Por que a PF rejeitou pela segunda vez proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro?
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Fernando
Maria Cristina Fernandes
- Delação Premiada Daniel VorcaroPolícia Federal rejeita proposta · Procuradoria-Geral da República · Banco Master · TCU · Davi Alcolumbre · PT da Bahia · Eleições · Centrão
- Estratégia da defesa de VorcaroGanhar tempo · Levar para depois das eleições · Expectativa de poder do Centrão · Ministro Alexandre de Moraes · Ministro Edson Fachin
- Delação premiada de Paulo Henrique CostaEx-presidente do Banco de Brasília · Troca de advogado · Corrida por delação
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Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes. Maria Cristina Fernandes, boa tarde, tudo bem?
Boa tarde, Fernando, Nadedja. Boa tarde, ouvintes. Tudo bem, Fernando?
Tudo bem. Bom, a Polícia Federal rejeitou pela segunda vez uma proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro. Pode agora a Procuradoria-Geral da República dizer: olha, sim, queremos. Ou pode ser: não, não queremos. E aí, Maria Cristina?
Pois é, Fernando, a Procuradoria-Geral da República ainda não se pronunciou. Na verdade, Desde o início dessa negociação, a PGR não se pronuncia, mantém os canais abertos. A princípio, há quem defenda, na leitura da legislação que regula a delação, que a PGR pode vir a fazer essa delação separadamente, mas sem a Polícia Federal. Há o problema se uma delação do gênero seria homologada ou não. E por que que a Polícia Federal pela segunda vez rejeitou essa delação?
Na verdade, Fernandina Dédia, investigadores e que tem intimidade com o Master desde sua criação, nunca acreditaram que essa delação pudesse um dia sair, porque foi um banco construído em cima de uma ficção. E o Daniel Vaccaro sempre sinalizou que queria fazer uma delação mantendo o dinheiro para dobrar a aposta nesta ficção, abrindo outro banco. Aquela investida no TCU para desqualificar a liquidação do Master foi isso, né? Ele nunca quis de fato entregar o que o banco suprimiu dos seus investidores.
A proposta era em cima de devolução de um valor que Daniel Borcário dizia que eram valores a serem devolvidos, quando na verdade todo mundo sabia que eram precatórios, que não valiam aquilo que ele dizia que valia. E tem o outro pé da delação, que é a entrega dos envolvidos nesse esquema do Marsta. Tudo que ele entregou, a Polícia Federal já sabia, né? Ele tava sempre correndo atrás das operações, justificando as remessas e a cooptação aí de agentes políticos.
Pelo banco e pela sua atuação, pelas propinas que pagou. Então ele não avançava além do que já se tinha. E por que que ele fica apresentando essa delação por cima de delação? Aí quando fracassa uma delação, aí os advogados soltam também informações para imprensa. Hoje tem uma matéria na Veja que é dizendo que tem recursos que foram transferidos para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que nega. Tem mais uma vez a história do PT da Bahia, é para manter acesa essa chama de que a delação ainda pode sair e evitar transferência do Forcaro para Papuda.
Ele tá hoje na, em acomodações que permitem que ele passe muitas horas do dia conversando com advogados, mas ele será novamente transferido. E o que que o Vaccaro ganharia? Por que que ele quer ganhar tempo, né? Por que que querem esticar essa história de delação? Na verdade, os advogados e o próprio Vaccaro querem levar isso para depois das eleições, porque qual é a expectativa? O Centrão, como a gente sabe, está no poder no Congresso e tende a se manter.
O que acontece depois da eleição é que o presidente da República, que tem a chave do cofre, e até a eleição pode ainda, até 17 de julho, né, quando é o recesso parlamentar, ainda tem aí muitos projetos para serem votados, ainda tem Então ele tem a caneta, ele tem aí essa barganha do Congresso. Depois da eleição, qual vai ser o mote? Qual vai ser o vetor de apertar os cintos, né? E o poder do Centrão cresce se o Executivo tem que apertar os cintos.
Então, como há muitos personagens do Centrão envolvidos, a expectativa é que essa nova correlação de forças favoreça o work hard. E tem um outro aspecto que pouco, pouco tem se falado, Fernando e Nadeja, é o seguinte: o mandato do ministro Edson Fachin termina em setembro de 2027, e quem assume é o vice-presidente, do atual vice-presidente supremo, ministro Alexandre de Moraes. Então há também uma certa expectativa de que um inquérito sob a presidência da corte de Alexandre de Moraes, esse inquérito estaria, digamos assim, mais resguardado, uma vez que o escritor da família do ministro atendeu o banco master, né, e recebeu recursos em função disso.
Então é a estratégia de levar para frente, uma estratégia que já foi recusada duas vezes, mas pela reportagem da Veja hoje dá para apostar que os advogados do Daniel Boccaro não desistiram dela.
Uma outra questão, queria te ouvir, Maria Cristina, é o seguinte: a gente já falou aqui que existiu uma corrida para ver quem tinha a delação premiada aceita primeiramente, porque quem chega primeiro poderia ganhar mais. E aí tem também, tem que estar na fila a delação de Paulo Henrique Costa, que é o ex-presidente do Banco de Brasília, que trocou de advogado também para tentar fazer isso de uma forma mais rápida. Isso não é, não pode ser prejudicial para defesa de Volcaro?
Com certeza. Na verdade, ele tinha dois advogados, ficou só com um, né, que é o David Tangerina. Sim, se o Paulo Henrique Costa fizer delação antes do Boccardi, isso pode sim prejudicar o Boccardi. E essa também é uma das apostas da Polícia Federal, que a negociação da delação do Paulo Henrique está bastante avançada. Então, grosso modo, assim, resumindo muito mal e porcamente, quem tem Paulo Henrique na mão não precisa de uma delação repetitiva que chuva no molhado como a do Daniel Vorkarsky.
Perfeito, perfeito. Marixine, obrigado mais uma vez. Um bom final de semana e até segunda.
Bom fim de semana para você, para a Nadedja. Até segunda. Bom fim de semana para os ouvintes.
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