Episódios de Comentaristas

'Quaest captura demanda por alternativas a Lula e Flávio, mas candidatos são desconhecidos'

10 de junho de 202642min
0:00 / 42:08
A pesquisa Genial Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que o presidente Lula abriu vantagem de 6 pontos sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. O petista está com 44% das intenções de voto, contra 38% do adversário. Vera Magalhães entrevista Felipe Nunes, diretor da pesquisa, sobre os resultados. O destaque é para o desconhecimento dos eleitores em relação a candidatos alternativos a Lula e Flávio Bolsonaro.

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Participantes neste episódio7
V

Vera Magalhães

HostJornalista
C

Carol

Co-hostApresentadora
D

Débora

Co-host
A

Ana Leoni

ReporterJornalista
B

Bruno Carazza

ConvidadoColunista
F

Felipe Nunes

ConvidadoCientista político
W

Wender Starles

Reporter
Assuntos6
  • Pesquisa eleitoralLula vs. Flávio Bolsonaro · Eleitores independentes · Eleitores jovens · Direita não bolsonarista · Candidatos alternativos · Desconhecimento eleitoral
  • Pregação de Pedro Paulo MatosFernando Haddad · Simone Tebet · Márcio França · Vaga de vice · Vagas ao Senado · Aliança PT-PSB
  • Economia do Governo LulaDesenrola 2.0 · Isenção do Imposto de Renda · Programa Move · Revogação da taxa das blusinhas · Escala 6x1
  • Flávio Bolsonaro e ativismo judicialÁudio com Vaccaro · Financiamento de filme · Classificação de organizações criminosas como terroristas · Interferência internacional
  • Redução da Maioridade PenalPEC da Maioridade Penal · CCJ da Câmara · Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) · Combate à violência · Recrutamento de jovens pelo crime organizado
  • Relação Brasil-EUA e EleiçõesTarifácio de Trump · Guerra na Ucrânia · Preço do petróleo · PIX
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FNFelipe Nunes

Viva Voz com Vera Magalhães.

CCarol

Vera Magalhães, muito boa noite, tudo bem?

VMVera Magalhães

Oi, Débora, tudo bem? Boa noite para você, boa noite para Carol, para os ouvintes, para quem nos assiste. Oi, Vera. Bom, oi, gente. A gente está hoje com o Felipe Nunes da Quest, né? Professor Felipe Nunes, cientista político, diretor da Quest, que vai nos ajudar a esmiuçar os números. Desde manhã, quem está aqui na programação da CBN já ficou sabendo os principais dados da última rodada da pesquisa Quest, tanto de avaliação de governo quanto presidencial.

E agora a gente vai descer os detalhes aqui com o Felipe. Boa noite, Felipe, obrigada por nos atender como sempre.

FNFelipe Nunes

Boa noite, Vera, prazer estar aqui de novo com você, Débora e com Carol. Vamos falar de pesquisa Quest que trouxe aí alguns dados muito interessantes nessa última pesquisa antes da Copa.

CCarol

Boa noite, Felipe.

VMVera Magalhães

Pois é, e como era a última antes da Copa, eu acho que vocês resolveram fazer barba, cabelo e bigode porque eu nunca vi um questionário tão detalhado. E com tantas perguntas muito específicas para não deixar dúvida do que se estava perguntando para o eleitor. Então acho que a gente tem muito sumo para extrair aqui. Eu queria começar te ouvindo sobre os eleitores independentes, porque eu acho que o grande dado que salta da pesquisa é uma mudança de percepção nesse eleitorado, que é chave quando a gente tem o que você gosta de chamar de uma polarização bastante cristalizada.

O que que aconteceu entre os eleitores independentes de maio para cá, Felipe? E por quê?

FNFelipe Nunes

Vera, primeiro, de fato essa é uma pesquisa muito estratégica porque ela tem o papel nesse momento de ajudar o eleitor a entender como é que está a disputa eleitoral, não só olhando para dinâmica desses dois principais nomes que a gente fala tanto, Lula e Flávio, mas também das oportunidades políticas expostas por tantas outras alternativas que surgiram, Vera. Imagina, quando a gente começou a cobrir essa eleição com pesquisa, você tinha Lula, e aí você testava ou Eduardo ou Ratinho ou Caiado.

Depois você tem, agora você tem uma série de nomes apresentados numa dinâmica que mostra como a classe política tá buscando de fato alguma alternativa. Então fomos lá entender todas as dinâmicas e o que que a gente descobre, Vera? Primeiro, o eleitor independente, ele foi impactado por dois movimentos, um positivo e um negativo, mas eles são concomitantes. O efeito positivo qual é? Governo Lula abriu a caixa de ferramentas de agenda pública e política lançou o Desenrola 2.0, já tinha na sua pauta a isenção do Imposto de Renda de até R$5.000, trouxe o programa Move para aplicativo, motorista de aplicativo e taxista, trouxe, revogou lá a taxa das busanças.

