem Rita Lee? Ela morreu em maio de 2023. E desde então a gente viu muitas homenagens em diferentes mídias e formatos, inclusive no teatro, com muitos musicais. E tá em cartaz há algumas semanas uma peça muito bacana que é Rita Lee: Balada da Louca. Que conta os últimos anos da rainha do rock brasileiro, com a atriz Lilia Cabral no papel principal. Estamos com ela aqui ao vivo para contar um pouquinho dessa peça. Lilia, bom dia, seja muito bem-vinda.
Bom dia, bom dia para vocês.
Muito bom dia.
Bom dia, bem-vinda. Obrigada pela sua participação aqui com a gente.
Pra falar—
Um prazer, um prazer.
O prazer é nosso. Para falar ainda mais dessa peça de uma pessoa que é tão especial e tão marcante. Quando a gente fala de Rita Lee, a gente fala muito sobre a história do rock, sobre São Paulo. E é muito bom, né? Eu queria já começar nossa conversa te perguntando como é que é interpretar Rita Lee, como é que é estar trazendo ainda mais uma peça que vem dessa autobiografia dela, logo depois, a segunda parte da autobiografia dela, logo depois que ela foi diagnosticada com câncer, né?
Decidiu escrever mais esse volume. Então como é que é para você estar nos palcos interpretando a Rita Lee?
Nossa, todos os dias eu até agradeço essa possibilidade, porque de fato é uma homenagem. Eu só penso nela o tempo inteiro, reverenciando tudo que ela fez e esse fim de vida, esses últimos 5 anos, e ela ainda continuou fazendo. Então, quando eu recebi o convite É, eu pensei assim, nossa, na hora até levei um susto, né, um certo choque, porque a gente pensa na Rita esse ícone, essa alegria, essa irreverência, esse deboche, essa inteligência, mas eu ia contar um outro lado, um lado triste, dolorido da vida dela, né?
Mas de repente a gente também achou que era muito pertinente a tudo que vem acontecendo nas nossas vidas e principalmente o que aconteceu na vida dela, que muita a gente não sabe. E ela, quando escreveu o livro, acho que ela não imaginou o quanto ela estaria sendo positiva para tanta gente que estava passando pelo mesmo problema que ela, né? Então essa linha que a gente, quando entra no palco e tem essa responsabilidade, eu penso sempre que assim, eu sou só, eu só estou levando esse Esse pensamento tão bonito dela como pessoa, como artista, eu só estou fazendo, só estou transportando isso, né?
E para fazer isso, então, eu tenho, tive, nós tivemos todos, né? A equipe, o texto, a direção, todo mundo que comandou esse capítulo à parte com muita responsabilidade e muito respeito, né? Então eu me sinto muito assim, eu fico feliz por estar contando essa história e ao mesmo tempo acho que quando eu fui vivendo tudo que ela passou, não tem como a gente não sentir ou não se emocionar, né? E é o que acontece com o público também.
Sim, imagino que sim. A peça, né, Rita Lee: Balada da Louca, Lilia, ela se baseia na segunda autobiografia da Rita Lee, né? Então foca ali nesses últimos anos de vida dela, algo que você mencionou aí um pouco na sua resposta.
Eu queria entender o que que mais te te surpreendeu?
E o que que, como que vocês contam essa, esse momento da vida da Rita? Ou seja, apesar de ser um trecho ali da vida em que ela tá lidando com a finitude, foi também, o que te surpreendeu foi a forma dela ter uma leveza, um humor, e isso é transposto aí para apresentação, para peça de vocês? Foi esse o aspecto que mais te surpreendeu nesse, nessa passagem que vocês estão contando?
Olha, A Rita, em termos de leveza, de humor, de deboche, de ironia, a gente sempre viveu isso, né? Eu vi muitos, muitos, muitos O Saia Justa que ela participou, quer dizer, era uma beleza, né? A Rita era uma Disneylandia, digamos assim, porque a gente se divertia muito com ela e tudo que ela falava, por mais poderia até estar fora do contexto, mas você acreditava, né? Porque ela era extremamente verdadeira. Então, esse lado leve na peça existe, sim.
É isso que as pessoas falam muito sobre essa montanha russa de emoções, porque uma hora você está aos prantos e a outra hora você está rindo. Rindo e rindo de uma situação que foi, que aconteceu, que é verdadeira. Mas o que mais me surpreendeu dela, e depois conversando com o Roberto, conversando com um pouco com os filhos, mas mais com Roberto, é ver porque foi o que ela retrata é uma coisa, agora quando a gente vive é outra, a gente sabe, né?
