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Empate do Brasil com Marrocos expõe limitações, mas não justifica clima de crise, avalia Gabriel Dudziak

14 de junho de 202623min
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Empate do Brasil com Marrocos expõe limitações, mas não justifica clima de crise, avalia Gabriel Dudziak

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Participantes neste episódio2
N

Nadedja

Host
G

Gabriel Dudziak

ComentaristaJornalista
Assuntos4
  • Copa do Mundo e Seleção BrasileiraLimitações do Brasil · Clima de crise · Futebol globalizado · Marrocos · Brasil · Qualidade individual vs. conjunto · Estilo de jogo
  • Seleção BrasileiraPreparação para a Copa · Desempenho no primeiro tempo · Impacto do banco de reservas · Hendrick · Matheus Cunha · Fabinho · Danilo · Carlo Ancelotti
  • O Papel da Crítica e do PúblicoTorcida contra vs. análise profissional · Revolta do torcedor · Críticas nas redes sociais · Algoritmo e emoções negativas
  • outros jogos da CopaSuíça vs. Catar · Turquia vs. Austrália · Países Baixos vs. Japão · Costa do Marfim vs. Equador · Suécia vs. Tunísia · Seleção Japonesa · Seleção Holandesa · Mitoma
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GDGabriel Dudziak

Brasil! Vamos voltar a falar de Copa do Mundo. Queria estar com a voz mais animada. Gabriel Dudziak, comentarista de futebol da CBN, conversa com a gente agora aqui no Revista CBN. Boa tarde!

GDGabriel Dudziak

Tudo bem, Nadedja? Ótima tarde a você também, aos nossos ouvintes.

GDGabriel Dudziak

Olha, acompanhei a transmissão do jogo do Brasil ontem aqui na CBN, claro. Então trouxe um material de apoio para abrir o a nossa entrevista, que é o seguinte: no novo momento do futebol globalizado, 1x1 com Marrocos é bom resultado. Discorra.

GDGabriel Dudziak

Discorro. Bom, Oscar Ulisses faz ao término das jornadas esportivas com a gente a brincadeira das manchetes rimadas, né? Então antigamente era só manchete do jogo, e aí a gente foi tentando elevar o nosso nível. Há muitas discordâncias sobre o nível ter sido elevado mediante essas rimas, pois não somos muito bons nisso. Mas foi a nossa tentativa de ontem, foi a minha tentativa de ontem para falar sobre Marrocos 1, Brasil também 1.

E aí eu citei 2 fatos, né, para mim são fatos, que hoje no futebol globalizado Marrocos não tá tão longe do Brasil não. No momento da seleção brasileira, o Brasil não tá realmente superior a uma seleção como a seleção marroquina. E dado o que é o grupo e o que foi o jogo, 1x1 foi um bom resultado. Então assim, a minha percepção sobre o jogo de ontem não é a de decepção com a seleção brasileira de futebol, não é a de desespero com a seleção brasileira de futebol.

A minha percepção é de que ocorreu algo muito dentro do esperado no jogo de ontem entre Brasil e Marrocos. E aí as explicações passam muito sobre isso, né, o momento de uma seleção, o momento de uma outra, como coletivamente Marrocos tem um jogo muito mais elaborado do que o nosso e individualmente nós temos mais qualidade, como que Marrocos conseguiu impor o seu estilo de jogo ao Brasil, sobretudo nos primeiros 30 minutos da partida de ontem, e como o Brasil não conseguiu fazer isso exceto no segundo tempo.

E aí acho que num jogo mais de igual para igual, né, não tanto um domínio não tão marcante assim da seleção brasileira contra a marroquina, em comparação ao que a marroquina fez contra brasileira no primeiro tempo. E assim fomos, né, para esse placar de 1 a 1, que eu considero que é um bom resultado. Claro que na perspectiva maior, né, não era para seleção brasileira tá empatando com Marrocos, não era para seleção pentacampeã tá satisfeita com isso, não era para seleção brasileira da camisa mais pesada do futebol mundial tá jogando tão pouco, mas o fato é que está, e o fato é que Marrocos hoje joga bem.

