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Copa no México: 'A Copa começa, mas os protestos também querem entrar em campo'

10 de junho de 202618min
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Ariel Palacios comenta que a abertura da Copa no México mistura festa e tensão. Enquanto o país celebra sua terceira Copa do Mundo, protestos de professores e movimentos sociais buscam aproveitar a atenção internacional para cobrar respostas a problemas históricos.

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Participantes neste episódio3
F

Felipe Figueiredo

HostComentarista de Internacional
F

Fernando

HostJornalista
A

Ariel Palacios

ComentaristaComentarista
Assuntos4
  • Armamento nuclear norte-coreanoPolítica chinesa de desnuclearização · Coreia do Norte como potência nuclear · Novas instalações de produção de combustível para mísseis · Cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica
  • Visita de Xi Jinping à Coreia do NorteSimbolismo da visita · Relações China-Japão · Takahashi Sanai · Relações China-Coreia do Norte
  • Coreia do NorteTentativas de acordo nuclear durante o governo Trump · Donald Trump · Kim Jong-un · Papel de Singapura na articulação de conversas
  • Retomada ferroviária China-Coreia do NorteReabertura da fronteira após pandemia · Turismo chinês na Coreia do Norte · Resort recém-aberto na Coreia do Norte · Visitas de unificação de família
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FFernando

Felipe, muito boa tarde para você e bem-vindo a CBN mais uma vez.

FFFelipe Figueiredo

Boa tarde, Fernando. Boa tarde a todos nossos ouvintes e amigos aqui da CBN. Sempre bom estar com você toda segunda-feira, Felipe.

FFernando

A gente vai falar hoje sobre a visita do líder chinês Xi Jinping à Coreia do Norte, o encontro com Kim Jong-un. Fazia 7 anos que os dois não se encontravam. Um pouco sobre essa visita e em que momento, Felipe.

FFFelipe Figueiredo

Então, Fernando, essa visita, ela, primeiro, ela tem um simbolismo muito interessante Que é: nas últimas semanas nós falamos aqui na CBN sobre o fato de que o Xi Jinping recebeu em Pequim o Donald Trump e o Vladimir Putin, dentre outros líderes. Também o premier do Paquistão foi a Pequim recentemente. E o Kim Jong-un não foi, né? O Xi Jinping que teve que ir até o Kim Jong-un. O Kim Jong-un viaja muito pouco ao exterior. Quando ele viaja, normalmente são apenas para os países da China, China e Rússia, com a qual tem uma conexão ferroviária.

Ele viaja no trem blindado, né, do Estado norte-coreano. Então, primeiro, tem esse simbolismo muito interessante, né, de que o Xi Jinping que teve que ir até o Kim. E essa visita, Fernando, ela vem em um momento muito complicado na região, porque primeiro nós provavelmente temos as relações, o ponto mais baixo das relações entre China e Japão nesse momento, né. O Japão recentemente, né, o povo japonês recentemente elegeu a Takahashi Sanai como sua primeira-ministra, ela que é uma primeira-ministra à direita, conservadora, nacionalista.

E além de defender uma revisão da Constituição pacifista do Japão, ela deu uma declaração dizendo que o Japão teria obrigação de usar a força para defender Taiwan. Desde então, as relações entre os dois países estão muito ruins. A gente pode falar um pouquinho mais disso. E também tem o fato de que nos últimos anos a Coreia do Norte se tornou um aliado cada vez mais importante para o esforço de guerra da Rússia na Ucrânia. Então a China, que nas últimas décadas era o grande parceiro da Coreia do Norte, também busca recuperar um pouco do tempo perdido, digamos assim, do espaço perdido, né, com a Coreia do Norte em relação à Rússia.

FFernando

Fale um pouquinho mais para gente, então, para a gente entender qual que é, o que que significa e de que modo se dá a aproximação cada vez mais de Coreia do Norte com a Rússia. Em que sentido acontece isso?

FFFelipe Figueiredo

Então, Fernando, esse processo, né, ele foi muito intensificado com a invasão da Ucrânia pela Rússia. Primeiro, a Rússia, ela, os dois países já eram parceiros, né. Primeiro precisamos deixar isso claro, né, os dois países já eram parceiros e a União Soviética A Rússia foi o grande parceiro da Coreia do Norte, do Kim Il-sung, o avô do atual líder norte-coreano. A União Soviética inclusive era mais importante do que a China no período da Guerra Fria para a Coreia do Norte.

