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Pesquisa Quaest mostra 'eleitor mais difícil de entender e de agradar'

12 de junho de 20265min
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A pesquisa Quaest dessa semana trouxe relatório muito detalhado abordando diversas questões políticas e econômicas, e ajudou a dar uma pista sobre o que Vera Magalhães chama de "eleitor mais ou menos bipolar".

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Participantes neste episódio3
V

Vera Magalhães

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
F

Felipe Nunes

ConvidadoCientista político
Assuntos2
  • Pesquisa Quaest intenção de votoEleitor bipolar · Reconhecimento de medidas econômicas · Ceticismo quanto à economia · Dificuldade em encontrar emprego · Bombardeio de informações e narrativas · Ambiguidade e ambivalência do eleitor · Felipe Nunes · Medidas eleitoreiras
  • Calcificação do eleitoradoReceituário clássico do populismo · Impacto das 'bondades' do Lula · Arcabouço fiscal · Reeleição
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CACarlos Alberto Sardenberg

Oi, Sardenberg, boa tarde para você, para Cássia, para os ouvintes, para todo mundo que assiste o CBN Brasil. A pesquisa Quest dessa semana, que foi bem completa, teve um relatório muito detalhado abordando diversas questões políticas e econômicas, ajudou a dar uma pista daquilo que eu chamei hoje na minha coluna do Globo de um eleitor mais ou menos bipolar, porque ele reconhece que algumas medidas podem melhorar a vida das pessoas, até a sua própria.

Ele reconhece que, por exemplo, a sua renda pode aumentar a partir do momento em que houver a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$5.000 ou com o Desenrola, que significa um novo programa de renegociação de dívidas, mas ao mesmo tempo ele está um pouco cético quanto à economia. Ele acha que a situação econômica do país como um todo tende a piorar nos próximos meses, ele diz que a sua própria situação econômica piorou no último ano e ele diz que nunca foi tão difícil encontrar emprego apesar dos indicadores oficiais mostrarem o contrário, uma situação de praticamente pleno emprego nos últimos anos.

É difícil explicar isso à luz da ciência política ou mesmo das regras básicas do marketing político, como aquela segundo a qual a economia que define tudo, um mantra cunhado lá pelo marqueteiro do Bill Clinton nos anos 1990, que dizia que é a economia, estúpido. Mas isso reflete um pouco esse eleitor que recebe informações por múltiplas plataformas, por muitos meios, a todo momento ele é bombardeado de informações, bombardeado também de narrativas, né, político-ideológicas, e muitas vezes se coloca no meio a tudo isso com um grande grau de ambivalência e de ambiguidade.

Eu conversei com Felipe Nunes, que é da Quest, a esse respeito no Viva Voz nesta semana, e ele também mostrou ali que a ciência política e os próprios institutos de pesquisa ainda estão tateando muito para entender o que esse eleitor quer. E daí porque esse questionário tenha sido especialmente completo, especialmente detalhado, para tentar escrutinar um pouco essas ambiguidades que tornam mais difícil até pros candidatos saber por onde se guiar, o que dizer e o que propor.

O fato é que mesmo receituário clássico ali do populismo, como esse de derramar medidas eleitoreiras às vésperas do pleito, como Lula vem fazendo esse ano, não é uma garantia de sucesso absoluto. O Globo hoje mostra que essas bondades, entre muitas aspas, do Lula podem chegar a 215 bilhões no total. E que muito disso está ficando ali espertamente fora do arcabouço fiscal. Mas será que só isso vai ser suficiente para dar a reeleição a ele nesse cenário em que o eleitor nem sempre reconhece os benefícios econômicos como algo bom para si ou mesmo para o país?

Então é uma pergunta de um milhão de dólares, que também deve ficar fora do arcabouço fiscal. Ninguém sabe responder direito. E pode resultar num tiro na água. Você gasta muito, investe no receituário antigo de pensar em falar com o bolso do eleitor, mas é um eleitor mais difícil de ler, mais difícil de entender e, portanto, mais difícil de agradar. Eu fico por aqui, volto na segunda-feira ao vivo e também hoje à noite a gente faz aquele resumo da semana no Viva Voz 2.

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