'Gosto, sim': músicas com gostinho de futebol
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João Marcello Bôscoli
Nando
- Músicas de AssisãoPaís do Futebol · Wilson Simonal · Milton Nascimento · Fernando Brant · Copa do Mundo 1994 · Aldir Blanc · Saudade do Galinho · Zico
- Futebol e emoçõesPaixão pelo futebol · Vibração da torcida · Admirar jogadores de outros times
- Tensão EUA-IrãBalada Número 7 · Moacir Franco · Paulinho da Costa
- Meio de CampoGilberto Gil · Elis Regina · Lógica do futebol
- Jingle Rádio GloboCopa da Espanha · Osmar Santos
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Sala de Música com João Marcelo Bôscoli. João Marcelo Bôscoli, nosso centroavante. Boa tarde, pai. João, você tá no silencioso. É, como ele vai me ouvir?
Eu tô fugindo, Nando, eles me viram aqui.
Tudo bem, João?
Tá tudo bem? Tudo ótimo, tudo ótimo, Nando. Boa tarde, boa tarde. No meio de uma passagem de som, eu vi uma foto aqui, eu não quero atrapalhar, desculpa, mas é, imagina, vocês não atrapalham nunca, eles é que estão atrapalhando. É verdade, vamos lá.
Clima de Copa do Mundo, música de futebol, vários ouvintes aqui, ouvintes com várias recordações interessantes. Qual é a sua, João Marcelo?
A minha é um álbum do Wilson Simonal de 1970. Muitas versões profundamente brasileiras, eufóricas, cheias de champignon, como dizia Wilson Simonal. País do Futebol, Milton Nascimento e Fernando Brant, na voz dele, o maior Wilson Simonal. Vamos lá!
Olha aí, ô da torcida, fica ligado que a letra desse samba é o maior barato.
Que samba!
Fotografa!
Brasil está vazio na tarde de domingo, né? Olha o sambão aqui, é o país do futebol, pois é! Brasil está vazio na tarde de domingo, né? Olha o sambão aqui, é o país do futebol! No fundo deste país, ao longo das avenidas, campos de terra e grama, Brasil só é futebol! 90 minutos de emoção e alegria, esqueça a casa e o trabalho, a vida fica lá fora e tudo fica lá fora, inferno fica lá fora, as dores ficam lá fora.
João, você sabe que ainda bem que eu olhei a música que você mandou, porque um outro ouvinte, tentei achar aqui o nome, não consegui, tinha mandado a mesma música só que na versão Milton.
Mas tudo bem, na versão do Milton, tá tudo bem, claro que são, é A vantagem da música é que não é uma Olimpíada, né? E você não consegue ouvir duas ao mesmo tempo. Então, se você gosta das duas, pode ouvir uma de cada vez e gostar das duas livremente.
Vamos lá, ouvintes que participam. Iagam conta o seguinte: quando ouviu o tema, lembrou imediatamente da música da Copa de 1994 na TV Globo. Ela tinha acabado de chegar no Rio de Janeiro, vindo do interior de Minas, E aqueles foram os primeiros jogos da seleção que ela viu numa TV colorida. Lembro das brincadeiras de repórter que fazia com as amigas, das ruas enfeitadas, da tensão dos pênaltis e até da troca para o real quando a mãe deu um monte de dinheirinho para ela comprar um picolé.
Tinha 10 anos à época e são essas as primeiras grandes lembranças da Copa do Mundo.
Cada um já escalou a seleção. O verde e o amarelo são as cores que a gente pinta no coração. A galera vibra, canta, se agita e unida a gente é tetracampeão. Passo de bola é passo de escola, nossa maior tradição. Eu sei que vou, vou do jeito que eu sei, eu digo, hein!
Ah, essa parte eu lembro.
Direita, replay. Eu sei que vou, vou do coração.
Legal isso, hein? Lembra disso, João.
Olha, é, eu sei que tem um ouvinte especial aí, Professor Pasquale. Essa letra do Aldir Blanc, muito obrigado. Vamos para a próxima. É, não sei, o Pasquale que vai ter que me responder, né?
Vamos lá, claro que sim, ele está ouvindo, ele é viciado na gente. Sônia, conta aqui. Aldir Blanco e Tavicto. Tavicto tá aqui, então é isso, tá bom, já tá confirmado.
Maravilha, hein?
Sônia, conta aqui, lembrou de Moraes Moreira, Saudade do Galinho, que é um hino pelo amor, pelo futebol e pelo Zico, pelo Flamengo.
E ele é Vasco, hein?
Lembre-se, ela é Vasco.
E agora como é que eu fico nas tardes de domingo sem Zico no Maracanã? Agora como é que eu me vivo de toda a terra gostar da vida se a cada gol do Flamengo eu me senti um vencedor? E agora como é que eu fico nas tardes de domingo sem Zico no Maracanã?
