Governo dos EUA manda Antropic bloquear dois modelos de IA; entenda
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Pedro Doria
Cássia
Milton
- Modelos de IAAnthropic · Fable · Mythos · Clod · Opus · Casa Branca · Amazon · Cibersegurança
- Proibição de redes sociais para menores no Reino UnidoReino Unido · Kirsten Starmer · Câmara dos Comuns · Austrália · União Europeia · Redes sociais
- Regulação de Plataformas DigitaisRegulação de uso · Congressos nacionais
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Conversa de Primeira, Vida Digital, com Pedro Doria.
Muito bom dia para você, Pedro Doria.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia.
Bom dia, Pedro.
O governo dos Estados Unidos, Pedro, mandou a Anthropic bloquear dois modelos da sua inteligência artificial. Por que essa decisão?
Pois é, Milton, é uma decisão surpreendente. No momento estão suspensos os modelos Fable e Mythos. Na verdade, a gente vê classificar da seguinte forma: estão suspensos todos os modelos da família Mythos. O Fable é o primeiro modelo dessa família, que seria uma versão 5.0 do Clod. Atual, que todo mundo tá usando, é a versão 4.8, que eles chamam de Opus. E essa versão foi lançada na semana passada, na quarta-feira da semana passada.
As pessoas usaram até a noite de sexta-feira, quando a Casa Branca emitiu uma ordem proibindo por completo. Qual o problema desse modelo do Clod? O fable, fábula em português, né? O problema é muito simples: a gente nunca teve um modelo de inteligência artificial tão poderoso. E essa classe Mitos de modelos, ela é capaz de quebrar a segurança e descobrir portas não cuidadas de qualquer sistema, do Windows, do sistema do Mac, do Linux, onde roda boa parte da internet, e sistemas mais complexos, qualquer coisa de infraestrutura urbana, o sistema de comunicação que a gente usa, que a gente usa, o sistema de eletrificação que a gente usa, o sistema de controle de fluxo de água e esgoto.
Tudo isso é frágil perante uma inteligência artificial superpoderosa. Mas veja, a Anthropic tinha bloqueado os usos para cibersegurança do Fable. É, essa é uma característica que esse modelo tinha. Só que como um grupo de engenheiros da Amazon, bem sofisticados, conseguiram bypassar uma parte desses bloqueios, a Casa Branca achou por melhor dizer que, olha, tem que ser proibido para qualquer cidadão estrangeiro. A Antropic se virou e respondeu: olha, a gente não tem como proibir, a gente não tem como controlar a nacionalidade de quem tá usando, até porque mais de metade da equipe da Antropic não nasceu nos Estados Unidos.
Então, o que que eles fizeram? Proibição por completo. Fable está fora do ar, ninguém pode usar.
E tem uma outra notícia importante também no meio digital nesse comecinho de semana, é a história de o Reino Unido anunciar que vai banir redes sociais para quem tem menos de 16 anos?
É isso mesmo, Cássia. Kirsten Starmer, o premier britânico, fez esse anúncio ontem e já tá uma grande polêmica no Reino Unido. É, mas é bom a gente botar um freiozinho. É um anúncio do primeiro-ministro e é uma preocupação imensa dos britânicos. Esse debate tem acontecido no Reino Unido faz muito tempo. Quer dizer, a medida tem cara de que vai ser popular, Mas a Câmara dos Comuns ainda precisa, que é o Congresso deles, né, ainda precisa aprovar uma lei, o que o Starmer promete que vai acontecer até o Natal, até dezembro, e a lei passa a vigorar no ano que vem.
Enquanto isso, provavelmente os ingleses vão estender essa conversa, estender esse papo. Os nossos ouvintes certamente vão lembrar, a Austrália já fez essa proibição no ano passado e tem dado certo, mais ou menos, porque uma quantidade muito grande de adolescentes, são peixes, os adolescentes, vocês sabem, uma grande quantidade de adolescentes conseguem driblar as ferramentas de controle e usar as redes ainda assim. Ou seja, diminuiu muito o uso na Austrália, mas não diminuiu por completo.
Quem quiser usar continua usando. Então continua sendo uma coisa que os pais têm que ficar meio que controlando. Vamos ver como é que acontece no Reino Unido, porque se Reino Unido vem, a União Europeia vem, países da América Latina vem, isso começa a virar uma regra geral: adolescente em rede social, má ideia. E cá entre nós, é uma má ideia mesmo.
Nas duas notícias nós estamos trabalhando com a necessidade de proibições, né, de restrições, de limites. Será que toda essa tecnologia consegue ser limitada de um lado ou de outro?
Você quer uma resposta franca ou você quer uma resposta que aqueça o coração dos nossos ouvintes? Porque a resposta franca infelizmente é Não vai dar para proibir, não. Vai esse troço, a gente vai precisar de regras, gente. Regulação de uso não é essa coisa de ou proíbe ou permite, vai ter que ter algum tipo de nuance. E para isso a gente precisa de congressos nacionais operantes, que é uma coisa que no momento não temos, nem no Brasil, nem boa parte do mundo.
Muito obrigado, Pedro Doria, e um bom dia para você.
Até.
Até. Obrigado.
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