GDGabriel Dudziak

Ontem conversei com Rafael Pratza, que também a gente fez ali a coisa dos palpites, né? E tava com Leonardo Day aqui também. Ele colocou lá 1x1, que foi o que eu coloquei no bolão também. Os ouvintes falaram: nossa, que coincidência, vocês são machistas! E estão corretos também, porque foi isso mesmo. Mas depois ele escreveu até um texto nas redes sociais do Diack, porque os ouvintes começaram a chapiscar a gente falando sobre torcida contra, né?

Você não pode dizer que não espera muito do Brasil porque você está torcendo contra. E aí, quando eu ouvi você e o Pratos no final da transmissão ontem, me chamou atenção isso. A rima foi diferente, mas a moral da história parecida. Ficou, ficou barato para gente.

GDGabriel Dudziak

É isso, né? E assim, primeiro que eu tenho uma visão da nossa profissão que é um pouco diferente da maioria, né? Eu mesmo assim, com jogos do Brasil, eu não me envolvo muito não. Eu tento manter uma certa distância do jogo, mesmo sendo brasileiro, porque ajuda no meu trabalho, é necessário, eu considero necessário. Não julgo muito não quem faz diferente, cada um na sua, mas eu não consigo, eu não consigo ver um jogo da seleção brasileira trabalhando e torcendo junto, porque se eu torcer eu não vou trabalhar direito, né?

Então eu prefiro, quando tô trabalhando, trabalhar direito. Então não há envolvimento da minha parte quando eu tô comentando um jogo do Brasil. Então quando você já elimina isso. Para mim, o negócio de torcer contra, torcer a favor, já vira uma coisa assim sem nenhum nexo. Para mim não tem significado nenhum. Não torço contra e não torço a favor. Estou vendo o jogo, estou analisando o jogo. E acho que quando a gente se coloca, né, nessa posição mais distante, isenta, a gente consegue ver justamente que o que aconteceu ontem não é surpreendente.

É algo que realmente, não sei se era esperado, talvez pudesse ter um Brasil mais equilibrado no começo de jogo, não sofrendo tantas finalizações e tanto com domínio adversário. Mas de forma geral, por caminhos um pouco diferentes, os dois times têm mais ou menos o mesmo nível. Para mim, os diferenciais são em relação à qualidade individual. O Brasil tem mais qualidade individual, mas não tem conjunto. Marrocos tem mais conjunto coletivo, não tem tanta qualidade individual, ainda que tem alguns atletas bastante talentosos.

E uma outra coisa assim, né, se de repente alguém tá achando que eu tô sendo amargo ou muito pessimista, é a questão assim de desenvolvimento da seleção brasileira. Eu sempre achei que viria durante a Copa do Mundo, porque a preparação não nos mostrava um time pronto. Em nenhum momento a equipe do Carlo Ancelotti pareceu pronta para Copa do Mundo. E aí chega no primeiro jogo, consegue aí um resultado de 1 a 1 contra o time mais difícil do grupo.

Então você já tem uma plataforma para melhorar para um segundo jogo, que teoricamente é o mais fácil. E aí, quem sabe, já se acertar no terceiro jogo, numa segunda fase, né, que agora tem uma a mais, né, para chegar nas oitavas de final. O caminho do Brasil é meio que vai ser esse. E me permita, né, assim como há o distanciamento para não torcer a favor do Brasil quando tô trabalhando, né, também não há aproximação nesse momento para criticar todo mundo e destruir todo mundo.

Para mim, assim, não é o momento de enforcar alguém em praça pública, já dizer que fulano não presta, Beltrano é uma porcaria, desonra o Brasil. Não, também não sinto isso nesse momento.