O governo fez um monte de coisa e isso tudo junto produziu um sentimento que a gente mostra na pesquisa de algum fôlego para os endividados, por um lado, e para aqueles que estavam acostumados a pagar imposto de renda e não estão pagando mais. Então isso ajudou a criar um clima positivo. Junto com isso vieram dois movimentos negativos na oposição. Essa é a primeira pesquisa Quest depois da revelação do áudio em que Flávio Bolsonaro conversa com Borcaro sobre um financiamento para o filme.

Os eleitores acham que isso foi um erro brasileiro, acha, a maioria acha que foi um erro o que o Flávio Bolsonaro fez. E o encontro do Flávio, a tentativa de reversão de agenda quando ele vai aos Estados Unidos conversar com o Trump sobre o tema, parece, né, pelo que a pesquisa mostra, os brasileiros achando que o Flávio teve grande influência na classificação das organizações criminosas em terroristas. Só que o efeito parece não ter aparecido.

Por quê? Porque o brasileiro até é a favor de endurecer a conversa sobre organizações criminosas, chamando-as de terroristas. Mas não acham que isso tem que acontecer via outro país, ou seja, o brasileiro tem um temor de uma interferência internacional. Então, a combinação, Vera, de um sentimento positivo econômico, um fôlego, com notícias muito negativas contra esse principal adversário do Lula na eleição, acabou dando aos independentes, que são voláteis, que mudam e vão mudar muito ainda, um sentimento de que Neste momento é melhor o Lula do que o Flávio.

CCarol

Pois é, e tudo isso que você trouxe aí alterou o resultado, ou melhor, alterou os números da pesquisa, né, para o segundo turno. No cenário simulado, o presidente Lula aparece com 44% contra 38% de Flávio Bolsonaro. Ainda mostra, claro, um cenário polarizado, mas já sai ali da margem de erro. Com relação a Flávio Bolsonaro, os dados mostram que a direita não bolsonarista, que ele perdeu intenção de voto também na direita não bolsonarista?

FNFelipe Nunes

É, Débora, perdeu sim. E esse é um ponto muito importante, né? No relatório que a Quest publica hoje, a gente sempre mostra, né, não só os principais dados, mas todos os cruzamentos, tal, para que as pessoas interessadas possam de fato analisar o que tá acontecendo na eleição. A gente mostra que de abril para junho caiu de 90 a intenção de voto no Flávio na direita não bolsonarista para 82%. São 8 pontos de queda nesse grupo. E por que que esse grupo é importante, Débora?

Eu sempre cito quando tô fazendo uma análise segmentada do eleitorado brasileiro: no Brasil, a direita não bolsonarista é maior do que a bolsonarista. 22% do eleitorado é a direita não bolsonarista, 13% a direita bolsonarista. Ou seja, se houver um movimento de desapego do Flávio, isso pela direita não bolsonarista, isso poderia sim movimentar significativamente o quadro. Até aqui não dá para dizer ainda que é uma tendência, não dá para dizer que é um abandono, mas existe um contingente não desprezível de direita não bolsonarista olhando para outras opções do quadro político.

CCarol

Ô Felipe, pelo que a gente tá vendo dos números, então, é, colou no Flávio a questão do Tarifaço, também a história do Banco Master, e aquela decisão do governo americano de classificar as organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas também parece que não gerou tanto dividendos para o Flávio assim, né? Porque a população brasileira se divide aí com relação a essa postura do governo americano.

FNFelipe Nunes

É, cara, o que aconteceu foi que A tentativa do Flávio de virar a página pós-áudio com o Vaccaro até conseguiu mudar o assunto, o que é importante, né, quando você tá lidando com uma crise, mas não foi capaz de resolver o problema de trazer uma pauta positiva que aproximasse o eleitor independente dele. Carol, um dado que pouca gente comentou hoje, né, como Vera chamou atenção, a pesquisa tá repleta de indicadores, tem muita coisa, mas um deles É muito importante para ajudar a entender isso que você acabou de me perguntar.

Já faz um tempo que eu defendo que para conquistar o eleitor independente, o Flávio Bolsonaro teria que ser visto pelo eleitor independente como mais moderado que a sua família. E, Carol, o que que aconteceu? Exatamente o inverso. De maio para junho, menos brasileiros estão dizendo que o Flávio é mais moderado que a sua família. Ou seja, ele distanciou-se parte do eleitorado mais importante, que era o que ele tinha que conquistar, justamente por esses movimentos todos que aconteceram.

VMVera Magalhães

Felipe, quando a gente vê esses movimentos de migração de voto, né, você falou da direita não bolsonarista, a gente falou também dos independentes, a gente até vê votos saindo do Flávio, o Lula melhorando um pouco, mas esses outros candidatos, e agora são vários, que se apresentam como opção ainda não são vistos como tal pelos brasileiros. Ainda tem ali difuso esse sentimento de que gostariam de votar em outra opção, né? A gente tem uma pergunta especificamente sobre isso que tem lá sobre o Tarifaço, 23% dizendo que gostariam, que aumentou a vontade deles de votar em outra pessoa, mas os candidatos só minguam.

