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Segunda delação de Vorcaro pode fracassar e apertar janela de negociação do banqueiro

09 de junho de 20269min
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PF e PGR avaliam que nova proposta não traz fatos relevantes. Thiago Bronzatto avalia que avanço das investigações reduz poder de barganha do ex-dono do Banco Master. Ouça.

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Participantes neste episódio3
C

Carol

HostApresentadora
V

Vera

Host
T

Thiago Bronzatto

ConvidadoJornalista
Assuntos4
  • Delação de Daniel VorcaroSegunda proposta de delação · Daniel Vorcaro · Polícia Federal · Procuradoria-Geral da República · Banco Master
  • Banco MasterJustiça das Bahamas · Empresa liquidante · Ativos no exterior · Daniel Vorcaro
  • Arrecadação de fundosFundos de previdência · Paraísos fiscais · Títulos do Tesouro dos Estados Unidos · Daniel Vorcaro
  • Possibilidade de novas delaçõesPaulo Henrique Costa · Banco de Brasília (BRB) · Negociação de delação premiada
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VVera

Quem tá com a gente na linha é o Thiago Bronzato, direto de Brasília. Ele que é diretor da sucursal do Globo na capital federal. Boa noite, Bronzato.

TBThiago Bronzatto

Boa noite, Vera, Débora, Carol, e boa noite aos ouvintes.

CCarol

Boa noite, Thiago.

VVera

A gente tava aqui falando sobre as dificuldades na delação do Daniel Porcaro nessa segunda tentativa dele de fechar essa delação, e você vai trazer para a gente mais bastidores dessa novela Explica o que que tá pegando, por que que tá tão difícil de fechar essa delação.

TBThiago Bronzatto

Olha, Fera, o banqueiro Daniel Vorkar, ele nutria a expectativa de ver a Copa do Mundo no conforto de sua mansão, talvez degustando um bom whisky, quem sabe até fazendo uma noite dos astronautas para celebrar o hexa do Brasil.

VVera

Você entraria num bolão do Vorkar? Você apostaria no bolão do Vorkar?

TBThiago Bronzatto

Só se fosse para tomar prejuízo, né? Prejuízo consciente. Gente, mas a realidade se impôs, né, e bateu a porta da cela do Volcar, que ficou desesperadíssimo quando ele soube que a sua proposta de delação, a segunda tentativa, tá prestes a ser rejeitada de novo pelos investigadores. Isso porque tanto a Polícia Federal como a Procuradoria-Geral da República têm dado sinais de que devem descartar os segredos de Volcar, porque o banqueiro tá relutante em revelar fatos novos que vão além do que a investigação já descobriu.

E aí não tem papo com os investigadores, né, porque eles estão avaliando que o Vaccaro continua jogando poker com a sua proposta de delação premiada. A primeira tentativa dele foi considerada fraca justamente porque ele insistia na ideia de que pagou hotéis, festas, apartamentos, mesadas e até contratos milionários de advocacia por uma pura relação de amizade. Esse papo não colou e o Vaccaro foi transferido ela. Preocupado com que poderia acontecer com seu destino, ele demitiu o advogado dele, fez uma nova proposta de acordo de colaboração premiada.

Nos bastidores aqui de Brasília, a defesa do Vaccaro falava que agora essa proposta seria irrecusável. Só que não foi bem assim, velho. Os investigadores receberam a proposta, analisaram, e até o momento eles estão considerando que essa proposta é tão recheada quanto pastel de vento. Ou seja, não tem nada novo, é mais do mesmo. E mais do que isso, o Vocário está insistindo na ideia de que tudo é uma questão de amizade, que não teve nenhuma contrapartida política em relação aos seus negócios.

E ao insistir nessa estratégia do se colar color, é nítido que o Vocário tenta ganhar mais tempo para apostar que em algum momento alguém ou alguma decisão divina pode reverter a sua prisão. Não é uma expectativa tão absurda para quem passou anos investindo em relações com políticos poderosos. E também para quem viu outras delações na Fagarin no Supremo Tribunal Federal.

CCarol

A polícia tá achando, Polícia Federal, PGR, tá achando que ele tem um royal flush e tá escondendo o jogo, né, que é a sequência mais alta do pôquer. Agora, Thiago, o que que muda se essa proposta de delação do Forcaro foi rejeitada de novo?

TBThiago Bronzatto

Olha, Débora, se a segunda proposta de delação do Forcaro foi rejeitada, muda muita coisa, porque a cada operação da PF, a cada quebra de o sigilo e a cada cooperação internacional, a delação do vocário vai perdendo valor de mercado, né? E quanto mais a investigação avança sozinha, menor fica a utilidade do banqueiro como colaborador. E quanto mais esquemas vêm à tona, maiores podem ser as penas, as multas e os custos de uma negociação tardia para ele, né?

