‘Bolsonaro não aproveita o tempo de prisão para repensar os erros de lesa-pátria’
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Walter Fanganiello Mairovic
Cássia
Milton
Jair Bolsonaro
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Conversa de Primeira: Justiça e Cidadania, com Walter Fanganiello Mairovic. Muito bom dia, Walter Fanganiello Mairovic.
Bom dia, Milton, ouvintes, boa jornada, Cássia.
Muito obrigada, Mairovic. Bom dia, Milton.
O ainda, ainda Capitão Jair Bolsonaro postulou a liberação de visitas para ele assistir aos jogos do Brasil na Copa. Ele quer a companhia da esposa do Flávio Bolsonaro e das suas duas netas. Milton, Qual seria, qual seria, tecnicamente, atenção, o raciocínio que um juiz de execução deveria fazer nesse caso? Deveria verificar se o deferimento do pedido contribuirá para a ressocialização do Bolsonaro. No caso concreto ainda, se ajudaria na emenda do Bolsonaro ou se seria apenas um prêmio para ele se divertir.
Atenção de novo: pela nossa Constituição, a finalidade ética da pena é resocializar o condenado. A pena no nosso sistema não é só retribuição pelos crimes consumados. A pena tem a função ética de emenda, de resocialização, de reformulação interior. Até agora, Milton. E no gozo temporário de prisão humanitária, o Bolsonaro continua o mesmo, o mesmo golpista. E o filho Flávio Bolsonaro, que quer a esposa ao lado do sogro como assim uma peça de campanha, transformou-se o Flávio em marionete.
Marionete para se alcançar a presidência, buscar anistia ao pai, diz isso aos quatro ventos, e também restabelecer o chamado bolsonarismo raiz, que nós sabemos no que dá. Bolsonaro ainda não se emendou, não aproveita o tempo da prisão para— como é recomendado pela velha doutrina cristã da metanoia— para repensar os erros quando ele lesou a pátria e se propor a não voltar a incorrer neles de novo. Em outras palavras, Milton, realizar toda uma reformulação interior com espírito de mudança.
O postulante Bolsonaro quer assistir— com torcida em casa— o time que irá representar o Estado Nacional brasileiro. Ora, ora, representar o Estado-nação que ele, Bolsonaro, não respeitou, violou a Constituição e quis dar um golpe de Estado. Para piorar, ainda coloca dois filhos, o Eduardo e o Flávio, para tentar entregar a soberania do Brasil ao Donald Trump.
E além disso, Maierowski, nós tivemos nos últimos dias a suspensão da divulgação dos resultados de uma pesquisa eleitoral.
É, Cássia, mas vamos deixar claro, você teve aí o cuidado, na realidade teve a censura mesmo, né, apesar da proibição constitucional. Ao aceitar a sugestão de Flávio Bolsonaro O pai Jair, e aqui eu vou dar um passo na história, Cássia, quando ele era presidente, o Jair Bolsonaro indicou o Cássio Nunes Marques para ministro do Supremo. Bolsonaro disse que precisava de um ministro para, atenção, tomar tubaína, tubaína na sua companhia, e ser orientado nos votos no Supremo.
Como ministro, Cássio virou ministro da boquinha, dos passeios na Europa financiados para assistir tênis em Roland Garros e corridas de Fórmula 1 em Monte Carlo. Atenção: pelos ministros do Supremo, por votação unânime— isso é importante, Cássio, votação unânime— os ministros do Supremo elegeram Cássio para integrar o Tribunal Superior Eleitoral, onde depois ele virou presidente comandará as eleições. Impedido do interesse do Flávio Bolsonaro, ele concedeu, ele, Cássio, liminar, agora sem risco de dano irreparável, sem urgência e sem apoio no bom direito.
Ele deu a liminar para, como você lembrou, Cássio, suspender a divulgação de pesquisa eleitoral. Censurou informação aos brasileiros. Pior, outra pesquisa, Cássia, confirmou a queda de popularidade, o mesmo, a mesma coisa, depois do escandaloso pedido de dinheiro feito por Flávio ao notório criminoso Daniel Vorkar. A pesquisa suspensa aponta 6% de queda. A não suspensa, de outra empresa, e ambas são respeitadas, apontava para queda maior de 10%.
Cássio chamou para si uma competência que não tinha, presumiu uma indução à pesquisa. Mas aquilo que ele deveria enxergar, ele, Cássio, enxergar, e ele faz cara de paisagem, foi a sua solar suspeição. Cássio é suspeito, não é imparcial. O julgamento no momento está suspenso por um pedido de vista. Mas tudo isso resume-se em censura. E num pano rápido, Cássia e Milton, vamos tomar uma tubaína no bar?
Obrigado pelo convite. E assistimos assim a nossa Copa do Mundo em boa companhia. Aliás, qual é seu palpite para essa Copa, Walter?
O Palmeiras vai ganhar.
Gostei.
O Brasil vai ganhar, vai ganhar. Em segundo vai ficar Argentina, em terceirinho Portugal. Sou um torcedor, viu?
Tá certo, um abraço grande, valeu!
E a tubaína já tá na geladeira.
Obrigado!
Até mais!
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