Decisão do STF mantém pai e primo de Daniel Vorcaro presos
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Fernando
Maria Cristina Fernandes
- Decisão do TRF1 sobre liberação de VorcaroDaniel Vorcaro · Henrique Vorcaro · Felipe Cansado Vorcaro · Prisão preventiva · Lava Jato · Obstrução de justiça · Delação premiada · Operação Master
- Ministros do STFGilmar Mendes · André Mendonça · Dias Toffoli · Divergência de votos · Prisão domiciliar
- Magnatas do crime e lavagem de dinheiroCOAF · Ocultação de dinheiro · Máfia · Arsenal de armas
- Segurança de dados em cloudAcesso à nuvem · Informações de telefone · Sicário
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Maria Cristina Fernandes daqui a pouco com a gente. A gente vai falar sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal. Decidiu ontem, por 3 votos a 1, manter as prisões preventivas de Henrique Vorcaro, que é o pai do Daniel Vorcaro, do banqueiro Daniel Vorcaro, e também Felipe Cansado Vorcaro, primo dele. Maria Cristina, me ouve agora?
Sim, ouço. Sim, Fernando, tudo bem.
Maria Cristina, bom, boa tarde. Boa tarde. Bom, sobre essa decisão, Maria Cristina, que manteve então o pai e o primo de Vôrcaro ainda em prisão, é uma prisão, como é que se diz, preventiva. Preventiva. Quero saber o que que pesou para manter essas prisões e os próximos passos, Maria Cristina.
Bem, Fernando, foi uma decisão que ao final foi tomada por 3 a 1, 4 votos a despeito da turma ter 5 integrantes, porque o ministro Dias Toffoli é suspeito no caso. E o que que aconteceu ontem? O presidente da turma, o ministro Gilmar Mendes, abriu porque era Ele que pediu vista, então ele devolveu a vista com o seu voto. E o seu voto foi 1 hora e 20 de comparação do que estava acontecendo no caso Master com a Lava Jato. Ele disse que a prisão prolongada era uma prática lavajatista, estavam ali a ver práticas processuais do que ele chamou de família empangerada Lava Jato.
E entre as práticas ilícitas estaria a instrumentalização de expedientes para forçar uma delação premiada. Que juiz algum pode se comportar como delegado de polícia, que todos sabemos como isso termina, ele falou. Estaria havendo cerceamento de direito de defesa e que era preciso ficar atento para não gerar nulidade, e que o que estava se julgando ali não era o caso Márcia em si, mas os fundamentos da prisão, e que ele mantinha a decisão contrária à continuidade da prisão preventiva e se manifestava pela prisão domiciliar.
Bem, o que a gente precisa dizer aqui é que foi 1 hora e 20 praticamente o tempo inteiro de comparação. Talvez o ato que que simbolizem mais a Lava Jato, dos mais de 5 anos em que a Lava Jato esteve aí, o processo correu, talvez o ato mais simbólico da Lava Jato tenha sido a decisão do próprio ministro Mamente, que impediu a posse do ex-presidente Lula na Casa Civil em função de um áudio de uma gravação da ex-presidente Dilma Rousseff, no período que já não estava mais autorizado pelo ex-juiz Sérgio Moro, um diálogo dela com o presidente Lula.
Então, essa decisão jamais foi levada a plenário, mas eis que o Supremo passou 5 anos referendando as decisões da Lava Jato, depois que veio a Vaza Jato, mostrando ali o conluio de juiz com Ministério Público e também que a Lava Jato passou a incluir um grande número de personagens da cena política de Brasília, multipartidária, né? E eis que muitos ministros, entre os quais o decano, se manifestaram contrariamente. Então veio o relator, Ministro André Mendonça, para rebater a peroração do decano.
Disse que não admitiria as tentativas de desacreditar a atuação dele como julgador e dos investigadores, que ele não prende para fazer delação, ele não dormiria tranquilo se o fizesse. Delação é um ato de vontade da defesa, que a investigação já tinha muitas provas e que ele não estava preocupado em pegar ninguém com delação, estava preocupado com o que a investigação vier a apontar. E chegou a dizer, ressalvando que não estava tratando do José Luiz Oliveira Lima, né, o conhecido por Juca, que não estava falando dele, mas que um advogado Chegou até se dizendo que queria fazer uma delação seletiva.
E aí disse que perderam completamente o pudor. Por delação seletiva, eu entrego isso aqui, mas não entrego aquilo, né? E uma delação não pode ser seletiva, né? Precisa, a gente precisa explicar isso porque E parece que isso também não tá muito claro, né, ali para advocacia aí que tá gerando em torno da Lava Jato. E aí foi quando ele trouxe alguns elementos que não estavam ainda nos autos, mostrando por que que a prisão preventiva, extensão dela, se justificava.