O que que explica isso? É falta de conhecimento ainda? O fato de que a campanha ainda não começou? É falta de uma postura digital mais clara? Eu até falei disso na minha coluna de hoje, de quanto faltam ideias e estratégia nessas campanhas.

FNFelipe Nunes

Vera, vamos lá. Primeiro, é importante lembrar para o nosso ouvinte que essa pesquisa está capturando uma demanda por uma alternativa, né? A demanda está dada. E a melhor maneira de demonstrar isso, olhando para um dos indicadores da pesquisa, Vera, é como aumentou o indeciso no primeiro turno. Sim, dobrou o número de indecisos, saiu de 5 para 10 em um mês. De onde é que, onde é que estavam esses eleitores? Basicamente votando no Flávio Bolsonaro.

Então é um eleitorado que saiu do Flávio e não foi para lugar nenhum. Porque primeiro falta de coordenação política, Vera. Hoje a eleição, a gente tá convivendo com o volume enorme de nomes. Quando você tem muito nome para escolher, você passa a não ter nenhum, porque o foco da atenção das pessoas acaba ficando disperso. Mas tem um segundo ponto, Vera, e aí por isso essa pesquisa é importante, que é a pesquisa antes da Copa e antes do começo da campanha.

Todos os candidatos essas alternativas são muito desconhecidas, muito desconhecidas, né? O que tem mais conhecimento é 50% apenas do eleitorado. Tirando Lula e Flávio, o resto é metade do Brasil não conhece, sendo que tem nome que 70% não conhece, 80% não conhece. Ou seja, tem um problema de coordenação, mas também tem um problema de apresentação, né? Como é que você apresenta de maneira efetiva? O único nome, eu diria, que conseguiu em algum momento aparecer, mas não é crescer significativamente ainda, foi o Renan Santos.

Renan Santos saiu de 76% de desconhecimento para 70%. São 6 pontos percentuais em um mês. É muita coisa, velho. É um movimento relevante para um candidato de um partido pequeno, mas ele tá conseguindo ali fazer um movimento nesse sentido. O Zemo em algum momento conseguiu, mas rapidamente teve ali que lidar com desafios no seu partido. Então É, tem um problema de coordenação, é muita gente apresentada, mas tem um outro problema que é as pessoas não conseguem olhar para esses outros nomes, não conseguem enxergar essas outras alternativas, e o desconhecimento obviamente barra o crescimento desses nomes.

CCarol

Quando a gente olha para os dados de aprovação e desaprovação, eles estão bem próximos, né? 47 vezes versus 48, mas é o melhor resultado pro governo desde janeiro. Tivemos um pacote de bondades, digamos assim, mas em que segmento você acha que houve mais alteração?

FNFelipe Nunes

Ah, essa pergunta é super importante. Quando a gente tava trabalhando no relatório dessa pesquisa ontem, um dado me chamou muita atenção e eu queria convidar o ouvinte para discutir isso comigo e acompanhar comigo. É a primeira vez que eu vi crescer a aprovação do governo e intenção de voto no Lula entre os jovens, que não tinha acontecido até aqui. Até aqui eu tava vendo um enorme distanciamento. E sabe o que que me chama atenção, Débora?

Nas pesquisas qualitativas que a Quest faz junto com essa todo mês, além de fazer esse trabalho quantitativo, a gente também roda pesquisas qualitativas com um grupo independente. O que a gente está descobrindo? O eleitor independente jovem adorou o embate que o governo fez sobre a escala 6x1. É a primeira vez que um tema encantou, um tema do governo encantou esse eleitorado, tá? Então a mudança, há outras, tá? A aprovação do governo melhorou entre renda baixa, entre renda média, isso já é um efeito desse efeito dessa dinâmica econômica que a gente falou.

Mas a mudança que mais me chamou atenção, Débora, foi a mudança entre os jovens. Isso pode ser um ponto muito importante de mudança de chave no próximo, nesse próximo ciclo, quando a gente começar a entender o processo político.

CCarol

Felipe, o quanto essas intenções de voto estão cristalizadas, ou esses votos ainda podem mudar daqui até a eleição?

FNFelipe Nunes

Carol, a gente pergunta para os eleitores, depois que eles escolhem a opção de voto, se essa é uma opção definitiva ou não. É muito impressionante, Carol. 70% dos eleitores do Lula, 70% dos eleitores do Flávio Bolsonaro, aproximadamente, dizem que o voto deles é um voto decidido. E esse é um voto, Carol, que tá— essa decisão de voto, ela tá só aumentando ao longo do tempo, tá? Então isso sinaliza para uma dificuldade mudar o quadro geral que envolve Lula e Flávio, é diferente quando a gente analisa o mesmo resultado para os outros nomes: Caiado, Zema, Renan.