GDGabriel Dudziak

É isso da coisa da torcida facilita também reconhecer os méritos do adversário, eu acho, né? E ontem me chamou atenção, naquele momento em que já tava ficando desesperador ouvir Leonardo Dalla nos Estados Unidos dizer que tava triste e bonito ver o que o Marrocos tava fazendo. É que como ele é o maior boca de sacola do gol brasileiro, na sequência o Brasil fez o gol e aí deu uma melhorada. Mas esse outro ponto que você traz também sobre crucificar, enfim, também me chama atenção, porque aí eu também já vi muito isso nas redes sociais.

Não preciso nem dizer, né, mas eu vi muitos comentários assim, absolutamente é uma coisa assim de fim do mundo, né? Tipo, acabou, essa não é a seleção brasileira, tá horrível, passamos a pior vergonha, foi horroroso, tenebroso, acabou.

GDGabriel Dudziak

É, e assim, eu acho que às vezes é válido, né, quando é um torcedor que de repente tá acompanhando, né, a seleção e nutria muita expectativa ou não se sentiu representado ontem, né, que isso acho que pode acontecer e deve acontecer. Inclusive é um momento, né, de um certo patriotismo nosso, né, que talvez não seja exercido da forma mais plena, mas tem aí uma manifestação muito forte jogo com a seleção brasileira e Copa do Mundo, né?

Então ali as pessoas entram e se sentem parte do jogo, né? Então eu sou brasileiro e agora é o meu momento aqui de ter minha autoestima revigorada, ter a minha identificação com uma das coisas mais importantes do nosso país, né? Você gostando ou não, futebol é uma parte muito importante do nosso país e também uma forma como a gente é reconhecido no mundo todo. Então chegar num jogo contra Marrocos, não ser dominante, Não ganhar o jogo, tomar sufoco de alguma forma, mexe com tudo isso, né?

Mexe com essa autoestima aí momentânea, né, ou passageira da Copa do Mundo. Mexe também com um certo sentimento de, poxa, eu me dediquei a vocês e vocês me deram isso em troca nesse jogo, né? Mexe com tudo isso. Então, da parte do torcedor, entendo, entendo a revolta, entendo a decepção e ela ser manifestada dessa forma. O que eu entendo menos, né, de quem faz cobertura em tese jornalística, né, sobre esses eventos, que na verdade acaba forçando algumas situações, mesmo sabendo que alguns sentimentos não são corretos e não tem muito nexo na realidade, para angariar, né, quem também tá revoltado, para dar aquela estimulada no algoritmo, né, que a gente já sabe que algoritmo vende muito o que é ruim, né, no caso de emoções negativas, né, pessoas vão se juntando para odiar as mesmas coisas, né.

Então Quando tem esse jogo assim de quem deveria ser profissional, aí eu já não gosto muito, aí já critico mesmo. Mas o torcedor, eu entendo que tinha expectativas diferentes para ontem, acabou saindo frustrado.

GDGabriel Dudziak

Bom, sobre a escalação, também foi muito criticada pelo torcedor, né? E aí tem a crítica obviamente aos jogadores, mas também muito ao treinador. Tem algumas teorias de por que que o que as pessoas queriam que fosse feito não foi feito. Entre as teorias de que o Ancelotti é um agente espion disfarçado que está sabotando o Brasil para vingar a vitória do Brasil sobre a Itália. Mas enfim, é sobre essa não precisamos nos ater. Mas acho que a grande revolta ali do torcedor que a gente viu ali no data redes sociais, Gabriel, foi não ter colocado o Hendrik. Queria te ouvir sobre isso.

GDGabriel Dudziak

É, me chamou atenção também a partir do momento em que o jogo não era favorável à seleção brasileira na questão de fazer um segundo gol. Eu realmente pensei que o Carlo Ancelotti lançaria a mão do Hendrik, porque o Hendrik, além de ser um jogador muito bom, é um jogador de impacto nas partidas nas quais entra. A gente pode voltar aí nesse ciclo todo, né, nesses 3 anos e meio desde que fomos eliminados da Copa do Mundo do Catar em 2022.