Além disso, tem outros possíveis delatores que querem ocupar esse espaço na mesa do poker, na mesa de negociação. O Paulo Henrique Costa, que é ex-presidente do Banco de Brasília, tá aquecendo ali na beira do gramado, esperando uma oportunidade para entrar em campo, contar tudo que ele sabe. E ele disse que tá disposto a revelar novos segredos. Já escreveu os principais capítulos ali da sua delação na prisão, mas até agora não foi chamado para os investigadores para conversar.

A colaboração do ex-presidente do BRB está sendo mantida em banho-marinho justamente porque a Polícia Federal, Procuradoria Geral da República, estão definindo o que elas devem fazer com a proposta de Volcar. Em outros momentos da história, Débora, a gente viu que quando se trata de delação premiada, quem entrega primeiro costuma receber o melhor benefício e quem chega depois pode perder essa promoção. E perder a promoção pode custar muito caro para o advogado, que pode ser inclusive transferido para Papudinho.

CCarol

Agora, Bronzato, a Justiça das Bahamas reconheceu a liquidação do Banco Master, né? Então agora a empresa liquidante do Master pode ser representante oficial do banco no país. Com poderes para investigar os ativos, eventualmente esses ativos para pagamento dos credores, né? Isso complica ainda mais a situação do Forcaro.

TBThiago Bronzatto

Pois é, Carol, a decisão da Justiça de Ramos de reconhecer a liquidação do Master é bem importante porque autoriza a busca por dinheiro escondido no exterior. E uma das principais moedas de troca de Forcaro na proposta de delação premiada era justamente entregar aos investigadores todo o mapa dos recursos que transitaram fora do Brasil. E se o Estado brasileiro começa por conta própria a descobrir esse caminho, o cara pode perder o poder de bagunça ou delação.

E porque aí não precisa mais do banqueiro entregar ali o mapa do tesouro, né, de onde ele escondeu os recursos desviados dos esquemas que ele fez aqui no Brasil. E com essa decisão da Corte de Bahamas, essa empresa destacada pelo Banco Central para levantar os ativos do Master no exterior para reparar os prejuízos causados pelo banqueiro, ganha poderes para descobrir quais bens e contas o Volcar utilizava no exterior. Isso gerou, de certa forma, apreensão aqui em Brasília, porque os investigadores apuram se houve pagamento de propinas no exterior.

A Polícia Federal investiga se Volcar utilizou, por exemplo, uma ampla rede de fundos e empresas sediadas em paraísos fiscais para esconder recursos que eram desviados de fundos de previdências no estado. E há também, Carol, a suspeita dos investigadores de que o Vaccaro teria mais de 1 bilhão de dólares aplicados em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Toda essa bolada dá uma dimensão do quanto as amizades de Vaccaro em Brasília eram tão valiosas a ponto de banqueiro fazer tanta questão de preservá-las em sua delação premiada.

VVera

É, e essa coisa que você falou, que tem gente ali aquecendo para entrar no gramado, né, ou na mesa de carteado, É, essa questão pode complicá-lo ainda mais, né, Tiago? Porque se o ex-presidente do BRB entregar alguma coisa em relação ao próprio Vulcário, isso pode acabar agravando a pena dele, né?

TBThiago Bronzatto

É, Vera, e vai ficando cada vez mais difícil pro cara, porque ele já tentou uma vez, já tentou a segunda, e ainda agora vem o Paulo Henrique, entrega fatos novos, começa a estreitar margem de negociação, né? Vai diminuindo também o poder de barganha Antônio Vaccaro. E paralelo a isso tem as investigações que estão em andamento, né? Tanto as investigações aqui no Brasil revelando as conexões políticas do Vaccaro e os seus esquemas ali fraudulentos, como também essa busca por ativos no exterior.

Então o Vaccaro vai cair num labirinto e fica cada vez mais difícil de ele encontrar o caminho para ele sair da prisão.

VVera

Exatamente. Tiago Bronzato com a gente todas as terças e quintas. Obrigada por hoje, até quinta-feira.

TBThiago Bronzatto

Até quinta-feira, uma boa noite.

CCarol

Valeu, Bronzato. Ó, você não vai entrar no bolão do Vorkano, mas se quiser entrar no nosso bolão da Copa aqui, viu, a gente é— a gente faz tudo direitinho.

TBThiago Bronzatto

De 1 bilhão de dólares, né?

CCarol

Valeu, Bronzato, até!

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