Entre a máquina do governo e Trump: os fatores por trás da recuperação de Lula
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Vera
Carol
Débora
Bruno Carazza
- Eleições LulaPesquisa Genial/Quaest · Lula · Flávio Bolsonaro · Eleitor independente · Eleitor de baixa e média renda
- Pacote de Medidas do GovernoIsenção do Imposto de Renda · Desenrola · Escala 6 por 1 · Taxa das blusinhas · Crédito para reforma de casa · Crédito para motorista de aplicativo
- Impacto econômico das ações de TrumpTarifaço · Lula · Flávio Bolsonaro · Eleitor independente
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O bonde mineiro do Viva Voz segue a todo vapor e já tá com a gente na linha o Bruno Carasa, nosso colunista aqui das quartas-feiras. Boa noite, Bruno.
Boa noite, Vera. Pois é, né, é o Viva Voz pão de queijo, como disse o Felipe, né. Somos maioria, né, que Débora também é mineira. Boa noite para você, boa noite Débora, boa noite Carol, boa noite para o ouvinte que tá com a gente na CBN.
E como diz o mineiro, ei Bruno!
Fiquei pasma com essa informação, que eu não sabia que a Débora aqui do meu lado todos os dias é mineira. Para mim era paulista.
Origem mineira, nascida, né, Débora?
Nascida, criada aqui, mas nascida em Minas.
Tá certo então. Bruno, a gente conversou mais cedo de falar sobre, né, os impactos e os recados e as leituras econômicas aí da pesquisa Quest, que foi muito completa, foi muito detalhada. E eu te perguntei, te provocando, e você topou a gente transferir a pergunta aqui para o ar, se foi o Trump ou a máquina do governo que mexeu nesses números e de que forma?
Pois é, Vera, uma pesquisa muito rica essa que foi feita pela Quest, né, abrangendo muitos aspectos da agenda econômica. Então, uma excelente contribuição para a gente tomar a temperatura do eleitor nesse momento. É, você destacou muito bem na conversa com Felipe a questão do eleitor independente. É, o Felipe também destacou o eleitor jovem. E uma coisa que me chamou atenção especialmente foi o eleitor de baixa e média renda, que é um eleitor que vive uma situação financeira complicada, que convive diretamente com esse paradoxo que a gente tá observando no Brasil de desemprego baixo, inflação sobre controle, e mesmo assim esse eleitor tá insatisfeito com a situação econômica do país.
Então houve uma melhoria significativa da avaliação do governo para o eleitor que ganha até 2 salários mínimos, saiu de 54 para 59, é um eleitor lulista. Mas sobretudo no eleitor de renda média, de 2 a 5 salários mínimos, desde abril foi subindo para 38, para 43, e agora para 46. Já tá quase no limiar aí do governo já ter uma maioria de aprovação nesse eleitor. Então é um resultado muito significativo que tem a ver com essas entregas que o governo fez desde o final do ano passado.
Vocês mencionaram a isenção do imposto de renda, teve o Desenrola, teve a escala 6 por 1, que ainda não foi questionada nessa pesquisa, né, certamente virá na próxima, é a taxa da blusinha. Então é um conjunto de medidas que tem a ver com esse que o Felipe até falou da caixa de ferramentas do governo. E por outro lado, o eleitor independente que você destacou, aí sim eu atribuo muito a essa questão das relações do Brasil com os Estados Unidos.
Tem um dado muito relevante nessa pesquisa, é quando a Quest pergunta quem melhor representa os interesses do Brasil, né? E o eleitor independente, ele fala, o eleitor em geral, ele fala 47% fala que Lula representa melhor os interesses do Brasil e 37% falam que é o Flávio. Mas o eleitor independente aumenta a diferença. O eleitor independente fala que o Lula representa mais os interesses do Brasil, 41%, contra só 25% do Flávio.
Então acho que foi um combo desses dois fatores, né? As medidas do governo entregues aí nesse período. E do outro lado, todo esse contexto das relações Brasil-Estados Unidos que foram bastante aí dinamizadas nas últimas semanas.
E além da isenção do Imposto de Renda, do Desenrola que você citou, teve também crédito para reforma de casa, para motorista de aplicativo. Tem mais coelho para o governo tirar dessa cartola, Bruno?
