Brasil aposta em argumentos econômicos para tentar evitar novo tarifaço dos EUA
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Miriam Leitão
Maurício Lírio
- Tarifas EUA contra BrasilArgumentos econômicos do Brasil · Déficit comercial com os EUA · Imposição de tarifas · Investigação Seção 301 · Politização do assunto · PIX
- Conferência de minerais críticosAcordos e cooperação Brasil-EUA · Processamento no Brasil
- Lula na reunião do G7 e relação com TrumpExpectativa de encontro · Destravar conversa comercial
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Hoje a Miriam Leitão gravou comentário dela e traz argumentos que o Brasil deve usar para tentar impedir a aplicação de um novo tarifácio.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN. Milton e Cássia, ontem eu entrevistei o embaixador Maurício Lírio do Itamaraty, que ele é o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, mas ele também é um grande negociador brasileiro na área do comércio, na área da economia, e ele foi o que negociou toda aquela, toda a discussão das tarifas do ano passado com os Estados Unidos. Entre outras coisas.
E também a investigação na Seção 301. Eu entrevistei ele sobre exatamente esse contencioso com os Estados Unidos, o que que ele podia dizer sobre isso, né? Ele disse que o Brasil vai continuar negociando, vai continuar apresentando as suas propostas como apresentou, vai continuar argumentando o que vem argumentando. Um primeiro argumento do Brasil é que é injusto, ele usa essa palavra, quer dizer, é injusto e é um erro estratégico penalizar o Brasil com tarifas altas, porque o Brasil tem déficit com os Estados Unidos, né?
E eles fizeram todo aquele movimento falando que era para combater quem tinha desequilíbrio no comércio com os Estados Unidos, quer dizer, que os Estados Unidos tinha déficit muito grande com esses países. Eles, ele falou que quando ele penaliza um país que tem déficit com os Estados Unidos, ele está dizendo o seguinte: olha, não adianta você ter um, reequilibrar o comércio, porque aqui os Estados Unidos estão punindo tanto quem tem déficit quanto quem tem superávit, né, com os Estados Unidos.
Então ele disse que no caso, no primeiro momento, os Estados Unidos até aceitaram o argumento de que o Brasil era um país deficitário com os Estados Unidos, daquela primeira onda de tarifas, que o Brasil ficou com a tarifa de apenas 10%. Mas depois veio, segundo palavras dele, a politização do assunto. E aí, com a politização, veio a supertarifa de 40%. O que ele acha que está acontecendo agora é a transformação através de outro caminho, um caminho do ponto de vista legal mais sólido que a 301, a tentativa de fazer um outro tarifácio contra o Brasil, contra vários países, mas contra o Brasil em particular.
Contra o Brasil tem a orientação de fazer 25% e depois ainda teve o 12,5%, esse assunto que a gente conversou bastante na semana passada. Eu perguntei sobre o possível encontro do presidente Lula com o presidente Trump à beira do G7. Ele falou que não tem nenhuma informação sobre isso, não tem. Na verdade, não se sabe nada se vai haver. É que na semana que vem vai ter a reunião do G7, o Brasil vai, e cria-se a expectativa de um encontro dos dois para tentar destravar essa conversa que ficou muito mal parada na semana passada.
Mas nem se sabe se vai ter. Possibilidade de encontro, se vai ter agenda, incluindo agenda. Ele falou que eu perguntei se ele acha que os Estados Unidos podem recuar no ataque ao PIX, e ele falou assim: essa é a nossa expectativa. Mas ele falou que é lógico que tem interesses envolvidos, a concorrência dos cartões. Na verdade, é uma corrida contra o tempo agora, né, Milton e Cássia, porque daqui a um mês, um pouco mais de um mês, né, tem um mês, eles vão tomar a decisão contra o Brasil.
Então o Brasil, mesmo assim, o Brasil continua levando argumentos, indo para lá, abrindo negociação, pedindo conversas com os Estados Unidos. Mas é aquilo que ele falou na resposta, né, o assunto foi politizado, e a gente sabe o que que isso significa, né. Ele falou também da grande possibilidade que se abre para o Brasil agora de acordos e cooperação na área dos minerais críticos, que o Brasil é um grande produtor. Então, ele falou que o Brasil pode ter negociação com os Estados Unidos sobre esse assunto, que eles estão interessados.
Nós também temos interesse, mas a gente quer mais processamento no Brasil para não repetir o Brasil como destino de sempre de ser fornecedor de produtos primários. Então é isso, Milton e Cássia. Até amanhã, Milton. Até mais tarde, Cássia. Mas eu quis conversar com vocês hoje sobre essa entrevista com o embaixador Maurício Lírio.
Essa foi Miriam Leitão. Entrevista completa você acompanha também lá no site da Globo News.
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