Episódios de Comentaristas

‘O afeto programado’

10 de junho de 20263min
0:00 / 3:05
Rossandro Klinjey fala sobre os riscos dos efeitos de brinquedos com IA na construção de um ser humano sem vínculo. ‘O grande risco de formar uma geração que confunde amor com conveniência’. Ouça.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio1
R

Rossandro Klinjey

ConvidadoPsicólogo
Assuntos1
  • Descompasso com a Vida RealRiscos de brinquedos com IA na construção humana · Geração que confunde amor com conveniência · Vínculo não nasce do conforto, mas do atrito · Aprendizado através do conflito e negociação · Diferença entre convívio com humanos e brinquedos de IA · Preferência por afeto programado em detrimento do esforço · Jonathan Haidt
Transcrição4 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

— Anúncios inseridos dinamicamente —

?Voz B

Jonathan Haidt, autor de A geração ansiosa, voltou a alertar essa semana sobre brinquedos com inteligência artificial. Bonecas, ursinhos, robôs conversacionais. O receio é que esses objetos sempre disponíveis, pacientes e totalmente responsivos virem figuras de apego emocional para crianças e comecem a competir com vínculos reais. Eu acredito que isso pode acontecer, e é aí que mora o perigo. Vínculo não nasce do conforto, nasce do atrito.

A criança se constrói batendo de frente com o outro que tem vontade própria, que se cansa e também diz não, que às vezes erra e depois pede desculpa. É nesse vai e vem que ela aprende a esperar, a negociar, a lidar com a frustração. Tudo isso vira repertório para a vida adulta, o que o homeschooling, ou ensino domiciliar, não oferece, por exemplo, mas isso é outro papo. O Ursinho de Iá não ensina o que só o convívio com outras crianças ensina.

Está sempre disponível, sempre dizendo o que a criança quer ouvir. Vínculo sem fricção não é vínculo. Fica mais parecido com um serviço, um delivery afetivo. O grande risco aqui é formar uma geração que confunde amor com conveniência. Uma criança acostumada a um amigo que nunca se irrita vai achar Que o amigo de carne e osso está com defeito. O de carne e osso frustra, impõe limite, tem dia ruim. Isso não é defeito, é o que faz dele real.

A gente vai criar gente que sabe conversar com robô e não aguenta a imperfeição de um ser humano, que prefere o afeto programado ao afeto que exige esforço. O limite que o brinquedo nunca impõe, o mundo vai impor lá fora. E o mundo não tem a paciência infinita de um ursinho programado para agradar.

— Anúncios inseridos dinamicamente —

‘O afeto programado’ | Castnews Index — Castnews Index