Pois é, Débora, é realmente na pesquisa ela mostra todos esses fatores aumentando, é positivamente para o lado do Lula, né? A intenção de voto subindo, o eleitor avaliando positivamente. Então todos esses aspectos contam muito. E o interessante é notar que até um ponto que eu destaquei na minha coluna do Valor de segunda-feira, mas não é um ponto original meu, quem cantou essa bola para mim foi o Pedro Fernando Nery. A gente bateu um papo esses dias e ele chamou atenção de como que o governo agora ele tem buscado fazer entregas que não envolvam a questão fiscal.
Situação fiscal do governo é muito difícil. Então, as grandes políticas que o governo vem tomando ou são medidas que o governo dá com uma mão e tira com a outra. É o caso da isenção do Imposto de Renda, né? Ele isentou para quem ganha até R$5.000 e taxou mais quem ganha acima, para ter um efeito fiscal líquido. Ou o governo tá concedendo medidas que são medidas creditícias, que tem tem até um impacto fiscal, mas é um impacto fiscal mais de longo prazo.
É o caso do Desenrola, por exemplo, é o caso dos motoristas de aplicativo, ou são medidas que o governo está tomando que não vai ser ele que vai arcar, né? Ou é o consumidor que vai arcar, ou é o empresário que vai arcar. Então é o caso da escala, é o banco. Então é o fim da escala 6 por 1, é o Desenrola, é o caso da taxa das blusinhas. Então o governo tá tirando coelhos pontas dessa cartola, é não necessariamente que ele tenha que gastar mais.
Ele tá fazendo entregas para o eleitor, sobretudo eleitor é que vive uma situação econômica na adimplência alta, é, e sem necessariamente ter que gastar mais.
Então são os novos tempos da política brasileira aí, é, concedendo benesses com chapéu alheio, né, o governo, e sem vinculação, né, Bruno, também na Constituição e nem no orçamento por exemplo, como é salário mínimo, a questão da educação, essas vinculações que estão pressionando o orçamento, né, lá na frente.
Exato. Isso aí é desafio para o próximo mandato, né? Para quem quer se reeleger agora, ele concede essas políticas dessa forma e ele vai tocando o barco desse jeito. E aparentemente tem dado resultado, como os números da pesquisa indicam.
Agora, Bruno, tarifácias, essas medidas que o Trump vem tomando já mostraram que tem potencial de afetar as eleições por aqui. Para além da geopolítica, economia internacional também pode influenciar o humor do eleitor brasileiro?
Sim, Carol, tem um item na pesquisa, né, que, que se o tarifaço do Trump ele aumenta ou diminui a vontade de se votar no caso em Lula, né. No caso do voto em Lula, é, o eleitor, é, 39% do eleitor fala que o tarifaço aumenta a vontade de votar em Lula, enquanto só 30% aumentam a vontade de votar no Flávio Bolsonaro. E especialmente o eleitor independente, né, aquele que não se declara nem lulista nem bolsonarista, é 26% falam que o tarifaço aumenta a vontade de votar em Lula, enquanto 14% falam que aumenta a vontade de votar no Flávio Bolsonaro.
Então a eleição, a eleição é afetada assim pelo contexto internacional. E aí a gente precisa observar os próximos passos dessa disputa, né, Trump em relação à economia brasileira. Um ponto que a gente já conversou na semana passada, que pode ser chave aí, é a questão do PIX. A gente mencionou, Vera mencionou, como que o PIX caiu no gosto do brasileiro. Então uma eventual medida do Trump pode afetar a predisposição de voto de um lado ou de outro.
E do ponto de vista econômico, quanto mais a guerra ela se alastra e os efeitos dela sobre o preço do petróleo começam começam a bater em outros segmentos da economia brasileira, então já bateu nas passagens aéreas, né, já bateu no preço do combustível na bomba, é, pode vir a bater no custo dos alimentos, né, que o transporte é muito dependente, né, do custo de frete. À medida que a guerra se alastra e os efeitos econômicos eles vão se disseminando na economia, aí sim pode afetar também a predisposição de votar.
Quando o eleitor vai ao supermercado, por exemplo, e vê que o seu orçamento não tá dando para arcar como arcava com todas as despesas do mês. Então tem muita água para passar por debaixo dessa ponte até as eleições. O contexto internacional continua muito difícil, muito incerto com a questão da guerra. E além disso, temos essas disputas aí mais ideológicas do governo Trump tentando interferir de forma indireta nas eleições brasileiras com medidas mutar de face, por exemplo.
É isso, Bruno Carazza conosco todas as quartas-feiras. Obrigada por hoje, Bruno.
Valeu, pessoal, até a próxima semana.
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