Porque nesses outros nomes a possibilidade de mudança é maior do que a definição do voto. Ou seja, se tem um ponto que essa pesquisa reflete é: o Flávio piorou, mas não a ponto de estar fora do jogo. Carol, eu citei numa análise que fiz mais cedo o caso da Rosiana Sarney, que provavelmente gosta de política e já acompanhava a eleição em 2002, é a Rosiana Sarney. Exatamente no período como esse, em março de 2001, ela era líder nas pesquisas do Datafolha, 52%, contra 36% do Lula.

Bastou Operação Lulos aparecer, Rosiana Sarney caiu, Carol, 16 pontos percentuais, tá? Um voltado, é uma queda muito significativa, diferente dessa de 4 pontos que a gente tá vendo para o Flávio. Ou seja, isso mostra que a gente de fato tá vendo um outro momento político. Os eleitores estão muito mais, como eu disse, calcificados. A polarização veio para ficar. E essa decisão do voto é uma dessas indicações de como vai ser difícil mudar esse quadro ao longo do processo eleitoral.

VMVera Magalhães

Felipe, na questão econômica, a gente até vai ter o Bruno Carazza, seu conterrâneo, mais tarde analisando um pouco os dados. Mas eu não queria deixar de te ouvir sobre sobre algo que me parece um pouco contraditório, porque os eleitores dizem na sua maioria que as medidas econômicas são positivas. Em seguida, eles dizem que não vão se beneficiar diretamente deles, mas quando você pergunta se a renda deles vai aumentar, de novo a gente tem um quadro de maioria que diz que a sua renda vai aumentar.

As pessoas estão bipolares em relação a essas medidas. O governo ainda não faturou o que ele pode vir a faturar com elas, porque também a preocupação com a economia como principal principal problema caiu, agora é só o quarto principal problema para o brasileiro. As pessoas estão ambivalentes em relação a isso?

FNFelipe Nunes

Primeiro, Vera, então hoje aqui é um programa especial Minas Gerais.

VMVera Magalhães

Sempre Minas aqui, decide eleição e o viva voz.

FNFelipe Nunes

Faltou só o viva voz pão de queijo para a gente então fechar essa rodada de copa. Mas Vera, É, você tá me perguntando sobre um tema importante, que é, a gente escutou e acostumou, você que acompanha a política há tanto tempo e tão bem sabe o efeito que a economia tem sobre a política, né? É, a gente se acostumou a ouvir o "é economia, estúpido", certo? E faz um tempo que eu tenho mostrado com vários estudos que a força da economia como variável explicativa perdeu relevância.

As pessoas estão mais dissonantes cognitivamente quando olham para os efeitos econômicos, né? O PIB cresce, elas falam que a economia piorou. A inflação tá ali na meta, controlada, mas as pessoas estão dizendo que os preços estão aumentando. O desemprego tá caindo, as pessoas estão dizendo que tá mais difícil conseguir emprego. Então tem ali um desafio que é totalmente parte desse mundo que a gente vive, polarizado, de redes, de bolhas, em que a gente vai confirmando o viés da gente mais do que tentar atualizar as percepções.

Então a economia sofre com isso e o governo sofre também, que o governo fez um monte de coisa nesses últimos 4 anos, tentou de tudo com políticas e não viu a sua aprovação ser positiva. Já faz mais de um ano, Vera, um ano e meio que o governo não tem aprovação positiva, né? O saldo é sempre negativo. Agora, recentemente, o endividamento que tava muito alto, esse conseguiu dar um respiro. Então ali as pessoas estão sentindo um sossegozinho.

E também tá acontecendo no caso da isenção do Imposto de Renda, que as pessoas estão ligeiramente dizendo que estão percebendo o benefício. Mas Vera, veja só, a isenção do Imposto de Renda aconteceu no ano passado. É, para começar a dar algum resultadozinho, porque não é enorme, né? Passou o Natal, o Ano Novo, as férias de janeiro, Carnaval, passou a Páscoa, passou o feriado de Tiradentes.

VMVera Magalhães

Agora é hora de declarar o IR, talvez isso explique.

FNFelipe Nunes

Não, claro, aí passou o IR e aí o efeito começou a aparecer, mas é muito lento. Então assim, o eleitor, mais do que ambivalente, ele tá realmente muito resistente com os efeitos econômicos, porque ele tá sentindo na pele o alto preço, o endividamento continua sendo um desafio, embora tenha melhorado, e a capacidade de mudar o padrão de vida do eleitor virou uma questão quase intransponível. Então, economia é realmente um desses territórios que a gente vai ter que reaprender a ler, na minha opinião.

VMVera Magalhães

Muito bom, e a gente sempre conta com você para ajudar a gente a ler. Obrigada por hoje, Felipe, e até a próxima.

FNFelipe Nunes

Eu que agradeço. Obrigado, Vera, obrigado, Débora, Carol. Deixo meu abraço aqui pro Bruno Carazza, que eu tenho certeza que vai dar um show.

