Julgamentos no STF desta semana terão impacto político
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- Julgamentos STFCondenação de Eduardo Bolsonaro · Manutenção das prisões de pai e primo de Daniel Vorcaro · Divisões internas no STF · Caso Master · Ministro Gilmar Mendes · Ministro André Mendonça · Ministro Alexandre de Moraes · Daniel Vorcaro
- Influência política e conexõesAproximação com parlamentares graúdos · Pagamentos de favores de Daniel Vorcaro · Senador Ciro Nogueira · Presidente da Câmara, Arthur Lira · Presidente do Senado, Davi Alcolumbre · Revista Veja · Crise escalando para os três poderes · Caso Master como fator decisivo para eleições
- Colaboracao PremiadaPropostas de delação de Vorcaro recusadas · Dilema de Daniel Vorcaro · Delação do Tenente-Coronel Mauro Cid · Críticas ao instituto da delação · Coação e chantagem · Líder do governo, Jaques Wagner
- FutebolPalpites para jogos · Portugal vs. República do Congo · Inglaterra vs. Croácia · Gilson (comercial)
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Vera aqui com a gente no estúdio. Tudo bem, Vera?
Tudo bem. Boa tarde, Sardinha, Merg, Cássia. Boa tarde para os ouvintes também, para quem nos assiste. Boa tarde, Vera.
Vera vai nos falar dos dois julgamentos de ontem do Supremo Tribunal Federal, de uma turma que condenou o Eduardo Bolsonaro e a outra turma que manteve as prisões do pai e do primo de Daniel Borcaro. As duas decisões têm impacto político, né?
As duas decisões têm impacto político, Sardenberg, e mostram um Supremo Tribunal Federal bastante dividido. Como a gente vinha dizendo, a decisão que condenou o Eduardo Bolsonaro foi unânime, mas foi unânime, como a gente dizia ontem, num colegiado— até troquei a primeira e a segunda turma no comentário de ontem, já peço desculpa para o nosso ouvinte que prestou atenção no meu engano— mas num colegiado que tem ainda uma união em torno do Ministro Alexandre de Moraes.
A gente viu que essa união não disse respeito ao Supremo como um todo. E na discussão sobre manter ou não preso o Daniel Vorcaro, as divisões internas já começaram a aflorar, e elas afloraram pela primeira vez publicamente. Até escrevi uma coluna na semana passada que quando eles voltassem daquela espécie de recesso que houve no feriado e que houve com Gilmar Palus, essas tensões iam começar a aparecer para além dos bastidores.
Elas iam aflorar mais publicamente, porque eles estavam falando muito mal uns dos outros em off, ali nos bastidores. E não demorou, no julgamento para decidir se o pai e o primo do Forcado seriam soltos, o ministro Gilmar Mendes fez admoestações públicas ali ao inquérito que cuida do caso Master e recebeu também uma resposta pública por parte do ministro André Mendonça. Que disse que tá vendo com preocupação essa tentativa de desmoralização dele e dos investigadores, quando na verdade o que se sabe é que existe coisa muito grave ali no caso Master.
Ele até usou uma frase recorrente do ministro Alexandre de Moraes para dar uma estocada nesse outro grupo, que é o grupo que nos bastidores se opõe a ele, formado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e outros. Ao dizer que o caso Master não foi um passeio no parque, que é como o Alexandre de Moraes gosta de se referir vira e mexe ao 8 de janeiro, lembrar que não foi um passeio no parque. Então a gente tem hoje esse Supremo dividido, marcado pelo caso Master, porque tem dois ministros, pelo menos, que se relacionaram com Daniel Vorcário de alguma maneira e que aparecem ali como fatores de constrangimento interno institucional.
Para que o caso continue. E foi interessante ver as duas turmas trabalhando quase simultaneamente em casos de grande teor ali de tensão política e com grupos divergentes pautando a discussão em uma e em outra turma.
E a gente tem essa divergência no Supremo. E como você pontua aqui na sua coluna, Vera, a gente tem também um enfrentamento institucional entre os diferentes poderes.
Sim, porque agora nessa nova fase aí da operação que diz respeito ao Banco Master, a gente vê a coisa se aproximando mais e mais de parlamentares graúdos ali do Congresso. A gente teve ontem a revelação com a abertura do sigilo de pagamentos de favores, novos pagamentos de favores do Daniel Vorcari ao senador Ciro Nogueira e também ao presidente da Câmara, Hugo Motta. E o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, usou uma sessão da casa para, a partir da cadeira de presidente, fazer uma defesa inflamada ali da própria honra e da própria reputação, e dizer que vai às últimas consequências para saber quem foi que vazou, quem foi o responsável por dizer que ele teria recebido $30 milhões do Vorkaro, algo que ele nega veementemente.