Porém, a atual relação entre os dois países foi muito intensificada depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, porque a Rússia passou primeiro a adquirir munições fabricadas na Coreia do Norte, já que a Coreia do Norte usa equipamentos militares, muitos deles, né, de padrões estabelecidos pela União Soviética. Não vou dizer de origem soviética porque são equipamentos fabricados recentemente, mas que usam calibres similares, né, o mesmo tipo de ogiva, esse tipo de detalhe técnico.

Então a Coreia do Norte consegue fornecer munições para Rússia. E depois nós também tivemos o uso de tropas norte-coreanas na Ucrânia e em solo russo, ao ponto que recentemente, alguns meses atrás, o Kim Jong-un inaugurou um memorial a esses soldados norte-coreanos que faleceram em batalha na Ucrânia. Em troca, a Coreia do Norte recebe o quê? Primeiro, proteção diplomática, tanto que as sanções contra a Coreia do Norte no âmbito da ONU não foram renovadas por veto russo.

E segundo, recebe tecnologia. A Coreia do Norte muito provavelmente está recebendo da Rússia know-how de foguetes, de motores, de combustível sólido para mísseis, também possivelmente algum intercâmbio na área de submarinos e nucleares, ao ponto que algumas pessoas especulam que um navio cargueiro russo que foi afundado no Mediterrâneo alguns meses atrás estava carregando dois reatores nucleares para a Coreia do Norte, o que, repito, ainda é só uma especulação.

FFernando

Agora, Felipe, é sempre uma questão a discussão em torno do programa nuclear norte-coreano. Vamos falar um pouquinho sobre isso. Em que pé está? E Xi Jinping teria na sua pauta discussões sobre isso ou prefere dizer assim: olha, faz aí o que você tá fazendo e vamos fazer negócio?

FFFelipe Figueiredo

Olha, Fernando, a sua pergunta ela é muito interessante, especialmente pela maneira como você construiu ela. A China, né, explicando para os nossos ouvintes, a China, embora seja um parceiro da Coreia do Norte, seja um aliado da Coreia do Norte, ninguém gosta de ter um vizinho nuclear, né. A China, ela sempre adotou oficialmente a política de desnuclearização da Península Coreana. Que que significa? A Coreia do Norte abriria mão dos seus armamentos e os Estados EUA retirariam a sua presença nuclear na Coreia do Sul, ao ponto que a China autorizou as sanções da ONU que eram impostas à Coreia do Norte.

Porque você não tem como Conselho de Segurança impor sanções contra um país sem a anuência dos 5 países com chamado poder de veto. Então, quando a Coreia do Norte sofre aquelas sanções da ONU no governo Obama, aqui aquela ação teve o sim da Rússia e da China. Porém, nos últimos anos, a China reduziu as suas pressões sobre o arsenal nuclear norte-coreano. Para ser mais preciso, a China não fala publicamente sobre esse tema de desnuclearização desde 2023, ou seja, se vão aí 3 anos.

Por quê? Primeiro, é um fait accompli. A Coreia do Norte hoje tem armas nucleares, tem mísseis balísticos intercontinentais e tem uma tecnologia, um know-how próprio nesse sentido. Segundo, o próprio governo da Coreia do Norte já disse que isso é uma linha vermelha, que não pretende adotar nenhuma bandeira mais de desnuclearização. E convenhamos, né, ações recentes como ataques aéreos ao Irã não fazem com que um país se sinta confortável em abrir mão de um arsenal estratégico nuclear, como o caso da Coreia do Norte.

E terceiro, né, com o aumento de tensões pelo Indo-Pacífico E aí entram, por exemplo, as relações péssimas no momento com o Japão. A China vê que talvez seja melhor contornar as relações com uma realidade de uma Coreia do Norte nuclear e aumentar seu intercâmbio econômico, aumentar, voltar a ter um intercâmbio, por exemplo, de turistas. Inclusive, né, os chineses eram os principais turistas da Coreia do Norte antes da pandemia, do que enfim tentar brigar com essa realidade de ter um vizinho hoje nuclear.

E a Coreia do Norte, inclusive, ela não está parada no seu programa nuclear. É bom que o nosso ouvinte saiba disso. 4 dias atrás, o Kim Jong-un participou da inauguração de uma nova usina que vai produzir combustível, tá, para os seus mísseis balísticos, e também possivelmente inclui um novo lugar de testes nucleares.