VMVera Magalhães

Tá bom, valeu.

CCarol

Da próxima vez com pão de queijo. A gente faz um intervalo e na volta tem mais Viva Voz. A gente vai falar sobre pauta bomba no Congresso, sobre a PEC da maioridade que reduz a maioridade penal, e também sobre o desenho da chapa do PT.

VMVera Magalhães

Fica com a gente.

CCarol

Viva Voz de volta e o nosso assunto agora é a chapa do PT em São Paulo, a composição chapa em São Paulo. Ainda há uma indefinição sobre a vice, a vaga de vice de Fernando Haddad ao governo do estado, e também as vagas para o Senado. O Ender Starles tem apuração sobre isso. E o Ender, boa noite.

WSWender Starles

Boa noite, Débora, Vera, Carol, para quem nos acompanha também. Eu conversei hoje mais cedo com a ex-ministra do Planejamento, a Simone Tebet, do PSB, e ela descartou a possibilidade de ser vice de Fernando Haddad do PT na disputa pelo governo de São Paulo mesmo diante de um eventual pedido do presidente Lula. A preferência de Tebet segue sendo a candidatura ao Senado, movimento que amplia a indefinição na composição da chapa petista.

A posição de Tebet contraria parte das expectativas dentro do PT. Uma pesquisa encomendada pelo partido aponta a ex-ministra como um nome mais competitivo do que o do ex-ministro Márcio França, do PSB. Os números foram apresentados à própria Tebet, que reforçou ter deixado o cargo no governo federal justamente para atender um pedido do presidente Lula de disputar a cadeira por São Paulo. A gente lembra aqui que Tebet é natural do Mato Grosso do Sul, estado pelo qual foi eleita senadora.

Ela transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo e se filiou ao PSB. Em uma apuração conjunta com a repórter Bruna Barbosa Aliados indicam que Haddad segue defendendo nos bastidores a escolha de uma mulher para compor a chapa. Apesar disso, chamado Plano A da campanha, continua sendo Márcio França. O problema é que o ex-governador resiste à ideia. E segundo interlocutores, França avalia que teria melhores condições de contribuir na disputa pelo Senado e que o PSB corre risco de ficar sem espaço relevante na chapa em caso de derrota de Haddad.

Cenário considerado provável por integrantes da própria aliança diante de pesquisas que apontam vantagem de Tarcísio em um eventual segundo turno. A CBN, uma fonte ligada à pré-campanha de Haddad, admitiu que a negociação está difícil e ressaltou que o PT não pretende impor uma decisão a Márcio França, mas que vai tentar convencê-lo, né? A expectativa é de que uma nova reunião entre Lula e França aconteça até a próxima semana.

Integrantes da campanha admitem que o grupo corre contra o tempo para definir a composição da chapa e permitir que o vice participe das agendas de pré-campanha de Haddad. Enquanto isso, segue aberta a disputa pelas vagas ao Senado. Além de Tebet e França, a ministra Marina Silva da Rede também colocou seu nome à disposição. A Federação Pessoal Rede cobra espaço na composição e resiste à possibilidade de ver as duas vagas ocupadas pelo PSB.

Apesar das dificuldades nas negociações, uma das principais dirigentes do PT garantiu à CBN que a definição ficará entre os dois ex-ministros.

CCarol

Débora, obrigada, Wender, pelas informações. Vera, quem será capaz de desfazer esse nó? Porque o que, pelo que o Wender nos trouxe aí, pessoal tá achando que ir para vice, para vaga de vice, aí para o sacrifício, né?

VMVera Magalhães

É porque a tendência hoje, né, mostrada por todas as pesquisas, é uma reeleição do governador Tarcísio Tarcísio de Freitas. O ex-ministro Fernando Haddad até tem uma melhora nas pesquisas. Eles têm aquele projeto de fazer com que ele chegue forte ao segundo turno e consiga melhorar sua performance em relação a 2022, para que isso também embale a campanha do Lula em São Paulo. E a gente nem falou com o Felipe, mas tem um dado na pesquisa Quest também de uma melhora do Lula na região Sudeste.

Então tudo está acontecendo, mas daí haver uma expectativa de vitória do PT por hora não tá no radar dos analistas e nem do próprio partido. Então as pessoas avaliam serviço do Haddad como uma probabilidade de ficar sem mandato, algo que deverá acontecer com ele próprio, Haddad, que não tem mandato há bastante tempo, mas tem ali sempre aquele aceno do Lula de que ele vai ser um ministro importante num eventual quarto mandato do Lula.

E isso também seria extensivo a qualquer um desses que estão aí nesse triângulo, né, que todos eles são ex-ministros do Lula e todos eles seriam compensados. Por isso que é um sacrifício pessoal em nome de uma estratégia, porque São Paulo é muito importante, é crucial, e bem em São Paulo para uma eleição tão disputada assim. O Márcio França é o que está mais refratário a fazer essa composição, porque ele acha que ele já ficou com o ministério pior na atual legislatura, no atual mandato.