Quando o Hendrik participa na seleção brasileira, é sempre com impacto vindo do banco de reservas, né. Então ele entra no jogo e faz gol, ele entra no jogo e muda uma dinâmica de partida, dá um passe para gol, alguma coisa do tipo, ou participa de um início de jogada, né. Então pensando nessa situação, jogo tá 1x1, Brasil melhorou no segundo tempo, Brasil tem a possibilidade de agora atacar um pouquinho mais, tá precisando de uma centelha, né, de um assim, uma pólvora, né, para ver se estoura no jogo.

Eu iria de Hendrick, mas a opção foi pelo Matheus Cunha, que não entrou mal no jogo, não. Inclusive deu um ótimo passe em profundidade para o Vinícius Júnior cruzar e o Rafinha chutar mal, né, para defesa do goleiro Bono. Mas assim, acho que o Hendrick poderia ter sido utilizado. É um mistério assim, de alguma forma, né, porque que o Hendrick não tem tanto prestígio com os treinadores da seleção brasileira neste ciclo, né, desde do Fernando Diniz lá atrás, passando pelo Dorival Júnior, que só utilizou como titular em uma partida da Copa América, e chegando agora no Carlo Ancelotti mais recentemente.

O Hendrik não costuma começar os jogos, ficou fora de várias convocações, e agora na Copa do Mundo não foi lembrado neste primeiro jogo. Eu acho, aí é apenas uma tese, e assim, meus argumentos são fraquíssimos, já adianto, né, que o que tá pesando aí contra o Hendrik é essa essa questão da regularidade dentro dos jogos, né, de não ser apenas aquela fagulha de entrou, fez o gol, e depois não participa tanto, ou precisa de uma situação muito favorável para ele aparecer e depois sumir do jogo.

Talvez nos treinos o que se mostra, né, é que de repente Mateus Cunha e Igor Thiago são mais regulares, né, aparecem mais vezes. Com qualidade por mais tempo. Mas é evidentemente que nenhum dos dois, nem Igor nem Matheus Cunha, tem esse faro de goleador, esse impacto instantâneo que tem o Hendrick. O treinador o tempo todo, né, qualquer treinador, ele tem um exercício muito complicado, que é de um lado entender o que o time precisa e de outro manter a coerência dele para que não se perca no próprio no raciocínio, nas ideias que pensa sobre o futebol, né?

Imagina, bom, tô treinando assim, os treinos me mostram isso, toda vez que eu vejo nos treinos esse aqui vai bem, aquele vai mal, na hora do jogo eu vou fazer uma coisa que eu não vejo nos treinos? É complicado de bancar até para si próprio, né? Porque você tá fazendo aquele treinamento e tá vendo quem tá indo bem, e aí na hora que você precisa você trai as suas próprias ideias sobre os jogadores que você tem, né? Claro que isso é um exemplo hipotético, mas eu acho que é algo por aí que tá acontecendo com o Hendrick.

GDGabriel Dudziak

Algo acrescentar sobre seleção, ou posso passar para outros jogos de ontem que eu queria te ouvir sobre?

GDGabriel Dudziak

Só acrescentar, né, que o Fabinho entrou bem no jogo de ontem na vaga do Casemiro. Eu tinha dúvidas sobre a qualidade do Fabinho nessa Copa do Mundo. Nesse primeiro jogo ele não deixou nenhuma dúvida, melhorou o meio de campo da seleção brasileira. E na lateral direita, o Ibanez foi mal no jogo, Danilo entrou e melhorou também. Então, de novo, né, Dédia, a gente tá falando do seguinte: o Brasil começa com um time e aí a gente vê um segundo time do Brasil melhor do que o primeiro, tal qual contra o Panamá, tal qual contra o Egito.

Agora de novo a gente tá falando isso. E não é exatamente que os que entraram hoje não tinham entrado anteriormente ou não tinham começado em outro momento, né? Então Parece que sempre o impacto do banco de reservas está sendo superior ao impacto inicial dentro dos jogos. Brasil precisa começar a fazer melhores primeiros tempos.