FFernando

A Coreia do Norte abre espaço para visitas da Agência Internacional de Energia Atômica? Eles sabem que acontece por lá?

FFFelipe Figueiredo

A Coreia do Norte, ela durante muito tempo teve essa cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica, porém a partir do ano de 2006, Fernando, quando a Coreia do Norte, né, desenvolve, né, realiza o seu primeiro teste nuclear e concretiza sua posição de potência nuclear rompendo com o ordenamento nuclear internacional, Hoje em dia esse tipo de cooperação ocorre apenas de maneiras pontuais. Você não tem uma cooperação permanente ou uma espécie, vamos dizer, de inspeções surpresas.

Tanto que alguns anos depois, 2014, salvo engano, se não me falha a memória, ou 2015, a Agência Internacional de Energia Atômica só conseguiu ter informações sobre um dos testes nucleares da Coreia do Norte pela detecção isótopos radioativos no ar, coisas do tipo. Não teve absolutamente nenhum acesso. E essas instalações mais sensíveis da Coreia do Norte, certamente a IEA hoje não tem acesso.

FFernando

Qual que é a relação dos Estados Unidos com a Coreia do Norte hoje, Felipe?

FFFelipe Figueiredo

Então, Fernando, você tocou num ponto legal, né? Porque é o seguinte: o Donald Trump, no seu primeiro mandato, Ele queria fazer um acordo com a Coreia do Norte, algum tipo de acordo com a Coreia do Norte, especialmente como contraste ao seu antecessor Barack Obama, que é o grande, né, a grande obsessão do Donald Trump é tentar fazer tudo diferente do Obama. Vide a situação no Irã. E o Donald Trump, ele pressionava a Coreia do Norte por um eventual acordo nuclear, né, chamou Kim Jong-un perante a Assembleia da ONU de Rocket Man, alguns ouvintes nossos devem se lembrar disso, e depois visitou a Coreia do Norte, visitou a Coreia do Sul na verdade, mas teve aquele momento na zona desmilitarizada em que ele pisou na Coreia do Norte, tivemos trocas de delegações, o presidente da Coreia do Sul visitou a Coreia do Norte naquele momento, tivemos uma carta do Kim Jong-un, tivemos todo aquele espetáculo., né, e uma cúpula conjunta entre o Kim Jong-un e o Donald Trump.

Porém, aquilo ficou apenas um espetáculo, pouco andou. Porém, o Donald Trump, ele muito provavelmente, ele ainda tem isso na pauta dele, inclusive como uma maneira de eventualmente no futuro próximo deixar o assunto Irã de lado. E o ministro de Relações Exteriores de Singapura No final de maio, duas semanas atrás, ele visitou as duas repúblicas coreanas. Ele conversou com líderes norte-coreanos e depois dessas visitas ele também foi aos Estados Unidos.

E por que isso é importante, Fernando? Porque lá no primeiro mandato Trump também foi Singapura que articulou as conversas entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos. Então é possível que nós tenhamos essa visita como uma espécie ali de teste entre águas, né, para ver se um novo encontro desses é possível. O ministro de Relações Exteriores de Singapura, deixe-se claro, ele publicamente falou que a Coreia do Norte hoje não quer engajar com os Estados Unidos.

Mas por trás dos panos, né, em conversas extraoficiais, vai saber o que foi conversado.

FFernando

Agora, Felipe, eu sempre tenho visto cada vez mais Kim Jong-un da Coreia do Norte aparecendo em eventos com a filha dele, uma garota ainda, mas que supostamente estaria sendo preparada pelo próprio Kim Jong-un para sucedê-lo. Essa pergunta é complicada. O que se sabe sobre isso, né? Haja vista que é tão difícil saber coisas de lá.

FFFelipe Figueiredo

Olha, você já matou a charada, né? É muito difícil nós termos informações confiáveis e abrangentes sobre a Coreia do Norte, porque normalmente as fontes de informação sobre a Coreia do Norte costumam ser duas: a mídia estatal norte-coreana ou a mídia sul-coreana. Então sempre vão ser duas abordagens bem opostas e normalmente ideológicas. Então as informações sobre, né, o aparato, o aparato interno do Estado norte-coreano ainda é muito nebuloso.

Mas mais do que da filha dele, que como você mencionou tem feito essas aparições públicas do lado do pai, né, inclusive assistiu do lado do pai um um teste de míssil recentemente, né, o que não é uma atividade que normalmente se costuma levar os filhos. Mas brincadeiras à parte, é interessante a gente mencionar a irmã do Kim Jong-un, a Kim Jong-il, que é hoje a pessoa que na prática conduz a política externa da Coreia do Norte, tá.