Ele não gosta de ficar sem mandato, então ele está mais propenso a ser candidato. Mas a gente sabe também que dificilmente vão ser eleitos dois senadores de esquerda num estado conservador como São Paulo. Então isso também tem que ser levado em conta. Acho que vai depender muito das negociações nessas próximas semanas para a gente saber como vai ficar essa escalação, né? Tem a escalação das seleções agora para Copa e também as escalações dos times para as campanhas vão começar a ficar mais claras agora nesse período do mês de junho e de julho.

CCarol

E aí quem é que bate o martelo? O Lula que vai ter que entrar nessa negociação, porque a relação do PT com PSB já está estressada por causa de Pernambuco, né? E agora essa situação em São Paulo, como é que fica?

VMVera Magalhães

Ele vai ter que entrar, ele e o Alckmin, eles vão ter que entrar, Carol, porque são os partidos de ambos que estão encabeçando uma aliança que afinal de contas não vai ter tanta sigla assim. É uma aliança nessa eleição, a do Lula, muito de esquerda. Ele tem as siglas de esquerda e olhe lá, Então não pode se dar ao luxo de partir numa jornada em que os dois principais partidos, os que estão na chapa presidencial, estão em atrito e sem concordar em colégios importantes para ambos.

Porque Pernambuco é uma chance real que o PSB tem de ter governo e a seção do presidente nacional, que hoje é o João Campos, mas já foi o pai dele, Eduardo Campos, já foi, o bisavô dele, Miguel Arraes. Então é a sede, por assim dizer, nacional do PSB, Pernambuco, e o coração do PT aqui em São Paulo. Então são dois estados fundamentais para isso.

CCarol

Muito bem, a gente faz uma pausa no Viva Voz, você fica com o Noticiário Local e na volta tem Bruno Carazza para comentar os assuntos de economia e economia política, claro.

VMVera Magalhães

Bom de mineiro do Viva Voz segue a todo vapor e já tá com a gente na linha o Bruno Carasa, nosso colunista aqui das quartas-feiras. Boa noite, Bruno.

BCBruno Carazza

Boa noite, Vera. Pois é, né? É o Viva Voz pão de queijo, como disse o Felipe, né? Somos maioria, né, que Débora também é mineira. Boa noite para você, boa noite Débora, boa noite Carol, boa noite para o ouvinte que tá com a gente na CBN.

CCarol

E como diz o mineiro, hey Bruno!

VMVera Magalhães

Eu fiquei pasma com essa informação, que eu não sabia que a Débora, aqui do meu lado todos os dias, é mineira. Para mim era paulista.

BCBruno Carazza

Origem mineira, nascida, né, Débora?

CCarol

Nascida, criada aqui, mas nascida em Minas.

VMVera Magalhães

Tá certo então. Bruno, a gente conversou mais cedo de falar sobre os impactos e os recados e as leituras econômicas aí da pesquisa Quest, que foi muito completa, foi muito detalhada. E eu te perguntei, te provocando, e você topou a gente transferir a pergunta aqui para o ar, se foi o Trump ou a máquina do governo que mexeu nesses números e de que forma?

BCBruno Carazza

Pois é, Vera, uma pesquisa muito rica essa que foi feita pela Quest, né, abrangendo muitos aspectos da agenda econômica. Então, uma excelente contribuição para a gente tomar a temperatura do eleitor nesse momento. Você destacou muito bem na conversa com o Felipe a questão do eleitor independente. O Felipe também destacou o eleitor jovem. E uma coisa que me chamou a atenção especialmente foi o eleitor de baixa e média renda, que é um eleitor que vive uma situação financeira é complicada, que convive diretamente com esse paradoxo que a gente tá observando no Brasil de desemprego baixo, inflação sob controle, e mesmo assim esse eleitor tá insatisfeito com a situação econômica do país.

Então houve uma melhoria significativa da avaliação do governo para o eleitor que ganha até 2 salários mínimos, saiu de 54 para 59, é um eleitor lulista, mas sobretudo no eleitor de renda média de 2 a 5 salários mínimos, desde abril foi subindo para 38, para 43 e agora para 46. Já tá quase no limiar aí do governo já ter uma maioria de aprovação nesse eleitor. Então é um resultado muito significativo que tem a ver com essas entregas que o governo fez desde o final do ano passado.

Vocês mencionaram a isenção do imposto de renda, teve o Desenrola, Teve a escala 6 por 1, que ainda não foi questionada nessa pesquisa, né, certamente virá na próxima. É a taxa da blusinha. Então é um conjunto de medidas que tem a ver com esse que o Felipe até falou da caixa de ferramentas do governo. E por outro lado, o eleitor independente que você destacou, aí sim eu atribuo muito essa questão das relações do Brasil com os Estados Unidos.

