O que a chegada de ETs faria com a ideia que temos de nós?
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- Impacto da descoberta de vida extraterrestreHumildade cósmica · Humanidade não é o centro · Galileu e Darwin · Narrativa humana de ser especial · Fé e religião
- Cinema e a visão sobre ETsSteven Spielberg · Filmes sobre extraterrestres · Medo do desconhecido
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Refletir para viver, com Rosandro Klinger.
Você acredita em ETs? Pois é, o grande cineasta Steven Spielberg está lançando mais um filme sobre os extraterrestres e ele acredita neles. Eu também. Num universo desse tamanho, achar que a gente está sozinho é quase falta de humildade. Mas o que me fascina não é a resposta, é o susto que ela carrega. A humanidade nunca lidou bem em descobrir que não é o centro de nada. Galileu disse que a Terra não era o umbigo do cosmos e quase apanhou.
Darwin sugeriu que a gente tinha ancestral em comum com o macaco, e a plateia saiu ofendida. Cada vez que a ciência empurra o ser humano para a beira do palco, vem o mesmo aperreio existencial. E olha que curioso: o medo nunca foi do que o extraterrestre faria com a gente. O cinema vende invasão, raio laser, cidade destruída. Mas o pavor de verdade é mais íntimo, É descobrir que a história que a gente conta sobre si, a de criatura especial, escolhida, única, talvez seja só uma versão provinciana de quem nunca saiu da própria rua.
A religião, a filosofia, a ciência, tudo que o ser humano construiu parte do mesmo ponto: somos importantes, somos o propósito, somos a medida de tudo. E se não formos? Se lá fora tiver alguém olhando pra cá com a mesma curiosidade que a gente olha pra formiga no chão, o que sobra da narrativa que nos sustenta? Por isso o filme mexe com tanta coisa. E, vamos ser francos, não se trata do que vem do céu, mas do que a chegada dos ETs faria com a ideia que temos de nós. Inclusive e sobretudo, com a nossa fé.
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