Episódios de Comentaristas

Ofensiva de Ricardo Couto contra Alerj cria 'problema' para o próximo governador do RJ

17 de junho de 20268min
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Couto exonerou, nesta quarta-feira (17), o coordenador de emendas parlamentares da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Adriano Conceição Magalhães, um dos responsáveis pela articulação e execução das verbas destinadas por deputados.

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Participantes neste episódio4
A

Ana Leoni

HostJornalista
B

Beatriz Pacheco

Co-hostJornalista
C

Carlos Eduardo Éboli

Co-hostJornalista
Á

Álvaro Machado Dias

AnuncioEspecialista
Assuntos5
  • Alerj· PoliticaCooptação do Executivo pelo Legislativo · Ricardo Couto · Rodrigo Bacelar · Governo Cláudio Castro · Alerj · Próximo governador do RJ
  • Instabilidade no governo do Rio de JaneiroPlano de retomada de territórios · Rio das Pedras · Musema · Gardênia Azul · Comando Vermelho · Supremo Tribunal Federal
  • Ação de Inconstitucionalidade contra Lei do Mandato-TampãoDouglas Ruas · PL · Supremo Tribunal Federal · Golpe jurídico
  • Esforço de Eduardo Paes para se aproximar de Ricardo CoutoEduardo Paes · PSD · Eduardo Cavalieri · Câmara de Vereadores
  • Transtorno do Espectro AutistaCarla Machado · Partido do Autista · Pessoas autistas e atípicas · Tribunal Superior Eleitoral
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?Voz B

Vamos nessa, vamos nessa.

?Voz C

Começar lá pelo Palácio Guanabara. Ricardo Couto trabalhando e tá criando problema para o sucessor no governo do Rio, é isso, Bianca?

?Voz B

Foi um dos pontos que mais ouvi repercutindo com políticos, secretários, com ex-políticos inclusive, com quem troquei mensagens sobre essa fala das mais contundentes feitas pelo Ricardo Couto de um processo que nós denunciamos aqui nos últimos 3 anos no CBN Rio de cooptação do Executivo pelo Legislativo. Com um Executivo fraco, como foi o governo Cláudio Castro, o Legislativo, sobretudo na figura do seu ex-presidente Rodrigo Bacelá, viu a oportunidade de criar um mecanismo de poder no Rio de Janeiro que deu para a Lerje uma ascendência sobre nomeação de secretários, sobre controle do orçamento, sobre direcionamento do comando de batalhão, de delegacia, de tudo que envolve decisão do governador, passou a ser prerrogativa de um grupo de deputados estaduais.

Isso é dado, os políticos do Rio de Janeiro sabem disso e tem participação, inclusive da oposição, mesmo não tendo votado no Cláudio Castro. Muitos inclusive ocuparam espaços na administração pública. Isso foi algo que vem desde lá de trás. Aí trago aqui muito das conversas que eu tive, desde o Cabral, desde o Pezão, até chegar no ápice com o Cláudio Castro. E aí, qual é o problema que fica para o futuro governador? Porque o governador em exercício, ele cria um problema na medida em que ele cria mecanismos de valorização de servidores em subsecretarias, por exemplo.

Ele reduz cargos comissionados para evitar a chegada de fantasmas ao governo do Rio de Janeiro, aos cargos públicos do Rio de Janeiro, e implementa uma triagem para essas nomeações do governo. Tudo o que a alerje tem para poder cobrar espaço, o governador em exercício limitou. Criou ali mecanismos de transparência. E no futuro, o governador que assumir o cargo em outubro— ninguém fala mais em detalhe, né? Importante, ninguém fala mais em eleição indireta.

Todo mundo já dá que o próximo governador entra em 1º de janeiro de 2026 recebendo o cargo da mão do Ricardo Couto. Isso é o que tá dado depois da eleição de outubro, depois da eleição de outubro normal, né? Num cenário anormal, isso será o normal. É pelo menos como a política interpreta o momento atual. Mas para que se tenha uma, um outro governo, o novo governador vai precisar criar uma outra forma de lidar com a Alerj, porque esta forma que a gente viu ser construída nos últimos 20, 30 anos mudou com Ricardo Couto.

E aí, no cenário que nós temos, vou trazer aqui repercussões do lado do PL e do PSD. Primeiro do lado do PL, partido do presidente da Alerj, Douglas Ruas. A declaração que ele deu ontem de que ele vai ficar mais 90 dias no cargo foi sabida como mais uma etapa do que o partido trata de golpe jurídico. Eles entendem que o Douglas Ruas, uma vez presidente da Alerj, deveria ter assumido o cargo de governador, e já fizeram esse pedido mais de uma vez ao Supremo Tribunal Federal.