Tem um dado muito relevante nessa pesquisa. É quando a Quest pergunta quem melhor representa os interesses do Brasil, e o eleitor independente, ele fala, o eleitor em geral, ele fala 47, fala que Lula representa melhor os interesses do Brasil, e 37% falam que é o Flávio. Mas o eleitor independente aumenta a diferença. O eleitor independente fala que o Lula representa mais os interesses do Brasil, 41%, contra só 25% do Flávio. Então acho que foi uma, um combo desses dois fatores, né?

As medidas do governo entregues aí nesse período, e do outro lado todo esse contexto das relações Brasil-Estados Unidos que foram bastante aí dinamizadas nas últimas semanas.

CCarol

E além da isenção do Imposto de Renda, do Desenrola que você citou, teve também crédito para reforma de casa, para motorista de aplicativo, Tem mais coelho para o governo tirar dessa cartola, Bruno?

BCBruno Carazza

Pois é, Débora, é realmente na pesquisa ela mostra todos esses fatores aumentando positivamente para o lado do Lula, né? A intenção de voto subindo, o eleitor avaliando positivamente. Então todos esses aspectos contam muito. E o interessante é notar que até um ponto que eu destaquei na minha coluna do Valor de segunda-feira, mas não é um ponto original meu, quem cantou essa bola para mim foi o Pedro Fernando Nery, a gente bateu um papo esses dias e ele chamou atenção de como que o governo agora ele tem buscado fazer entregas que não envolvam a questão fiscal.

Situação fiscal do governo é muito difícil, então as grandes políticas que o governo vem tomando ou são medidas que o governo dá com uma mão e tira com a outra, é o caso da isenção do imposto de renda, né, ele isentou para quem ganha até 5.000 e taxou mais quem ganha acima para ter um efeito fiscal líquido, ou o governo tá concedendo medidas que são medidas creditícias, que tem até o impacto fiscal, mas é um impacto fiscal mais de longo prazo.

É o caso do Desenrola, por exemplo, é o caso dos motoristas de aplicativo, ou são medidas que o governo tá tomando que não vai ser ele que vai arcar, né? Ou é o consumidor que vai arcar, ou é o empresário que vai arcar. Então é o caso da É o banco, então é o fim da escala 6 por 1, é o Desenrola, é o caso da taxa das blusinhas. Então o governo tá tirando coelhos dessa cartola, é, não necessariamente que ele tem que gastar mais, ele tá fazendo entregas para o eleitor, sobretudo eleitor é que vive uma situação econômica na adimplência alta, é, e sem necessariamente ter que gastar mais.

Então são os novos tempos da política brasileira aí é concedendo benesses com chapéu alheio, né, o governo.

VMVera Magalhães

E sem vinculação, né, Bruno, também na Constituição e nem no orçamento, por exemplo, como é salário mínimo, a questão da educação, essas vinculações que estão pressionando o orçamento, né, lá na frente.

BCBruno Carazza

Exato. Isso aí é desafio para o próximo mandato, né. Para quem quer se reeleger agora, ele concede essas políticas dessa forma e ele vai tocando o barco desse jeito.

VMVera Magalhães

E aparentemente tem dado resultado com como os números da pesquisa indicam.

CCarol

Agora, Bruno, tarifácio, essas medidas que o Trump vem tomando já mostraram que tem potencial de afetar as eleições por aqui. Para além da geopolítica, economia internacional também pode influenciar o humor do eleitor brasileiro?

BCBruno Carazza

Sim, Carol, tem um item na pesquisa, né, que, que se o tarifácio do Trump ele aumenta ou diminui a vontade de se votar, no caso em Lula, né, no caso do voto em Lula, é o eleitor, é, 39% do eleitor fala que o tarifácio aumenta a vontade de votar em Lula, enquanto só 30% aumentam a vontade de votar no Flávio Bolsonaro. E especialmente o eleitor independente, né, aquele que não se declara nem lulista nem bolsonarista, é, 26% falam que o tarifácio aumenta a vontade de votar em Lula, enquanto 14% falam que aumenta a vontade de votar no Flávio Bolsonaro.

Então a eleição, a economia da nação é afetada sim pelo contexto internacional. E aí a gente precisa observar os próximos passos dessa disputa, né, do Trump em relação à economia brasileira. Um ponto que a gente já conversou na semana passada que pode ser chave aí é a questão do PIX. A gente mencionou, Vera mencionou, como que o PIX caiu no gosto do brasileiro. Então uma eventual medida do Trump pode afetar a predisposição de voto de um lado ou de outro.

E do ponto de vista econômico, quanto mais a guerra ela se alastra e os efeitos dela sobre o preço do petróleo começam a bater em outros segmentos da economia brasileira, então já bateu nas passagens aéreas, né, já bateu no preço do combustível na bomba, pode vir a bater no custo dos alimentos, né, que o transporte é muito dependente, né, do custo de frete. À medida que a guerra se alastra e os efeitos econômicos eles vão se disseminando na economia, aí sim pode afetar também a predisposição de votar.