Mas ele transformou uma acusação que é pessoal a ele numa acusação contra todo o Senado. Chegou a dizer: essa é uma acusação que recai sobre todos nós, porque amanhã pode ser cada um dos senhores. Então, tentando obter um respaldo e uma solidariedade dos pares para, segundo ele, ir às últimas consequências. A gente não sabe contra quem ele tá dizendo, se é contra a Polícia Federal, Ministério Público, ou até a revista que publicou as informações, que foi a Revista Veja, na semana passada, né?
Então a crise escalando aí para os três poderes de alguma forma, e de uma maneira ou de outra o caso Master se firmando como um fator decisivo, inclusive para as eleições.
E com as duas propostas de delação do Volcaro recusadas, ele fica agora num dilema, né? Quer dizer, ele vai enfrentar o julgamento, vai enfrentar o encaminhamento normal do processo, ou então ele pegar muitos anos de cadeia, ou então ele entrega quem tem que entregar, faz uma nova proposta, né?
Mas aí vai ter de mudar. Tem alguns casos em que ele já chegou a apresentar versões conflitantes nas duas tentativas. Nessa terceira pode chegar e complementar, não seria inédito, né? A gente viu esse vai e vem, por exemplo, no caso da delação do Tenente-Coronel Mauro Cid. Mas a gente também começa a ver questionamentos mais ataques incisivos ao próprio instituto da delação. Ontem, o líder do governo, Jax Wagner, usou esse discurso do Alcolumbre para se insurgir contra a delação e falando: olha, nós, falando do governo Dilma, erramos quando regulamentamos a delação e não previmos que não podia fazer com réu preso, porque isso se, isso equivale a uma coação.
E aí citou o caso da prisão do Lula, só que ele se esqueceu convenientemente da delação do Mauro Cid, do Mauro Cid, exatamente, que se deu com réu preso e com muitas idas e vindas e com muitos questionamentos, porque ela teve versões conflitantes o tempo inteiro e chegou a ter até aquelas mensagens dele dizendo que estava sendo muito pressionado a delatar. Então é isso, quando interessa a um grupo, delação é ótima, quando não interessa, passa a ser algo que se aproxima da coação, da chantagem, etc.
E por falar nesse aspecto, o ministro André Mendonça ainda não decidiu onde o Voltaire continuar preso, né?
É, tem o pedido para que ele volte para Papuda e ele ainda não despachou nessa solicitação aí da própria PF.
Um dado importante só para concluir é que ele pode sim tentar uma terceira delação.
Pode, pode tentar.
Que nem que você tá falando, o caso Mauro Cid, né? Foi, voltou várias vezes, né?
Mas o que ele precisa apresentar também provas do que ele fala, né? Porque senão você briga com uma versão dele mesmo contra outra, e aí não se sabe qual que é a mais fidedigna, né?
Tá certo. Vera Magalhães, obrigado, Vera, e até amanhã.
Até amanhã, um ótimo jornal para vocês. E hoje à noite não tem viva voz, mas amanhã tem.
É que a Vera, ela tá trabalhando, gente. Quando ela não faz o viva voz por causa da Copa, sabe o que ela tá fazendo, Carlos Alberto? Brilhando no bolão, aprimorando os palpites. Tá em segundo lugar já?
Em segundo, só falta achar o primeiro, que Que é o Gilson, que é do comercial, não é aqui da redação. Todo mundo curioso para saber quem é o líder do bolão.
Olha aí, Gilson, tudo bem? Esse não aparece, conta segredo. Exato.
Então vamos aproveitar aqui para os jogos de hoje. Como é que você cravou?
Eu coloquei 3 a 0 para Portugal, vamos ver se eu exagerei.
Contra República do Congo.
E coloquei empate para Inglaterra, que eu não tô botando essa certeza.
Inglaterra e Croácia você botou empate? É.
E aí o outro eu não lembro, Sardenberg, mas eu vou cravar também.
Olha aí, gostei da confiança. Eu tava pensando aqui, eu não lembro nada de cabeça do que eu coloquei no papel.
Não lembro qual é o outro jogo menos emocionante. Eu lembro desses dois. Tá certo.
Tá bom, obrigado, Vera.
Tchau, gente.
Até mais.
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