‘A grande dor da vida a dois é o ego’
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Gestão do EgoEntrega sem renúncia · Desejo de posse · Defesa da própria fortaleza · Ceder e esperar · Construção do 'nós'
- Evolução do amorAceitar virar um terceiro · Sabedoria em ceder
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Refletir para viver, com Rosandro Klingei. Sexta foi dia do Dia dos Namorados. E me ocorre uma pergunta que ouço muito: qual é a grande dor da vida a dois nos nossos dias? Não é traição, não é dinheiro, é ego. Tom Jobim e Vinícius já sabiam que amar é incerto quando escreveram "Eu sei que vou te amar". O amor chega com promessa de entrega total, mas a geração atual quer a entrega sem a renúncia. E também desejam o amor, mas querem tê-lo para si.
Até gostam de dividir a cama, mas não a agenda, os planos ou o controle remoto da própria vida. No tempo em que atendia, eu via casal lindo, gente boa, gente que se amava, acabar o relacionamento de tanto cada um defender a própria fortaleza. Não brigavam por traição nem por dinheiro. Brigavam por território, cada um com a bandeira do seu "eu" fincada no meio da sala. Separados, como dizia a música, mesmo estando juntos. Nós fomos educados para se realizar, se priorizar e se amar primeiro.
Está certo, em parte. Só que ninguém ensinou a parte difícil: descer do trono. Lulu Santos cantou que o amor se manifesta de toda forma, e uma dessas formas é a mais custosa: ceder, esperar, engolir a razão para não perder a relação. Não por covardia, por sabedoria. Amor maduro não é dois eus negociando vantagem. É dois que aceitam virar um terceiro, esse bicho estranho chamado nós, que não é nem você nem o outro. É a casa que os dois resolveram morar juntos.
E casa, como diria Gonzaguinha, é o que a gente constrói, não o que a gente encontra pronto.
— Anúncios inseridos dinamicamente —