Quando o eleitor vai ao supermercado, por exemplo, e vê que o seu orçamento não tá dando para arcar como arcava com todas as despesas do mês. Então tem muita água é para passar por debaixo dessa ponte até as eleições. O contexto internacional continua muito difícil, muito incerto com a questão é da guerra. E além disso, temos essas disputas aí mais ideológicas do governo Trump tentando interferir de forma indireta nas eleições brasileiras, com medidas como o tarifácio, por exemplo.

VMVera Magalhães

É isso. Bruno Carasa conosco todas as quartas-feiras. Obrigada por hoje, Bruno.

BCBruno Carazza

Valeu, pessoal, até a próxima semana.

CCarol

Gente, dá tempo para um último tema aqui importante, que é a questão da maioridade penal, né? Esse projeto que avançou aí na CCJ da Câmara. Ana Carolina Tomé tem as informações para nós. Oi, Ana, boa noite.

ALAna Leoni

Boa noite, Carol. A CCJ da Câmara aprovou hoje a admissibilidade da PEC que estabelece a redução da maioridade civil e penal para 16 anos de idade no país, uma das bandeiras da campanha de Flávio Bolsonaro. A Constituição Federal atualmente prevê que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, mas a ideia dos parlamentares é reduzir essa idade para 16 anos. A proposta recebeu apoio na CCJ de 44 deputados, enquanto outros 18 parlamentares foram contrários ao texto.

A PEC é de autoria do ex-deputado Gonzaga Patriota, de Pernambuco. O parecer apresentado pelo relator Coronel Assis, do PL, afirma que a redução a redução da maioridade encontra amplo apoio da população. O parlamentar argumenta ainda que o jovem de 16 anos já possui maturidade suficiente para responder integralmente por seus atos e exercer direitos da vida adulta. Parlamentares da direita e do centrão apoiaram o texto de olho nas eleições de outubro.

O deputado Mendonça Filho, do PL, disse que crimes graves cometidos por adolescentes precisam de punição. Já o governo e a base aliada tentaram obstruir a votação e se manifestaram de forma contrária à PEC. O deputado Calheiros, do PCdoB, defendeu que o debate seja feito a partir de mudanças na ECA, no ECA, o Estatuto da Criança e do Adolescente, e não por meio de uma PEC. Com a aprovação da admissibilidade pela CCJ, Carol, cabe agora ao presidente da Câmara, Hugo Mota, determinar a criação de uma comissão especial para analisar o mérito do texto e estabelecer como deve se dar a redução da maioridade penal.

Para ser aprovado depois no plenário, são necessários os votos de pelo menos 308 Câmara dos Deputados em dois turnos de votação. O texto depois deve seguir para o Senado. Volto com você.

CCarol

Obrigada, Ana.

VMVera Magalhães

Um assunto super delicado, né, Vera, que tá sendo abordado justamente em ano eleitoral, com esse todo esse pano de fundo, de forma como sempre assodada, pouco aprofundada, com pouco apreço a evidências, a ouvir especialistas de diversas vertentes e tentar chegar a uma conclusão que seja amparada por dados e não puramente parte ideológica, né? Enfim, tem muitos estudos a esse respeito, tem várias perspectivas, vários vieses, mas alguns dos estudos principais, um conduzido, por exemplo, pela GV, aponta uma coisa muito claramente: que nem pena, aumento de pena, e nem diminuição de idade para punibilidade penal melhoram a questão dos crimes violentos, não reduzem a quantidade desses crimes, não melhoram reincidência, não melhoram ressocialização.

Então é algo simplesmente para dar uma resposta ligeira para um clamor legítimo da sociedade por mais efetividade no combate à violência. Tá todo mundo assustado, todo mundo acuado. As grandes cidades brasileiras viraram que são territórios ocupados pelo crime organizado, que recruta pessoas cada vez mais jovens. Então a redução da idade penal, maioridade penal, vai ter claramente um condão de fazer com que se recrute pessoas ainda mais jovens para serem os chamados aviõezinhos ou vapor ou o que quer que seja desse esquema do tráfico e de outras cadeias criminosas, sem que isso resolva ou melhore a questão da violência efetivamente.

Então, uma pena que as discussões sempre tenham essa característica de jogar para galera, de jogar para torcida.

CCarol

Dá mais um ano de eleição. Vera, obrigada por hoje e até—

VMVera Magalhães

até— não sabemos se amanhã tem viva voz com a estreia da Copa, mas se tiver estaremos aqui. Hoje já estamos uniformizados. Preparada, as três de azul marinho aqui, já estamos no clima, né?

CCarol

Já joguei uma onça também, não tem uma estampa assim, uma coisa meio onça?

VMVera Magalhães

Não tem umas camisetas? É isso, é Brasil!

FNFelipe Nunes

Valeu, até!

VMVera Magalhães

Tchau!

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