Agora como é que eu me vivo de toda a terra gostar da vida se a cada gol do Flamengo E ela conta aqui o seguinte, que mesmo não torcendo pelo Mengo, ela admite que dá uma emoção enorme ouvir o grito da torcida desse time.
Eu acho bacana, Nando, porque a gente lembra que sem os adversários, né, não há vitória, né? Sem todos os times não há um campeão, né? Então, pô, eu fico muito feliz porque é um outro momento, né? Talvez cheguemos a esse momento de olhar o futebol de uma outra maneira, né? Não precisa ser essa briga toda, né? Dá para admirar um jogador de outro time que não seja o seu, né? Que bonito isso.
Você tá empolgado com a Copa? Você tá no pique?
Os meninos do Reinos estão? Ah, tão, tão. Pintaram a rua lá do meu bairro, então me deu uma alegria extra, me deu um calorzinho no coração. Gostei.
Você sabe que tem um Sesc perto de casa, meu filho faz algumas atividades no Sesc, pintaram a rua ao lado do Sesc. O cara chegou em casa, João, todo pintado, tênis tudo pintado. Eu falei assim: como é que pode uma coisa dessa? Onde já se viu uma criança se pintar, João Marcelo? Que mundo estamos?
Não, deixa eu conversar, você encaretou. Deixa eu falar. Em 82 lançaram, tava na época do Michael Jackson e tal, e lançaram o gel, né, o gel que vinha com glitter colorido. Eu não usei porque eu, enfim, eu não tinha coragem, eu era muito careta. Não tinha, eu fui melhorando com o passar dos anos.
Seguimos agora com— ah, esse aqui, vamos lá, é o Sandro, ele é de São Paulo. Moacir Franco, Balada Número 7, Mané Garrincha.
Sua ilusão entra em campo no estádio vazio. Uma torcida de sonhos aplaude.
Talvez o velho atleta recorda as jogadas felizes, mata a saudade no peito driblando a emoção.
Hoje outros craques repetem as suas jogadas.
João, como definir o canto de Moacir Franco?
É um encanto. Muito obrigado.
Podemos passar para frente.
Sabe que tem um amigo nosso, um amigo aqui da coluna, que jogou com Garrincha na Itália. O Garrincha chamou ele Ele achou que era só um bate-bola, era um jogo, vieram alguns profissionais e o Garrincha falou: fica lá no ataque. Não, mas eu não sei jogar. Não, você sabe sim, eu vou cruzar e você coloca a bola para dentro do gol. Sabe quem era?
Quem?
Paulinho da Costa.
Não acredito, até no futebol o cara tá dentro, cara.
Tem um cara que não precisa mentir nesse planeta, é o Paulinho da Costa, o Única pessoa que eu conheci na minha vida que diminui os próprios feitos no lugar de aumentar, como todos.
Por essa eu não esperava.
Nem eu.
Zé Henrique agora, vamos lá, de Belo Horizonte. Você conhece muito bem essa música. Meio de Campo de Gilberto Gil foge do ufanismo típico das músicas de futebol. Puxa vida, ele pediu a da Elis. Desculpa, eu peguei a do Gil, foi mal. Vamos lá.
Imagine, tudo maravilhoso, tudo muito bom.
Só falta o DJ tocar Gilberto Gil, meio de campo.
DJ, espera aí, espera aí. Isso aí, trouxe uma pito até. Lembro das entrevistas, né, da Elis contando do Gil ainda trabalhando numa grande empresa, ainda apresentar as músicas para ela com uma pasta de trabalho, paletó e gravata, e das pessoas que Elis mais gostou de gravar. E outro dia ele falou uma coisa muito bonita, outro dia, tem alguns anos, mas me marcou muito: ganhar sempre é contra a lógica do futebol. Ganhar sempre é contra a lógica do futebol.
Não dá para ganhar sempre, né, Nando? Mas também não precisa perder 24 anos seguidos, né? Vamos ver se esse ano reverter isso.
Olha só, agora tem um jingle que um ouvinte lembrou. Deixa eu ver aqui. A Marli: não é música, é um jingle da Rádio Globo, Copa da Espanha, lembro até hoje. E na letra tem o querido Osmar Santos citado. Isso, vamos lá. Legal, hein? Um beijo para Osmar Santos e toda a equipe que hoje tá aqui reunidos com a CBN também.
João, que maravilha!
Muito bom, obrigado pelo gostinho de hoje.
Acabou, hein? Acabou hoje aqui, ó, terminamos.
Termina aqui o Estúdio CBN. Obrigado, João, até amanhã.
Obrigado, obrigado, ouvinte, até amanhã.
Até amanhã.
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