Não conseguiram. Essa tese do golpe jurídico é restrita aos bastidores e aos discursos de poucos parlamentares, porque o PL sabe: a aprovação do Ricardo Couto cresce. Do lado do PSD, chega a ser até engraçado, curioso para dizer o mínimo, o esforço do Eduardo Paes e do seu grupo político para se aproximar do Ricardo Couto. Um monte de tabelinha. Por exemplo, quando o governador interino limitou as regras para nomeação de servidores comissionados, o Eduardo Cavalieri foi lá, pautou o mesmo projeto na Câmara de Vereadores, a Câmara pautou, Eduardo Cavalieri sancionou, e isso foi celebrado.

Há uma tentativa do Eduardo Paes, do seu grupo político, de se colar nessa posição austera, técnica, que o governador Ricardo Couto tá colocando como governador interino para o estado do Rio de Janeiro. Mas todos sabem que a lógica de loteamento de secretarias, por exemplo, para partidos aliados é feita na prefeitura. Eduardo Paes também sempre atuou de uma mesma maneira. O fato é, estamos aí com Ricardo Couto avançando cada vez mais, prevendo ele próprio ficar pelo menos mais 90 dias no governo, o que daria ali setembro, pelo menos até setembro.

Pelo menos se criou, por uma contingência do tempo, uma nova forma de fazer política no Rio de Janeiro, que é um problema para o próximo governador, porque se desfizer vai ter que decretar, vai ter que desfazer na caneta. E será um ônus para o futuro. É, pelo menos é assim que parte da política do Rio tá vendo o atual momento que estamos vivendo.

?Voz C

Vamos fazer o seguinte, uma pausa para o Repórter CBN, Conversa de Bastidor em duas partes hoje. Você volta logo depois, 11:31. Voltamos com Conversa de Bastidor.

?Voz B

Leandro Rezende, para a gente amarrar aqui um outro tópico que mencionei no outro bloco, mas é mais um registro histórico de enquanto O governo interioriano tem andado numa frente. Há um atraso com relação à política de segurança pública no estado. O Supremo Tribunal Federal está há 6 meses para julgar um plano de retomada de territórios que foi apresentado pelo governo Cláudio Castro. Ainda o governo Cláudio Castro apresentou um projeto para retomar territórios em Rio das Pedras, Musema e Gardênia Azul, região historicamente explorada pela milícia.

Que recentemente foi invadida pelo Comando Vermelho. E é uma história que a gente acompanhou de muito perto aqui no nosso CBN Rio. Esse plano foi apresentado no dia 22 de dezembro e vamos completar na próxima segunda-feira 6 meses sem que o Supremo Tribunal Federal tenha homologado o plano. Para ele ser colocado em prática é necessária essa homologação. Supremo Tribunal Federal tem outras prioridades. Uma pena que algo que já esteja ali foi muito cobrado, teve participação do Ministério Público, do Ministério Público Federal, do Governo do Estado, da Secretaria de Segurança, do Conselho Nacional do Ministério Público.

Posso citar aqui instituições várias, e esse plano, que é uma obrigatoriedade determinada pelo próprio Supremo, esteja aí há quase 6 meses sem ter sido sequer avaliado. Enquanto isso, Rio das Pedras, Musema e Gardênia Azul, como muitas outras partes do Rio de Janeiro sofrem sob o comando do crime organizado.

?Voz C

E mais uma: deputada de São João da Barra se engaja na criação de um novo partido. Que história é essa?

?Voz B

É um, a deputada Carla Machado, né, para fechar aqui bem rapidamente, conversa de bastidor, porque essa é uma nota mais curiosa. A gente já tem um monte de partido no Brasil e tem outros 19 em criação, outros 19 partidos estão disputando lá para ser criado, e um deles tem o DNA do Rio de Janeiro. Carla Machado, deputada estadual recentemente filiada ao PSD, tá ajudando a criar o Partido do Autista, um importante reforço para o movimento que busca criar a primeira legenda brasileira voltada à defesa dos direitos das pessoas autistas e atípicas.

A Carla Machado é reconhecida por essas pautas de inclusão, sustentabilidade e acessibilidade, principalmente é uma embaixadora nacional desse partido, que é um dos 19 que estão ali na fila para serem criados no nosso Brasilzão, lá no Tribunal Superior Eleitoral.

?Voz C

Valeu! Conversa de bastidor sempre às quartas-feiras, também em podcast.

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