O que quer dizer ‘conspícuo’?
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Pasquale
Fernando
Nadedja
- Significado de 'conspícuo'Conspícuo · Inconspícuo · Cospicuo · Latim · Machado de Assis · Miss Dollar
- Etimologia e SemanticaRaiz latina 'spec' · Observar · Contemplar · Notável · Ilustre
- Música 'Perspectiva'Perspectiva · Expectativa · Avenida · Russo · Jorge Maltner · Nelson Jacobina · Árvore da Vida
- Música de Dorothy MasukaEspelho · João Nogueira · Paulo César Pinheiro · Clube da Esquina
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A nossa língua de todo dia com o Professor Pasquale.
Professor Pasquale, boa tarde.
Boa tarde, Nadedja. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, ouvintes. Posso garantir que é bonito porque já ouvir, é uma maravilha, uma maravilha. Viva Loborges, viva Márcio Borges, viva a família Borges, viva o Clube da Esquina, viva tudo isso, viva.
Bom, professor, hoje respondendo ao nosso ouvinte Sérgio Tardim de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, que escreve o seguinte: prezado professor, conspico, solicitamos discorrer sobre o termo conspico.
Eu dei muita risada quando vi isso, né? Porque conspiração é uma palavra, eu acho uma palavra engraçada, não sei vocês, a sonoridade.
Eu não lembro muito de ouvir ela em português, eu lembro de ouvir um pouco em inglês, inconspicuo, na verdade.
Em italiano é quase igual, é "cospicuo", não tem o "n", mas é a mesma palavra. E no latim ela tem o "n" de navio. E é uma palavra que sempre que eu vejo, eu fico, isso me chama atenção, porque de fato, como disse o Fernando, não é algo que se use. Aliás, eu aproveito, depois eu vou dizer o nome dele, eu estou sem o nome dele aqui, um ouvinte que mora nos Estados Unidos, escreveu dizendo: puxa, eu nunca ouço você falar de Machado de Assis.
Fernando, diga a ele que é mentira, que eu já falei de Machado de Assis aqui um milhão de vezes. É mentira, professor, tá falando de vezes. Pronto. E eu peguei ao acaso aqui para não ter que vasculhar meus livros feito um maluco. Ainda bem que existe a internet. Então escrevi aqui: Machado de Assis, Conspicuo, pronto, já me apareceu aqui uma obra dele chamada Miss Dollar. Algum leitor conspicuo desejaria antes que Mendonça não fosse tão assíduo na casa de uma senhora exposta às calúnias do mundo e tal.
Bom, conspicuo. Aliás, ontem a gente fez uma brincadeira aqui. Eu, você não tava, né, Débora? Você não sabe do que você escapou, porque ontem eu torturei o Fernando aqui no ar, né? Fui: vamos lá, Fernando, qual é? Procura aí, não sei o quê e tal. Depois ele contou com ajuda dos ouvintes. E eu vou fazer quase a mesma coisa hoje. Essa palavra, com os picos, pode ser. Vocês estão em dois aí, é ótimo. Dá para— a união faz a força, né?
A união faz a força. Então vamos lá, eu não vou dizer nada por enquanto, eu vou tocar uma obra-prima. Não vou, eu vou dar uma dica aqui, não vou dizer o nome da música porque se eu disser eu já estrago a brincadeira. É uma parceria monumental do grande João Nogueira, que é o autor da melodia, E do Paulo César Pinheiro, que é o autor da letra. E a letra do Paulo César é baseada na vida do João. Eles eram— o João já se foi, lamentavelmente.
O Paulo César Pinheiro, graças a Deus, está entre nós. E essa amizade funda, profunda, dos dois deu ao Paulo condições de escrever sobre a história de vida do João Nogueira. A gente vai ouvir um trecho dessa canção que está no disco de mesmo nome, a canção e o disco tem o mesmo nome, 1977. A canção é comprida, eu adoraria tocar a letra inteira, mas vou tocar só o que dá para a gente tocar. Vamos ouvir João Nogueira, vamos lá.
Um dia eu me tornei o bambambam da esquina, em toda brincadeira, em briga e namorar. Até que um dia eu tive que largar o estudo e trabalhar na rua sustentando tudo. Assim, sem perceber, eu era adulto já.
Ei, vida boa, vai, o tempo vai.
