Lula abre vantagem de 6 pontos sobre Flávio Bolsonaro, aponta Genial/Quaest
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Viva a voz com Vera Magalhães.
E aí, Vera?
Oi, Sardenberg, boa tarde para você e para Cássia, para os ouvintes e para quem assiste vocês hoje um pouquinho mais tarde. Boa tarde, Vera.
Vera, o assunto é a pesquisa Quest que saiu hoje e claramente beneficiou Lula, e os dados mostram uma queda da preferência por Flávio Bolsonaro. E a pesquisa, como você disse, detalha ponto por ponto, né, o impacto nas candidaturas. O que que você destaca agora, Vera?
Sardenberg, a gente tinha nesses últimos, nessas últimas semanas, né, desde a última pesquisa da Quest um noticiário muito carregado e com notícias muito ambíguas e cujo impacto poderia ser tanto negativo quanto positivo, a depender da leitura que o eleitor fizesse. Eu acho que por isso o questionário da Quest foi, de longe, o mais detalhado que eu já vi, esmiuçando cada um dos casos que tinham um potencial de percepção ambíguo.
Como a questão da ida do Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, que poderia ser tanto um atenuante para o desgaste do caso Master como um fator de agravar a situação do candidato do PL. E também as medidas adotadas pelo Lula, que poderiam ter impacto ou ser um tiro na água, ou ser percebidas como meramente eleitoreiras e, portanto, agravar o seu desgaste. E o Lula, talvez num golpe de sorte, pelo qual, um atributo pelo qual ele é famoso, acabou capitalizando todas essas notícias, as três: caso da Archi Horsey, interferência do Trump na eleição e medidas do governo.
Na varredura que a Quest fez em todos esses cenários, o substrato é favorável para o presidente. Tanto é que ele abre 6 pontos de vantagem, aliás, 8 em relação ao Flávio Bolsonaro no segundo turno e 10 pontos no primeiro. Então tem um fôlego que ele não vinha tendo desde o início do ano, né? Não chega ainda aos índices do segundo semestre do ano passado, quando ele tava bem melhor, tanto em avaliação quanto em intenção de votos, mas se distanciou do seu principal oponente.
Quando o eleitor é confrontado com as medidas do governo, ele tem conhecimento da maioria delas e as considera positivas mesmo quando não se beneficia delas, o que é um fator aí que explica talvez a melhora do Lula mesmo entre aqueles que não são beneficiários de programas do governo. Isso fica claro ali Quando se pergunta: você vai se beneficiar da medida? Nem sempre a pessoa diz que sim, mas ainda assim ela avalia as medidas de forma positiva.
E ele melhora em segmentos que são importantes para eleição e nos quais ele não vinha bem, entre eleitores que se dizem ideologicamente independentes e nas regiões Sudeste, aquela que é crucial para eleição, e Centro-Oeste barra Norte, onde ele perdia antes de lavada para o Flávio Bolsonaro e agora experimenta uma recuperação relevante. Então são muitas boas notícias para ele enquanto a oposição corre muito, colhe muitas más notícias.
O Flávio, pelo desgaste para ele do caso Master e das intervenções do Trump, e os outros pré-candidatos da direita também levam um balde de água fria, porque mesmo com essas más notícias para o Flávio Bolsonaro, Eles não se beneficiam minimamente, pelo contrário, eles minguaram na intenção de voto, tanto no primeiro turno quanto no segundo.
Agora, Vera, isso que eu ia perguntar, quer dizer, se o Bolsonaro, o Flávio Bolsonaro perde votos, perde preferência, para quem vai essa preferência? Vai para o não sabe?
O Lula cresceu, né, Sardenberg?
O Lula cresceu com eleitor independente, seria isso? O Lula cresceu com eleitor independente.
Ele é pêndulo, né? Isso, o independente ele pode ir para um lado e outro. É difícil você imaginar que alguém vai migrar entre o Flávio Bolsonaro e o Lula, mas numa eleição altamente polarizada, e a eleição vai ficando mais polarizada à medida que os meses passam, é, a decisão parece ser essa, uma decisão de segundo turno já no primeiro, porque as pessoas não migraram para Renan Santos ou Caiado ou Romeu Zema. Elas acabam reforçando a sua preferência por um dos dois e dizendo que, no caso desses dois, a sua decisão está tomada.
É engraçado isso, porque os candidatos nanicos são aqueles que têm menos certeza de voto. Quando o eleitor, os poucos que dizem que vão votar no Ronaldo Caiado, que são 3%, nessa pesquisa perguntou: 'Você pode ter certeza?' 65%, ou quase isso, dizem que ainda podem mudar. Então, quer dizer, mesmo os poucos que estão estacionados ali nesses candidatos ainda não tem segurança que eles são para valer, que eles têm chance e que eles vão para frente.
Isso significa que a eleição tá decidida? Não, porque a rejeição do Lula é altíssima e segue altíssima. O que mexeu um pouco e vem mexendo nos últimos meses é que agora a rejeição à família Bolsonaro supera um pouco, na margem de erro, a eleição ao Lula. Então quer dizer, a pessoa rejeita os dois, mas ainda assim tá presa a uma espécie de síndrome de Estocolmo, que quer ter que decidir entre esses dois.
É, quer dizer, em outras palavras, confirma a polarização. E mostra que todo o ambiente aí recente acabou favorecendo o Lula, né?
Favoreceu o Lula. O ceticismo ainda é grande, ninguém acha que ele é maravilhoso, a rejeição tá enorme. O quadro pode mudar no decorrer da campanha. Esse eleitor independente parece estar flutuando entre os dois cenários, mas ninguém enxerga outra opção que não sejam esses dois. E eu acho que para isso, e aí entra um pouco a minha coluna de hoje no Globo, contribui o fato de que esses outros candidatos da esquerda e direita não disseram a que vieram até agora, não apresentaram uma ideia, não conseguem se diferenciar da direita bolsonarista, não conseguem fazer uma crítica ao Flávio Bolsonaro, mesmo quando a pesquisa mostra que o eleitor tem sérias restrições ao que aconteceu nas últimas semanas.
E sem coragem não se vai a lugar nenhum. Então o que eles colhem é o resultado disso: são candidatos que não são percebidos como viáveis pelo eleitor.
—exatamente. Vera Magalhães, obrigado, Vera! Até amanhã!
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