Corte de juros: 'quadro econômico não é de relaxamento monetário'
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Cenário Econômico DesafiadorInflação pressionada · Incertezas externas · Preocupações fiscais · Aumento do gasto público
- Corte de Juros SelicTaxa Selic para 14,25% · Corte de 0,25 ponto percentual · Juros permanecem altos
- Impacto da Guerra e PerspectivasGuerra e deterioração econômica · Choque temporário de inflação · Possibilidade de fim do conflito · Restabelecimento do suprimento de petróleo · Normalização da economia
— Anúncios inseridos dinamicamente —
E aí, Miriam?
Boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN. Boa tarde, Miriam.
Bom, Miriam, nesta semana, na quarta-feira mais exatamente, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decide sobre a taxa básica de juros. O Valor Econômico, como sempre faz, fez uma enquete com os analistas de mercado, as instituições, etc., e a opinião majoritária, amplamente majoritária, É que vai haver uma redução de 0,25, de 14,5 para 14,25, e depois, e depois não se sabe, Miriam.
Pois é, Cardemir, a gente tem conversado sobre isso aqui, o quanto que o cenário econômico deteriorou-se a partir do começo da guerra e mudou totalmente o que estava sendo previsto. Então é isso, um outro corte de 0,25, portanto continua, é o terceiro corte de 0,25. E vai para 14,25%, mas os juros permanecem muito altos. Na verdade, como a situação piorou muito, os juros só estão caindo porque eles estão altos demais. Mas o quadro econômico não é um quadro de relaxamento monetário.
O quadro econômico é um quadro de dificuldade, porque a inflação subiu hoje mesmo. A projeção de inflação para o ano aumentou. E dos juros também, enfim, de todas aquelas previsões pioraram, aquelas previsões do Fox. O que o Banco Central vai considerar certamente é que esse é um choque temporário. E quando se fala, mais cedo estava falando com a Cássia e o Milton sobre essa nova perspectiva que se abre de um fim desse conflito.
É ainda frágil, ainda não é o fim do conflito, é o acordo para continuar conversando por mais 60 dias. Mas abre-se uma possibilidade de ter um fim desse conflito, até porque ele tá muito irracional para quem iniciou o conflito, a hostilidade, para os Estados Unidos. Tá muito ruim politicamente porque é muito impopular nos Estados Unidos essa guerra. Então a expectativa é que haja um fim de guerra de fato. Havendo um fim de guerra e restabelecendo o suprimento de petróleo, o petróleo pode cair.
Hoje caiu um pouco já. Normalizando a situação, você pode ter um final do ano muito mais tranquilo que se imaginava. Então você terá saído de um momento de um cenário positivo para um cenário muito ruim, para um cenário melhor do que nesse muito ruim. Então o ano terá sido uma história muito de idas e vindas, né? Mas não é assim: acabou a guerra, assinou o acordo, acabou tudo, todo problema acabou. Não. Ainda tem que se normalizar a situação da economia.
Nesse momento que se tem é pressão inflacionária por causa da guerra e também um ambiente muito ruim do ponto de vista fiscal, sabe, André? Você escreveu sobre isso, eu também escrevi sobre o aumento do gasto público, tanto do governo quanto do Congresso aprovando aumentos de gastos como se não houvesse amanhã. E isso também cria um cenário difícil. Ou seja, o Banco Central vai reduzir 0,25, ele talvez se deixe com liberdade para tomar decisão, as futuras decisões, sem se comprometer, portanto sem forward guidance, né?
E porque a situação de fato está confusa esse ano do ponto de vista da economia interna. A partir dos impactos das crises externas. Então ele deve reduzir 0,5 mesmo, mas avisando que não vai antecipar, que vai se deixar livre para tomar decisão da próxima reunião, na próxima reunião.
Tá certo, aguardamos, acompanhamos. Então obrigado, Miriam, até amanhã.
Até amanhã.
— Anúncios inseridos dinamicamente —