Episódios de Comentaristas

Nova negativa da PF deixa delação de Vorcaro perto do fim

12 de junho de 20268min
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Lauro Jardim afirmou que a Polícia Federal já dava sinais de que não aceitaria a proposta e avaliou que uma terceira tentativa de acordo parece improvável.

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Participantes neste episódio3
M

Milton

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
L

Lauro Jardim

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • Delação de Daniel VorcaroDaniel Vorcaro · Polícia Federal · Procuradoria-Geral da República · Banco Master · Supremo Tribunal Federal · Gilmar Mendes · André Mendonça · Henrique Vorcaro
  • Prisão de Daniel Vorcaro e dinâmica do STFDaniel Vorcaro · Polícia Federal · Brasília · Jair Bolsonaro
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?Voz B

Bom dia para você, Lauro Jardim.

?Voz C

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

?Voz D

Bom dia, Lauro.

?Voz B

A Polícia Federal rejeitou mais uma delação premiada do Vôrcaro. As informações que chegaram até os agentes da Polícia Federal, os investigadores, não atendiam ali a expectativa. Entenderam que estava faltando informação mais aprofundada. O que acontece a partir de agora? O que se espera disso?

?Voz C

Pois é, Milton. Aliás, estava tudo caminhando para esse desfecho. A Polícia Federal já vinha dando sinais de que essa segunda proposta de delação permeada do Volcaro ia naufragar. Desde a semana passada, a Polícia Federal já vinha mostrando para defesa do Volcaro que não ia aprovar os termos da proposta do jeito que ela foi enviada, e já vinha também mostrando que não queria mais conversa com a defesa dele. Por exemplo, desde a quarta-feira da semana passada A Polícia Federal simplesmente tava ignorando os pedidos de reuniões feitos pela defesa do Vorkar.

Nenhuma reunião foi feita desde a semana passada, quando a delação, quando a proposta de delação foi entregue. Então bastava essa informação para entender o ânimo da Polícia Federal com a proposta que ela tinha nas mãos. Então essa semana que tá terminando hoje, que deveria servir para os ajustes na proposta, foi uma semana vazia porque nenhum acréscimo foi feito no texto. Bom, agora, antes da gente poder dizer que melou de vez a delação mais aguardada do ano, a gente ainda tem que esperar a palavra da Procuradoria-Geral da República, porque essa delação, essa proposta de delação é feita para Polícia Federal e para PGR.

Então, sobre isso, sobre o que que vai dizer a PGR, Milton e Cássia, tem duas coisas. Primeiro, a resposta da PGR deve sair logo, talvez hoje, ou no máximo até o início da semana que vem. Em segundo lugar, dá para dizer que a tendência é que a PGR acompanhe a decisão da Polícia Federal. E aí, Milton Arcácio, parece ser o fim da linha dessa história de delação do Volcaro, que oficialmente já tem quase 3 meses. Em tese, claro que é possível uma terceira tentativa.

Agora, a essa altura, fica difícil acreditar que possa ser algo bem-sucedido, algo que vá para frente, porque Em resumo, o que se viu nas duas propostas de delação é que o Volcaro, como você antecipou, não quis entregar muita coisa, quis esconder mais do que entregar. E aí fica difícil fechar um acordo. Ou quando ele entregou, Milton, entregou fatos que a polícia já tinha, que já tinha conseguido, até com mais detalhes, por meio do conteúdo dos celulares que foram apreendidos.

Celulares dele, Vorkar, e dos outros que foram alvos das operações da Polícia Federal desde o ano passado. E tem mais, não foi apenas Milton Encasa, por falta de revelações de crimes dele e dos outros, que essa delação recebeu esse sinal vermelho da Polícia Federal. Tem também outra parte importante do acordo, que é a restituição aos cofres públicos do que o Vôrcaro roubou, fraudou enquanto ele presidiu o Banco Master. E a gente tá falando aí de uma grana que é de perto de 60 bilhões de reais. 60 bilhões de reais.

Uma parte dessa grana, pela proposta dele, viria de ativo dessa grana da restituição. Viria de ativos do Master, como precatórios, por exemplo, que ele queria que o Banco Central devolvesse para ele próprio, Orcaro, negociar com o mercado. E isso é algo que nem a Polícia Federal e nem a PGR topam de modo algum. Então, que parece restar agora, ou melhor, o que parece restar ao Orcaro depois que a PGR der esse provável sinal vermelho para proposta dele de delação, é rezar para que o Supremo, ou mais exatamente a segunda turma do Supremo Tribunal Federal, julgue em breve se o pai dele, o Henrique Bôr-Caro, que tá preso, vai ter direito aí para o regime de prisão domiciliar.

Isso pode levar mais adiante também ao Bôr-Caro conseguir uma domiciliar. Não é simples que isso aconteça. Mas o ministro Gilmar Mendes, que é da segunda turma, já disse alguns interlocutores em conversas reservadas que essa possibilidade existe. E esse é outro nó do caso que deve também ser desatado em no máximo duas semanas, provavelmente na semana que vem. E para terminar, Milton Kassas, se a delação morrer mesmo, nada disso significa o fim do caso Master.

Isso é sempre bom ficar claro. E o caso Master vai continuar quente no noticiário, vai continuar quente porque as investigações da Polícia Federal seguem a todo vapor. Então, novas operações, novas prisões e novas emoções é o que a gente pode esperar por ali, por aí. Em paralelo com todo o processo eleitoral que vai começar a pegar fogo, no máximo até o mês que vem, a partir do mês que vem.

?Voz D

Agora, antes disso, o que pode acontecer com essa nova negativa da Polícia Federal é a volta do Daniel Forcaro para um presídio comum, né?

?Voz C

Sim, é tudo que ele, bom, ele, qualquer pessoa detestaria, porque ele hoje tá numa cela na Superintendência da Polícia Federal Presidiário de Brasília, que já foi a mesma cela, o mesmo local em que esteve preso o ex-presidente Bolsonaro. Ou seja, uma cela apropriada para um ex-presidente, então ele tem ali o mínimo de conforto possível para quem tá preso. E ele vai voltar para uma cela comum de um presidiário comum. E é tudo que a defesa dele fez, que não queria que acontecesse nesse momento.

E, Cássia, deve acontecer em muito breve. A Polícia Federal já fez esse pedido para o ministro André Mendonça, que é relator do caso Márcio no Supremo, para que ele deixe a cela, a cela em que ele está na Superintendência da Polícia Federal. E mais provavelmente o ministro André Mendonça só vai tomar essa decisão de mandá-lo de volta para um presídio comum quando a PGR der veredito dela sobre a proposta de delação.

?Voz B

Muito obrigado, Lauro, pelas suas informações. Uma ótima sexta-feira, até mais.

?Voz C

Um bom fim de semana para você, Milton, para você também, Cássia, para os ouvintes, e até segunda.

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