Demagogia eleitoral alimenta onda de pautas-bomba
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Beatriz Pacheco
Carlos Eduardo Éboli
Miriam Leitão
- Estratégia eleitoral de antagonismoDemagogia eleitoral · Pautas-bomba · Congresso Nacional · Governo Federal · Renegociação de dívida rural · Regime de aposentadoria de agentes comunitários · Aumento do piso salarial de médicos e dentistas · Imunidade tributária de templos religiosos
- Prêmio Faz Diferença do GloboDébora Garofalo · Mariângela Hungria · IbraPa · Embrapa · Fertilizantes biológicos · Lincoln Gacchia · PCC
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Dia a dia da economia com Miriam Leitão. Muito bom dia para você, Miriam Leitão.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN. Bom dia, Miriam.
Antes de entrarmos no assunto, quero dizer que não passou despercebida aquela sua gravata ontem na entrega do prêmio Faz Diferença do Globo.
Parabéns! Gravata rosa, presente do meu marido.
Tava linda e elegante, muito elegante. Miriam, Miriam, obrigada.
E lá teve tanta história bonita para contar, tem tantos, não dá nem para para citar uma, mas esse prêmio é assim, ele eleva, né, joga foco, gente tá fazendo tudo certo. Então tem a história da Débora Garofalo, professora de São Paulo, que fez aulas de informática com peças que encontrou na sucata, né. E também tem a história da Mariângela Hungria, que ganhou na economia, uma pesquisadora do IbraPa, da Embrapa, que fez uma diferença enorme para encontrar o caminho que a soja use fertilizantes biológicos em vez de químicos.
Enfim, é muita história bonita, mas vamos lá para o nosso dia a dia da economia, que tá sempre difícil, né? Sempre difícil.
Pois é, nós estamos falando aí e acompanhando no campo da economia o que o Congresso está discutindo, o preocupando o governo nesse momento com aquilo que se chama de pauta bomba?
Pois é, aí eu acho que nessas pautas bombas tem duas, dois elementos muito perigosos na política. Primeiro, a demagogia eleitoral, é o Congresso fazendo demagogia eleitoral, atendendo todos os pleitos que aparecem lá sem dizer de onde vem o dinheiro. Até o ministro Gilmar Mendes chamou atenção que constitucionalmente eles não podem fazer isso, tem que dizer de onde vem o dinheiro, e além disso tem que ser uma fonte crível, não pode ser qualquer, ah, vamos botar, tirar dinheiro desse fundo, que é o que eles estão fazendo.
O segundo ponto é como constranger o governo, também por razões eleitorais. O Congresso quer constranger o governo, esse grupo da oposição, e é uma contradição, porque eles falam em, acusam o governo de bondades eleitorais, que é verdade, e ao mesmo tempo criam suas próprias bondades eleitorais. Então a gente entrou numa bola de neve perigosíssima. Então, nos últimos dias, então, foi particularmente perigoso, porque eles aprovaram coisas como essa renegociação da dívida rural, que pode custar, segundo as contas do governo, R$140 bilhões em 10 anos.
O governo ontem soltou uma nota, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Planejamento juntos, a gente deu a notícia aqui de que juntos tem o— custa R$111 bilhões por ano. As pautas bombas dos últimos dias. Então tem desde essa renegociação das dívidas rurais. Eu queria lembrar que o crédito rural já tem juros muito subsidiados, então não tem nenhum motivo para fazer isso. Eles estão alegando que tem problemas com o tarifácio.
O tarifácio pegou algumas culturas, mas não pegou todas. E o governo fez aquela política de de ajudar quem pontualmente teve dificuldade com o tarifaço do Trump. E aí alegaram outras questões internacionais para propor esse perdão. E não é exatamente perdão, mas reduz a dívida muito, perdoa todos, tudo que tiver de atraso de juros e multas, e renegocia por 13 anos com juros muito baixos. Não tem nenhum motivo para fazer isso. E depois eles tinham feito outras coisas.
Isso aí que foi aprovado, essa da dívida rural foi aprovada no plenário do Senado, mas tem coisas avançando na pauta, avançando nas comissões, muitas propostas, né? Citando só algumas, é aquela diminuição, uma novo regime de aposentadoria dos agentes comunitários. Que reduz a idade mínima. A gente tá num trabalho para ampliar a idade mínima, para prorrogar a idade mínima, porque o Brasil tá vivendo mais e tal. E todos os setores têm, tem o setor de, na área de saúde, é claro que merece todo o nosso aplauso por causa de tudo que fizeram os agentes comunitários de saúde, mas isso não significa você ter que tomar uma decisão irracional.
Uma outra questão é o aumento do piso salarial de médicos e dentistas, que sai de R$3.600 para R$13.600, um aumento de mais de 270%. Hoje o Globo tá fazendo editorial sobre isso. É um espanto, não tem nenhuma explicação. E foi aprovado inclusive dizendo o seguinte: tem um aumento de horas extras, as horas, os adicionais noturnos, tudo isso, e disse que esse aumento dos adicionais não serão pagos pelos estados e municípios, mas sim pelo Fundo Nacional de Saúde.
O da dívida rural, eles disseram que vai ser pago pelo Fundo Social, que é o fundo do pré-sal, que tem destinação já definida. E tem várias outras coisas, eu queria chamar atenção também, Cássia, nossa, meu tempo acabou, para a ampliação do conceito de Imunidade tributária dos templos religiosos. Então, a cada hora aparece uma coisa. E desculpa eu ter estourado meu tempo, mas também eles estão demais com essas pautas bombas. É muita coisa, né, Miriam?
Tá certo. E a despeito do tempo, eu não posso deixar de terminar essa nossa conversa aqui citando o seguinte: você falou tanto da Mariângela Hungria como da Débora Garofalo, as duas já deram entrevistas no Jornal da CBN e as duas já disseram aqui no programa que são ouvintes do Jornal da CBN todas as manhãs. Então acompanham sim a Miriam Leitão. Não sei se estão vindo hoje, que ontem estavam na festa até tarde. Só a Miriam mesmo para acordar cedinho e cumprir aqui com o seu papel hoje.
Elas provavelmente estão comemorando, mas enfim, estão sempre na nossa audiência.
Deixa eu falar só de mais um, porque Pedro Dias Leite, nosso diretor, até comentou quando eu tava conversando com o Lincoln Gacchia, outro que ganhou o prêmio, aí ele chegou e falou: olha, você já deu entrevista para o nosso podcast e tal? Enfim, é isso. Lincoln Gacchia, promotor que tá dedicando a sua vida a lutar contra o PCC. Gente muito maravilhosa que merece os prêmios de ontem.
Então tá, gente, abraço grande para você. Descanse, descanse agora. Até mais. Eu sei que é difícil porque tem uma sexta-feira longa pela frente ainda. Tchau, tchau, tchau.
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