‘A vida moderna roubou da gente o encontro sem propósito’
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- Convivência presencial e intimidadeBenefícios da conversa sem propósito · Nicholas Epley · Universidade de Chicago · Medo de abordar vs. risco real · Vida moderna e a falta de encontros sem propósito
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Refletir para viver, com Rosandro Klinger.
Você fala com estranhos? Nicholas Epley, professor de ciências do comportamento na Universidade de Chicago, fez uma série de experimentos simples e chegou a uma conclusão que parece boba e é profunda. A gente acha que puxar papo com estranho vai ser um desastre. Pensamos que o outro não quer conversa e, para não parecer invasivo, acreditamos que o silêncio é mais seguro. Mas a pesquisa mostrou o contrário. Quase sempre o papo é melhor do que a gente imaginava e os dois saem mais leves.
Faço isso há anos. Converso com o homem da banca, com a moça do caixa, com o sujeito sentado do meu lado no voo. E a maior parte dos brasileiros não precisa nem de convite. Pergunta de onde a pessoa é, elogia o sotaque, reclama do calor. E quando vê, já sabe o nome da sogra do outro. O brasileiro puxa assunto com post. Isso é um dom que a gente subestima. O que a pesquisa do Apple confirma é que o medo de abordar é sempre maior que o risco real.
A gente superestima o quanto o outro está fechado e subestima o quanto ele também quer um momento de contato humano de verdade. A vida moderna roubou da gente o encontro sem propósito. Hoje tudo tem que servir para alguma coisa. Reunião com pauta, conversa com agenda, relação com entrega. Conversa de estranho não serve para nada. É por isso que funciona. Não tem o que ganhar, só o gosto de existir junto com outro ser humano por 2 minutos.
Isso não cabe em aplicativo nenhum e faz mais bem do que muita coisa que a gente paga para ter.
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