Episódios de Comentaristas

Superquarta deve trazer corte de juros no Brasil e manutenção das taxas nos Estados Unidos

17 de junho de 20266min
0:00 / 6:54
Míriam Leitão afirma que o Banco Central brasileiro deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual e manter em aberto os próximos passos, enquanto o Federal Reserve tende a preservar os juros diante das pressões inflacionárias agravadas pela guerra entre EUA e Irã.

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Participantes neste episódio3
M

Miriam Leitão

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
M

Mílton Jung

Co-hostNarrador
Assuntos3
  • Legislação BrasileiraCorte de 0,25 ponto percentual na Selic · Incerteza sobre o fim do ciclo de queda · Inflação acima do teto da meta · Projeções de inflação para o futuro
  • Estadia nos Estados UnidosManutenção das taxas de juros · Pressões inflacionárias · Guerra entre EUA e Irã · Tom dos comunicados dos bancos centrais · Kevin Walsh · Jerome Powell · Donald Trump
  • Consequências econômicas das guerrasAumento artificial do preço do petróleo · Reabertura do Estreito de Hormuz · Pressão no segundo semestre
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MLMiriam Leitão

Dia a dia da economia com Miriam Leitão.

?Voz C

Bom dia para você, Miriam Leitão. Muito bom dia para você, Miriam Leitão.

MLMiriam Leitão

Bom dia, Milton Jung. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

?Voz D

Bom dia, Miriam.

?Voz C

Vamos de super quarta, vamos falar de juros aqui no Brasil e nos Estados Unidos.

MLMiriam Leitão

Vamos falar. Então, os juros aqui vão cair 0,25 ponto percentual. Essa deve ser a decisão que o Banco Central vai anunciar hoje no fim do dia. Isso é mais ou menos pacífico, a maioria dos economistas de mercado acha isso, mas a dúvida é o que que acontece depois. Ele vai dar um sinal de que é o fim do ciclo ou seja, vai parar de cair taxa de juros. Se ele fizer isso, o Banco Central fizer isso, significa o mais curto ciclo de queda de juros da história.

Mas eu acho que é muito mais provável que ele deixe em aberto. Ele tem se deixado livre para decidir a cada reunião, exatamente pela incerteza do ano de 2026. É um ano que começou de um jeito e teve uma, um plot twist total por causa da guerra do Trump contra o Irã. Então, ele vai deixar em aberto, eu acho, porque é mais razoável isso. Daqui a 45 dias, a próxima reunião, como é que estará o mundo? Se tiver tido realmente o acordo de paz e tiver reaberto o Estreito de Hormuz, o petróleo estará em 80 ou abaixo de 80, né?

Porque todo esse aumento do preço do petróleo é artificial, provocado pela guerra. Lembrando que no começo do ano estava em 60. E antes da guerra, imediatamente antes, tava em 70. Então pode ser que volte para níveis mais baixos e isso dê um horizonte de juros mais baixos, de inflação mais baixa, menos pressão no segundo semestre. E aí, assim sendo, o ciclo pode continuar, ainda que seja um ciclo temeroso que corta 0,25 a cada reunião, a cada 45 dias 0,25 a menos.

Mas isso tem razão de ser porque agora, quando o último dado de inflação, como a gente comentou aqui, o acumulado de 12 meses já deu acima do teto da meta. Então essa é a realidade, acima do teto da meta em 12 meses. E quando você olha para frente, é o juros previstos, né, a inflação prevista pelo mercado financeiro é de 5,3. Então os juros estão sendo revistos para cima nas projeções do mercado financeiro. Isso significa cair menos, né, então cair menos ao longo do ano.

A questão é: acaba agora ou continua? E o Banco Central se dá essa chance de continuar reduzindo taxa de juros. Como juros estão muito altos, eu acho que essa que vai ser a tendência. Em relação aos Estados Unidos, é também interessante olhar, também interessante olhar os próximos, os próximos passos, sinais que eles podem dar para os próximos passos. Está inaugurando, essa é a estreia, reunião de estreia de Kevin Walsh, o novo presidente do Banco Central.

O Jerome Powell, que era o ex-presidente, permanece no colegiado que vai decidir, porque lá você sai da presidência, sai do comando, mas permanece com o seu mandato de um dos integrantes da diretoria. Então, mas de qualquer maneira é uma, uma, um colegiado dividido, o Fed. E agora tem mais um voto do Kevin Walsh para, a favor de de uma política monetária mais frouxa, que é o que o Trump pediu. E nomeou o Kevin Walsh com esse mandato: vai lá reduzir taxa de juros.

Mas não pode reduzir nesse momento, a inflação tá em 4, inflação americana, os juros estão em 3,50 a 3,75 nessa banda, e isso significa que muito provavelmente vai manter taxa de juros. Mas tem gente, tem economistas dizendo que ao longo do ano talvez o Fed tenha que subir taxa de juros. E não descer como se esperava. Então é esse, esse aqui é o, esse aqui é a preocupação agora, quer dizer, o olhar do mercado financeiro, olhar dos economistas, é vamos olhar o que sinais eles dão para frente, tanto o Fed quanto o Banco Central.

?Voz D

Isso que eu ia te perguntar, Miriam, além dos juros, a decisão dos juros em si, todo mundo de olho também no tom que deve vir nos comunicados desses bancos centrais, né?

MLMiriam Leitão

Exatamente. Aqui no Brasil tem muita gente achando que ele vai comunicar o fim do ciclo, e eu acho que não. Acho que é muito mais razoável ele dizer que continua não definindo o que ele vai fazer na próxima reunião, porque assim ele fica livre, exatamente porque a situação, a conjuntura tá mudando. E nos Estados Unidos, eu não sei o que eles vão fazer, se eles vão dar algum sinal ou não, mas o que tá todo mundo achando lá, que Ele não tem como escapar de uma alta de taxa de juros.

Agora veja você a situação que tem emoção em tudo, até numa decisão de Banco Central, de Copom e de Fed, né? Tem sempre emoção, emoção política. No caso dos Estados Unidos é isso, é o presidente escolhido pelo Trump para reduzir taxa de juros, mas diante dele tá a possibilidade de ao longo do ano ele talvez tem que fazer uma alta de juros. No dia de hoje, acho que ele vai manter e não reduzir como o Trump gostaria. E não pode reduzir, não tem chance de reduzir.

Por quê? Porque a inflação subiu. E subiu por quê? Porque o Trump fez a guerra. A guerra do Trump bate aonde? No pé do Trump. Então ele atirou no próprio pé, além de nos atingir a todos.

?Voz C

Muito obrigado, Miriam. Um bom dia para você.

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