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Pautas-bomba no Congresso funcionam como ensaio para a disputa presidencial de 2026

14 de junho de 202613min
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Para Marco Rudiger, embates entre Executivo e Legislativo já antecipam estratégias e narrativas da próxima campanha eleitoral. Ouça a análise.

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Participantes neste episódio2
B

Beatriz Pacheco

HostJornalista
M

Marco Rudiger

ComentaristaAnalista político
Assuntos7
  • Perspectivas eleições 2026Ensaio para disputa presidencial · Estratégias e narrativas eleitorais · Jogo de poder entre Executivo e Legislativo · Resposta nas redes sociais · Militância política digital
  • Situação dos pré-candidatos da direitaCandidatura de Lula · Campo da esquerda e centro-esquerda · Oposição e candidatos presidenciais · Romeu Zema · Caiado · Eduardo Bolsonaro · Liderança no campo ultraconservador · Haddad em São Paulo
  • Inflação e Política MonetáriaDefesa da soberania do Brasil · Impacto na oposição e governo · Candidatura de Flávio Bolsonaro · Sanções ao Brasil · Carta de Trump
  • Inteligência artificial e desinformação políticaDaniel Vorcário e Alcolumbre · Relação com o presidente do Senado · Rejeição do nome de Messias para o STF · Uso de inteligência artificial na política
  • Copa do Mundo e política brasileiraDebate das camisas · Discussão sobre o técnico · Impacto na política brasileira
  • Segurança Pública e Governo FederalRedução da maioridade penal · Questões federais e estaduais · Invasão de favelas no Rio de Janeiro · Furtos de celular em São Paulo · Reforma política · Revisão da estrutura orçamentária
  • Atuação de Lucia na políticaNão aceitação de juiz somali nos EUA · Delegação iraniana no México · Imagem agressiva do governo americano · Adesão a candidatos dos EUA
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MRMarco Rudiger

Oi, tudo bem? Boa tarde, boa tarde a todos nossos ouvintes.

?Voz B

Tudo certo, Marco. A gente falando muito de Copa do Mundo, mas a política a gente sabe que não para. Algumas coisas dão uma pausa aí, mas a gente tá inclusive falando muito de pauta bomba, né, essa semana.

MRMarco Rudiger

Pois é, assim, essa semana, óbvio que a, vamos lá, primeiro lugar, né, a Copa do Mundo também mexe com a política, né, a gente sabe disso, desde o debate das camisas até a discussão sobre como o técnico anda, não anda, o que que tá acontecendo nos Estados Unidos também é uma coisa bastante importante. Então a política ela tá em tudo, tá no futebol em especial, digamos assim, no Brasil, né. Mas aqui assim, essas pautas, essas pautas bomba São quase que um ensaio entre a relação potencial, no caso de vitória do atual governo nas eleições, na relação com o Congresso.

Então isso daí é um jogo de tensionar a corda para um lado e para o outro. É claro que essas pautas bomba, elas também, elas refletem uma resposta muito grande nas redes sociais, né, que tem a ver com a militância política e como ela pressiona e e força, digamos assim, em cima do Congresso, uma espécie de contrapoder, né? Onde tem poder, tem contrapoder. Então, quando o Congresso vem com uma pauta bomba, né, a militância digital, ela também reage, opera em cima, colocando isso como uma atitude, digamos assim, de antipática e com consequências sérias para a vida pública no Brasil.

Então, esse é um jogo de poder que tá, digamos assim, exercido início, já com vistas ao próximo ano, né? Não é uma coisa nem só desse ano especificamente, mas é claro que conversa com a eleição também. Nesse momento é uma eleição bem tensa, mas no qual nesse momento o governo tá numa posição mais confortável.

?Voz B

É, tem todo aquele debate que a gente fala, né, que a Copa acaba distraindo de algumas pautas, mas fato é que a gente tá vendo nas redes que as pessoas estão de olho também nessas questões.

MRMarco Rudiger

Não, as pessoas estão de olho sim. E é claro que tem a política, tem a ver com a Copa, mas a Copa não vai definir a política no Brasil, que que vai definir a política do Brasil, é inflação que vai definir a política no Brasil, são as taxações do exterior e a defesa da soberania do Brasil. Então assim, são essas questões que vão afetar tanto a oposição quanto o governo na construção de narrativas e no debate político. Por exemplo, se a gente olhar esse último, essa última semana, né, a gente tá falando aqui das pautas bomba, né, e eu posso dar um dado aqui para o nosso ouvinte, aqui só a questão da candidatura do Flávio Bolsonaro, por exemplo, né, ou foram mais de 690 mil posts com quase assim quase metade dos posts que houveram foi em cima da questão das taxações do Brasil e das possibilidades dessas pautas bomba gerarem um problema sério na economia.