GDGabriel Dudziak

Muito bem, vamos falar das decepções de ontem, vulgo o que atrapalhou o meu bolão: Turquia e Suíça. O que aconteceu?

GDGabriel Dudziak

É, então, mais ou menos o que aconteceu com os dois foi a mesma coisa, em jogos diferentes, evidentemente. Mas o que aconteceu no jogo Suíça e Catar? Ontem à tarde. A equipe da Suíça começou muito, muito bem. O Catar é uma das piores seleções da Copa em qualidade individual e coletiva.

GDGabriel Dudziak

Eu coloquei 4x1 Suíça, tá? Eu tava acreditando muito.

GDGabriel Dudziak

Pois é, e eu colocaria algo semelhante se participasse aí desse seu bolão. Mas assim, as finalizações foram várias no começo do jogo e o time da Suíça acabou abrindo o placar numa cobrança de pênalti com o Embolo, 17 minutos de jogo. É só para quem não assistiu ao jogo ter uma noção, foram 14 chutes a gol da Suíça no primeiro tempo com 75% da posse de bola e só um gol. E aí vem o segundo tempo e o domínio continua sendo suíço, 12 chutes a gol com 62% de posse de bola.

Mas um detalhezinho que é muito importante no futebol: não fez gol. Perdeu oportunidades, não finalizou da melhor forma possível, muitas finalizações por cima do gol, finalizações ruins, jogadores perdendo gols. E aí no último lance da partida chega no ataque a equipe do Catar, cruzamento para área e gol do Catar, 1 a 1, num jogo que era para ser de vitória da Suíça, realmente surpreendente. Assim como foi, né, esse jogo aí da Turquia contra a Austrália, o jogo que virou a madrugada aí, né, de ontem para hoje, Até hoje a Turquia em cima da Austrália desde o princípio, chutando bastante a gol.

Contra-golpe da Austrália, gol da Austrália. Bom, agora vai a Turquia de novo, agora precisa de 2 gols. Foi uma pressão gigantesca no segundo tempo. No primeiro tempo, 10 chutes a gol dos turcos. No segundo, 20 chutes a gol dos turcos e nenhum gol marcado. E a Austrália ainda foi lá e fez um segundo, é uma finalização de fora da área. 2 a 0 para Austrália contra a Turquia. Num jogo no qual a Turquia finalizou 3 vezes mais do que a Austrália.

Mas é claro, tem a qualidade das finalizações, tem a distância do gol, né, dessas finalizações. Então a Turquia ontem chutou, ontem para hoje, né, chutou muitas vezes de fora da área, que é mais difícil de você fazer gol dessa forma, evidentemente. E teve ainda a grande atuação do goleiro da Austrália, o Patrick Beech, que Foi uma surpresa aí de última hora. Normalmente joga o Matt Ryan, né, que é muito experiente, e o Patrick Beach fez aí essa partida ontem.

Ele tem apenas 22 anos e ganhou a predileção do treinador para essa, para esse jogo de Copa do Mundo.

GDGabriel Dudziak

É, esse nem chegou a atrapalhar o bolão porque ninguém colocou na vitória da Austrália, né? Então acabou que ficou equilibrado. E aí, falando de hoje, Gabriel, a gente tem daqui a pouquinho, às 2 horas, Alemanha e Curaçao, que eu ia citar como jogo mais mais desequilibrado do dia da Copa, né? Não vamos transmitir, infelizmente, porque eu queria muito ouvir a vinheta Curaçao com eco. Infelizmente não teremos no dia de hoje, mas a gente vai transmitir, claro, os jogaços que tem no dia de hoje: Holanda e Japão, quer dizer, Países Baixos e Japão, e Costa do Marfim e Equador, que eu tô muito interessada em ver.

Mais tarde também tem Suécia e Tunísia. E aí acho que a gente tá de olho principalmente nesse Países Baixos e Japão, porque além de ser um jogão Tá todo mundo comentando também, vai cruzar em algum momento aí com o grupo do Brasil, né?