Ela que estava na mesa do lado do irmão quando eles se encontraram com o ministro de Relações Exteriores de Singapura E ela que está chefiando, né, a comitiva da Coreia do Norte nessa visita de estado do Xi Jinping. Então a irmã do Kim Jong-un, ela é uma pessoa que também tem uma presença pública muito grande, mas não apenas essa presença midiática, mas também tem uma posição de poder de fato e também fala em nome do Estado norte-coreano como eu disse, na prática, a chefe da diplomacia do país.

FFernando

A fronteira entre a Coreia do Norte e a China ficou fechada durante muito tempo durante a pandemia e recentemente eu conversei sobre isso com Marcelo Nino, correspondente do Globo e nosso colunista aqui também, sobre quando reabriu isso, né, quando essa fronteira foi aberta. Tem um trem que faz esse percurso, ficou fechado, ficou parado durante muito tempo, aí reabriram. Que tipo de Que tipo de conexão há entre esses dois países quando você tem um trem que leve ali a China à Coreia do Norte? É negócios? Tem turismo? Você gostaria de ir para Coreia do Norte, Felipe?

FFFelipe Figueiredo

Olha, falando como cidadão brasileiro, né, a minha visita seria muito diferente, né, talvez dessas visitas turísticas. O que eu acho interessante de notar, Fernando, primeiro, é que a Coreia do Norte, a Península Coreana como um É um lugar muito bonito, é, tá, você tem belezas naturais muito grandes. Então, antes da pandemia, a Coreia do Norte recebia cerca de meio milhão, 400 mil turistas chineses todo ano, tá, que iam, como você mencionou, especialmente por conexões terrestres, mas também tinha algumas conexões aéreas.

A Coreia do Norte recentemente, como parte dessa política de se reabrir pós-pandemia, né, abriu um resort que também vai receber turistas, além de turistas internos, né, cidadãos do próprio país. Um dos primeiros resorts, tá, da Coreia do Norte, onde você tem ali complexo, né, de piscinas junto com o serviço de hotelaria. Mas claro, é um país muito fechado, é um país em que você visitar, né, por fora do aparato estatal é praticamente impossível.

É um turismo controlado. Na maior parte do tempo. Veja que eu disse na maior parte do tempo, né? Isso não quer dizer que vai ter um espião norte-coreano andando do lado do nosso ouvinte 24 horas por dia, mas é um turismo normalmente controlado. E a Coreia do Norte adotou uma política muito restrita de fechamento durante a pandemia. Então a Coreia do Norte ainda está começando esse processo de se reabrir para o turismo. E finalmente, Fernando, tem uma categoria muito pequena numericamente, mas que é muito importante simbolicamente e politicamente, que visita a Coreia do Norte, que são pessoas que hoje moram na China ou na Coreia do Sul, mas que têm as suas raízes na Coreia do Norte.

As chamadas visitas de unificação de família, por exemplo, elas foram bastante realizadas em alguns períodos de boas relações entre as repúblicas coreanas. Hoje, infelizmente, elas foram deixadas de lado pelo recrudescimento de relações, mas essas visitas, essas talvez fossem as mais importantes, né, de refugiados que tiveram que fugir, né, sair das suas terras ancestrais devido à Guerra da Coreia na década de 1950.

FFernando

Perfeito. Felipe, algo mais que você queira acrescentar? Só lembrando, essa visita então acontece hoje, segunda, e amanhã, terça, também. Algo mais?

FFFelipe Figueiredo

Acredito que não, acredito que a gente cobriu quase, né, os principais pontos. Sim, e é ficar de olho também na questão do intercâmbio comercial, tá, Fernando, né, o eventual anúncio de entrada de produtos chineses na Coreia do Norte, tá. Eu acho que é isso também que a China busca nessa visita, porque, repito, a China perdeu um pouco de espaço não apenas o cenário estratégico, mas na economia norte-coreana para a Rússia nesses anos.

FFernando

Felipe Figueiredo com a gente toda segunda-feira aqui no CBN Pelo Mundo. Um grande abraço, Felipe, obrigado pela participação hoje. Até a próxima.

FFFelipe Figueiredo

Um abraço, Fernando, um abraço a todos os nossos ouvintes.

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