Episódios de Comentaristas

'Nova tentativa de delação premiada de Daniel Vorcaro encontra muita dificuldade de ser aceita'

09 de junho de 20269min
0:00 / 9:15
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República devem decidir nesta semana se dão continuidade às negociações para um acordo de delação premiada com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Vera Magalhães analisa o quadro, e afirma que Vorcaro enfrenta dificuldade para que o acordo seja aceito.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio2
V

Vera Magalhães

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
Assuntos3
  • Delação de Daniel VorcaroDaniel Vorcaro · Banco Master · Procuradoria-Geral da República · Polícia Federal · Acordo de delação premiada · Ressarcimento de recursos · Provas de corroboração · Omissão de informações
  • Julgamento Cláudio CastroDaniel Vorcaro · Supremo Tribunal Federal · Ministro André Mendonça · Ministro Toffoli · Crime contra o sistema financeiro · Processo comum
  • Fabiano Zettel InvestigaçãoDaniel Vorcaro · Fabiano Zetel · BRB · Prisão preventiva · Prisão domiciliar
Transcrição12 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

— Anúncios inseridos dinamicamente —

VMVera Magalhães

Vera, oi Sardenberg, boa tarde para você, para Cássia, para os ouvintes e para quem assiste o CBN Brasil. Boa tarde, Vera.

?Voz C

Muito bom, Vera. O Daniel Vercaro, a defesa dele e o Daniel Vercaro apresentaram uma proposta de delação premiada que foi recusada pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal. Ficou de fazer outra e parece que vai pelo mesmo caminho, Vera.

VMVera Magalhães

Vai pelo mesmo caminho, Sardenberg. A nova tentativa de delação premiada do Daniel Vercaro tá encontrando muita dificuldade de ser aceita tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República. Ele voltou a ficar na carceragem especial lá da Polícia Federal, voltou a fazer uma série de reuniões e oferecer novos elementos. Ficou ali um impasse quanto ao que ele estaria disposto a devolver em termos de ressarcimento, né, de recursos.

É muita dúvida sobre as provas de corroboração que ele teria para aquilo que ele narra. E aquela desconfiança que não foi dissuadida pelo fato de que na primeira tentativa ele claramente omitiu informações, porque a PF sozinha conseguiu avançar em casos como o do senador Ciro Nogueira, o financiamento do filme Dark Horse, que é a biografia do Jair Bolsonaro, e nenhum desses dois episódios tinham sido incluídos por ele nos anexos que ele ofereceu.

E agora, novamente, tudo que ele fala, e ele ainda não fala coisas consideradas inéditas e surpreendentes, não tem prova que ampare, não tem documentos, não tem datas. Muitas coisas são informações jogadas, redundantes com o que a PF já tem. Ele tenta minimizar o que aconteceu, minimizar sua própria conduta, pelo que me disseram, colocando tudo na conta de que ele não tava fazendo nada que ele soubesse ser errado, mas que as coisas deram errado em algum momento, se vitimizando.

E isso acabou conduzindo as conversas a um impasse que nessa semana deve ser dirimido. Então a Polícia Federal já tá muito pendente a recusar o acordo. Jornais publicaram isso, primeiro a Folha, Depois o Globo, e eu confirmei com fontes na PF, e a PGR também deve seguir pelo mesmo caminho, porque a gente deve lembrar inclusive que todo esse início do caso Master contou com uma atuação bem defensiva da PGR. O Procurador-Geral da República Paulo Gonê, em vários momentos decisivos antes da nova prisão do Daniel Porcaro, E antes do início dessas tratativas para uma delação, ele deixou de ver gravidade em coisas importantes ali do processo, né?

Na questão do ministro Toffoli, nos pedidos reiterados para que ele deixasse a relatoria, o Gonê sempre dizia que não havia muitos elementos para tudo aquilo. Então a gente deve chegar a uma solução em que o Porcaro vai para um processo comum. Ou seja, ele deve ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República pelos crimes que cometeu. Essa denúncia vai ser aceita pelo Supremo, né, ministro relator André Mendonça e os demais ministros. E aí ele vai ser julgado sem os benefícios decorrentes de uma delação premiada.