Então assim, é claro que existe uma repercussão direta e resposta direta, ainda que a gente esteja nesse mês ainda com as atenções meio divididas. Mas há um posicionamento de diferentes candidatos e isso joga, digamos assim, nesse momento a favor do governo, que tem uma discussão de que não, nós estamos vendo uma melhora para o Brasil, uma distribuição mais justa das oportunidades sociais, a defesa do Brasil, a defesa contra as taxações são injustas.

Isso é uma coisa que pegou muito mal, digamos assim, para oposição. Em especial Flávio Bolsonaro. A ida dele a Washington, logo seguido de novas sanções ao Brasil, reafirmou aquele movimento inicial daquela carta célebre lá que o Trump fez quando taxou o Brasil pela primeira vez e associou ao ex-presidente Bolsonaro. Então isso daí gerou desgaste muito grande. Mas por outro lado, a oposição também não ficou totalmente inerte. Por exemplo, a questão da discussão da redução da maioridade penal, né, para 16 anos.

Isso daí repercutiu muito dentro da pauta da oposição, o que é claro é uma simplificação da questão da segurança pública no geral. Porque se você olhar, existe evidentemente questões que são federais que tem que ser observadas, mas existe também uma responsabilidade constitucional da segurança nos governos estaduais, né. Então problemas, a gente viu um ano atrás a invasão de favelas no Rio de Janeiro com a morte de mais de 100 pessoas, 120 inclusivamente policiais.

E na época muita gente foi a favor disso, mas na verdade, o que que isso estruturalmente mudou da segurança pública? A pessoa que mora no Rio de Janeiro, transita por aqui, não percebe claramente essa mudança. Então isso é um ponto importante. São Paulo, os furtos de celular, etc., são questões assim bastante dramáticas e estão no campo do governador resolver também. Então a questão da segurança pública não é uma questão federal, não é uma questão estadual, é uma questão federativa que envolve os diversos níveis e precisa precisa de um trabalho de consertação.

Esse trabalho só pode ser possível pós-eleição, ele vai ser objeto de um debate. E eu acho que uma grande, é, uma grande estratégia que deveria ter um dos campos políticos, ou os dois preferencialmente, seria dizer o seguinte: apesar de toda discussão que a gente tiver, quem ganhar a eleição vai chamar todo mundo em volta da mesa. O Brasil precisa de uma reforma política, o Brasil precisa uma discussão estrutural da segurança pública, não só simplesmente uma atribuição de culpa jogando um para outro, jogando a bola, enquanto nada se resolve na vida real.

Então são questões que deveriam ser pensadas, e o Brasil precisa repactuar uma série de coisas. Mas eu acho certamente uma reforma política, uma revisão da estrutura orçamentária com as emendas parlamentares, e a questão da segurança deveriam estar no topo das prioridades.

?Voz B

Você mencionou que o governo tem falado nas redes, e aí tem um ponto também que segue tendo muito material para explorar em termos de treta, né, do outro lado, né. E aí a gente fala sempre aqui, sempre aparece o tentacular Daniel Vorcário, que agora apareceu com Alcolumbre, né, com conexões com Alcolumbre, que tá numa desconexão muito profunda com o presidente Lula. Não, essa relação não tá sendo reparada. Isso também tá sendo explorado?

MRMarco Rudiger

Não, isso totalmente explorado pela militância digital, vamos colocar bem claramente, né. E ainda que seja uma coisa que é imaterial, é simplesmente uma narrativa que tá sendo construída construída, e ela certamente ela é construída no sentido de fazer uma contrapressão nas iniciativas da presidência do Senado. Veja bem, essa, esse é um tensionamento que sempre aconteceu, e ele se acirrou bastante a partir da rejeição do nome do Ministro Messias para, como, para o STF.

Então houve uma, um tensionamento aí, esse é do jogo político, isso não tem como se evitar. Mas de fato, essa, digamos assim, essa narrativa, essa boataria, ela tem, ela tem prosperado usado bastante nas redes. E é como a gente tá vendo, enfim, e a gente vai ver muito mais nos próximos 3 meses. A gente vai ver direto, na verdade, a política se tornou um grande debate de narrativas e a construção de narrativas a partir inclusive de toda uma estrutura imagética bastante e crescentemente sofisticada.

Principalmente, isso é um ponto de atenção, a utilização da inteligência artificial para construção de cenários, imagens, narrativas que parecem reais repercutem como se fossem reais e de fato não são. Eu não tô querendo dizer com isso, nem querendo julgar em hipótese alguma o presidente do Senado. Eu só tô dizendo é isso que tá acontecendo nas redes hoje, nesse momento. Mas isso faz parte de uma disputa entre poder contra poder e as eleições como estão se processando.