O fundo do poço como é. O que mais me admiro assim foi a coragem dela ter feito tudo que ela fez dentro daquelas condições, entendeu? Então acho que essa coragem, esse sentimento é que pulsiona o público a refletir sobre qualquer coisa, independente de ser doença, sabe? Porque ali ela emite opiniões e a gente também tem opiniões sobre tudo, mas a coragem às vezes a gente não tem, às vezes a gente enfraquece, ou então às vezes a gente precisa de uma força maior, uma força superior.
E ela também era muito— ela acreditava em tudo. Isso também facilita muito, muitas coisas, né?
Eu também passei a acreditar em tudo.
Eu já acreditava, agora eu acredito em tudo, porque facilita, né? Como é bom a gente ter fé, né? E acho que ela não perdeu a fé dentro dessa coragem dela.
E eu acho que é legal porque no texto da Rita a gente vê que ela não apela, principalmente nessa segunda autobiografia, ela não apela para aquele sentimentalismo, mas mesmo assim nós ficamos sentimentais com a situação toda. Eu acho que você consegue exprimir isso muito bem na peça, né?
Olha, a gente tinha muito medo de ser uma coisa que ficasse piegas, sabe? É muito chato você pegar como se você tem uma feridinha, ah, vai colocando um remedinho bem ruinzinho assim, bem insignificante, pra ela ficar pior, né? E você mostrar todo um sofrimento. Eu acho que não é isso, a gente não queria isso de jeito nenhum. A gente sabe qual é o fim da história, mas o público não sabe como é que a gente vai contar. Então, isso surpreende bastante porque é muito lúdico, o cenário é lúdico, o cenário, a sensação— O Pedro sempre dizia assim: "Ah, a sensação tem que ser como se ela flutuasse." E muitas vezes a plateia fala: "Ah, parece que você tá flutuando." E é verdade, a gente acaba andando naquele espaço do jeito que ele foi armado, como se— ele é muito leve também.
Então, a direção da Beatriz muito precisa nas funções de como contar essa história e esse lado lúdico ser muito importante. Por exemplo, como a gente transforma o pulmão num personagem, né? Então, fazendo as pesquisas, a gente descobriu que a Rita, numa dessas histórias dela, Ela fala sobre o acordeão. E o acordeão, na verdade, é a mesma coisa que o pulmão. Ele inspira e ele expira. Então, isso tudo foi levando a gente com características que foram ficando cada vez mais simples, verdadeiras, delicadas e lúdicas.
Isso é uma referência que é muito importante para o ator que está em cena, Porque o público acredita, ele não duvida de nada. É própria direção que tem essa consistência, ela sabe o que tá contando, né? Por todo o texto que a gente foi administrando, o que tem que ficar, o que não tem. Porque muita coisa a gente achava lindo, mas quando foi, levantou, foi pro palco e não tá tão bonito. Ou tá repetitivo, é assim, né? Então todo esse molde foi se ajustando até fazer esse complemento todo, né?
De um espetáculo que tá dando muita alegria pra gente. E apesar de ser triste, mas a gente se sente realizado fazendo, porque a gente sabe qual é a nossa função, por que que a gente tá fazendo. E o público também se sente assim, acho que ele conhece um pouco mais da Rita. E acho que se tinha carinho, se sempre teve carinho, não é que a gente não tá fazendo com que as pessoas aumentem o carinho, não. Acho que é só consolidar mesmo.
Olha, ela foi incrível.
E pronto, é isso. Lilia, queria que você deixasse o convite para os nossos ouvintes e internautas para acompanharem você nos palcos.
Ah, então, a gente tá no Teatro Fahápi, um teatro que eu amo, que desde que eu saí da escola de arte dramática eu frequento, eu ponho os meus pezinhos lá naquele palco. A gente tá— nós íamos ficar só até o final de junho, mas o sucesso sucesso tá muito bacana. Então a gente estendeu nossa temporada até dia 9 de agosto, e é sexta, sábado, domingo, sextas e sábados às 20 horas e domingos às 17. Então estamos esperando vocês.
A gente aqui com certeza vai, que a gente adora, né? Perdemos nosso público, certamente. Lilia Cabral, obrigada pela sua participação aqui com a gente, e sucesso, viu?
Obrigada, e espero vocês também. Muito obrigado. Tchau, tchau, tchau. Sim, sou muito louca.
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