?Voz C

Agora, era isso que eu ia te perguntar: ele continua preso, portanto? E vai a julgamento no Supremo, né?

VMVera Magalhães

Exato, o caso corre no Supremo, apesar de muitos questionamentos, né? Teve várias tentativas de que ele descesse para a justiça comum, pelo fato de que até aqui não tem ninguém investigado com foro, formalmente investigado. Mas o que até aqui ficou, prevaleceu ali no entendimento do Supremo, é que como se trata de um crime contra o sistema financeiro, ele deve permanecer no STF. E existe sempre a perspectiva de que pessoas com foro possam se tornar réus à medida que as denúncias vierem.

Então o caso Meio volta a andar pelos trâmites normais sem essa delação. Tem outros presos, investigados, que estão tentando também obter a sua própria delação. O ex-presidente do BRB é um, o primo do Vôrcaro, Fabiano Zetel, é outro. Mas a dele sempre foi considerada uma das mais complicadas pelo fato dele ser o chefe da organização criminosa, ser descrito dessa forma pela Polícia Federal, e portanto essa delação já parte de uma régua mais elevada.

Ele tem que entregar pessoas que estão acima dele na numa certa hierarquia que ele estabeleça, e entregar coisas inéditas que ainda não sejam do conhecimento dos investigadores, a partir do acesso aos seus meios ali, os seus celulares, etc.

?Voz D

O que nós temos até aqui: Daniel Vorkaro continua preso, primo dele também. E quem também continua preso, havia até uma expectativa de que pudesse ser julgado, um pedido de prisão domiciliar, é o pai de Daniel Vorkaro, né?

VMVera Magalhães

Tá preso também. A defesa do Vercaro na época falou, né, com as jornalistas, que entendia aquilo como uma forma de pressão sobre o Vercaro, a decretação da prisão preventiva do pai dele. Mas sim, segue preso. Fabiano Zetto também, ex-presidente do BRB, todos eles seguem presos preventivamente. O fato da delação não prosperar não impede que as defesas reivindiquem novamente a soltura. Vão dizer que as razões para uma prisão preventiva se esgotaram, que eles não oferecem perigo às investigações, que podem aguardar o restante do processo em liberdade.

E aí caberá ao ministro relator, ou eventualmente que ele submeta à turma, essa decisão sobre manter ou não os investigados presos. Nenhum deles ainda é réu. E aí vai ficar sob escrutínio do Supremo a manutenção dessas prisões preventivas ou não.

?Voz C

Última questão, já rapidinho, Vera. É, o Vulcaro parece que tá tentando empurrar o caso o máximo possível, esperando aí uma boia de salvação.

VMVera Magalhães

Parece que ele acreditava que ia conseguir, com a lábia dele, convencer as autoridades que essa delação dele era o último biscoito do pacote, certo, 'Olha que maravilha essa delação.' Acontece que é uma delação sem novidade e na qual ele ainda ficava fazendo ali pé firme de que não queria devolver os bilhões que as autoridades entendiam que ele deveria ressarcir. Então me parece que ele achou que ia seguir como seguiu na alavancagem do Master, levando todo mundo no bico.

Essa é a sensação que eu tenho quando eu ouço os advogados que de alguma maneira já passaram pela defesa dele, os ministros que de alguma forma acompanham esse caso, as fontes da PF, do Ministério Público. É que alguém que acha que ainda não entendeu que o seu status mudou, que a sua aura caiu, né, que não tem mais, não tá mais farmando aquela aura que ele farmava antes, que ele tá preso, é alguém que ainda tá com arrogância de antes.

?Voz C

Tá, Vera Magalhães, obrigado, Vera.

VMVera Magalhães

Até amanhã, até amanhã, gente. Um ótimo jornal para vocês. Até mais, Vera.