G7 discute Ucrânia, minerais estratégicos e desenvolvimento em meio a críticas de Lula
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- Reunião do G7 em Évian-les-BainsRelevância econômica do G7 · Ascensão de China e Índia · Participação do Brasil · Críticas de Lula ao protecionismo · Acesso a minerais críticos e estratégicos · Relação colonial com países do Sul Global
- Guerra na UcrâniaUcrânia e Moldávia em processo de acesso à UE · Novas sanções à Rússia · Papel da OTAN · Turquia
- Cúpula do G7Críticas ao protecionismo · Falta de apoio ao desenvolvimento do Sul Global · Tratamento de minerais críticos · Medidas unilaterais comerciais dos EUA · Definição de crime organizado como terrorismo
- Minerais críticos e terras rarasChina como maior detentor de reservas · Brasil como segunda maior reserva · Tecnologia e inteligência artificial
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Oi, Fê, oi, Nadede, oi, ouvintes, boa tarde para todo mundo.
Boa tarde.
Cris, a gente vai falar sobre a reunião do G7 em andamento na França. Por que que o Brasil participa dessa reunião do G7, mesmo não sendo membro? E o grupo ainda é representativo na política internacional?
Ah, eu vou até começar pela segunda, Fê. Eu acho que o grupo hoje ele é representativo de algumas coisas, mas não naquilo que ele foi concebido, que era justamente agregar as 7 maiores economias do mundo, que eram Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido. Então, quando a gente vê esses nomes de estados, a gente vê que a maioria deles caiu muito na economia global e que hoje países como China e Índia são muito mais relevantes.
A China é a segunda economia global, tanto que a definição do G7 passou a ser de maiores democracias do mundo. E por que o Brasil participa?
E nós temos outros convidados agora também, como Quênia, Egito, Coreia do Sul, a própria Índia. Porque ele é convidado pelo país anfitrião. Então o presidente Lula e os outros líderes de governo, chefes de Estado que não são membros do G7, foram convidados pelo presidente Macron a participar dessa reunião na França nessa oportunidade.
Às vezes é a China, às vezes são outros, mas efetivamente é um grupo que hoje ele é menos coeso do que ele gostaria e ele é menos relevante economicamente. E eu vou ser até brava, né, vou dizer aqui, politicamente, né.
Lembrando que também União Europeia está participando das reuniões.
Cris, presidente Lula discursou na reunião ampliada do G7, um discurso crítico. O que que ele abordou e o que mais ele vai fazer por lá? Encontro Lula e Trump?
Nada?
É, ele tá aí com vários encontros bilaterais, né, Débora, fora do espaço principal, né, da reunião.
Então a gente tem aí o Japão discutindo um possível acordo com o Mercosul.
Há também uma conversa paralela com a União Europeia por conta da suspensão das carnes brasileiras, né, ou seja, as carnes brasileiras estarão proibidas de entrar na União Europeia a partir de setembro. E aí a gente tava naquela expectativa, vai ou não falar com o Trump, acabou que talvez não fale, né, indiretamente ou diretamente nessa reunião. Até teve um mal-estar na foto porque eles não se cumprimentaram na chamada foto de família.
E o discurso do presidente Lula, que a princípio ele não iria essa reunião do G7, ele acabou indo Por quê?
Porque os Estados Unidos impuseram as medidas unilaterais comerciais, nós tivemos uma elevação do protecionismo e aquele tema muito associado à segurança pública e terrorismo internacional, que foi a definição dos crime organizado aqui no Brasil, né, como grupos terroristas. Então o presidente Lula tocou nesses pontos no seu discurso e aí ele acabou indo justamente para fazer essas críticas, né, e também para fazer uma proposição no sentido de chamar atenção esses países mais ricos para o fato de que as políticas de desenvolvimento não estão sendo cumpridas, né?
Ou seja, você não tem um auxílio para o desenvolvimento vindo do G7 para os países do Sul.
Então é um discurso que ele coloca na mesa várias críticas do Brasil a essa chamada Ordem das Grandes Sete Maiores Democracias do Mundo.
Cris, minerais críticos, E estratégicos estão na pauta. E o que mais?
É, a pauta ela foi bem ampla no sentido de tecnologia, Fernanda, de ouvintes, no sentido de que o Brasil e outros países do Sul eles teriam que receber mais tecnologia, mais auxílios. E aqui também foi algo presente no discurso do presidente, que foi o seguinte: o G7 ele deve tirar no documento final uma declaração na qual os países colocam sua preocupação com acesso ao aos suprimentos associados aos minerais críticos e estratégicos, né, e as terras raras. Por que isso?