GDGabriel Dudziak

Perfeito. A gente tá de olho é por esses dois motivos, né? Pelo fato de ser um jogo bem equilibrado. Quem não tá acompanhando tanto futebol de seleções, já faço o aviso: seleção japonesa tá chegando muito forte para essa Copa. Pode ser que depois de eu falar isso eles percam de 4 a 0 hoje. Isso acontece bastante, inclusive. Mas é uma sequência aí de vitórias muito grande, né, nos últimos últimos 7 jogos teve um empate e 6 vitórias.

Entre as vitórias estão triunfos contra o Brasil e a Inglaterra. Não são triunfos quaisquer, não. E chega assim com uma geração muito boa. O pessoal lá no Japão comenta o seguinte: não são 11 jogadores apenas, são 15, 16, 17 bons jogadores. Então dá para trocar o tempo todo, né? Se for o caso de um não tá bem, já coloca o outro que tá em bom nível também. Não é uma seleção de um jogador só, e se fosse, seria ruim para o Japão, porque o principal deles, o Mitoma, acabou lesionado e cortado da Copa do Mundo, e esse era o principal jogador.

Mas o nível dele em relação aos demais é maior, mas não tanto, né? Então tem vários bons jogadores, a seleção japonesa. E com o Países Baixos, né, que a Holanda, né, que a gente conhece também, a coisa é um pouquinho diferente. Tem vários bons jogadores em grandes clubes europeus, mas o jogo holandês, ele não flui, ele não acontece. É um jogo assim muito dependente de bola parada, é muito dependente de uma jogada individual de um atleta ou de outro.

Não gosto muito de ver a Holanda jogar, mas é um time muito competitivo, evidentemente pela qualidade que tem, até por esse estilo mais pragmático, como a gente costuma chamar no futebol, né, que é meio O que tiver que fazer para ganhar, a gente faz. A gente não tá muito preocupado em identidade de jogo, em tentar uma coisa muito ousada. Vamos jogando e daqui a pouco alguém faz a diferença para gente. Nos últimos 4 jogos pré-Copa, a Holanda tem 2 vitórias, 1 derrota e 1 empate.

Os holandeses ganharam da Noruega por 2 a 1 e do Uzbequistão por 2 a 1, duas equipes que estão na Copa do Mundo. Perdeu para, perderam para Argélia por 1 a 0, tá na Copa, e empataram com Equador pelo placar de 1 a 1. Então resultados mistos aí nesse confronto. Eu acho que se tudo correr como a gente imagina, e isso raramente acontece em Copa do Mundo, Japão e Holanda brigam pela primeira posição nesse grupo. E aí quem ficar em segundo deve pegar a seleção brasileira, partindo do pressuposto de que o Brasil, de que o Brasil será o vencedor do seu grupo.

GDGabriel Dudziak

Muito bem, estaremos de olho. Para a gente se despedir, Daniel, corta o microfone do Gabriel Dudziak, que eu conheço ele, ele vai fazer um comentário autodepreciativo e quem manda aqui sou eu. Cortou mesmo. Queria dar uma recomendação aqui para o nosso ouvinte não combinada de um projeto independente do Gabriel Dudziak e da Lari Menegatti, que é o podcast de Quem é a Copa, que já está disponível, já tem episódios nas plataformas, ouvindo especialistas acadêmicos em futebol.

É ótimo para quem se interessa ali Nas Quatro Linhas. E para quem, como eu, não entende nada do que acontece lá dentro, mas se interessa ali pelas cercanias, porque é um excelente conteúdo. Hoje em dia tudo é conteúdo, né? Mas esse é conteúdo mesmo. Então, Gabriel Dudziak, parabéns por esse trabalho, pelo trabalho nas transmissões também. E obrigada pela conversa aqui no Revista CBN. Até mais.

GDGabriel Dudziak

Obrigado, Nadete.

GDGabriel Dudziak

Valeu.

GDGabriel Dudziak

Obrigado, obrigado. Não precisava disso.

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