Episódios de Comentaristas

'Pautas-bomba são tentativa absurda de manipular contas públicas e eleitorado'

11 de junho de 20267min
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O Senado avançou ontem (10) com três pautas-bombas ao mesmo tempo, que criam mais despesas públicas. Míriam Leitão analisa o quadro, e avalia que as medidas têm como objetivo 'incomodar o governo em ano eleitoral, criando constrangimentos para ele ter que vetar as medidas e assim ficar mal com determinado eleitorado'.

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Participantes neste episódio4
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Carol

HostApresentadora
A

Ana Leoni

ConvidadoJornalista
M

Miriam Leitão

ComentaristaJornalista
Assuntos7
  • Pautas-bomba no SenadoCriação de despesas públicas · Objetivos eleitorais · Constrangimento ao governo · Renegociação de dívidas rurais · Fundo social do pré-sal · Elevação do piso para médicos e dentistas · Aposentadoria especial para agentes de saúde
  • Manipulação Política e Marketing EleitoralContas públicas · Eleitorado · Briga política
  • Gastos PublicosGoverno Lula gastador · Aumento da dívida
  • Setor AgropecuárioSetor agro · Subsídios · Tereza Cristina
  • Regulação de saúde e profissõesJornada de 20 horas semanais · Adicional por trabalho noturno e horas extras · Descanso a cada 90 minutos
  • Precedentes políticos e o SenadoArthur Arcoverde · Relação com o governo Lula
  • Aposentadoria especial para agentes de saúdeIdade menor para mulheres · Idade menor para homens · Pandemia de COVID-19
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MLMiriam Leitão

Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão.

?Voz C

Ouvinte terá percebido que nós hoje estamos fazendo uma troca entre o comentário de Miriam e o comentário de Merval. Agora, antes das 12:30, vai a Miriam e o Merval no lugar normal da Miriam. E o assunto da Miriam agora, Miriam, é a pauta bomba. Enquanto está lá discutindo, enfim, várias pautas no Congresso, o Senado está enfileirando lá uma série das chamadas pautas bombas, isto é, aqueles projetos de lei, regulamentos, etc., que implicam em despesas pesadas para o Tesouro. Miriam.

MLMiriam Leitão

Boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Obrigada, Merval, para o horário comigo. É isso, exatamente. O Senado avançou ontem com 3 pautas bombas ao mesmo tempo. E essa pauta, quer dizer, evidentemente que isso tem objetivos eleitorais. Eles querem agradar determinados grupos eleitorais, né, e fazer as bondades, pacote de bondade, e mandando a conta para o recolhedor de impostos, né, o pagador de impostos, ou seja, todo mundo.

Mas o que eles querem com isso é, sobretudo, Sardenberg, é incomodar o governo em ano eleitoral, criar constrangimentos para o governo, para ele ter que vetar as medidas e assim ficar mal com determinado eleitorado. Então é uma tentativa tão absurda de manipulação de tudo, das contas públicas, do eleitorado e dessa briga política. Curioso é que a oposição tá com discurso preparado para dizer que o governo Lula é gastador, que ele gasta muito e que aumentou a dívida.

De fato, aumentou a dívida, como vocês sabem, eu já falei aqui analisando o déficit. O déficit caiu, mas agora esse ano o governo tem feito muitas bondades eleitorais também que vão ter um custo. Algumas são mais justificadas, outras menos justificadas, mas tem um custo. Mas aí o que o Senado fez foi escalar nesse comportamento eleitoral e fazer um perdão de dívida com uma renegociação de dívidas rurais, dizendo que foram atingidas pelos tarifácios ou foram pela guerra, pelos eventos externos.

O problema é que o governo já tem apoio, já deu, tem políticas de apoio a quem foi atingido por questões externas. O setor do agro, né, que vai ser uma conta enorme, os números que aparecem são absurdos dessa renegociação de toda dívida, não foi integralmente atingido. Por exemplo, setor de exportação, a produção de soja não é para o mercado americano, é para terceiros mercados. Eles são competidores, Brasil e Estados Unidos são competidores na produção de soja, exportação para outros países.

Então não foi atingido, né, não, não de forma forte. Mas enfim, eles vão fazer uma renegociação com uma dívida bem baixa, com dinheiro do financiamento via BNDES, e usando para isso, segundo a proposta do Senado, é o fundo social que vem da, que vem das receitas do pré-sal. Então o fundo social, ele tem destinação específica, ele não é, o fundo social não é para fazer mais uma bondade, mais um subsídio ao setor agro. O setor agro já tem muito subsídio.

E o PL foi o grande defensor dessa proposta, o PP outro grande defensor dessa proposta, porque o setor do agro é muito mais ligado à direita. Até a Tereza Cristina, que foi ministra do governo Bolsonaro, disse que isso era importante porque que esse setor carrega o Brasil nas costas. Não acho que seja isso. Acho que é um setor importante, acho que o setor tem vários méritos e também defeitos. Mas o fato aqui não é nem mérito nem defeito, é justo com o país, com os contribuintes, com a— contudo, produzir uma conta deste tamanho, né?

Tem uma outra que é elevação do piso para médicos e dentistas. De R$3.600 para R$13.600 para jornada de 20 horas semanais. E além disso, aumenta de 20% para 50% o adicional por trabalho noturno e das horas extras. Então, é, e dá, além disso, tem, dá 10 minutos de descanso a cada 90 minutos de trabalho. Curioso é que a oposição, de novo também contradição com o que tem dito, além de criar despesas, ela também regula o trabalho.

Quando a proposta, quando discute a redução da jornada, é que não, vamos deixar tudo flexível, todo mundo decidindo o que quer. Essa é a proposta da oposição, da oposição de direita. Mas aqui eles querem regular até a hora, o tamanho do descanso e a regularidade do descanso. Depois, os agentes comunitários de saúde, num caminho que eles são super importantes, foram super importantes para o Brasil na época da pandemia, mas E eles estabelecem o quê?

Uma aposentadoria especial com idade menor de 57 anos para as mulheres, 60 anos para homem. Então, ou seja, está fazendo o caminho inverso do que se fez no governo Bolsonaro para tentar estender um pouco a idade de aposentadoria. Essa é a tendência no mundo, essa tem que ser a tendência no Brasil, em que as pessoas estão vivendo mais. Então tudo isso é uma quantidade de bilhão, os números são gigantes, né? O impacto, por exemplo, no caso da dívida rural é de 140 bilhões, né?

Então é muito dinheiro, tudo isso é muito dinheiro. E é principalmente assim, qual é o objetivo? O objetivo é constranger o governo, objetivo é fazer demagogia eleitoral. É isso que eles estão fazendo, em resumo. E aí o Senado explica, né, não explica oficialmente, mas o que se diz é: ah, porque o Alcolumbre está brigado com Lula, ele não pode conduzir o Senado cobrando uma conta que ele tem porque não gosta do governo, por algum motivo, chateado com algum motivo.

Isso é uma outra maneira, uma outra coisa muito criticável em todo esse processo. Cássia e Sardenberg.

?Voz C

Muito obrigado, Miriam, e até amanhã.

MLMiriam Leitão

Até amanhã.

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