Ah, mas que saudade Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade e orgulho de seu filho ser igual ao seu pai, pois me beijaram a boca e me tornei poeta. Mas tão habituado com o adverso, eu temo se um dia me machuca o verso. E o meu medo maior é o espelho se quebrar. E o meu medo maior é o espelho se quebrar. E o meu medo maior é o espelho se quebrar.
Bonito isso, hein?
Maravilhoso. E aí, é Espelho? Ah, Espelho é o nome da canção e espelho é o nome, é a palavra que, por incrível que pareça, tem a ver com conspiração. Eu vou até fazer uma perguntinha aproveitando que a nossa Naded já tá aí. Nadedja, por favor, como é que se diz espelho em italiano?
Specchio.
É specchio. Então olha aí, né? Estamos chegando lá, estamos chegando lá para o conspicuo, para o espelho, para a raiz latina. Mas vamos agora para mais uma canção, e essa tem uma letra muito inteligente, inteligentíssima. Uma canção também, não vou dizer o nome porque o nome tem a ver com a história. Composição de Jorge Maltner e de Nelson Jacobina, dois maravilhosos músicos brasileiros, compositores. O Jacobina, lamentavelmente, já se foi.
Uma canção que está no disco Árvore da Vida, um disco primoroso de 1988. Aqui eles vão abusar do direito de usar palavras que têm a ver com a nossa conversa. Prestem atenção porque a letra é memorável. Vamos lá.
Assim vou caminhando por esta vida, assim eu vou andando por esta imensa avenida, vivendo não sei bem por quê, sempre numa grande expectativa. Ah, e avenida em russo quer dizer perspectiva, e avenida em russo quer dizer perspectiva? Sendo assim, eu lhe pergunto se você não quer ser a minha avenida, a minha ave da vida, a minha expectativa, a minha perspectiva. A minha expectativa, a minha perspectiva. Sendo assim, eu lhe pergunto se você não quer ser a minha avenida, a minha Perspectiva.
Perspectiva é o nome da música e é uma das palavras que nos interessam. A outra é expectativa. E a maravilha também, né? Expectativa, fico surpreso. Por quê?
Vamos lá.
Então, avenida em russo quer dizer expectativa, quer dizer perspectiva. É, depois ele faz uma série de coisas na letra que é realmente, é um, meu Deus do céu. Vivo Maltner, que é um grande escritor, autor de obras importantes, né? Maltner, que está entre nós, felizmente. Bom, então onde é que tá a história? O conspicuo. Conspicuo é aquilo que é claramente visível, aquilo que chama atenção, aquilo que se pode ver, né, com muita, com muita clareza, né.
E aquilo que atrai os olhares todos, né, como se fosse o reflexo de uma imagem e atrai tudo. É justamente a história do espelho. Que o espelho é isso, o espelho reflete, né, reflete. A raiz é "spec", a raiz de olhar com atenção, de contemplar, de observar, né, e que aparece num caminhão de palavras da nossa língua e das línguas neolatinas e também de línguas não neolatinas, o inglês, como bem disse a a nossa nadédia. Então tudo isso tem a ver com o olhar, tem a ver com a imagem que é nítida, e por extensão de sentido, aí a coisa vai, né?
O conspicuo chama atenção, é notável, é ilustre, né? E pode ser até circunspecto, E por aí vai. Então, tudo isso tem a ver com a ideia da imagem, do reflexo, com a ideia do que se vê, daquilo que se olha com atenção, que se contempla, que se observa. E daí os sentidos todos diferentes, né? Diferentes não, né? Os sentidos particulares, mas tudo baseado na mesma Na mesma ideia da perspectiva, que tem o per, falamos dele ontem, né, o prefixo per, a expectativa, e por aí vai.
Tudo farinha do mesmo saco. Não sei como é que tá o nosso tempo, eu me esqueci de perguntar para Janaína a que horas ela levantaria o cartão vermelho. Levantou? Levantou, levantou. Mas tem mais uma música? Levantou. Então tá bom. Não, tá bom assim. Obrigado, professor. Tá claro tudo isso? Tá claríssimo. Ó, tá claríssimo. É isso. Então, conspícuo é tudo isso e da mesma família desse mundaréu de palavras. Tá tudo conspícuo, professor.
Vamos lá. Obrigado e até amanhã. Não, até amanhã não, até sexta. Beijo. Até sexta. Amanhã tamo de folga, amanhã Copa do Mundo. É. Até sexta. Um beijo pra vocês.
Quando o tempo passa, que felicidade!
E que vontade de tocar viola de verdade e de fazer canções como as que fez meu pai. E de fazer canções como as que fez meu pai.
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