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FIFA se coloca como cúmplice da política de imigração dos EUA, que é 'muito hostil a visitantes'

09 de junho de 20267min
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Bernardo Mello Franco comenta a decisão do governo dos EUA de cancelar ingressos para partidas da Copa do Mundo que já haviam sido comprados por iranianos. Ele relembra que a entidade, presidida por Gianni Infantino, tem adotado postura de proximidade com Donald Trump. FIFA chegou a criar um “prêmio da paz” para homenagear o presidente americano.

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Participantes neste episódio3
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cássia

HostJornalista
B

Bernardo Mello Franco

ComentaristaJornalista
Assuntos2
  • Política de Imigração dos EUACancelamento de ingressos para iranianos · Deportação de árbitro somali · Restrições de entrada para iranianos e haitianos · Delegação do Irã em Tijuana · Preocupações de trabalhadores de estádios com ICE · Subserviência da FIFA a Donald Trump · Prêmio da Paz da FIFA para Trump · Donald Trump
  • Copa do Mundo 2026Primeira Copa com 3 países sedes · Política migratória dos EUA impactando o evento
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BMBernardo Mello Franco

Conversa de Bastidor com Bernardo Melo Franco.

?Voz C

Bernardo Melo Franco, como está?

BMBernardo Mello Franco

Boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes do CBM. Boa tarde, Bernardo.

?Voz C

Bom, clima de Copa do Mundo, e a última informação que nós temos é sobre as questões, Copa do Mundo nos Estados Unidos e as questões migratórias. E a última informação que nós tivemos é que o governo americano cancelou os ingressos que haviam sido comprados pelos iranianos.

BMBernardo Mello Franco

Pois é, Sardenberg, a bola nem rolou ainda, né, e já tem muita polêmica nessa Copa do Mundo de 2026. Essa é a primeira Copa que tem 3 países sedes, mas a gente sabe que a maior parte dos jogos vai ser realizada nos Estados Unidos, e a política migratória do governo do Donald Trump tá criando uma série de embaraços para seleções, para convidados, para torcedores, até mesmo para os árbitros., né, das partidas. Essa notícia foi divulgada hoje, que você faz referência, é do cancelamento de uma cota de ingressos, uma cota de 8% dos ingressos que tava destinada a torcedores do Irã.

Esses ingressos, eles, pela regra da FIFA, eles são comercializados por intermédio das federações nacionais. Ou seja, cada país que disputa, que participa do jogo, tem direito, ele tem a garantia daqueles 8% dos ingressos E hoje ficamos sabendo que os americanos unilateralmente resolveram cancelar essa cota de ingressos. Isso evidentemente, além de mostrar uma falta de independência da FIFA, né, que tá aceitando, acatando as ordens dos americanos de cabeça baixa, também acaba criando um problema para a isonomia dos jogos, né, porque você vai ter seleções com torcida e agora seleções sem torcida, é que vão ter um prejuízo na prática, um prejuízo esportivo também a partir dessa decisão.

Mas ela não é a única, Sardenberg e Cássia. Ontem mesmo, segunda-feira, foi divulgada a notícia da deportação de um árbitro, um árbitro somali, o Omar Artan, que chegou aos Estados Unidos, foi barrado do aeroporto e foi enviado de volta para Turquia. Detalhe: esse árbitro, ele é considerado o melhor juiz de futebol da África no momento. Então veja como é que o prejuízo desportivo também vai sendo criado a partir dessa política migratória.

Os americanos não explicaram detalhes da deportação, mas a gente sabe que os somalis, de forma geral, estão tendo muita dificuldade para entrar nos Estados Unidos. E no caso do Irã, Sardenberg, Cassia, vale um banimento geral. Cidadãos iranianos não podem entrar nesse momento nos Estados Unidos. Aliás, também não é o único país. Porque essa restrição também se aplica aos cidadãos do Haiti. E veja, o único jogador do Haiti que atua no próprio país, ele para chegar nos Estados Unidos teve que fazer uma verdadeira saga.

E a chegada dele em Miami foi comemorada no aeroporto, soltaram fogos, foram torcedores. Quer dizer, são cenas que a gente não tá acostumado a ver numa competição esportiva e que, claro, podem causar um prejuízo para essas nações que já não são favoritas e que agora, além dos adversários, precisam também enfrentar os agentes da imigração americana.

?Voz C

E teve aquela situação em que a seleção do Irã foi, tinha um centro de treinamento marcado nos Estados Unidos, transferiu para o México, a cidade de Tijuana, e a informação é dada à delegação deles ali, que eles não podem permanecer nos Estados Unidos. Eles vão para os 3 jogos do Irã, são nos Estados Unidos. Eles estão, tem que sair lá do México, de Tijuana, vão de avião, jogam e barco de volta. Não pode dormir um dia sequer nos Estados Unidos.

BMBernardo Mello Franco

Exato, delegação do Irã ia ficar no Arizona e agora vai ter que ficar em Tijuana, no México, por causa dessa restrição. E como você falou, vão ter que sair do país no dia do jogo. Ou seja, o jogador, o juiz vai apitar o apito final da partida, é tomar um banho e correr para o aeroporto, né? Imagina o prejuízo que isso também não vai causar é para seleção iraniana, que por sinal foi classificada como a primeira do grupo dela na Ásia.

Então é uma seleção que chega com bons predicados esportivos, mas é com esse prejuízo causado pela política migratória dos Estados Unidos. Teve gente da delegação não jogadores, mas auxiliares técnicos, preparadores, é que teve visto negado pelos americanos. Então isso tudo vai criando um caldo, né, um problema para essas seleções que estão chegando para competir. Claro que também tem muita gente, muito torcedor que tá com receio de enfrentar problemas nos Estados Unidos.

E outra notícia que chega hoje, Sardenberg, é de sindicatos, né, de trabalhadores que vão atuar nos estádios né, como orientadores de pessoal, né, o pessoal que vai vender coisas para os torcedores, que estão preocupados também com a presença dos agentes do ICE, né, da política migratória, e com a possibilidade até mesmo de batidas policiais, né, dos americanos aproveitarem a concentração de estrangeiros na porta dos estádios para fazer aquele pente fino ali em cima da imigração.

Agora, isso tudo tá acontecendo também porque a FIFA que é presidida pelo Gianni Infantino, adotou desde o princípio uma atitude subserviente em relação ao Donald Trump. Vale lembrar que o Infantino já vestiu um bonezinho vermelho igual aquele boné do Trump e deu ao presidente americano um prêmio, um prêmio da paz da FIFA, que ele inventou justamente porque o Trump tava se sentindo desprestigiado com a perda do Prêmio Nobel da Paz.

Então vejam como é que a FIFA também tá se colocando numa situação ali de embrincamento, né, de quase cumplicidade com essa política dos americanos, que é muito hostil aos visitantes. Nada disso deveria ser visto no torneio esportivo, né, que é justamente criado para promover o congraçamento dos povos, né, o encontro de culturas diferentes. De repente a gente tá vendo a política invadir o esporte dessa forma.

?Voz C

Bernardo Mello Franco, muitíssimo obrigado, Bernardo. Até quinta-feira.

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