?Voz B

E a gente ouvia agora há pouco a nossa reportagem em Belo Horizonte falando de um tema político que é muito importante nesse sentido, falando do campo da oposição, né, Marco, que é o tensionamento da relação entre Eduardo Bolsonaro e Romeu Zema? Porque nesse momento pré-eleitoral em que a gente está, que a gente está observando, a gente já viu uma série de movimentos, e esse possivelmente um dos mais importantes até agora.

MRMarco Rudiger

Eu acho que esse é um grande ponto pelo seguinte: é o único candidato que certamente está no segundo turno, digamos assim, é o atual presidente Lula. O presidente Lula tá no segundo de estar no segundo turno. Ele tem um campo da esquerda consolidado em torno dele, o centro, digamos assim, mais centro-esquerdo também apoiando ele, setores do centro, né, Senador Renan e outros, MDB, alguns segmentos apoiando ele também. Então ele tá numa situação, digamos assim, de uma relativa tranquilidade em que ele pode produzir pautas, tá na presidência da República, ele é um candidato único do campo político dele., né?

E ele tem condições, portanto, de digitar, digamos assim, o ritmo do jogo, usando uma expressão futebolística. Já oposição, ainda que haja um favoritismo muito óbvio em cima do nome do Flávio Bolsonaro para o segundo turno, o fato é que a oposição tem outros candidatos a presidente que se declaram como tal e estão disputando com seus partidos esse espaço. E é absolutamente impossível que em algum momento os outros candidatos, principalmente Zema e Caiado, não chegue digo assim, olha só, nós somos melhores que o Flávio Bolsonaro, nós representamos nosso campo com muito mais chance no segundo turno do que Flávio Bolsonaro.

Então essa discussão do Eduardo Bolsonaro querendo esticar corda e quase romper com Zema, ela tem que ser entendida numa proteção do campo. Ou seja, quem lidera o campo ultraconservador no Brasil, quem lidera a direita no Brasil? Daí o nome de Flávio Bolsonaro, ele, ele é obviamente um nome que vai tentar presidência com ele, mas ele é muito mais o nome preservar a liderança, hegemonia no campo da direita. E daí é até curioso você supor que o Zema não pudesse em algum momento criticar Flávio Bolsonaro.

Como é que ele vai ser, vai se dizer melhor para representar e o problema de candidatura dele é sem em algum momento contrastar com Flávio Bolsonaro? Evidente que vai ter que acontecer. Caiado vai ter que também em algum momento botar a cabeça para fora e falar: eu sou melhor que esse outro candidato por isso, por isso, por isso. E isso obviamente gera rupturas e fraturas tensionamentos no campo da direita. Por isso que eu digo que eu acho que nesse momento, pelo menos, o presidente Lula tem uma vantagem bastante significativa.

E eu acho que se essa vantagem se mantiver, ela repercutirá nos estados onde o PT tem, está apoiando outros candidatos ou tem seus próprios candidatos. Eu diria no Rio Grande do Sul e mesmo em São Paulo com Haddad. Óbvio que um candidato que puxa voto para presidente da República, isso repercute na chapa como um todo, inclusive nos níveis subnacionais.

?Voz B

Perfeito. Para terminar, Marco, o que que tem de sussurros das redes essa semana?

MRMarco Rudiger

É vinculado ao futebol, evidentemente, não poderia ser diferente. E tem muito a ver com a questão da postura dos Estados Unidos em relação à não aceitação, por exemplo, do juiz somali entrando nos Estados Unidos para um jogo, a delegação iraniana ter que ficar no México e não poder dormir nos Estados Unidos, e coisas desse tipo que deixa não só uma imagem muito antipática, mas também muito agressiva, digamos assim, do governo americano.

E na medida que um dos nossos candidatos, digamos assim, o líder da oposição, ele se posiciona de forma tão aderente, que diria lá, é bom deixar o aderente para ficar mais simpático, né, junto ao presidente dos Estados Unidos, o que que acontece? Óbvio que essa, que essa, que essa visão, essa, esse mal-estar, ele permeia também essa outra candidatura. Então, até que ponto de fato essa adesão absoluta, né, reflete de forma positiva aqui internamente, para além do campo já consolidado desse candidato, quando ele precisa ir mais para o centro?

Essa é uma grande questão. Eu acho que para a Copa do Mundo tá tendo essa nuance também.

?Voz B

Perfeito. Marco Rüdinger, sempre bom te ouvir. Muito obrigada por hoje, Marco, e até logo.

MRMarco Rudiger

Até logo. Obrigado vocês e obrigado a todos os nossos ouvintes.