Pesquisadores anunciam sucesso em edição de genes de embriões humanos, mas existem ressalvas sobre o trabalho
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Luis Fernando Correia
Milton
Cássia
- Seleção genética e edição de embriõesEdição de bases vs CRISPR · Universidade Columbia · Edição genética para tratamento de doenças · Riscos da edição em embriões · Herança genética das alterações · Questões éticas na ciência · Bebês sob encomenda
- Crença e CiênciaNecessidade de cautela na interpretação · Revisão por pares · Legislação e conselhos de avaliação de pesquisa
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Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, Dr. Luiz Fernando Correia.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor.
Sempre atento às descobertas, às novidades da ciência. E claro, falei agora há pouco com os ouvintes sobre a necessidade de um desenvolvimento de pensamento crítico diante das notícias. A ciência exige muito isso também. Exemplo é esse que nós estamos, vamos tratar aqui no quadro para doutor Luiz Fernando Correia.
Pois é, Milton, é pesquisador da Universidade Columbia anunciaram que conseguiram editar os genes de embriões humanos com uma técnica chamada edição de bases. Bases, a gente vai lembrar aquela coisa lá da biologia, aquelas letrinhas que compõem o código genético, né? Então a gente já fala bastante aqui sobre edição genética como tratamento de doenças, que já é um sucesso em algumas áreas, na hemofilia. Agora há pouco houve um sucesso importante no estudo sobre surdez genética, enfim, cegueira.
Então nós estamos trabalhando, a ciência trabalha muito bem com essa edição genética, com o método que a gente já falou aqui também, que é o CRISPR. É uma tesoura, ele corta um pedaço do DNA que tá com defeito e leva um pedaço bom para lá e coloca no lugar. Como a gente faz muitas vezes com trabalhos de escola de crianças, né? Muitas vezes você tira um pedacinho, acerta ali. Agora, fazer isso em embriões e mexendo no material genético, isso é inédito, né?
E o que se tentou foi o seguinte: fazer o CRISPR no embrião não funciona, não funcionou bem, porque você tá mexendo num material genético que vai ser replicado inúmeras e inúmeras vezes. Então, depois você tenta fazer isso, o que encontrou foi uma grande confusão. Agora, mexer com as bases genéticas, é trocar adenina por guanina, é como você pegar um lápis, uma borracha muito pontual e trocar uma letra numa palavra sem estragar o papel e sem ficar manchada a página, né?
Então é o seguinte, a ideia era fazer, poder alterar essas letras, vamos dizer assim, essas bases ligadas a problemas graves como produção de hemoglobina, níveis do colesterol, genes ligados à doença cardíaca. Até aí parecia uma boa ideia, né? Parece uma boa ideia, mas existem algumas ressalvas que os cientistas vêm fazendo, que é importante. A primeira é que foi um trabalho não publicado ainda e não avaliado pelos colegas, uma revisão de pares que a gente sempre fala aqui.
A segunda é uma questão técnica, é a correção que eles fizeram só funcionou em algumas das células do embrião. Então o embrião acaba virando uma mistura, um mosaico. Ele tem células corrigidas e células não corrigidas. Então a gente não sabe se isso aí tem um risco por trás, ou seja, na hora que esse embrião se desenvolver, qual vai ser o impacto de ter células corretas e células não corretas com relação a esse gene. Segundo, essa é mais complicada.
Quando você edita uma célula reprodutiva, a mudança não vai parar naquela pessoa. Essa mudança vai ficar dali para frente, ou seja, ele vai ser passado para os filhos, para os netos, para toda descendência dessas pessoas. E aí, e se for um erro, não for um acerto, né? Então é aquela discussão que a gente faz aqui. É lógico, a ciência avança muito mais rápido do que as sociedades discutirem as consequências éticas e os limites éticos das pesquisas, né?
Mas existe uma discussão importante. Os médicos, os cientistas querem prevenir doenças devastadoras, como doenças neurológicas que destroem, como Huntington, a distrofia de Duchenne. Por outro lado, outros pensam: bom, mas será que você tá mexendo no genoma de alguém que não pode nem consentir nesse movimento de mexida, né? Então, e sempre existe, Milton, uma ameaça muito grande que é A ameaça de que alguém vai tentar vender isso como se fosse um catálogo de bebê sob encomenda, né?
Eu quero um bebê de olhos azuis, eu quero um bebê que tem 1,90m, quer dizer, porque eu vou mexer nos genes. Então, gente, é a gente entender que a ciência avança, a ciência avança rápido, ainda bem que avança. Agora, a gente precisa discutir eticamente com a sociedade os limites, como é que funciona. Para isso existem legislações, existem conselhos de avaliação de pesquisa, que sempre tem que ser consultados antes de que se faça alguma pesquisa.
Não adianta achar que descobriu a cura para alguma coisa e sair testando, que não é assim que funciona, né, Milton? Mas fica o alerta: a ciência é capaz de fazer muita coisa, mas como é que a gente ao mesmo tempo toma conta para que não se passem dos limites?
Muito obrigado por todas essas informações e sempre com o olhar críticos sobre as questões, porque nós precisamos ter esse olhar, parcimônia, cuidado, exatamente para não cairmos em ilusões. Muito obrigado, Doutor Luiz Fernando. Bom dia.
Bom dia para você, Milton, Cássia e todos os ouvintes. Bom dia, doutor.
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