Ele disse: eu quero, gostaria de mandá-lo para prisão domiciliar, mas lá ele terá acesso a Internet, poderá movimentar recursos, poderá ocultar provas. E o que nós vimos e que levou a essa prisão preventiva foi uma trama com obstrução de justiça, com— porque aí ele mostrou como a irmã do Felipe Mourão, o dito sicário que tirou sua própria vida na prisão em Belo Horizonte, como ela estava a ameaçar o Felipe Vorcaro, pai do Daniel Vorcaro, o banqueiro do Master.
E o Henrique Vorcaro mobilizou um arsenal, o seu, é o que eles chamam de a turma, né, que são milicianos que fazem serviços para ele. E esses milicianos foram encontrados nas casas deles, é um arsenal de armas e fuzis, munição tanto de armas quanto de fuzis. Há evidências nessas trocas de mensagem crimes de obstrução de justiça, tentativa de compra de testemunha, que a irmã e a mãe do Felipe Mourão, do sicário. Entre as armas que foram apreendidas ali, armas que tiveram seu número de série apagado, raspado, para dificultar justamente o rastreamento de executores de crimes, né, de assassinatos.
E ficou evidente que E eles atuaram, preso Daniel Vorcaro, essa turma atuou até a véspera da operação que prendeu o pai do Daniel Vorcaro e o primo dele, o Felipe Vorcaro, que é responsável pela movimentação financeira do que o André Mendonça chamou de máfia. Ele tratou essas pessoas arregimentadas pelo Daniel Vorcaro como uma máfia. E citou o relatório de inteligência do COAF com transferências que até abril de 2026 chegaram a R$18 bilhões, que ele definiu como transferências destinadas a ocultar o dinheiro em algum lugar no exterior, provavelmente com o objetivo de, uma vez que esses investigados venham a sair da prisão, eles poderem usufruir desses recursos que se pretendia ocultar dos investigadores.
O ministro Gilmar Mendes ainda chegou a argumentar que esses elementos, né, sobre esses detalhes da atuação dessa milícia do Vorkaro não estavam nos autos. E o advogado também tentou falar dizendo que a justificativa desses pagamentos aí referente essas transferências estavam com a PGR porque a Polícia Federal não é confiável, o advogado chegou a dizer. Eu achei bastante forte essa afirmação, em vista que estava ali no plenário da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal o advogado do réu dizendo que a Polícia Federal não é confiável, né, principal polícia do país.
E aí o André Mendonça reagiu, disse que não admitiria as tentativas de desacreditar a sua atuação, né? E o Gilmar Mendes voltou quando ele disse que não tava preocupado em fazer delação, que isso era um instrumento da defesa, não é do juiz, né? Aí o Gilmar Mendes disse que a lei não lhe confere este poder, né, de negociar delação. E aí a gente lembra que— e aí ele sempre remete à Lava Jato, mas a gente lembra o que é que houve no inquérito golpista, né, Fernando? A delação.
Existe ainda espaço para delação depois de duas negativas de PGR e Polícia Federal?
Tem, Fernando. O Daniel Vorcaro ainda Ele não voltou aí às dependências em que ele vai ficar com mais restrição de movimento, de receber as pessoas e advogados. Mas o fato é que todas as informações que nós temos é que não tem colaborado em nada, acha que ele não fez nada de errado. E agora vamos ver se isso, se ele resistirá a uma prisão de fato mais longa. Agora, o que o ministro André Mendonça demonstrou é que ele não tá em busca de delação.
Em algum momento ele disse: olha, nós vamos ter acesso à nuvem, porque este, esta pessoa que morreu, o sicário, né, cuja irmã está ali, disse que acabaria com qualquer delação que se fizesse, porque ia expor. Ela disse que teve acesso às informações da nuvem, né, que guardam, guardava o arquivo do telefone do irmão morto. E aí ele disse que a polícia ainda não tinha tido acesso, mas que terá acesso a esta nuvem. Então, o que ele demonstrou é que tem muita informação ainda para aparecer.
Então, se tem tanta informação assim a aparecer, o que ele disse é que não estão precisando de delação no momento. Foi isso que ele resumiu, né? Então, isso demonstra, Fernando, só para resumir, que esse inquérito master Chegou no ponto muito nervoso dentro do Supremo. Foi exposta aí a divisão aberta pelo decano com o relator do inquérito, o ministro André Mendonça. E eu diria que é só o começo.
Maria Cristina Fernandes, obrigado pela conversa hoje. Uma boa tarde para você, até amanhã.
Eu que agradeço, Fernando. Boa tarde aos ouvintes, até amanhã.
— Anúncios inseridos dinamicamente —