Porque a gente tem hoje a China como maior detentor dessas reservas, o Brasil é uma segunda reserva, e vários outros também atuando nesse sentido. Só que qual que é o problema? A relação que o Brasil quer com os países desenvolvidos vai naquele sentido que eu mencionei: tecnologia, inteligência artificial, contribuição para o desenvolvimento. E aí o G7, ele tá tratando o tema de uma certa forma colonial.
Em que sentido?
Colocar esses países do Sul, que são fornecedores e podem vir a ser também exploradores, como meros fornecedores desses recursos. Ou seja, é uma relação colonial, né, colonial, como se gostaria de chamar.
E o Brasil, ele é muito crítico disso, porque ele diz: olha, a gente tem os recursos, mas não quer uma volta ao passado, a gente quer também entrar nessa revolução tecnológica, e vocês querem que a gente fique em segundo plano.
O que está sendo debatido a respeito da Ucrânia, da União Europeia?
Então, Nadedja, Fê, ouvintes, aqui é algo que veio meio de novidade, né?
A gente estava meio na sombra dessa guerra dos Estados Unidos com o Irã. Isso foi meio tirado da pauta, né? Porque nunca sai, vai estar sempre permanente. E aí a União Europeia anunciou que tanto a Ucrânia como a Moldávia, elas estão em processo de acesso à União Europeia, ou seja, vai ser acelerada a possibilidade de que esses países sejam integrados ao bloco europeu. E isso num contexto no qual as reflexões sobre a guerra na Ucrânia estão um pouco se alterando, né?
Há uma visão de que a Ucrânia estaria conseguindo várias vitórias e a possibilidade de que esses dois países eles entrem na União Europeia vai trazer, principalmente para a Ucrânia, o que a Ucrânia mais deseja, que é uma inclusão mais definitiva no Ocidente e aí uma sinalização para a própria OTAN, né, Organização do Tratado do Atlântico Norte, de que essa garantia da União Europeia ela teria que ser transferida para uma garantia de segurança da OTAN.
Não vamos nos enganar, não é um passe livre para entrada nem da Ucrânia nem da Moldávia, mas é uma sinalização de que a União Europeia não abandonou a Ucrânia.
E isso também está sendo discutido no G7 por meio da aplicação de novas sanções à Rússia.
E também a gente tem que entender que outros países esses países estavam na linha, né, tentando entrar na União Europeia muito antes da Ucrânia, da Moldávia, mas esses são países estratégicos no combate ao avanço russo. E desses países que estão aí na lista de espera e que pelo jeito a Ucrânia e Moldávia vão furar a fila é a Turquia.
Interessante, no começo do mês eu estive em Bruxelas, na sede da União Europeia, todos os prédios que você vai, nas comissões, no tem sempre uma bandeira da Ucrânia, todo lugar, todas da Ucrânia. Isso é, isso é, Cris, para a gente finalizar, reunião, uma reunião paralela entre Zelensky e Trump. A gente deve ter, deve esperar novas medidas. O que, qual a sua expectativa, Cris?
A minha expectativa é que dessa vez a gente vai ter mais algumas sanções contra a Rússia, principalmente no campo da energia. A gente tem tido alguns incidentes entre Rússia e o Reino Unido nos últimos dias, com a apreensão da frota fantasma. Também hoje parece que teve uma troca de tiros no Canal da Mancha entre um navio russo, uma fragata, né, e um iate. E aí o Trump, né, ele tava, ele até falou com o Putin por conta do seu aniversário no fim de semana, mais um geminiano, né.
E ele também falou sobre essa questão do Irã e da Ucrânia. O Putin falou que não tem acordo com a Ucrânia. E aí o Trump ficou meio bravo, né, ele não avançar com o Putin nessa questão ucraniana. E aí, quando ele encontra agora o Zelensky no G7, ele faz uma declaração de que ele vai ajudar o Zelensky, de que ele está interessado no final da guerra, porque afinal ele está encerrando várias guerras. Mas eu não sei, eu tenho expectativa de novas sanções, eu acho que isso deve vir, né, já vem vindo da União Europeia, mas o papel dos Estados Unidos nessa equação com o Trump é sempre algo em Tá certo, porque ele até pode impor novas sanções à Rússia, mas eu acho complicado que hoje, nesse contexto internacional, ele vá fornecer ajuda militar.
Então é algo que ainda é muito mais uma bandeira europeia do que essencialmente uma bandeira americana.
Cristina Pescecchillo com a gente toda terça-feira aqui no Sabendo Pelo Mundo. Cris, mais uma vez obrigado, uma boa tarde para você.
Boa tarde, obrigado, beijão para todo mundo.