Do grão-de-bico à Lua: pesquisa brasileira desenvolve alimentos para astronautas
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Cassiano Ribeiro
Mariana Letizio
- Alimentos para astronautasRede Space Farming Brazil · Embrapa · Agência Espacial Brasileira · Grão-de-bico · Batata-roxa · Microgravidade · Radiação espacial · Autossuficiência alimentar
- Comunicação BrasileiraTilápia · Panga · Consumo de peixe no Brasil
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CBM Agro com Cassiano Ribeiro da Globo Rural.
Cassiano aqui com a gente no estúdio, trouxe uma convidada, Mariana Letício. E que assunto temos? Temos dois assuntos, né?
Dois assuntos, o terceiro que é a estreia da Mariana Letício. Serdenberg e Cassiano, boa tarde pra vocês.
Mariana, bem-vinda aqui, você está no Globo Rural agora, né?
Exatamente.
Bora lá. Bem-vinda à casa.
Obrigada.
Chegou com tudo já, fazendo uma matéria muito curiosa, muito interessante, que tá na edição agora deste mês de junho, a edição que destaca o salto da psicultura brasileira. Mas a matéria da Mariana, que eu gostaria que ela falasse, é sobre a participação do Brasil num cardápio muito especial, que é o cardápio servido aos astronautas. O Brasil tem participado, claro, com a Embrapa e Agência Espacial Brasileira também. Mais de 60 pesquisadores brasileiros estão participando de pesquisas para desenvolver alimentos que serão consumidos por astronautas, que é uma missão super importante.
A gente vê aí muitas missões acontecendo no espaço e esquece de entender como que esses, como que se mantém esses astronautas lá. E se o mundo quer levar mais pessoas para o espaço, alimentação é um ponto-chave para conseguir atingir esse objetivo aí, Cássia.
Agora, Mariano, o que que os brasileiros têm a ver com essa história? Exatamente.
Bom dia.
Bom dia.
A gente viu que viralizou uma cena, na verdade, de um pote de Nutella flutuando na cápsula espacial. E a gente foi pesquisar o que que, né, como acontecia alimentação espacial. E a gente descobriu que a rede brasileira Space Farming está ali atuando nas pesquisas justamente para desenvolver uma alimentação mais saudável e autossuficiente para os astronautas. E aí, como Cassiano falou, Através da Embrapa, junto com a Agência Espacial Brasileira, eles estão nessa parceria desde 2022 desenvolvendo alguns estudos e análises sobre como algumas espécies elas se desenvolveriam ali no espaço.
Para isso eles criam algum, algumas simulações aqui com as parcerias com as universidades e simulam ambiente ali espacial para ver por exemplo, como o grão-de-bico ou a batata roxa cresceria ali numa microgravidade, por exemplo. Eu até conversei com uma das fontes que criou o tal do clinostato, que é como se fosse uma cápsula giratória. Então a gente coloca ali no meio espécies como grão-de-bico e fica criando rotatividade para criar essa microgravidade.
E a partir disso a gente vê como é que o grão-de-bico se desenvolve ali. É, caso a batata, Mari, conta para ouvinte porque a batata e o grão-de-bico foram escolhidos justamente essas duas espécies pilotos foram escolhidas por conta que são mais resistentes ali à escassez hídrica, que é um dos grandes desafios, principalmente no que diz respeito ao cultivo espacial. Então, eles escolheram essas duas espécies para ver realmente como é que seria esse pontapé inicial.
Outro desafio também é a radiação, que eles já estão criando outras tecnologias para ver como é que o grão-de-bico e a batata roxa se produziria ali no espaço. Tem essa questão da microgravidade, radiação, e a partir desses elementos, a ideia é levar uma base de cultivo ali para o espaço mesmo, justamente para criar essa autossuficiência alimentar para missões de longa duração, né, seria.
Quer dizer, estão pensando, já se preparando para missões de longa duração, né?
Exatamente.
E até missões na Lua, ou como diz o Elon Musk, missões em Marte, né?
Exatamente. Tem um chefe brasileiro, o Cássio Sardenberg, que está participando dessas pesquisas, um chefe renomado, que é o Jefferson Rueda, com quem a Mari também conversou, né, Mari?
Sim, um querido inclusive. Ele é conhecido por ser dono ali da Casa do Porco e ele está no finalzinho da cadeia. Então ele recebeu as primeiras coletas ali de grão-de-bico no ano passado. E ele até, é curioso, eu trouxe no texto, ele falou que ele tava esperando na primeira reunião com a Embrapa utensílios ali de cozinha, ele até fala da colher de pau, e ele encontrou números ali, gente mais cabeça, e ele levou aquilo como um grande desafio, mas a partir do momento que ele foi criando algumas receitas, ele entendeu justamente que o papel dele era juntar essa complexidade que é agricultura espacial junto com a criatividade que é ali na cozinha e levar isso para o espaço e principalmente como uma questão de conforto também para os astronautas que ficam tanto tempo fora de casa.
Tá certo. E Cassiano, temos um minuto exato para o tema de capa da revista Globo Rock que acaba de sair.
Exatamente, o tema fala, a capa fala sobre o salto da piscicultura brasileira, Sardenberg. O Brasil pela primeira vez no ano passado superou a marca de 1 milhão de toneladas de peixes produzidos. Isso é traduzido, exportado, produzidos, produzidos no país. Boa parte desse volume tá sendo exportada, e principalmente de tilápia. Tilápia fresca é o que a gente traz nessa matéria, mostrando aí quanto a tilápia tá importante para essa produção brasileira, mais 70% de tudo que é produzido.
E ao mesmo tempo, potencial que existe para outras espécies cultivadas, como o panga, que tá sendo cultivado por uma família numa cooperativa aqui no interior de São Paulo, ou também as espécies lá do Norte, Nordeste do país, também com cooperativas. Enfim, o consumo interno está crescendo. O Brasil ainda é pequeno no consumo de peixes, né? Hoje o Brasil está inclusive com consumo abaixo do que é indicado pela Organização Mundial de Saúde, que é de 10 kg, né?
A gente está consumindo hoje 10 kg mais ou menos em média por habitante ao ano, com uma média mundial de mais de 20 kg e o mínimo recomendado de 12 kg. Então tem um potencial enorme para ser explorado. Esse é o tema da capa da Globo Rural deste mês de junho que está chegando nas bancas e a gente está com elas aqui na mão. Essa edição belíssima.
Edição belíssima. Obrigado, Cassiano. Obrigado, Mariana. Seja bem-vinda mais uma vez.
Obrigada.
E até a semana que vem.
Até a semana que vem.
Até a próxima.
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